{"id":275685,"date":"2019-03-05T08:55:36","date_gmt":"2019-03-05T11:55:36","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=275685"},"modified":"2019-03-05T08:55:36","modified_gmt":"2019-03-05T11:55:36","slug":"cientistas-relatam-segundo-caso-de-remissao-do-hiv-apos-transplante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cientistas-relatam-segundo-caso-de-remissao-do-hiv-apos-transplante\/","title":{"rendered":"Cientistas relatam segundo caso de remiss\u00e3o do HIV ap\u00f3s transplante"},"content":{"rendered":"<section class=\"bg-gray-extra\">\n<div class=\"container container-full-width\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1\">\n<h1 class=\"txt-serif\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h4 class=\"txt-gray mb-0\" style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o se pode falar em cura da Aids, ressaltam os cientistas envolvidos no estudo, publicado na revista Nature<\/em><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section>\n<div class=\"container container-full-width mt-20 mb-20\">\n<div class=\"row divider-wrapper\">\n<div id=\"esquerda_8_12_1\" class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 col-md-6 mb-35 js-tools-fixed-parent\">\n<article>\n<div class=\"author-row\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"txt-gray author-wrapper text-nowrap d-inline-block mb-10\">\u00a0<span class=\"ml-10\">Paloma Oliveto<\/span><\/span><\/div>\n<nav class=\"nav-fix hidden-print js-tools-fixed mb-xs-10 active\" data-id=\"call-action\"><i class=\"sprite-facebook-box d-block d-xs-inline-block\"><\/i><i class=\"sprite-twitter-box d-block d-xs-inline-block\"><\/i><\/p>\n<div class=\"bg-theme-1 nav-fix__highlight\"><\/div>\n<\/nav>\n<div class=\"txt-serif js-article-box article-box article-box-capitalize mt-15\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-275686 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto-507x500.jpg\" alt=\"\" width=\"507\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto-507x500.jpg 507w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto-300x296.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto-768x758.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto-160x158.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto-640x631.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto-30x30.jpg 30w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto.jpg 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Imagem de microsc\u00f3pio mostra v\u00edrus HIV acumulado na superf\u00edcie de uma c\u00e9lula.<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: University of Missouri Health System\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Desde 1982, quando a Aids foi descrita pela primeira vez pelo Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) norte-americano, apenas um portador da doen\u00e7a entrou em remiss\u00e3o total, sem sinais da exist\u00eancia do v\u00edrus em seu organismo. Agora, um grupo internacional de pesquisadores anunciou o segundo caso em quase quatro d\u00e9cadas de um indiv\u00edduo que, depois de passar por um transplante de c\u00e9lulas-tronco, viu-se livre do HIV.<\/p><\/div>\n<div class=\"row ads ads__with-bg mb-35 mt-35 hidden-print p-0\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode falar em cura da Aids, ressaltam os cientistas envolvidos no estudo, publicado na revista\u00a0<em>Nature<\/em>. Mas, como frisa o l\u00edder da pesquisa, Ravindra Gupta, da Universidade College Londres e da Universidade de Cambrige, \u201cisso traz esperan\u00e7a para novas estrat\u00e9gias de tratamento que, juntas, possam eliminar o HIV\u201d. Ainda que hoje a s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida seja abordada como uma doen\u00e7a cr\u00f4nica \u2014 e n\u00e3o mais letal \u2014,15 milh\u00f5es dos 37 milh\u00f5es de infectados n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 terapia antirretroviral e, mesmo entre os tratados, os casos de resist\u00eancia aos medicamentos s\u00e3o preocupantes. \u201cA supress\u00e3o dur\u00e1vel do HIV sem necessidade de drogas \u00e9, portanto, uma prioridade global urgente\u201d, diz o artigo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Chamado de Paciente de Londres, o homem descrito no trabalho, que ser\u00e1 apresentado na noite desta ter\u00e7a-feira (5\/3), na Confer\u00eancia sobre Retrov\u00edrus e Infec\u00e7\u00f5es Oportunistas, em Washington, repete o \u00eaxito do Paciente de Berlim. Em 2007, o norte-americano Timothy Brown, HIV-positivo, foi submetido a um transplante de medula \u00f3ssea, onde s\u00e3o formadas as c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico, entre outras, para tratar uma leucemia. Depois de passar pela radia\u00e7\u00e3o que destruiu a pr\u00f3pria medula \u2014 procedimento padr\u00e3o nessa cirurgia \u2014, ele recebeu a de um doador imune ao v\u00edrus. Esse homem carregava uma vers\u00e3o mutante de mol\u00e9culas que, posicionadas na superf\u00edcie das c\u00e9lulas de defesa, funcionam como receptoras, permitindo a entrada de subst\u00e2ncias para o n\u00facleo celular.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A grande jogada do HIV \u00e9 se unir a esses receptores \u2014 em especial, a um produzido pelo gene CCR5 \u2014 para, ent\u00e3o, adentrar as c\u00e9lulas de defesa do organismo. Uma vez l\u00e1, o v\u00edrus usa o maquin\u00e1rio celular para inserir seu material gen\u00e9tico. O doador de medula de Timothy Brown tinha uma rara condi\u00e7\u00e3o, presente em 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial: uma variante do CCR5 que n\u00e3o produz o receptor mais usado pelo v\u00edrus para promover a infec\u00e7\u00e3o. Brown parou de usar a terapia antirretroviral e, ainda hoje, n\u00e3o apresenta sinais da presen\u00e7a do HIV. Apesar do sucesso desse caso, procedimentos semelhantes que se seguiram a ele n\u00e3o surtiram o mesmo efeito.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O tratamento do Paciente de Londres, que prefere o anonimato, foi bem menos t\u00f3xico, contudo. Diagnosticado com HIV em 2003, ele entrou no regime antirretroviral, com a combina\u00e7\u00e3o de tr\u00eas medicamentos, em 2012. No fim daquele mesmo ano, o homem descobriu um linfoma Hodgkin grau 4, o mais avan\u00e7ado. A quimioterapia de primeira linha n\u00e3o fez o efeito desejado, e os m\u00e9dicos resolveram tentar o transplante de medula \u00f3ssea. Embora nenhum doador 100% compat\u00edvel tenha sido identificado, havia um no cadastro mundial que chegava pr\u00f3ximo e era portador da variante do CCR5. \u201cMas o tratamento que fizemos foi diferente do Paciente de Berlim, porque n\u00e3o envolveu radioterapia\u201d, esclarece o coautor do estudo, Ian Gabriel, pesquisador do Imperial College Londres.<\/div>\n<div class=\"row ads ads__with-bg mb-35 mt-35 hidden-print p-0\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim como Timothy Brown, o Paciente de Londres teve um in\u00edcio de rejei\u00e7\u00e3o, mas que foi controlada. Ele continuou nos antirretrovirais por mais 16 meses, quando os m\u00e9dicos suspenderam o tratamento. A partir da\u00ed, os exames mostraram que as c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas do homem continuam sem o receptor CCR5 e, portanto, livres do HIV. Ele j\u00e1 se encontra em remiss\u00e3o h\u00e1 18 meses. \u201cAo alcan\u00e7ar a remiss\u00e3o em um segundo paciente usando uma abordagem semelhante, mostramos que o Paciente de Berlim n\u00e3o era uma anomalia, e que foi realmente as abordagens de tratamento que eliminaram o HIV nessas duas pessoas\u201d, disse Gupta. Quando o caso de Brown foi descrito, parte da comunidade cient\u00edfica levantou a suspeita de que o transplante n\u00e3o tivesse rela\u00e7\u00e3o com a elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os autores do estudo destacam que, por ser uma cirurgia arriscada e que depende de doadores compat\u00edveis, o transplante de medula \u00f3ssea n\u00e3o pode ser considerado um tratamento para todos os pacientes de HIV \u2014 exceto aqueles que necessitem do procedimento por terem desenvolvido doen\u00e7as como leucemia e linfoma. Por\u00e9m, dizem que o sucesso obtido pelo Paciente de Londres indica um caminho promissor para novas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas: prevenir que o gene CCR5 se expresse.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cEnquanto esse tipo de tratamento obviamente n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tico para tratar os milh\u00f5es de pessoas ao redor do mundo vivendo com HIV, relatos como esses podem ajudar no desenvolvimento da cura do HIV\u201d, opina Andrew Freedman, pesquisador de doen\u00e7as infecciosas da Universidade de Cardiff, que n\u00e3o participou do estudo. \u201cA cura provavelmente est\u00e1 a muitos anos distante de n\u00f3s e, at\u00e9 l\u00e1, precisamos continuar apostando no r\u00e1pido diagn\u00f3stico e no in\u00edcio da combina\u00e7\u00e3o da terapia antirretroviral cr\u00f4nica. Essa terapia \u00e9 altamente efetiva tanto em restaurar uma expectativa de vida quase normal quanto na preven\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o para outras pessoas.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Resist\u00eancia adquirida<\/h3>\n<div><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>O HIV infecta o organismo entrando nas c\u00e9lulas CD4, do sistema imunol\u00f3gico. Uma vez no interior, ele usa o maquin\u00e1rio da pr\u00f3pria c\u00e9lula para replicar seu material gen\u00e9tico.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Para conseguir entrar na CD4, o HIV se junta a receptores da superf\u00edcie da c\u00e9lula. O mais comum \u00e9 o CCR5. Pessoas que t\u00eam duas c\u00f3pias mutantes do alelo CCR5 s\u00e3o resistentes \u00e0 variante HIV-1 do v\u00edrus. Sem \u201cpermiss\u00e3o\u201d do receptor, o v\u00edrus n\u00e3o entra na c\u00e9lula e, portanto, n\u00e3o as infecta.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>O paciente de Londres foi diangosticado em 2012 com linfoma de Hodgkin avan\u00e7ado. Trata-se de um c\u00e2ncer do sistema linf\u00e1tico. Para tratar a doen\u00e7a, ele foi submetido a quimioterapia e, em 2016, a um transplante de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas (precursoras das c\u00e9lulas sang\u00faineas). O doador tinha duas c\u00f3pias mutantes do CCR5.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Al\u00e9m de destruir as c\u00e9lulas cancerosas, a quimioterapia ajudou a matar as c\u00e9lulas do HIV que se dividiam.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Com o transplante, as novas c\u00e9lulas do paciente come\u00e7aram a nascer com a varia\u00e7\u00e3o do doador. Dessa forma, elas n\u00e3o expressam o receptor CCR5, impedindo que o HIV consiga adentr\u00e1-las.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>O paciente de Londres est\u00e1 h\u00e1 18 meses em remiss\u00e3o e as c\u00e9lulas do seu sistema imunol\u00f3gico continuam n\u00e3o expressando o receptor CCR5.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\nPALAVRA DE ESPECIALISTA<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8220;Outros pacientes tratados de forma similar desde o Paciente de Berlim n\u00e3o tiveram resultados semelhantes. Se n\u00f3s conseguirmos entender melhor por que o procedimento funciona em alguns pacientes e n\u00e3o em outros, estaremos mais perto do nosso objetivo de curar o HIV. No momento, o procedimento ainda \u00e9 envolto de muitos riscos para ser usados em pacientes que est\u00e3o bem. Mas isso pode encorajar pacientes HIV que precisam de um transplante de medula \u00f3ssea a considerar um doador CCR5 negativo, se poss\u00edvel&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se pode falar em cura da Aids, ressaltam os cientistas envolvidos no estudo, publicado na revista Nature<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":275686,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-275685","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/infarto.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=275685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275685\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/275686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=275685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=275685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=275685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}