{"id":276994,"date":"2019-03-17T17:32:48","date_gmt":"2019-03-17T20:32:48","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=276994"},"modified":"2019-03-17T17:32:48","modified_gmt":"2019-03-17T20:32:48","slug":"o-manuscrito-de-cem-anos-de-solidao-que-garcia-marquez-acreditava-ter-se-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-manuscrito-de-cem-anos-de-solidao-que-garcia-marquez-acreditava-ter-se-perdido\/","title":{"rendered":"O manuscrito de \u2018Cem anos de solid\u00e3o\u2019 que Garc\u00eda M\u00e1rquez acreditava ter se perdido"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">M\u00e9xico guarda c\u00f3pia datilografada da grande obra do escritor colombiano.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">O pr\u00f3prio autor deu a obra ao cr\u00edtico liter\u00e1rio Emmanuel Carballo<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Anna Lagos\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/anna_silvia_plaza_lagos\/a\/\">ANNA LAGOS<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"videonoticia\" class=\"centro\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto  centro\">\n<div id=\"multimediaPlayer_264441597\">\n<div><a class=\"posicionador\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep02.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2019\/03\/15\/actualidad\/1552681746_926411_1552682680_noticia_fotograma.jpg\" width=\"640\" height=\"358\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-titulo\">A origem de &#8220;Cem anos de solid\u00e3o&#8221;.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Talvez a melhor explica\u00e7\u00e3o sobre a prodigiosa imagina\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/gabriel_garcia_marquez\">Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez<\/a>\u00a0seja a de seu pai: \u201ctinha uma capacidade para inventar al\u00e9m da realidade que via. Eu sempre disse que tinha dois c\u00e9rebros. Ningu\u00e9m me tira da cabe\u00e7a a ideia de que Gabito \u00e9 bic\u00e9falo\u201d, dizia dom Gabriel Eligio Garc\u00eda. Usou esse formid\u00e1vel talento fabulador em suas obras, mas tamb\u00e9m gostava de fantasiar com hist\u00f3rias reais por tr\u00e1s de sua literatura. Garc\u00eda M\u00e1rquez fabricou uma lenda sobre os pormenores de sua legend\u00e1ria obra\u00a0<em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>. Despistava, afirmava que precisou mandar o original em duas partes \u00e0 Editora Sudamericana porque ficou sem dinheiro na ag\u00eancia de correios e costumava dizer que n\u00e3o sabia onde estavam os manuscritos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Um desses supostos textos perdidos apareceu na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mexico_df\">Cidade do M\u00e9xico<\/a>. No bairro Roma, no novo mostru\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o Slim, em um quarto e diante de uma cama, em uma estante colonial, como\u00a0<em>sancta sanctorum<\/em>, est\u00e1 o manuscrito de\u00a0<em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>\u00a0que Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez deu a seu amigo, o cr\u00edtico mexicano Emmanuel Carballo (Guadalajara, 1929), com corre\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio autor colombiano. O texto datilografado est\u00e1 protegido por uma caixa vermelha em formato de livro na qual se destaca sua lombada com duas faixas negras. Na primeira, se l\u00ea o nome do autor e da obra que causou o boom da literatura latino-americana; na segunda, est\u00e1 a legenda em mai\u00fasculas: C\u00f3pia datilografada do romance presenteado a seu corretor o escritor mexicano Emmanuel Carballo. Mais abaixo diz com letras douradas: Na Cidade do M\u00e9xico, 1965 \u2013 1966.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\u201cGarc\u00eda M\u00e1rquez se referiu v\u00e1rias vezes a esses manuscritos que havia perdido de vista. Fala de sua hist\u00f3ria, o que acontece \u00e9 que fantasiou o relato, dizia n\u00e3o saber se existiam outras c\u00f3pias das quais ele n\u00e3o se lembrava, do que duvido, porque n\u00e3o se ajusta \u00e0 evid\u00eancia material e \u00e0 g\u00eanese do texto que eu pude rastrear\u201d, diz \u00c1lvaro Santana-Acu\u00f1a, principal pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Garc\u00eda M\u00e1rquez e autor do livro\u00a0<em>Ascent to Glory: How &#8216;One Hundred Years of Solitude&#8217; Became a Global Classic<\/em>\u00a0(ascens\u00e3o \u00e0 gl\u00f3ria: como Cem Anos de Solid\u00e3o se tornou um cl\u00e1ssico global).<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A evid\u00eancia material, o registro que aparece na edi\u00e7\u00e3o comemorativa da obra da Real Academia Espanhola, constata que existem quatro manuscritos: \u201cPera Araiza (que se encarregou de passar a limpo o texto escrito \u00e0 m\u00e3o) datilografou o original com tr\u00eas c\u00f3pias. Foi aquele o enviado no come\u00e7o de agosto \u00e0 Editora Sudamericana em dois pacotes postais. \u00c1lvaro Mutis levou pouco depois a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/buenos_aires\">Buenos Aires<\/a>\u00a0outra c\u00f3pia; a terceira, sempre de acordo com o depoimento de Garc\u00eda M\u00e1rquez, \u201ccirculou na Cidade do M\u00e9xico entre os amigos\u201d que o haviam acompanhado nos momentos ruins, enquanto a quarta foi envidada a Barranquilla \u201cpara que fosse lida por tr\u00eas protagonistas \u00edntimos do romance: Alfonso Fuenmayor, Germ\u00e1n Vargas e \u00c1lvaro Cepeda, cuja filha Patricia ainda a guarda como um tesouro\u201d. As outras, supostamente, se perderam\u201d. O pr\u00f3prio Garc\u00eda M\u00e1rquez fantasiou ainda mais o relato: \u201cEm alguma parte do mundo, entretanto, podem existir outras c\u00f3pias\u201d, como explicou em um artigo de 2001 para o EL PA\u00cdS chamado\u00a0<em>A odisseia liter\u00e1ria de um manuscrito<\/em>.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2019\/03\/15\/actualidad\/1552681746_926411_1552682937_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2019\/03\/15\/actualidad\/1552681746_926411_1552682937_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2019\/03\/15\/actualidad\/1552681746_926411_1552682937_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2019\/03\/15\/actualidad\/1552681746_926411_1552682937_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Uma das c\u00f3pias do texto datilografado original de \u201cCem anos de solid\u00e3o\u201d de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez com anota\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00e3o do autor.\" width=\"980\" height=\"550\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Uma das c\u00f3pias do texto datilografado original de \u201cCem anos de solid\u00e3o\u201d de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez com anota\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00e3o do autor.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">TERESA DE MIGUEL<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">EL PA\u00cdS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Seguindo o rastro oficial, atualmente se conhece a localiza\u00e7\u00e3o de somente tr\u00eas c\u00f3pias: uma est\u00e1 na Universidade do Texas, que comprou o arquivo do escritor em 2011. Outra \u00e9 a enviada a seus amigos em Barranquilla e Bogot\u00e1, hoje em poder da fam\u00edlia Cepeda Samudio. E a c\u00f3pia \u201cque circulou na Cidade do M\u00e9xico entre os amigos\u201d deve ser, portanto, a que est\u00e1 exposta na capital mexicana ap\u00f3s ser presenteada a Carballo. Do original, que Garc\u00eda M\u00e1rquez dividiu em dois, n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO que eu sei \u00e9 que Gabo destruiu todos os esbo\u00e7os do romance, todos os rascunhos, diagramas&#8230; toda essa parafern\u00e1lia que vem com a escritura de um livro. Gabo se desfez de tudo isso, n\u00e3o sei de que forma, mas realmente a \u00fanica coisa que resta do livro s\u00e3o esses manuscritos, como o que est\u00e1 no M\u00e9xico\u201d, diz seu filho Gonzalo Garc\u00eda ao EL PA\u00cdS. A primeira edi\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>apareceu em 1967 e, assim que a tiveram em m\u00e3os, Garc\u00eda M\u00e1rquez confessou que ele e sua esposa rasgaram \u201co original anotado que Pera utilizou para as c\u00f3pias, para que ningu\u00e9m pudesse descobrir os truques de sua carpintaria secreta\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O texto datilografado guardado no M\u00e9xico fazia parte da biblioteca pessoal de Guillermo Tovar de Teresa, cronista da Cidade do M\u00e9xico que morreu em 2013, cuja casa\u00a0\u2014 com sua cole\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es\u00a0\u2014 se transformou recentemente no terceiro Museu Soumaya, da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Slim. Emmanuel Carballo, o cr\u00edtico liter\u00e1rio mais importante do M\u00e9xico nessa \u00e9poca, era amigo \u00edntimo de Guillermo Tovar de Teresa. \u201cGuillermo e Emmanuel eram muito amigos e ele conseguiu, com essa capacidade de sedu\u00e7\u00e3o que Guillermo tinha para conseguir seus objetivos de colecionador, que Carballo vendesse [o texto datilografado de\u00a0<em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>] a ele\u201d, afirma seu irm\u00e3o Fernando Tovar y de Teresa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O texto datilografado tem algumas corre\u00e7\u00f5es que supostamente s\u00e3o do pr\u00f3prio Carballo, onde podem ser vistos com mais clareza as corre\u00e7\u00f5es do autor sob as rasuras. Essa vers\u00e3o tamb\u00e9m possui mais de 200 corre\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00e3o do pr\u00f3prio Garc\u00eda M\u00e1rquez. \u201cDo ponto de vista de cr\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o ajustes importantes, mas demonstram que era uma pessoa extraordinariamente perfeccionista. E pode-se ver como eliminava coisas quando o romance j\u00e1 estava terminado, ainda assim eliminou par\u00e1grafos completos, acrescentou algumas frases, principalmente para dar maior for\u00e7a po\u00e9tica e expressiva ao texto\u201d, diz Santana-Acu\u00f1a. O texto \u00e9 testemunha da colabora\u00e7\u00e3o fundamental entre Garc\u00eda M\u00e1rquez e Carballo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Emmanuel Carballo, que escrevia praticamente sobre qualquer livro publicado no M\u00e9xico, fundou, junto com Carlos Fuentes, a\u00a0<em>Revista Mexicana de Literatura<\/em>, al\u00e9m de colaborar como cr\u00edtico no\u00a0<em>M\u00e9xico na Cultura<\/em>, suplemento cultural fundamental da \u00e9poca no qual publicaram, entre outros, Alfonso Reyes,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/octavio_paz\">Octavio Paz<\/a>, Juan Rulfo, Carlos Monsiv\u00e1is e Elena Poniatowska. \u201cEm 1965 come\u00e7a a escrever\u00a0<em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>\u00a0e, no outono desse mesmo ano, Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez se aproxima de Carballo e lhe diz: &#8216;estou come\u00e7ando a trabalhar nesse romance, gostaria que voc\u00ea o lesse&#8217;, ent\u00e3o, durante um per\u00edodo que de acordo com Carballo durou um ano, Garc\u00eda M\u00e1rquez lhe levava todos os s\u00e1bados, como se fosse um romance por partes, desses antigos do s\u00e9culo XIX, o que havia escrito durante a semana. Garc\u00eda M\u00e1rquez se sentava com Carballo para conversar, discutir os personagens, o enredo de coisas que poderia mudar, que poderia melhorar. Garc\u00eda M\u00e1rquez evidentemente apreciava muito a opini\u00e3o do cr\u00edtico\u201d, afirma Santana-Acu\u00f1a.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A elite liter\u00e1ria colombiana havia difamado a obra no come\u00e7o. O cr\u00edtico Eduardo G\u00f3mez disse que\u00a0<em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>\u00a0n\u00e3o tinha \u201cl\u00f3gica interna e rigor est\u00e9tico\u201d, fala \u201cdos estreitos limites culturais do autor\u201d da \u201cfalta de unidade na concep\u00e7\u00e3o dos temas\u201d e da falta de rigor por misturar \u201cfantasia e realidade indiscriminadamente\u201d. No M\u00e9xico, entretanto, Carballo o elogiou: \u201c\u00e9 um romance perfeito\u201d, afirmou. \u201cAntes de\u00a0<em>Cem Anos<\/em>, Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez era um bom escritor, agora \u00e9 um escritor extraordin\u00e1rio, o primeiro entre seus colegas de equipe que escreve uma obra prima\u201d, destacou no primeiro texto cr\u00edtico sobre o romance, onde disse que o leitor estava diante de um dos grandes romances do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Garc\u00eda M\u00e1rquez escreveu sua obra em folhas de caderno (holandesas) no n\u00famero 19 da rua La Loma, no bairro San \u00c1ngel, na Cidade do M\u00e9xico. \u201cLembro de meu pai escrevendo praticamente o tempo todo que estava na casa, \u00e9 uma das imagens mais presentes que tenho: ele sentado diante de uma m\u00e1quina de escrever em seu est\u00fadio, em uma casa pequena e muito austera; no est\u00fadio onde escrevia havia quadros e livros e era, digamos, o lugar mais c\u00e1lido da casa\u201d, diz seu filho Gonzalo Garc\u00eda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a hist\u00f3ria que o pr\u00f3prio Gabo conta, a ideia de\u00a0<em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em>surgiu em 1965, em uma viagem com Mercedes e seus dois filhos a Acapulco. \u201cEu me senti fulminado por um cataclismo da alma t\u00e3o intenso e arrasador que quase n\u00e3o consegui desviar de uma vaca que atravessou a estrada\u201d. Garc\u00eda M\u00e1rquez descreve no texto que escreveu no EL PA\u00cdS: \u201cN\u00e3o tive um minuto de sossego na praia. Na ter\u00e7a-feira, quando voltamos \u00e0 Cidade do M\u00e9xico, sentei diante da m\u00e1quina para escrever uma frase inicial que n\u00e3o podia suportar dentro de mim: \u2018Muitos anos depois, diante do pelot\u00e3o de fuzilamento, o coronel Aureliano Buend\u00eda lembraria daquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo\u2019. A partir da\u00ed n\u00e3o parei um dia sequer, em uma esp\u00e9cie de sonho demolidor, at\u00e9 a linha final em que Macondo foi para a casa do c&#8230;\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A elite liter\u00e1ria colombiana havia difamado a obra no come\u00e7o. 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