{"id":274821,"date":"2019-02-25T07:18:11","date_gmt":"2019-02-25T10:18:11","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=274821"},"modified":"2019-02-25T07:18:11","modified_gmt":"2019-02-25T10:18:11","slug":"os-dinossauros-nao-sumiram-por-conta-de-um-meteorito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-dinossauros-nao-sumiram-por-conta-de-um-meteorito\/","title":{"rendered":"Os dinossauros n\u00e3o sumiram por conta de um meteorito"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">An\u00e1lise geol\u00f3gica tenta precisar a sequ\u00eancia de cataclismos que acabou com 75% da vida terrestre<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Daniel Mediavilla\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/daniel_mediavilla_gonzalez\/a\/\">DANIEL MEDIAVILLA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/02\/20\/ciencia\/1550676795_194734_1550819860_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/02\/20\/ciencia\/1550676795_194734_1550819860_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/02\/20\/ciencia\/1550676795_194734_1550819860_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/02\/20\/ciencia\/1550676795_194734_1550819860_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"meteorito dinosaurios\" width=\"980\" height=\"565\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Esta \u00e9 a apar\u00eancia, milh\u00f5es de anos depois, dos restos das erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas que acabaram com os dinossauros.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">LOY C. VANDERLUYSEN<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">De tempos em tempos, na Terra acontece um gigantesco holocausto que tamb\u00e9m costuma ser uma mudan\u00e7a de regime. H\u00e1 2,8 bilh\u00f5es de anos, um novo grupo de microrganismos, as cianobact\u00e9rias, come\u00e7ou a produzir oxig\u00eanio fazendo fotoss\u00edntese. Transformaram o mundo e tornaram poss\u00edvel a vida como a conhecemos, mas aniquilaram os organismos que haviam dominado o planeta at\u00e9 ent\u00e3o porque o oxig\u00eanio era t\u00f3xico para eles. Como resume um dos l\u00edderes da revolu\u00e7\u00e3o ultraconservadora relatada em\u00a0<em>O Conto da Aia<\/em>, de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/margaret_atwood\">Margaret Atwood<\/a>, \u201cmelhor nunca significa melhor para todos, sempre significa pior para alguns\u201d. E o que \u00e9 v\u00e1lido para as revolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lido para as biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Das cinco grandes extin\u00e7\u00f5es que aconteceram depois, a mais letal ocorreu h\u00e1 252 milh\u00f5es de anos, no final do Permiano. Ent\u00e3o, uma descomunal erup\u00e7\u00e3o na Sib\u00e9ria inundou a atmosfera de CO2 e produziu um intenso efeito estufa que exacerbou a atividade de alguns micr\u00f3bios produtores de metano. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/oceanos_y_mares\">oceanos<\/a>\u00a0se tornaram mais \u00e1cidos e perderam oxig\u00eanio, e a destrui\u00e7\u00e3o parcial da camada de oz\u00f4nio permitiu que a radia\u00e7\u00e3o ultravioleta arrasasse a superf\u00edcie terrestre. Estima-se que 96% das esp\u00e9cies que habitavam a Terra morreram em menos de um milh\u00e3o de anos, um breve per\u00edodo se considerarmos as escalas geol\u00f3gicas.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\" dir=\"ltr\">Uma gigantesca erup\u00e7\u00e3o na Sib\u00e9ria est\u00e1 na origem da maior extin\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da Terra<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de aniquilar a vida quase por completo, a grande mortandade, como se designa essa extin\u00e7\u00e3o em massa, n\u00e3o \u00e9 a mais conhecida de todas. Essa honra cabe ao que aconteceu no final do per\u00edodo Cret\u00e1ceo, cerca de 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, o cataclismo que varreu um dos grupos de animais mais fascinantes que pisaram na Terra. Ao escavarem o solo em busca de f\u00f3sseis para reconstruir o passado, os cientistas observaram que naquele momento a maioria dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dinosaurios\">dinossauros<\/a>\u00a0desapareceu, assim como praticamente 75% dos seres vivos da \u00e9poca. Nesse estrato, Luis \u00c1lvarez e seu filho Walter descobriram nos anos oitenta uma grande quantidade de ir\u00eddio, um material muito raro em nosso planeta, mas abundante em meteoritos e asteroides. A partir do ir\u00eddio calcularam que uma rocha de 10 quil\u00f4metros de di\u00e2metro vinda do espa\u00e7o foi provavelmente a culpada por aquela hecatombe. Logo depois a teoria foi refor\u00e7ada, quando foi encontrada uma cratera na pen\u00ednsula mexicana de Yucat\u00e1n, identificada como o local do impacto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Mas a vida n\u00e3o cambaleia em escala planet\u00e1ria por um \u00fanico golpe, por mais forte seja, e h\u00e1 tempos se defende que uma s\u00e9rie de erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas ao longo de centenas de milhares de anos, como aconteceu em eventos similares ao longo a hist\u00f3ria do planeta, foram mudando o clima e as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas da Terra, preparando o terreno para a extin\u00e7\u00e3o do Cret\u00e1ceo. O lugar dessas erup\u00e7\u00f5es s\u00e3o as escadas de Deccan, uma das maiores regi\u00f5es vulc\u00e2nicas do planeta localizada na \u00cdndia. Hoje, duas equipes de cientistas publicam na revista\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0medi\u00e7\u00f5es de alta precis\u00e3o da regi\u00e3o para tentar reconstruir o curso dos acontecimentos que acabaram com os dinossauros.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Por um lado, uma equipe liderada por Blair Schoene, Universidade de Princeton (EUA), usou um m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o que tomou como refer\u00eancia o ritmo no qual o ur\u00e2nio se desintegra radioativamente para se transformar em chumbo. Assim calcularam que as erup\u00e7\u00f5es de Deccan come\u00e7aram dezenas de milhares de anos antes do grande asteroide. Grandes quantidades de metano, di\u00f3xido de carbono e di\u00f3xido de enxofre lan\u00e7adas na atmosfera pelos vulc\u00f5es teriam provocado transtornos planet\u00e1rios capazes de extinguir grande parte da vida terrestre muito antes da chegada do asteroide.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\" dir=\"ltr\">\u00c9 prov\u00e1vel que os dinossauros tenham levado dezenas de milhares de anos para sucumbir aos cataclismos que os aniquilaram<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Em um segundo estudo, liderado por Courtney Sprain, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley (EUA), foi usado arg\u00f4nio radioativo para calcular o momento em que as erup\u00e7\u00f5es ocorreram. Embora os resultados n\u00e3o sejam muito diferentes, existem interpreta\u00e7\u00f5es distintas dos dados e se sugere que o choque no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mexico\">M\u00e9xico<\/a>, praticamente nos ant\u00edpodas da \u00cdndia, acelerou as erup\u00e7\u00f5es e produziu uma emiss\u00e3o de gases respons\u00e1veis em parte pelas extin\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A cat\u00e1strofe, que facilitou a chegada dos mam\u00edferos e, finalmente, da nossa linhagem, talvez n\u00e3o deva ser imaginada como costumam fazer os filmes de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hollywood\">Hollywood<\/a>, com um impacto iminente que acabar\u00e1 com a vida na Terra em poucos dias. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil dizer qual foi a escala temporal exata da extin\u00e7\u00e3o\u201d, admite Paul Renne, pesquisador de Berkeley e coautor de um dos estudos. \u201cDe fato, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha sido vari\u00e1vel para diferentes animais e plantas, dependendo de sua posi\u00e7\u00e3o na cadeia alimentar. Parece claro que o pl\u00e2ncton marinho foi o mais r\u00e1pido a desaparecer, provavelmente em menos de 10.000 anos. Para outros animais, especialmente os terrestres, como os dinossauros, pode ter levado mais tempo, mas \u00e9 algo muito controvertido\u201d, afirma. E conclui: \u201cUma coisa \u00e9 certa: a extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu em um instante como nos filmes\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De tempos em tempos, na Terra acontece um gigantesco holocausto que tamb\u00e9m costuma ser uma mudan\u00e7a de regime. H\u00e1 2,8 bilh\u00f5es de anos, um novo grupo de microrganismos, as cianobact\u00e9rias, come\u00e7ou a produzir oxig\u00eanio fazendo fotoss\u00edntese. 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