{"id":276006,"date":"2019-03-08T07:35:07","date_gmt":"2019-03-08T10:35:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=276006"},"modified":"2019-03-08T11:33:06","modified_gmt":"2019-03-08T14:33:06","slug":"quem-sao-elas-pardas-trintonas-chefes-de-familia-e-mais-instruidas-do-que-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quem-sao-elas-pardas-trintonas-chefes-de-familia-e-mais-instruidas-do-que-os-homens\/","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o elas? Pardas, trintonas, chefes de fam\u00edlia e mais instru\u00eddas do que os homens"},"content":{"rendered":"<div class=\"row visible-lg\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div>Thais Borges<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/c\/8\/csm_fabiana_10510fb512.jpg\" alt=\"\" \/><span class=\"noticias-single__image-caption\">(Fabiana Queiroz, 34, \u00e9 como a maioria das mulheres baianas (Foto: Marina Silva\/CORREIO))<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Mulheres baianas tamb\u00e9m trabalham mais na \u00e1rea de servi\u00e7os<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cMe acho muito guerreira\u201d, diz, sem se fazer de rogada, a operadora de caixa Fabiana Queiroz, 34 anos. Com a certeza de quem conhece a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, essa m\u00e3e rec\u00e9m-sa\u00edda da licen\u00e7a-maternidade sabe que passou por muita coisa. Sabe que, como ela, muitas mulheres precisam enfrentar rotinas de trabalho triplas \u2013 seja no trabalho na rua, nos afazeres da casa e ainda na rotina com os filhos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Aos 16 anos, Fabiana teve o primeiro filho \u2013 Henrique, hoje com 18. Aos 34, deu \u00e0 luz o pequeno Breno, atualmente com cinco meses. J\u00e1 trabalhou como vendedora, auxiliar de processamento, de documenta\u00e7\u00e3o e auxiliar de lanchonete at\u00e9 se tornar operadora de caixa em uma loja em um shopping da cidade, onde trabalha h\u00e1 quatro anos.<\/p>\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Fabiana \u00e9 como outras tantas baianas guerreiras. As mulheres s\u00e3o mais da metade da popula\u00e7\u00e3o do estado &#8211; representam 51,6% do total, ou 7,9 milh\u00f5es em um universo de 15,3 milh\u00f5es. Se a mulher baiana pudesse ser representada pela maioria, seria uma mulher parda (como se declaram seis entre cada 10), com idades entre 30 e 39 anos (16,9% da popula\u00e7\u00e3o feminina) e respons\u00e1veis pela casa, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Uma em cada tr\u00eas mulheres baianas \u00e9 a chefe da fam\u00edlia \u2013 ou seja, 2,3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o mulheres que, inclusive, estudam mais do que os homens. Em 2017, na Bahia, o n\u00famero de mulheres com 25 anos ou mais que tinham n\u00edvel superior incompleto ou completo chegava a 747 mil (15% do total de baianas nessa faixa et\u00e1ria). Na contram\u00e3o, os homens com esse n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegavam a 500 mil \u2013 eram 433 mil (9,9% dos baianos nessa faixa de idade). Al\u00e9m disso, em m\u00e9dia, as baianas com pelo menos 25 anos estudaram quase um ano a mais que os homens com a mesma idade \u2013 8,2 anos contra 7,3 anos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Servi\u00e7os<\/strong><br \/>\nEssa mulher baiana est\u00e1 em todos os lugares. \u00c9 sua tia, aquela prima distante, sua vizinha. Aquela mo\u00e7a que trabalha na portaria do pr\u00e9dio do escrit\u00f3rio. Pode ser at\u00e9 que ela esteja lendo este texto agora. \u00c9 a pr\u00f3pria Fabiana, a operadora de caixa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Quando engravidou pela primeira vez, Fabiana achou que tinha dado um desgosto aos pais. \u201cEra adolescente, n\u00e9? Tinha aquela cabe\u00e7a\u201d, lembra. Disse \u00e0 m\u00e3e que lhe daria orgulho no futuro. H\u00e1 quatro anos, quando come\u00e7ou a trabalhar na loja de roupas masculinas onde est\u00e1 hoje, as coisas come\u00e7aram a mudar.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cTudo que tenho hoje veio do meu trabalho. Consegui fazer minha festa de casamento h\u00e1 dois anos e comprei minha casa, tudo com base no meu sal\u00e1rio\u201d,<\/strong>\u00a0conta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em casa, n\u00e3o h\u00e1 dinheiro \u2018dela\u2019 ou \u2018do marido\u2019. Tudo \u00e9 dividido a partir do rendimento dos dois. Ele, que \u00e9 vigilante, tem outras tr\u00eas filhas. O filho mais velho de Fabiana, Henrique, mora com os av\u00f3s. N\u00e3o quer deixar os dois, que j\u00e1 t\u00eam quase 80 anos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, todos moram no mesmo bairro \u2013 o Engenho Velho da Federa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que, ainda com tudo compartilhado, \u00e9 Fabiana quem segura as pontas na hora do aperto. \u201cA mulher sempre tem o h\u00e1bito de guardar um pouco. Isso j\u00e1 acaba sendo o dinheiro do p\u00e3o de todo dia, do leite que faltar para a crian\u00e7a. O homem \u00e9 mais desligado, enquanto a mulher \u00e9 o caixa 2\u201d, brinca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Agora, o objetivo \u00e9 comprar um carro. Fabiana diz que se encontrou nas vendas. Perdeu at\u00e9 a timidez. \u201cNo in\u00edcio era dif\u00edcil. Hoje, \u00e9 disso que eu gosto. De lidar com gente\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A maioria das mulheres baianas, de fato, est\u00e1 no setor de servi\u00e7os. S\u00f3 na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador (RMS), dois ter\u00e7os delas trabalhavam nessa \u00e1rea no ano passado, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na regi\u00e3o, desenvolvida pela Superintend\u00eancia de Estudos Econ\u00f4micos e Sociais da Bahia (SEI).<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em todo o ano de 2018, houve um\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/crise-economica-e-preconceito-elevam-desemprego-entre-as-mulheres\/\">aumento do desemprego entre as mulheres<\/a><\/strong>\u00a0\u2013 32 mil n\u00e3o encontraram trabalho. \u201cNo ano passado, as mulheres pressionaram muito o mercado de trabalho. Ou seja, 42 mil mulheres foram ao mercado de trabalho em busca de ocupa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, s\u00f3 foram geradas 10 mil vagas\u201d, explica a coordenadora da PED, Ana Sim\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, a ocupa\u00e7\u00e3o feminina cresceu entre 2017 e 2018 \u2013 passou de 684 mil mulheres ocupadas na RMS para 694 mil.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cA ocupa\u00e7\u00e3o aumentou mais para mulheres na faixa dos 50 a 59 anos, n\u00e3o-negras e para mulheres nas faixas de extrema escolaridade, sem o fundamental completo, e para aquelas com ensino superior. O principal aumento foi no setor de servi\u00e7os, que tem dois segmentos em que as mulheres t\u00eam maior facilidade de inser\u00e7\u00e3o: educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade\u201d,\u00a0<\/strong>analisa.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Saindo do aluguel<\/strong><br \/>\nDo outro lado da cidade, em Pernambu\u00e9s, a diarista Sirlete Santos, 39, enfrenta suas pr\u00f3prias batalhas. M\u00e3e de quatro meninas (a mais velha com 22 anos; a ca\u00e7ula com 9), ela se separou h\u00e1 dois anos. No entanto, antes mesmo disso acontecer, j\u00e1 era a respons\u00e1vel pelas contas da casa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 muito tempo eu dou conta, desde que meu ex-marido ficou desempregado. Trabalho todos os dias, de segunda a s\u00e1bado, em v\u00e1rios lugares\u201d, diz ela, que chega a acordar \u00e0s 3h da manh\u00e3, \u00e0s segundas-feiras. \u00c9 o dia em que prepara o almo\u00e7o para a filha mais velha levar para o trabalho, em uma escola particular na Avenida Paralela.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No resto da semana, peregrina entre Arma\u00e7\u00e3o, Alphaville e Pituba \u2013 cada dia em uma casa diferente. Folga mesmo s\u00f3 aos domingos. S\u00e3o os dias em que tira para cuidar da pr\u00f3pria casa, organizar coisas pessoas e ir \u00e0 missa, j\u00e1 que \u00e9 coordenadora de uma pastoral na comunidade onde mora.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Como tem l\u00fapus, n\u00e3o s\u00e3o todos os dias em que est\u00e1 100%. \u00c0s vezes, quando a doen\u00e7a ataca, explica, o cansa\u00e7o bate.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/4\/6\/csm_sirlete_santos_arisson_b16367c5a6.jpg\" width=\"1000\" height=\"667\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Sirlete \u00e9 respons\u00e1vel pelas quatro filhas<\/strong>\u00a0(Foto: Arisson Marinho\/Arquivo CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cMas eu fico s\u00f3 um pouco cansada, porque gosto do que eu fa\u00e7o. Sei que sou como a maioria das mulheres baianas, porque tenho v\u00e1rias amigas assim como eu. S\u00e3o m\u00e3es, s\u00e3o pais, cuidam da casa\u201d,<\/strong>\u00a0diz<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Agora, a maior vontade \u00e9 sair do aluguel. Com a casa pr\u00f3pria, ela calcula que conseguiria diminuir um pouco o ritmo e a rotina de trabalho. \u201cEu conseguiria passear um pouco, curtir um pouco mais as minhas filhas\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mulheres soteropolitanas tamb\u00e9m s\u00e3o trintonas, pardas e chefes de fam\u00edlia<\/strong><br \/>\nEm Salvador, as mulheres representam um percentual maior da popula\u00e7\u00e3o do que no restante da Bahia,\u00a0onde elas s\u00e3o 51,6% do total. Na capital baiana, h\u00e1 1,6 milh\u00e3o de mulheres, num total de 2,9 milh\u00f5es de soteropolitanos \u2013 ou seja, correspondem a 54% da popula\u00e7\u00e3o, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Assim como entre as baianas, a maior parte das mulheres soteropolitanas \u00e9 negra: 44,7% (713 mil) se declaravam pardas, enquanto mais de uma em cada tr\u00eas (35,7% ou 569 mil) se consideravam pretas. Para o IBGE, s\u00e3o considerados negros aqueles que se declaram pretos ou pardos. Em toda a cidade, em compara\u00e7\u00e3o, 18,5% das mulheres se declararam brancas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O perfil da soteropolitana tem idade parecida com a baiana: a maior fatia da popula\u00e7\u00e3o feminina na capital tem entre 30 e 39 anos (18,2% ou 289 mil mulheres). Em seguida v\u00eam as que t\u00eam entre 20 e 29 anos (15,2% ou 244 mil), praticamente empatadas com aquelas na faixa de 40 a 49 anos (243,5 mil).<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Elas tamb\u00e9m s\u00e3o ainda mais chefes de fam\u00edlia: 34,3% das mulheres soteropolitanas s\u00e3o apontadas como a respons\u00e1veis pelos domic\u00edlios onde vivem. Isso significa que 547 mil mulheres em Salvador s\u00e3o apontadas como respons\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em Salvador, em 2017, uma em cada tr\u00eas mulheres de 25 anos ou mais de idade tinham ensino superior completo ou incompleto (30,4% ou 340 mil mulheres nessa faixa et\u00e1ria), enquanto os homens com esse n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o somavam 231 mil, o que representava 26,5% da popula\u00e7\u00e3o masculina de 25 anos ou mais de idade na capital.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dia de anos completos de estudo das mulheres de 25 anos ou mais de idade, em Salvador era 11,2 em 2017, frente a 10,8 dos homens &#8211; maior do que a m\u00e9dia do estado.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO pr\u00f3prio mercado de trabalho vai exigindo o aumento da escolaridade e as mulheres v\u00eam buscando isso cada vez mais. A gente percebe que as mulheres v\u00eam fazendo essa invers\u00e3o e tendo mais escolaridade do que os homens, buscando espa\u00e7o\u201d<\/strong>, diz o gerente de planejamento e gest\u00e3o do IBGE na Bahia, Andr\u00e9 Urpia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMe acho muito guerreira\u201d, diz, sem se fazer de rogada, a operadora de caixa Fabiana Queiroz, 34 anos. Com a certeza de quem conhece a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, essa m\u00e3e rec\u00e9m-sa\u00edda da licen\u00e7a-maternidade sabe que passou por muita coisa. 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