{"id":275541,"date":"2019-03-03T16:08:29","date_gmt":"2019-03-03T19:08:29","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=275541"},"modified":"2019-03-03T16:08:29","modified_gmt":"2019-03-03T19:08:29","slug":"vida-e-morte-como-lidar-com-o-luto-na-velhice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/vida-e-morte-como-lidar-com-o-luto-na-velhice\/","title":{"rendered":"Vida e morte: como lidar com o luto na velhice"},"content":{"rendered":"<header class=\"article-header\">\n<h1 class=\"article-title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"article-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Partindo dos casos de Bibi Ferreira e Ricardo Boechat, nossa colunista reflete sobre como enxergar e trabalhar a perspectiva da morte das pessoas<\/h2>\n<div class=\"article-author\" style=\"text-align: justify;\">Por\u00a0<strong>Dra. Maisa Kairalla<\/strong><\/div>\n<\/header>\n<section class=\"article-content\">\n<div class=\"featured-image\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" class=\"abril-image optimized lazyloaded\" title=\"O luto no envelhecimento\" src=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/02\/idosos-sentados.jpg\" sizes=\"(min-width: 991px) 680px, (max-width: 420px) 420px, (max-width: 360px) 360px, \" srcset=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/02\/idosos-sentados.jpg?quality=85&amp;strip=info&amp;resize=680,453 680w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/02\/idosos-sentados.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=420,280 420w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/02\/idosos-sentados.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=360,240 360w, \" alt=\"como lidar com luto e morte\" \/><\/div>\n<p class=\"caption\">O luto tem suas particularidades entre as pessoas mais velhas\u00a0(Ilustra\u00e7\u00e3o: Daniel Almeida\/SA\u00daDE \u00e9 Vital)<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que acontece quando a morte se torna presen\u00e7a constante em nossas vidas? Quando as pessoas ao redor v\u00e3o nos deixando? Ou quando somos impactados pela perda de indiv\u00edduos t\u00e3o reconhecidos no cen\u00e1rio nacional, como o jornalista\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ricardo_Boechat\">Ricardo Boechat<\/a><\/strong>, de 66 anos, e a diva do teatro brasileiro,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bibi_Ferreira\"><strong>Bibi Ferreira<\/strong><\/a>, de 96 anos?<\/p>\n<div class=\"teads-inread\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"teads-player teads-compensation-div\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada morte nos afeta de uma maneira, a depender de suas circunst\u00e2ncias. E cada pessoa sente, \u00e0 sua maneira, a dor da perda, o luto. Em conversa durante um de meus atendimentos com um paciente de 80 anos, observei que seu pesar vinha marcado pela percep\u00e7\u00e3o de que as pessoas que fizeram parte de sua hist\u00f3ria estavam morrendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nessas horas que recordo qu\u00e3o fr\u00e1geis nos colocamos frente a uma de nossas maiores certezas: a de que um dia todos n\u00f3s enfrentaremos a morte de algu\u00e9m que conhecemos, que amamos. Mais ainda: que um dia todos morreremos. Embora possa soar como clich\u00ea, fato \u00e9 que a grande maioria dos seres humanos n\u00e3o est\u00e1 preparada para lidar com a perda e com a terminalidade da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao passo que celebramos os nascimentos, repudiamos a ideia de morte.\u00a0<strong>N\u00e3o sabemos lidar com o luto<\/strong>. Temos medo do fim. E isso pode se agravar na\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/envelhecimento\">velhice<\/a>. At\u00e9 mesmo por ser uma etapa da vida em que perdemos pessoas pelo caminho e na qual podemos nos sentir cada vez mais pr\u00f3ximos do fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um levantamento recente, realizado com 2 mil brasileiros com mais de 55 anos de idade em dez capitais do pa\u00eds, mostrou que a morte est\u00e1 entre as dez respostas mais citadas como a primeira coisa que vem \u00e0 mente quando as pessoas pensam na velhice. Dif\u00edcil n\u00e3o associar uma coisa \u00e0 outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a quest\u00e3o mais desafiadora aqui \u00e9: como sobreviver \u00e0 perda de um filho, de um c\u00f4njuge ou de ambos, de amigos e parentes? Ou mesmo de pessoas que marcaram nossa vida, seja no teatro, no r\u00e1dio ou na TV, como Boechat e Bibi? Como podemos nos preparar para dizer adeus, inclusive quando somos n\u00f3s que estamos partindo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas apontam que a morte de um ente querido est\u00e1 entre as experi\u00eancias mais estressantes de nossas vidas. H\u00e1 evid\u00eancias de que, embora a maioria das pessoas consiga superar o luto, cerca de 10% encaram um sofrimento prolongado e duro. O grupo que mais t\u00eam dificuldades nesse sentido \u00e9 aquele na faixa entre 75 e 84 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chega at\u00e9 a ser paradoxal. Na medida em que temos empreendido esfor\u00e7os para nos tornarmos longevos e\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/blog\/chegue-bem\/envelhecimento-sustentavel-um-proposito-de-vida\/\">conquistarmos uma velhice sustent\u00e1vel<\/a>, mais nos tornamos suscet\u00edveis a perder aqueles a quem amamos, seja em decorr\u00eancia de uma fatalidade, de uma doen\u00e7a ou at\u00e9 mesmo da pr\u00f3pria velhice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compreens\u00e3o sobre a morte pode ter diferentes significados, conforme a cultura de cada povo. No M\u00e9xico, h\u00e1 o\u00a0<strong>Dia dos Mortos<\/strong>, um momento marcado para celebrar a mem\u00f3ria daqueles que se foram. Na vis\u00e3o dos hindus, a alma continua a despeito da morte, de acordo com o carma do falecido, o que faz com que n\u00e3o haja um conceito de finitude. Mu\u00e7ulmanos n\u00e3o cremam seus mortos, mas os enterram por acreditar que haver\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o no que consideram o dia do ju\u00edzo. Esp\u00edritas acreditam na vida ap\u00f3s a morte. Crist\u00e3os creem que a morte \u00e9 a perspectiva de se encontrar com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independentemente da cren\u00e7a ou da cultura, cada um tem sua maneira de lidar com a morte. O que n\u00e3o pode sair do nosso horizonte, por\u00e9m, \u00e9 que o luto pode causar dor f\u00edsica e emocional e, se n\u00e3o gerenciado, \u00e9 capaz de ocasionar\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/depressao\">depress\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perda tem esse poder de nos fazer sentir como numa montanha-russa de emo\u00e7\u00f5es.\u00a0<strong>O sofrimento vem em cinco est\u00e1gios: nega\u00e7\u00e3o, raiva, barganha, depress\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Particularmente, quando me perguntam como eu avalio essa quest\u00e3o, penso nas experi\u00eancias que tive. Uma delas, bem recente e pr\u00f3xima (meu pai) me transformou ainda mais. Quando ele se foi, refleti como eu, m\u00e9dica geriatra, poderia t\u00ea-lo auxiliado mais. E, como filha, se havia demonstrado suficientemente o amor e a gratid\u00e3o que tenho por tudo o que ele fez por mim (ele e minha m\u00e3e).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessas viv\u00eancias pessoais e das trocas que tenho com meus pacientes, tenho aprendido que acolher e respeitar a dor \u00e9 essencial para lidar com o luto. Sem se deixar consumir. A saudade da presen\u00e7a ser\u00e1 uma constante, que poder\u00e1 ser aplacada pelas lembran\u00e7as que constru\u00edmos juntos \u00e0queles que partiram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, um grande ensinamento, talvez um dos mais preciosos, seja exatamente investir no manejo da morte em vida. Como assim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode ser mais f\u00e1cil falar do que fazer, mas tente se cuidar comendo bem, exercitando-se e dormindo direito. Procure realizar atividades das quais goste, como viajar, cozinhar, ler um livro\u2026 Devagar, permita-se retomar o ritmo, realinhar seu prop\u00f3sito. E, se preciso for, procure ajuda. Conversar e compartilhar o que se sente pode ser de grande valia para aliviar o esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproveite o agora. \u00c9 no hoje que plantamos nossas melhores mem\u00f3rias junto daqueles que amamos. Seja para deixarmos nossa marca ou para sermos marcados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reitero aqui o que penso e j\u00e1 postei nas redes: a vida \u00e9 como um sopro\u2026 Quando acordamos pela manh\u00e3, se refletirmos bem, \u00e9 incerto como terminaremos nosso dia. Talvez nossa \u00fanica certeza esteja no agora e no fato de que um dia todos n\u00f3s encerraremos nossa passagem nesse plano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse mil\u00e9simo de segundo constitui nosso melhor tempo e \u00e9 nele que mora a oportunidade de vivermos com intensidade. Assim, vamos compondo nossos minutos, horas, dias, semanas, meses e anos. Devemos pensar no futuro? Acredito que ter prop\u00f3sitos pode ser a for\u00e7a motriz de nossa engrenagem. O combust\u00edvel que nos d\u00e1 energia para ter f\u00f4lego e desfrutar de nosso tempo agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, ame-se mais, abrace mais, ria mais. Aventure-se mais. Diga que ama e se importa mais. N\u00f3s, eu, voc\u00ea\u2026 Crian\u00e7a, jovem, adulto, idoso\u2026 Somos a medida dos esfor\u00e7os que investimos em n\u00f3s. Que possamos valorizar cada momento, bom ou n\u00e3o, e construir a nossa hist\u00f3ria, fazendo do hoje o nosso melhor cap\u00edtulo. N\u00e3o desperdicemos essa vida\u2026 Ela \u00e9 um sopro. Que sopre ent\u00e3o em nosso favor!<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada morte nos afeta de uma maneira, a depender de suas circunst\u00e2ncias. E cada pessoa sente, \u00e0 sua maneira, a dor da perda, o luto. 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