{"id":276862,"date":"2019-03-16T10:00:06","date_gmt":"2019-03-16T13:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=276862"},"modified":"2019-03-16T10:00:06","modified_gmt":"2019-03-16T13:00:06","slug":"a-historia-do-holiday","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-historia-do-holiday\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria do Holiday"},"content":{"rendered":"<div class=\"top-banner\">\n<section class=\"parallax-window\" data-parallax=\"scroll\" data-image-src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/276\">\n<div class=\"heading wow fadeIn\">\n<h4 class=\"flag\" style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div id=\"content\">\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<div class=\"wrapper\">\n<p>O edif\u00edcio\u00a0<strong>Holiday<\/strong>\u00a0foi constru\u00eddo em 1957 e vendido como uma op\u00e7\u00e3o para\u00a0<strong>veraneio<\/strong>\u00a0em\u00a0<strong>Boa Viagem<\/strong>. \u00c9 o primeiro\u00a0<strong>arranha-c\u00e9u<\/strong>\u00a0do bairro. Com o tempo, degradou-se. Tanto, que na pr\u00f3xima segunda-feira deve ser completamente interditado, devido a um alto risco de inc\u00eandio e \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da infraestrutura.<\/p>\n<p>O futuro do pr\u00e9dio &#8211; e dos propriet\u00e1rios dos seus 476 apartamentos &#8211; \u00e9 incerto. Mas especialistas deduzem algumas alternativas poss\u00edveis entre a a\u00e7\u00e3o de atores p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p>Foi o primeiro grande edif\u00edcio modernista da cidade e um dos primeiros do Pa\u00eds. \u201cEle trazia a concep\u00e7\u00e3o de \u2018m\u00e1quina de morar\u2019, que \u00e9 at\u00e9 anterior ao modernismo, com os servi\u00e7os embaixo e os apartamentos em cima. Ali o morador faria tudo, compraria sua comida, lavaria suas roupas. O discurso de venda era o de um investimento imobili\u00e1rio para praia\u201d, conta o mestre em desenvolvimento urbano pela UFPE Milton Botler. No folder original do pr\u00e9dio \u00e9 anunciado: \u201ca \u00fanica maneira de evitar a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 comprar um im\u00f3vel.\u201d<\/p>\n<p>Foi rapidamente vendido, de acordo com o arquiteto especialista em conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o pela UFMG Jorge Tinoco. Ele percebe o contexto social do Recife como um dos respons\u00e1veis pela degrada\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio. Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia escola mista, os namoros eram muito pudicos e n\u00e3o existiam os moteis. \u201cOs homens casados compraram os apartamentos para manter encontros extraconjugais. Era um motel para a classe alta. Eles tinham as chaves e elas \u2018rodavam\u2019, ou seja, o apartamento ia sendo emprestado entre os amigos. Foi de quando come\u00e7ou a estigmatiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O cuidado com o condom\u00ednio n\u00e3o era uma das preocupa\u00e7\u00f5es da maioria. \u201cO problema chegou a uma situa\u00e7\u00e3o de perigo em que ningu\u00e9m vai querer assinar e dizer que n\u00e3o h\u00e1 risco de inc\u00eandio ou que j\u00e1 se pode voltar a morar l\u00e1. Porque, se houver um desastre, a pessoa vai ter que responder criminalmente\u201d, teoriza Tinoco. \u201cTornou-se um grande desafio da conserva\u00e7\u00e3o da arquitetura moderna. As instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas est\u00e3o caducas e obsoletas. Todas as instala\u00e7\u00f5es hidr\u00e1ulicas tamb\u00e9m. Na \u00e9poca da constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha padr\u00f5es de seguran\u00e7a como hoje. \u00c9 preciso de reservas de \u00e1gua para combate a inc\u00eandio\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/timeline3\/latest\/embed\/index.html?source=1JVz8XD0hA9gBq7AB_K8_xIeRzf9G2tt_gTgf_I1efwQ&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=290\" width=\"100%\" height=\"290\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/277\" alt=\"Valor Cultural e Social\" \/><figcaption>HOLIDAY<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\">\n<h1>Valor Cultural e Social<\/h1>\n<\/div>\n<p>Mas o\u00a0<strong>Holiday<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m foi vendido como uma \u201c<strong>j\u00f3ia<\/strong>\u201d da\u00a0<strong>arquitetura<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>engenharia<\/strong>. N\u00e3o s\u00f3 pelo marco da\u00a0<strong>verticaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>, mas tamb\u00e9m por ter uma planta curva, complicad\u00edssima de se\u00a0<strong>calcular<\/strong>. \u201cPoucos\u00a0<strong>pr\u00e9dios<\/strong>conseguem isso\u201d, explica o conselheiro de Preserva\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural da\u00a0<strong>Fundarpe<\/strong>,\u00a0<strong>Rodrigo Cantarelli<\/strong>. \u201cOutros\u00a0<strong>pr\u00e9dios<\/strong>, como o\u00a0<strong>Calif\u00f3rnia<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Acaiaca<\/strong>, t\u00eam prote\u00e7\u00e3o municipal por serem exemplares do\u00a0<strong>modernismo<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>pr\u00e9dios<\/strong>\u00a0particulares serem tombados. O\u00a0<strong>Mirage<\/strong>, tamb\u00e9m em\u00a0<strong>Boa Viagem<\/strong>, \u00e9 protegido pelo\u00a0<strong>Estado<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Caso fosse protegido &#8211; o condom\u00ednio precisaria fazer o pedido \u00e0 Fundarpe -, o pr\u00e9dio teria a chance de buscar recursos p\u00fablicos por meio de editais de cultura para sua restaura\u00e7\u00e3o. A tamb\u00e9m conselheira da Fundarpe, Terezinha de Jesus explica que o tombamento \u00e9 um reconhecimento de que o bem tem valor e significado para o Estado. \u201cO Governo pode, atrav\u00e9s da Fundarpe, orientar como realizar a manuten\u00e7\u00e3o, como cuidar. Mas, os editais, que chegam a oferecer R$ 250 mil com esse intuito, podem ser utilizados, caso se apresente um projeto s\u00e9rio e detalhado, com or\u00e7amento, respons\u00e1veis t\u00e9cnicos, o que se pretende fazer. Ainda \u00e9 preciso ser vistoriado pela Fundarpe\u201d.<\/p>\n<p>Outra possibilidade do que poderia acontecer \u00e9 lembrada por Milton Botler, que participou da cria\u00e7\u00e3o do Plano Diretor do Recife atual, realizdo em 2008. \u201cAcompanho h\u00e1 mais de 20 anos o Holiday e ele j\u00e1 apresentava esses problemas. Antes da cria\u00e7\u00e3o das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) j\u00e1 discut\u00edamos a ideia do Im\u00f3vel Especial de Interesse Social (Ieis), que est\u00e1 presente no plano. Aquele pr\u00e9dio, por exemplo, tem uma popula\u00e7\u00e3o maior que a favela da entra a pulso. E \u00e9 mais f\u00e1cil recuper\u00e1-lo que urbanizar uma comunidade, por exemplo. Botler conta que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o dos poder municipal identificar os Ieis e aprov\u00e1-los na C\u00e2mara dos Vereadores. Para ele, a grandeza do Holiday \u00e9 tal que os elevadores deveriam ser considerados e tratados como transportes p\u00fablicos. E, sem prote\u00e7\u00e3o, \u00e9 f\u00e1cil de o setor imobili\u00e1rio consegui-lo.<\/p>\n<p>\u201cO espa\u00e7o \u00e9 valioso. Em 2010, eu li uma mat\u00e9ria num jornal local com o t\u00edtulo \u2018\u00c1reas pobres cercam Zona Sul\u2019. Isso mostra como se entende que eles n\u00e3o fazem parte da Zona Sul, eles o cercam, s\u00e3o algo extra\u201d, comentou o doutor em geografia humana pela Sorbonne Jan Bitoun.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/279\" alt=\"Valor de Mercado\" \/><figcaption>HOLIDAY<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\">\n<h1>Valor de Mercado<\/h1>\n<\/div>\n<p>O futuro mais prov\u00e1vel para o Holiday \u00e9 justamente esse que envolve a iniciativa privada. A diretora do Conselho Regional de Corretores de Im\u00f3veis, Z\u00e9lia Pereira, tem certeza de que o Holiday ser\u00e1 modificado. \u201cMuitos corretores compraram im\u00f3veis ali, porque sabem que aquele pr\u00e9dio ter\u00e1 outro prop\u00f3sito. \u00c9 preciso que uma construtora forte compre os apartamentos ou negocie.\u201d<\/p>\n<p>Ela explica que h\u00e1 diferen\u00e7a financeira entre os moradores e isso faz com que o valor dos apartamentos flutue. \u201cPara uma pessoa que n\u00e3o tem nada, R$ 9 mil \u00e9 aceit\u00e1vel em troca do seu lar. Mas uma pessoa aposentada, por exemplo, com alguma renda, sem d\u00favida n\u00e3o aceitaria esse valor.\u201d Segundo ela, \u00e9 dif\u00edcil comprar tantos apartamentos quantos os 476, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cA localiza\u00e7\u00e3o do produto \u00e9 fant\u00e1stica, tem muito valor. Se uma empresa retirar as invas\u00f5es do terreno, revitalizar, reconstruir a fia\u00e7\u00e3o, organizar o elevador deteriorado\u2026 ele vai se tornar um edif\u00edcio refer\u00eancia. Os apartamentos n\u00e3o valeriam menos que R$ 200 mil\u201d, avalia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WoS-bPJoxB0\" width=\"930\" height=\"522\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Com investimento, a restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente vi\u00e1vel segundo Jorge Tinoco, sumidade no assunto. Ele, que acabou de fazer um projeto de restaura\u00e7\u00e3o das casas modernistas da Rosa e Silva, explica que h\u00e1 tecnologia para substituir instala\u00e7\u00f5es, elevador, realizar adequa\u00e7\u00f5es e aplicar medidas de seguran\u00e7a modernas.<\/p>\n<p>\u201cA d\u00favida \u00e9 quem vai pagar por isso e que uso vai querer dar no futuro. Precisa ser um que n\u00e3o o descaracterize. Na situa\u00e7\u00e3o atual, o pergunta principal \u00e9 a quem vai pertencer aquele pr\u00e9dio se expulsarem os moradores. Haver\u00e1 um arremate p\u00fablico? A Prefeitura vai tomar para si? Se sim, vai restaurar ou botar abaixo? Vai criar um parque, um equipamento p\u00fablico ou vai vender?\u201d, questiona.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/280\" alt=\"M\u00e1 fama\" \/><figcaption>HOLIDAY<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\">\n<h1>M\u00e1 fama<\/h1>\n<\/div>\n<p>A fama\u00a0<strong>decadente<\/strong>\u00a0do\u00a0<strong>Holiday<\/strong>\u00a0precedeu por muitos anos a pr\u00f3pria\u00a0<strong>decad\u00eancia<\/strong>\u00a0do edif\u00edcio. \u201c<strong>Holiday<\/strong>\u00a0\u00e9\u00a0<strong>Holiday<\/strong>, n\u00e9? N\u00e9 isso que falam? Um lugar de\u00a0<strong>prostitutas<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>traficantes<\/strong>? Parem de falar mal do meu\u00a0<strong>Holiday<\/strong>. Isso aqui era a estrela de Boa Viagem. \u00c0 noite, com as luzes todas acesas, nada brilhava mais. Nem a lua\u201d, diz\u00a0<strong>Josefa Pereira Costa<\/strong>, de 43 anos, que mora no local h\u00e1 30.<\/p>\n<p>Debru\u00e7ada no parapeito, em frente ao apartamento da amiga, Josefa aponta um pr\u00e9dio azul e branco distante algumas quadras dali. \u201cEu trabalhava ali. Era o apartamento de um juiz. Eu vim do interior, Parnamirim. Conhece? Trabalhava de segunda \u00e0 sexta arrumando a casa, e a\u00ed a mulher do juiz dizia para eu sair e me divertir no final de semana. Eu barbarizava\u201d, lembra, entre risadas. \u201cEu tinha muitas amigas e a gente ia para a cal\u00e7ada. Eu tinha cada lapa de coxa grossa, voc\u00ea tinha que ver. Era bonita, nova. E gostava de transar. Transava muito, minha filha. Foi assim que tive sete filhos. A fam\u00edlia do juiz at\u00e9 criou um, enquanto eu ia pra cal\u00e7ada ganhar dinheiro com outro bucho saindo pela boca.\u201d<\/p>\n<p>Josefa conta que levava os clientes que conseguia nos finais de semana em Boa Viagem para o Holiday. \u201cTinha uma pessoa que morava aqui e eu pagava pelo uso do quarto. Entende? Minhas amigas moravam aqui tamb\u00e9m, moramos juntas um tempo. A gente fazia a farra. Foi assim que cheguei ao Holiday\u201d, lembra, explicando que passou por v\u00e1rios andares do edif\u00edcio at\u00e9 conseguir o pr\u00f3prio apartamento, de n\u00famero 1613. \u201cEu conheci um velho, que pegou muito amor por mim e pelo meu filho. Criou como se fosse dele. Ele me deu um kitnet. Eu tinha nada, ent\u00e3o para mim \u00e9 um apartamento de luxo. \u00c9 meu apartamento de luxo. Sa\u00eda da maternidade e vinha com meus filhos no colo para a minha casa. Eu tenho as fotos. Eu olho e choro&#8221;, pausa. &#8220;Fiquei baratinada com essa interdi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o negar o seu passado, ela prefere encar\u00e1-lo de outra forma. \u201cO mais importante s\u00e3o essas lembran\u00e7as. Fui muito feliz aqui, porque lembro de cada menino meu que eu trouxe nos bra\u00e7os e passei por aquela portaria. Eles cresceram aqui.\u201d Hoje, Josefa mora com dois filhos, um de 18 e outro de 15 anos, e trabalha como diarista e lavadeira.<\/p>\n<p>Preocupada com as contas, vai recorrer aos la\u00e7os feitos l\u00e1 atr\u00e1s. \u201cEu vou para casa de uma amiga daquela \u00e9poca que se deu bem. Soube casar. Apartamento enorme, bonito. Mas n\u00e3o \u00e9 o Holiday, n\u00e3o consigo pregar os olhos quando durmo l\u00e1\u201d, contou, apressando os passos para ajudar na mudan\u00e7a de outros moradores. \u201cSuba l\u00e1 no 16\u00ba. Voc\u00ea tem que conhecer minha vizinha, dona Regina. Bata l\u00e1\u201d, gritou j\u00e1 das escadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/281\" alt=\"Solid\u00e3o acolhida\" \/><figcaption>HOLIDAY<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\">\n<h1>Solid\u00e3o acolhida<\/h1>\n<\/div>\n<p>Carinhosamente chamada por todos de dona\u00a0<strong>Regina<\/strong>, Josefa Regina da Concei\u00e7\u00e3o Peterson, 63, vive no peculiar apartamento de n\u00famero\u00a0<strong>1614<\/strong>. \u201cVoc\u00ea precisa que eu soletre o meu sobrenome, querida? Ele \u00e9 chique, n\u00e9? \u00c9 importado. Arrumei nos\u00a0<strong>States<\/strong>\u201d, explica, numa gargalhada. \u201cMorei dez anos na\u00a0<strong>Am\u00e9rica<\/strong>, minha filha. Morei oito meses de aluguel aqui no 827. Arrumei um gringo, casei e fui morar l\u00e1. Voltei porque estava com saudades e porque me divorciei. N\u00e3o queria ficar naquele pa\u00eds sozinha. Voltei para o que \u00e9 meu.\u201d<\/p>\n<p>Com problemas card\u00edacos, hipertensa e diab\u00e9tica, dona Regina explica que n\u00e3o tem parentes e n\u00e3o consegue ver futuro fora do Holiday. Quanto ao passado, a mem\u00f3ria \u00e9 falha e ela n\u00e3o consegue explicar bem. \u201cEu tenho a escritura escondida, porque aqui tem muita gente esperta.\u201d Abre um arm\u00e1rio marrom, de duas portas, que fica colado com a geladeira vazia. \u201cComprei esse kitnet em 1973. Quanto de tempo isso \u00e9? Tamb\u00e9m n\u00e3o sei quanto que paguei, veja a\u00ed\u201d, pede, me mostrando o documento que indica o valor de R$ 9.754. \u201cMas na reportagem coloque R$ 10 mil ou mais, que \u00e9 pra dar uma valorizada\u201d, explode em uma gargalhada.<\/p>\n<p>O kitnet de dona Regina estava bagun\u00e7ado, indicando as dificuldades que ela enfrenta ao morar sozinha diante de todas as suas limita\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Logo na entrada, acima do sof\u00e1 de couro sint\u00e9tico laranja, um len\u00e7o estampado com uma on\u00e7a fica estendido na parede, assumindo a fun\u00e7\u00e3o de um quadro. Flutuando \u00e0 frente, um bal\u00e3o feito de metal est\u00e1 enfeitado com la\u00e7os de fita. Do lado de direito, uma cortina de conchas separa o banheiro do corredor, repleto de bugigangas coloridas e distribu\u00eddas em desordem. O corredor leva at\u00e9 o quarto que tamb\u00e9m \u00e9 cozinha. No meio de tudo isso, muitos artigos de decora\u00e7\u00e3o. Na estante do c\u00f4modo est\u00e3o pendurados sete \u00f3culos. \u201cNa verdade s\u00e3o oito. Tem um perdido por aqui\u201d, brinca. O bom humor de dona Regina \u00e9 invej\u00e1vel em meio ao caos pelo qual passa o Holiday.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 aposentada. Trabalhava de recepcionista no aeroporto de Bras\u00edlia onde, segundo conta, se acidentou. \u201cPassei 30 dias desmaiada. Tenho uma cicatriz enorme da perna.\u201d Perguntada como veio parar no Recife e conseguiu comprar o apartamento, ela \u00e9 taxativa. \u201cCom dinheiro, \u00f3bvio\u201d, e ri. No momento em que terminava de contar sua hist\u00f3ria, uma equipe da assist\u00eancia social e da sa\u00fade da Prefeitura do Recife chegou ao apartamento a pedido de uma vizinha, a fim de avaliar a situa\u00e7\u00e3o de dona Regina, que ser\u00e1 levada para um abrigo. \u201cEu acho que tem coisa por tr\u00e1s dessa decis\u00e3o, mas est\u00e3o dizendo que querem ajudar, que \u00e9 tempor\u00e1rio. J\u00e1 que \u00e9 tempor\u00e1rio eu vou, mas vou deixar minhas coisas para quando eu voltar, n\u00e9?\u201d, questiona, esperan\u00e7osa.<\/p>\n<p>Assim como ela, outros moradores solit\u00e1rios foram acolhidos pelo Edif\u00edcio Holiday, a exemplo de Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Filho, de 77 anos, \u00fanico morador do 1723. \u201cEu estava enterrando minha m\u00e3e em Natal. Quando cheguei, dei de cara com essa not\u00edcia de interdi\u00e7\u00e3o\u201d, revela. Ele mora no pr\u00e9dio h\u00e1 36 anos, assim que chegou na capital pernambucana vindo da capital do Rio Grande do Norte. J\u00e1 ocupou os apartamentos 1519 e 1616. \u201cEu fui subindo. Aqui em cima \u00e9 mais tranquilo.<\/p>\n<p>Trabalhei por 23 anos na Compesa e quando me aposentei investi todo o meu dinheiro, de uma vida inteira, nesse kitnet. Paguei R$ 30 mil, h\u00e1 dois anos. Mas vale. Olhe essa vista.\u201d A janela de Jos\u00e9 fica exatamente entre um v\u00e3o formado por dois arranha-c\u00e9us localizados \u00e0 beira mar de Boa Viagem. \u201cEu vejo o mar todo dia. Veja se n\u00e3o \u00e9 de partir o cora\u00e7\u00e3o deixar isso para tr\u00e1s. Eu vou ficar at\u00e9 o fim, minha filha. N\u00e3o vou abrir m\u00e3o disso, n\u00e3o\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 n\u00e3o se diz preocupado em rela\u00e7\u00e3o ao seu futuro. \u201cTenho uma filha em Jo\u00e3o Pessoa. \u00c9 a pessoa mais pr\u00f3xima, mas n\u00e3o quero ir pra l\u00e1. Vou ver se vou para algum abrigo da Prefeitura, para poder voltar depois\u201d, planeja. \u201cOlhe, cada um que tente culpar algu\u00e9m. Eu s\u00f3 sei que tenho as contas todas pagas. Por que cortaram a minha luz, se n\u00e3o devo?\u201d De acordo com a Celpe, houve um problema na rede el\u00e9trica do pr\u00e9dio, que ficou sem energia no dia 06 de mar\u00e7o. Os moradores relatam que o problema foi provocado pela Companhia, para que fosse realizada a suspens\u00e3o no fornecimento. Desde ent\u00e3o, Jos\u00e9 se viu obrigado a refazer a rotina. \u201cEu s\u00f3 des\u00e7o uma vez por dia, quando des\u00e7o. S\u00e3o 17 andares, muita coisa. \u00c0 noite, quando abro a janela, tudo fica claro. Aproveito as luzes dos outros pr\u00e9dios e da lua. Tamb\u00e9m tenho uma lanterna, mas funciona com bateria, ent\u00e3o n\u00e3o pega\u201d, conta, enquanto passa um pente pequeno e amarelo nos cabelos grisalhos, se preparando para a foto. \u201cV\u00e3o ter que me tirar daqui \u00e0 for\u00e7a\u201d, diz para si mesmo, de frente para um espelho pequeno em cima da c\u00f4moda.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 conta que ficou muito triste com a situa\u00e7\u00e3o, mas que a indigna\u00e7\u00e3o poderia ser pior, como a que ele sente pela situa\u00e7\u00e3o do vizinho Inaldo Teixeira, de 49 anos. Ele comprou o apartamento tamb\u00e9m por R$ 30 mil, h\u00e1 apenas oito meses. \u201cE ainda fiz duas reformas. Eu tenho outra casa, tenho para aonde ir. Mas gosto de morar aqui. Vivo nesse edif\u00edcio h\u00e1 seis anos e nunca vi uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 puxando sardinha para o Holiday, mas \u00e9 que eu nunca vi nada como isso aqui\u201d, ressalta. Ele \u00e9 pescador e n\u00e3o pensa em se afastar do mar. \u201cN\u00e3o sei ainda o que fazer, mas vou tentar vender, reaver parte desse dinheiro. Tem construtora interessada\u201d, contou. \u201cO pr\u00e9dio precisa de manuten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 isso que falam. A estrutura \u00e9 boa. Mais f\u00e1cil cair esses novos que tem por a\u00ed. Voc\u00ea tem que ver os apartamentos reformados. V\u00e1 l\u00e1 no 10\u00ba. Tem um que nem parece que \u00e9 do Holiday. Olhando para a porta, fica para o lado esquerdo.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/282\" alt=\"O amor nos tempos do Holiday\" \/><figcaption>HOLIDAY<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\">\n<h1>O amor nos tempos do Holiday<\/h1>\n<\/div>\n<p>Pela porta entreaberta d\u00e1 para perceber como o\u00a0<strong>apartamento<\/strong>\u00a0destoa dos demais. Bem maior e muito bem decorado. \u201c\u00c9 da minha n\u00eaga v\u00e9ia. Mas entre, eu gosto de contar nossa hist\u00f3ria.\u201d\u00a0<strong>Everaldo Ara\u00fajo de Santana<\/strong>, de 58 anos, mora h\u00e1 25 no\u00a0<strong>Holiday<\/strong>. Ele morou, por muitos anos no\u00a0<strong>apartamento<\/strong>\u00a0de n\u00famero 1019. &#8220;Ela est\u00e1 no trabalho. Queria que ela estivesse aqui para tamb\u00e9m contar como foi\u201d, explica, tirando da parede da sala o retrato emoldurado dos dois. \u201cEla \u00e9 essa aqui. Nos conhecemos aqui no\u00a0<strong>Holiday<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>A \u201cn\u00eaga v\u00e9ia\u201d \u00e9 Ana Maria Rodrigues do Santos. Trabalha como empregada dom\u00e9stica. \u201cTem bem uns 30 anos que ela \u00e9 dom\u00e9stica de um doutor. Ajudou a criar os filhos e tudo. Mesmo que ser da fam\u00edlia.\u201d O patr\u00e3o de Ana havia comprado dois apartamentos, o 1020 e 1021. \u201cEle que reformou isso aqui. Ampliou. Ficou bom, n\u00e9? \u00c9 um quarto e sala mais um kitinet\u201d, explicou Everaldo.<\/p>\n<p>\u201cEle passou para a n\u00eaga v\u00e9ia e a filha dela, Simone, comprou\u201d, conta. Outros quadros distribu\u00eddos pelas paredes da sala ilustram a hist\u00f3ria com retratos de v\u00e1rias \u00e9pocas. \u201cA filha casou, foi morar na Fran\u00e7a. S\u00e3o dois netos que Ana tem, veja. Moram l\u00e1. A\u00ed a filha foi e comprou esse apartamento do doutor para a m\u00e3e.\u201d<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Ana frequentava muito pouco o local, segundo Everaldo, porque ela tinha medo de ficar sozinha no local. \u201cQuando eu vim morar aqui, primeiro eu aluguei o apartamento de Dona Zinha. O 1126. Ela um amor de senhorinha. Est\u00e1 viva at\u00e9 hoje. Coitada, vendo essa tristeza acontecer com o Holiday\u201d, lamenta. \u201cDepois eu comprei meu apartamento, o 1019. Trabalho com decora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eu ficava no corredor cuidando das plantas, pintando os vasos. Foi quando a gente come\u00e7ou a trocar olhares, ir se falando\u201d, lembra, sorrindo.<\/p>\n<p>\u201cE a\u00ed eu comecei a chama-la para fumar um cigarro. Ela come\u00e7ou a me chamar para comer umas bistecas que fazia. Olhe, as bistecas que a n\u00eaga v\u00e9ia fazia aqui nesse apartamento&#8230; Tenho a lembran\u00e7a viva na minha cabe\u00e7a at\u00e9 hoje\u201d, diz, comovido com a recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA n\u00eaga v\u00e9ia mudou a minha vida. N\u00e3o que eu fosse errado, mas \u00e0s vezes eu desandava. Ela me ajudou muito, e eu a ajudei tamb\u00e9m. Eu adoro essa mulher, \u00e9 uma pessoa incr\u00edvel.\u201d E assim os dois constru\u00edram o relacionamento, que j\u00e1 dura 10 anos. \u201c\u00c9 tudo t\u00e3o estranho que ficamos perdidos no tempo, suspensos. Eu n\u00e3o entendo mais nada.\u201d<\/p>\n<p>Ele conta que o tratamento dado por parte das autoridades \u00e9 desumano. \u201cEsse juiz n\u00e3o \u00e9 ser humano? N\u00e3o sabe as v\u00e1rias realidades do povo? Como decreta assim, que a gente saia em cinco dias. Ele realmente entende o que significa essas pessoas todas sa\u00edrem em cinco dias? Para aonde, meu Deus? Com que dinheiro? Cinco dias para desaparecer todas as pessoas\u201d, questiona. &#8220;\u00c9 pior do qu\u00ea cachorro vira-lata.&#8221;<\/p>\n<p>O juiz Luiz Gomes da Rocha Neto, da 7\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica da Capital, atendeu ao requerimento da Prefeitura do Recife e determinou, no \u00faltimo dia 12, a desocupa\u00e7\u00e3o e interdi\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio. O prazo se encerra no dia 19 de mar\u00e7o. No dia 20, est\u00e1 permitido o uso da for\u00e7a policial para concretizar a evacua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cE as nossas hist\u00f3rias? Voc\u00ea consegue sentir? Eu cresci com o meu pai enfeitando a casa de bandeirinha no S\u00e3o Jo\u00e3o e fiz isso aqui pelo Holiday. Enfeitava tudo, em todas as \u00e9pocas. Pergunte \u00e0s pessoas, elas v\u00e3o saber contar. Todo mundo aqui conta algo de bom do outro, voc\u00ea percebeu? Como que jogam tudo isso fora? Ainda mais sem energia&#8230; Vamos descer com tudo na cabe\u00e7a?\u201d, fala, indignado. Ele e a companheira v\u00e3o continuar no pr\u00e9dio at\u00e9 serem retirados. \u201cSeguindo at\u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o do doutor, n\u00f3s vamos procurar uma casa. Mas, por enquanto, vamos seguir aqui.\u201d<\/p>\n<p>Dos 426 apartamentos do Holiday, 120 eram alugados. Os demais estavam ocupados pelos propriet\u00e1rios ou vazios. Ao todo, 53% dos apartamentos estavam inadimplentes com o condom\u00ednio. Juntos, eles batalham agora para levantar R$ 300 mil, que ser\u00e3o destinados aos reparos emergenciais que podem permitir a volta dos moradores ao local.<\/p>\n<p>Da d\u00edvida inicial de R$ 10 mil que o pr\u00e9dio tinha com a Celpe, R$ 7 mil j\u00e1 foram quitados, gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de quem n\u00e3o pretende abandonar o edif\u00edcio. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de Rufino Neto, s\u00edndico do Edif\u00edcio Holiday e morador do apartamento 1601 havia 13 anos, que j\u00e1 providenciou a mudan\u00e7a. &#8220;Mas n\u00f3s vamos voltar. Eu garanto.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/283\" alt=\"Modernismo e modernidade\" \/><figcaption>HOLIDAY<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>Modernismo e modernidade<\/h1>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O pr\u00e9dio que ser\u00e1 constru\u00eddo de acordo com as plantas pelo PMR e as presentes especifica\u00e7\u00f5es, constrar\u00e1 de: Subsolo, pavimento t\u00e9rreo onde ser\u00e3o localizadas lojas e dezessete pavimentos com apartamentos; sobre o \u00faltimo destes ser\u00e1 localizada a casa de m\u00e1quina dos elevadore e o reservat\u00f3rio superior.<\/p>\n<p>Situado no mais procurado local da apraz\u00edvel praia de Boa Viagem, que \u00e9 o corta jaca, entre o posto n\u00ba 2 de salvamento e a casa navio.<\/p>\n<p>No subsolo ser\u00e3o localizadas as instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias para os funcion\u00e1rios do condom\u00ednio, medidores de luz e for\u00e7a e incinerador de lixo.<\/p>\n<p>Toda a estrutura do edif\u00edcio ser\u00e1 em concreto armado, o qual obedecer\u00e1 \u00e0s normas brasileiras que regulam o assunto, sendo o tra\u00e7o do concreto fornecido por meio de dosagem racional controlada na obra.<\/p>\n<p>Enquadrada nos perfis do projeto, ser\u00e1 executado alvenaria com tijolos cer\u00e2micos vazados ou com blocos de argamassa de cimento, tamb\u00e9m vazados, empregando-se no seu assentamento argamassa de cimento e areia, tra\u00e7o 1:10.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/uploads\/blog\/images\/5c8c55eb5fa86.holiday.jpg\" alt=\"holi\" width=\"500\" height=\"344\" \/><\/p>\n<p>Todas as superf\u00edcies aparentes da estrutura de concreto armado ser\u00e3o chapiscadas com argamassa de cimento e areia ao tra\u00e7o 1:4; o revestimento interno ser\u00e1 constitu\u00eddo de uma \u00fanica massa executado com argamassa de cal preta e areia no tra\u00e7o 1:3, dosada com cimento; o revestimento externo ser\u00e1 constitu\u00eddo de embo\u00e7o executado com argamassa de cal preta e areia no tra\u00e7o 1:3, dosada com cimento, ap\u00f3s o qual as paredes ser\u00e3o rebocadas com &#8220;durinte&#8221; em similar.<\/p>\n<p>O Hall principal ser\u00e1 pavimentado com m\u00e1rmore naxcional e ter\u00e1 as paredes revestidas com lambris tamb\u00e9m de m\u00e1rmore.<\/p>\n<p>Halls, circula\u00e7\u00f5es e escadas ser\u00e3o pavimentadas com marmorite em cor natural com juntas de vidros.<\/p>\n<p>As paredes dos gabinetes sanit\u00e1rios, cozinhas e kitnets levar\u00e3o revestimento de azulejos brancos de 1\u00aa qualidade at\u00e9 a altura de 1,50m.<\/p>\n<p>Os sanit\u00e1rios, terra\u00e7os, cozinhas e kitnets ser\u00e3o pavimentados com marmorite na cor natural levando juntas de vidro; as salas e quartos ser\u00e3o pavimentados com tacos de canela ou similar.&#8221;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Recife, 1950&#8217;s<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Empreendimentos Real<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cE a\u00ed eu comecei a chama-la para fumar um cigarro. 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