{"id":276217,"date":"2019-03-10T14:40:19","date_gmt":"2019-03-10T17:40:19","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=276217"},"modified":"2019-03-10T14:40:19","modified_gmt":"2019-03-10T17:40:19","slug":"mulheres-serao-mais-afetadas-pela-reforma-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mulheres-serao-mais-afetadas-pela-reforma-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Mulheres ser\u00e3o mais afetadas pela reforma da Previd\u00eancia"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/header>\n<figure class=\"horizontal\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/extra.globo.com\/incoming\/23508883-bf2-2a5\/w640h360-PROP\/x55718417_fotoedmar-melo-jc-imagem-data12-11-2015-assuntocidadesum-dia-apos-o-ministro-da.jpg.pagespeed.ic.ubpOy_OR78.jpg\" alt=\"Para especialistas, aumento do tempo de contribui\u00e7\u00e3o vai penalizar mais as mulheres pobres e m\u00e3es\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption><span class=\"credit\">Para especialistas, aumento do tempo de contribui\u00e7\u00e3o vai penalizar mais as mulheres pobres e m\u00e3es Foto: Edmar Melo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"story\">\n<div class=\"header\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"credits info\"><span class=\"author\">Stephanie Tondo<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho se reflete tamb\u00e9m no sistema previdenci\u00e1rio. Elas ainda se aposentam mais por idade do que por tempo de contribui\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o maioria nas faixas salariais mais baixas, tanto nos valores dos benef\u00edcios j\u00e1 recebidos quanto nas quantias pagas por aquelas que ainda trabalham e contribuem para o INSS. Os dados s\u00e3o do \u00faltimo Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Previd\u00eancia Social, do governo federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">De acordo com o levantamento, em 2017, foram concedidas cerca de 174 mil aposentadorias por idade no valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo para mulheres, enquanto, para homens, foram liberados cerca de 88 mil benef\u00edcios nesse valor. Nas faixas salariais mais altas da aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o se inverte: 53 mil homens passaram a ter um benef\u00edcio entre 3 e 4 sal\u00e1rios m\u00ednimos (de R$ 2.994 a R$ 3.992), enquanto apenas 19 mil mulheres se enquadraram nessa faixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Para Ana Am\u00e9lia Camarano, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), mesmo na aposentadoria por idade, as mulheres chegam a se aposentar mais tarde porque n\u00e3o conseguem atingir o m\u00ednimo de 15 anos de contribui\u00e7\u00e3o exigido pelo INSS:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u2014 A maioria das mulheres se aposenta por idade porque n\u00e3o consegue um hist\u00f3rico de contribui\u00e7\u00f5es mais longo. Elas entram e saem do mercado. Hoje, para se aposentar por idade, a mulher precisa ter, no m\u00ednimo, 60 anos, mas a idade m\u00e9dia com que elas d\u00e3o entrada nesse benef\u00edcio \u00e9 de 63,4 anos, porque demoram a conseguir os 15 anos. Aumentar esse tempo para 20 anos, como est\u00e1 na proposta da reforma da Previd\u00eancia, vai prejudicar ainda mais essas mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Apesar disso, Ana Am\u00e9lia acredita que a tend\u00eancia \u00e9 de que a diferen\u00e7a entre sexos diminua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u2014 Para as mulheres mais jovens, a diferen\u00e7a salarial \u00e9 menor, o que \u00e9 um efeito das mudan\u00e7as. Elas j\u00e1 entram no mercado de trabalho com escolaridade mais elevada, inclusive mais alta do que a dos homens. \u00c9 um outro contexto social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Aumento do tempo de contribui\u00e7\u00e3o vai penalizar mais as mulheres pobres e m\u00e3es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Adriane Bramante, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenci\u00e1rio (IBDP), refor\u00e7a que atingir o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio maior para as mulheres. Segundo ela, a dificuldade se d\u00e1, principalmente, para as gera\u00e7\u00f5es mais antigas ou as classes sociais mais baixas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u2014 Para a mulher conseguir 20 anos de contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 um parto, 30 mais ainda. Muitas vezes, o marido n\u00e3o a deixa trabalhar. Isso ainda \u00e9 uma realidade. Al\u00e9m disso, muitas ficam um tempo fora do mercado para cuidar dos filhos e deixam de recolher ao INSS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Para Ana Am\u00e9lia Camarano, essa realidade contribui para a desigualdade, uma vez que as aposentadorias por idade, normalmente, geram um pagamento menor do que as por tempo de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Igualdade de requisitos para se aposentar ainda \u00e9 distante da realidade, dizem especialistas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">A equipe econ\u00f4mica do governo chegou a cogitar igualar a idade m\u00ednima em 65 anos, mas a proposta final foi apresentada com 62 para mulheres e 65 para os homens. Adriane Bramante acredita que a igualdade deve ser almejada. No entanto, essa ainda n\u00e3o \u00e9 a realidade:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u2014 Em um pa\u00eds que tem um n\u00famero de feminic\u00eddios como o nosso, n\u00e3o d\u00e1 para falar em igualdade. N\u00e3o adianta querer igualar as condi\u00e7\u00f5es de aposentadoria nesse momento, se n\u00e3o somos iguais. A mulher com 60 anos hoje cuida da casa, dos netos, dos pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Ana Am\u00e9lia Camarano concorda:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u2014 A mudan\u00e7a deve ser gradativa. O maior problema n\u00e3o \u00e9 a jornada dom\u00e9stica, \u00e9 o cuidado com os filhos, em que a mulher \u00e9 mais penalizada.<\/p>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"https:\/\/extra.globo.com\/incoming\/23511373-1e5-b44\/w448\/xprevidencia01.jpg.pagespeed.ic.EHCBcQk7_i.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"https:\/\/extra.globo.com\/incoming\/23511374-b85-316\/w448\/xprevidencia02.jpg.pagespeed.ic.REMPySgUm_.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"https:\/\/extra.globo.com\/incoming\/23511375-81e-6a6\/w448\/xprevidencia03.jpg.pagespeed.ic.L3R66GQNmO.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Confira as perguntas enviadas \u00e0 Dona Socorro sobre reforma da Previd\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Sou militar da reserva, e minha mulher \u00e9 professora federal e municipal, com dois sal\u00e1rios. Como ficaria a minha situa\u00e7\u00e3o e a dela, em caso de morte. Somos dependentes um do outro. Temos um filho de 22 anos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><em>Ruy Cesar Santos, militar da reserva<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">A reforma proposta pelo governo restringe o ac\u00famulo de benef\u00edcios, mas mant\u00e9m o direito de m\u00e9dicos e professores receberem dois ou mais sal\u00e1rios. No caso citado, caso o marido morra, sua mulher continuar\u00e1 recebendo os dois sal\u00e1rios de professora, mas ganhar\u00e1 apenas 60% da pens\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 a \u00fanica dependente, pois o filho perde o direito ao benef\u00edcio aos 21 anos. No caso de ela morrer, o marido escolher\u00e1 o benef\u00edcio de maior valor: seu sal\u00e1rio ou uma das pens\u00f5es para receber integralmente. E ter\u00e1 direito a apenas 60% dos outros dois pagamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Minha mulher tem 60 anos de idade, e 24 anos e 11 meses de contribui\u00e7\u00e3o para o INSS. Ela j\u00e1 poderia se aposentar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><em>Jos\u00e9 Osorio da Silva, corretor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Atualmente, para se aposentar por idade, a mulher deve ter 60 anos e, no m\u00ednimo, 15 anos de contribui\u00e7\u00e3o. Portanto, no caso citado, a segurada j\u00e1 pode se aposentar por idade, mas n\u00e3o ter\u00e1 direito a todo o valor da m\u00e9dia das contribui\u00e7\u00f5es, pois incidir\u00e1 no c\u00e1lculo o fator previdenci\u00e1rio. Para conseguir se aposentar ganhando o m\u00e1ximo poss\u00edvel, ela deve completar 86 pontos (soma da idade com tempo de contribui\u00e7\u00e3o). Como ela j\u00e1 tem quase 85 (60 mais 25), \u00e9 melhor esperar at\u00e9 o ano que vem, quando ter\u00e1 completado os 87 pontos. Essa ser\u00e1 a exig\u00eancia, se a reforma j\u00e1 tiver sido aprovada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Contribuo para o INSS h\u00e1 32 anos. Tenho 52 de idade. Quanto tempo falta para eu me aposentar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><em>Silvio Cardoso, metal\u00fargico<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Atualmente, o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o exigido para os homens \u00e9 de 35 anos, sem idade m\u00ednima, mas com incid\u00eancia do fator previdenci\u00e1rio. Para se aposentar sem o fator, \u00e9 preciso completar 96 pontos. No caso citado, o segurado tem hoje 84 pontos (32 de contribui\u00e7\u00e3o mais 52 da idade). A cada ano, s\u00e3o acrescentados dois pontos, de modo que ele atingiria os 96 pontos em 2025. Por\u00e9m, a proposta da reforma da Previd\u00eancia aumenta um ponto a cada ano, at\u00e9 chegar a 105. Dessa forma, esse trabalhador poderia se aposentar apenas em 2030, quando ter\u00e1 106 pontos e 63 anos de idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Tenho 55 anos de idade e 35 de contribui\u00e7\u00e3o. Qual a melhor forma de me aposentar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><em>Jos\u00e9 Roberto da Silva, auxiliar administrativo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Hoje, o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 de 35 anos, que o trabalhador j\u00e1 comprova. Por isso, j\u00e1 pode se aposentar. Atualmente, n\u00e3o h\u00e1 idade m\u00ednima para pedir o benef\u00edcio, mas sobre o c\u00e1lculo da renda vai incidir o fator previdenci\u00e1rio. Para se aposentar com 100% do valor, o homem precisa atingir 96 pontos hoje, que s\u00e3o a soma da idade com o tempo de contribui\u00e7\u00e3o. Como no caso citado o segurado tem 90 pontos, teria ent\u00e3o que trabalhar por mais tr\u00eas anos pelas regras atuais. Mas a proposta do governo \u00e9 aumentar a soma exigida em um ponto a cada ano, at\u00e9 chegar a 105, de modo que esse trabalhador s\u00f3 atingiria o limite necess\u00e1rio em 2025, quando teria 102 pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>Quando a Nova Previd\u00eancia entrar em vigor, se eu estiver desempregada, ao voltar a trabalhar estarei sujeita \u00e0s regras de transi\u00e7\u00e3o ou serei considerada uma novata no sistema?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><em>Cristina Freitas, 43 anos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Quem j\u00e1 come\u00e7ou a contribuir para a Previd\u00eancia Social continua fazendo parte do sistema, mesmo que deixe de recolher por algum tempo. Dessa forma, estar\u00e1 sujeito \u00e0s regras de transi\u00e7\u00e3o tanto quanto o trabalhador que contribuiu de forma ininterrupta. O que pode acontecer, caso a pessoa que est\u00e1 desempregada fique por muito tempo fora do mercado, \u00e9 n\u00e3o conseguir atingir o tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o exigido, apesar de j\u00e1 ter a idade m\u00ednima, por exemplo. Por isso, o ideal \u00e9 continuar contribuindo facultativamente.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho se reflete tamb\u00e9m no sistema previdenci\u00e1rio. Elas ainda se aposentam mais por idade do que por tempo de contribui\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o maioria nas faixas salariais mais baixas, tanto nos valores dos benef\u00edcios j\u00e1 recebidos quanto nas quantias pagas por aquelas que ainda trabalham e contribuem para o INSS. 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