{"id":277158,"date":"2019-03-19T10:54:07","date_gmt":"2019-03-19T13:54:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=277158"},"modified":"2019-03-19T10:54:07","modified_gmt":"2019-03-19T13:54:07","slug":"massacre-em-suzano-senti-os-tiros-de-novo-diz-sobrevivente-de-escola-em-realengo-que-tem-bala-alojada-perto-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/massacre-em-suzano-senti-os-tiros-de-novo-diz-sobrevivente-de-escola-em-realengo-que-tem-bala-alojada-perto-do-coracao\/","title":{"rendered":"Massacre em Suzano: &#8216;Senti os tiros de novo&#8217;, diz sobrevivente de escola em Realengo que tem bala alojada perto do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">J\u00falia Dias Carneiro<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/0394\/production\/_106061900_img-0714.jpg\" alt=\"Thayane Tavares\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>&#8220;Eu me senti ali. Era como se fosse eu&#8221;, diz jovem que ficou parapl\u00e9gica depois de levar quatro tiros em Realengo<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">O ataque a tiros contra alunos de uma escola em Suzano (SP) reverberou com for\u00e7a a 425 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, em Realengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bairro da zona oeste do Rio, sobreviventes do atentado que matou 12 crian\u00e7as h\u00e1 quase oito anos assistiram em choque \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o desse filme tr\u00e1gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alan Mendes, que levou cinco tiros em Realengo em 2011, quando sua turma se preparava para uma prova de portugu\u00eas, acompanhou as not\u00edcias sentindo uma &#8220;dor profunda&#8221; e passando mal, tendo picos de press\u00e3o: &#8220;\u00c9 como se eu tivesse acordado naquele dia de novo. Senti os tiros de novo&#8221;, descreve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thayane Tavares Monteiro, que ficou parapl\u00e9gica depois de levar quatro tiros, conhece o desespero vivido pelas crian\u00e7as. &#8220;Eu me senti ali. Era como se fosse eu&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Suzano, na Grande S\u00e3o Paulo, dois jovens armados mataram oito pessoas no ataque \u00e0 Escola Estadual Professor Raul Brasil, na \u00faltima quarta-feira, deixando outras 11 feridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi um choque ver tudo acontecendo de novo&#8221;, diz Adriana Silveira, que perdeu sua filha Luiza, de 15 anos, baleada na escola em Realengo &#8211; o primeiro ataque no Brasil emulando os epis\u00f3dios de tiros e matan\u00e7as em escolas americanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;massacre de Realengo&#8221;, como ficou conhecido, ocorreu no dia 7 de abril de 2011, na Escola Municipal Tasso da Silveira. O atirador, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, conhecia bem o local, no qual havia estudado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17332\/production\/_106062059_a15645f5-04fb-4206-ad62-d4a94216d716.jpg\" alt=\"Esculturas representam estudantes mortos\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">T\u00c2NIA REGO\/AG. BRASIL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Homenagem aos 12 alunos mortos durante o ataque na escola em Realengo, no Rio<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou por volta das 8h, com um cinto de muni\u00e7\u00e3o escondido e dois rev\u00f3lveres e recarregadores. Subiu ao primeiro andar, entrou na sala da turma 1803, onde a professora de portugu\u00eas dava as instru\u00e7\u00f5es da prova, e afirmou que viera dar uma palestra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sacou as armas e come\u00e7ou a atirar, mirando preferencialmente as meninas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wellington matou 12 alunos, dez meninas e dois meninos, e feriu outros 11, segundo Adriana. As v\u00edtimas tinham entre 13 e 15 anos. Oliveira se matou depois que policiais chegaram e ele foi baleado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adriana hoje preside a Associa\u00e7\u00e3o dos Anjos de Realengo (AAFAR), lutando por mais seguran\u00e7a nas escolas e para que a trag\u00e9dia n\u00e3o seja esquecida, nem se repita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Recebemos a not\u00edcia (sobre Suzano) com muita tristeza. Fiquei arrasada. Dizemos sempre que lembrar \u00e9 reagir e esquecer \u00e9 permitir, e essa repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 a prova&#8221;, lamenta, cobrando uma rea\u00e7\u00e3o de governantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7a as hist\u00f3rias de tr\u00eas trajet\u00f3rias interrompidas pelo massacre de Realengo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Alan Mendes Ferreira da Silva<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alan, 21 anos, ainda guarda parte do trauma no corpo: uma bala alojada perto do cora\u00e7\u00e3o. Ele tinha 13 anos quando Wellington entrou sem pedir licen\u00e7a na sala de aula do 9\u00ba ano, sacou dois rev\u00f3lveres e deu um tiro na cabe\u00e7a de Samira, que estava sentada ao seu lado na primeira fila. Aos 13 anos, Alan perguntou: &#8220;O que \u00e9 isso??&#8221;, e levou um tiro no ombro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wellington ent\u00e3o matou G\u00e9ssica, que cochilava debru\u00e7ada sobre a carteira. Alan tentou jogar sua mesa sobre ele e escorregou no sangue de Samira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele me falou, &#8216;agora que voc\u00ea vai morrer&#8217;, e deu um tiro no meu rosto. Eu consegui sair correndo, mas ele continuou atirando&#8221;, lembra Alan. O tiro entrou debaixo do olho esquerdo e saiu pouco abaixo da orelha direita. Outro se alojou perto do cora\u00e7\u00e3o, outro atravessou sua m\u00e3o, outro pegou de rasp\u00e3o na barriga.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12512\/production\/_106062057_inst.jpg\" alt=\"Alan Mendes Ferreira da Silva\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Alan levou diversos tiros no Massacre de Realengo e uma das balas est\u00e1 alojada perto de seu cora\u00e7\u00e3o<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alan saiu da escola e foi correndo at\u00e9 perto de casa, a 1,5 km de dist\u00e2ncia, e s\u00f3 viu que estava &#8220;todo furado&#8221; quando encontrou uma viatura e denunciou o ataque a um sargento, que o mandou entrar no carro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu falei que estava bem e ele perguntou: &#8216;como, se est\u00e1 cheio de tiros?&#8217; A\u00ed que me vi na viatura, meu rosto furado, minha m\u00e3o sangrando muito.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tiros acabaram com o sonho de Alan de entrar para o Ex\u00e9rcito. Ele n\u00e3o pode fazer muito esfor\u00e7o f\u00edsico e sente o desconforto da bala quando o tempo muda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dor era muito pior nos primeiros anos. Sua m\u00e3e teve que parar de trabalhar para cuidar do filho. A fam\u00edlia teve acesso ao atendimento psicol\u00f3gico oferecido pela prefeitura durante um ano e recebeu R$ 700 mensais at\u00e9 que sa\u00edsse a indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alan est\u00e1 organizando as economias para estudar Direito em uma faculdade particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele concluiu o ensino fundamental na Escola Tasso da Silveira depois que se recuperou. &#8220;Doeu muito voltar. \u00c0s vezes, eu tinha crise de choro na sala de aula. Sentia medo de estudar&#8221;, lembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproximou-se muito de Thayane, que ficou parapl\u00e9gica. &#8220;N\u00f3s vimos muitas mortes. N\u00f3s dois juntos nos ajudamos a nos levantar.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele acredita que o ataque em Suzano poderia ter sido prevenido se os apelos da Associa\u00e7\u00e3o dos Anjos de Realengo por mais seguran\u00e7a nas escolas tivessem sido ouvidos.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea atiradores entrando no Pal\u00e1cio do Planalto ou no Congresso. Mas v\u00ea nas escolas, matando o futuro do Brasil<\/p>\n<footer>Alan Ferreira da Silva, que levou cinco tiros em Realengo<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como \u00e9 poss\u00edvel que jovens com armas, m\u00e1scaras, arco e flecha entrem em uma escola?&#8221;, questiona. &#8220;S\u00e3o coisas que poderiam ser evitadas se as escolas n\u00e3o estivessem ao deus-dar\u00e1. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea atiradores entrando no Pal\u00e1cio do Planalto ou no Congresso. Mas v\u00ea nas escolas, matando o futuro do Brasil.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Thayane Tavares Monteiro<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thayane soube que tinha perdido o movimento das pernas assim que levou os tiros. &#8220;Primeiro ele mirou na minha cabe\u00e7a, mas tomei o tiro no bra\u00e7o com que me defendi. Depois foram mais dois tiros \u00e0 queima-roupa que se alojaram na minha coluna, e outro na cintura. Ele continuou os disparos e eu fiquei me fingindo de morta&#8221;, lembra.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AFE2\/production\/_106062054_img-0702.jpg\" alt=\"Thayane (\u00e0 direita) ao lado de sua melhor amiga Carol (centro)\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>No dia antes do ataque, Thayane (\u00e0 direita) tirou esta foto abra\u00e7ada \u00e0 melhor amiga, Ana Carolina (no centro), de 13 anos, que foi morta pelo atirador na escola Tasso da Silveira<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois que o ataque acabou, ela tentou se levantar, mas n\u00e3o conseguiu. Estava parapl\u00e9gica e acabara de perder a melhor amiga, Ana Carolina Pacheco da Silva, de 13 anos, com quem tirara uma foto sorridente na manh\u00e3 anterior, na escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 7 de abril se tornou um segundo anivers\u00e1rio. &#8220;Apesar de ser um dia muito triste, eu sempre comemoro mais um ano de vida&#8221;, diz. N\u00e3o consegue imaginar como seria sua vida se aquilo nunca tivesse acontecido.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>Apesar de ser um dia muito triste, eu sempre comemoro mais um ano de vida<\/p>\n<footer>Thayane Tavares Monteiro, que levou quatro tiros<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Creio que seria uma vida normal. Na cadeira de rodas, \u00e9 completamente diferente. Tive que aprender tudo de novo, como se fosse um beb\u00ea, como aprender a engatinhar&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tive que aprender a conviver com a falta de acessibilidade, com os olhares das pessoas, com o preconceito, tudo isso. Foi muito dif\u00edcil no come\u00e7o, mas acho que agora estou bem.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano seguinte ao ataque, ela voltou para a Tasso da Silveira e completou o ensino fundamental. Hoje, est\u00e1 no terceiro per\u00edodo da faculdade de Direito na Universidade Castelo Branco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu procurei n\u00e3o me vitimizar por estar na cadeira de rodas. Busquei coisas que se adaptassem \u00e0 minha forma de vida&#8221;, diz. Ela pratica a paracanoagem, estuda &#8220;para manter a cabe\u00e7a ocupada e estar&#8221; e se cerca de familiares e amigos &#8220;para n\u00e3o deixar o medo vencer&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/51B4\/production\/_106061902_img-0581.jpg\" alt=\"Thayane Tavares\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Thayane ficou parapl\u00e9gica com os tiros que levou no ataque e teve que aprender a conviver com o preconceito e as dificuldades de ser cadeirante<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teve que parar de fazer fisioterapia em 2016 e se queixa da falta de apoio da prefeitura. &#8220;N\u00e3o estou sendo assistida com a devida aten\u00e7\u00e3o. Infelizmente, tudo \u00e9 com muita briga.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thayane diz estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos sobreviventes de Suzano. &#8220;Se algu\u00e9m quiser conversar comigo, quiser a minha ajuda, \u00e9 s\u00f3 eles me procurarem nas redes sociais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Al\u00e9m do trauma, das lembran\u00e7as e da dor pela saudade dos amigos que se foram, eles v\u00e3o ficar com medo de voltar para o col\u00e9gio, v\u00e3o ter muitos pesadelos. N\u00e3o d\u00e1 para esquecer nunca. Mas com o tempo eles v\u00e3o acabar aprendendo a conviver com isso&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Adriana Silveira<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 7 de abril de 2011, Adriana trabalhava como vendedora de roupas aut\u00f4noma e era m\u00e3e de um casal de adolescentes. Sua \u00fanica menina, Luiza Paula da Silveira Machado, a ca\u00e7ula, morreu aos 15 anos, dentro da escola. Desde ent\u00e3o, ela diz que &#8220;faz do luto uma luta&#8221; para conseguir sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi uma barb\u00e1rie. Era um fato \u00fanico na hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds, e deveria ter sido o \u00faltimo. Ali, nossos governantes deveriam ter tomado provid\u00eancias. Mas o Brasil \u00e9 um pa\u00eds que n\u00e3o trabalha com preven\u00e7\u00e3o. Infelizmente, o problema continuou, ent\u00e3o a luta tem que continuar.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/A3DB\/production\/_106074914_10530757_634829853312398_1922725782095290679_n.jpg\" alt=\"adriana e sua filha luiza\" width=\"426\" height=\"442\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\">Adriana Silveira ao lado de sua filha, Luiza, assassinada aos 15 anos pelo atirador de Realengo. Ela fundou a associa\u00e7\u00e3o dos Anjos de Realengo para lutar por mais seguran\u00e7a nas escolas<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com as outras fam\u00edlias de v\u00edtimas, Adriana fundou a Associa\u00e7\u00e3o dos Anjos de Realengo (AAFAR), da qual \u00e9 presidente. A associa\u00e7\u00e3o conseguiu a aprova\u00e7\u00e3o, em 2013, da lei estadual 6.401, que prev\u00ea a\u00e7\u00f5es de combate ao bullying e ao cyber-bullying nas escolas, na primeira semana de abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela costuma viajar para dar palestras em escolas sobre a import\u00e2ncia da conscientiza\u00e7\u00e3o contra o bullying.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o policial do caso de Realengo apontou o bullying que Wellington teria sofrido ao longo de sua vida escolar como uma das raz\u00f5es para o ataque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adriana escreveu um livro infantil que faz homenagem \u00e0 filha,\u00a0<i>Meu anjo Luiza<\/i>, buscando tematizar a viol\u00eancia no ambiente escolar para um p\u00fablico infantil. Ela fala sobre valores humanos e a import\u00e2ncia do respeito e do amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Temos que trabalhar com as crian\u00e7as enquanto s\u00e3o pequenas para que sejam adolescentes e adultos melhores. Se n\u00e3o fizermos um trabalho de preven\u00e7\u00e3o, infelizmente amanh\u00e3 poderemos ver adolescentes delinquentes repetindo o que vimos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o podemos descartar a hip\u00f3tese de que o agressor tamb\u00e9m precise de tratamento. Se uma crian\u00e7a d\u00e1 sinais de problemas, isso precisa ser trabalhado em conjunto pela fam\u00edlia, pela escola, precisa envolver governantes e a sociedade&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do ataque, a seguran\u00e7a foi incrementada na Tasso da Silveira, que hoje conta com a presen\u00e7a de guardas durante 24 horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas n\u00e3o queremos isso s\u00f3 na Tasso. Isso \u00e9 tapar o sol com a peneira. Precisamos esperar que morram crian\u00e7as em outras escolas para que aumentem a seguran\u00e7a?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se as nossas crian\u00e7as partiram, elas deixam um pedido de paz e de mudan\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o. Em nome delas, espero que outras crian\u00e7as possam desfrutar de uma educa\u00e7\u00e3o em que tenham o direito de entrar e sair com vida das escolas, direito que elas n\u00e3o tiveram&#8221;, diz Adriana.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Mas n\u00e3o queremos isso s\u00f3 na Tasso. Isso \u00e9 tapar o sol com a peneira. 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