{"id":277651,"date":"2019-03-24T10:38:15","date_gmt":"2019-03-24T13:38:15","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=277651"},"modified":"2019-03-24T10:38:15","modified_gmt":"2019-03-24T13:38:15","slug":"professores-falam-sobre-violencia-nas-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/professores-falam-sobre-violencia-nas-escolas\/","title":{"rendered":"Professores falam sobre viol\u00eancia nas escolas"},"content":{"rendered":"<div class=\"container text-center\">\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"titulo col-md-12 col-sm-12 col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"subtitulo\" style=\"text-align: justify;\"><em>Depoimentos ouvidos pelo DIA, refletem preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro da Educa\u00e7\u00e3o<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container content-publication-data text-center\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"row\">\n<p class=\"content-publication-data__from\">Por FRANCISCO EDSON ALVES<\/p>\n<p class=\"content-publication-data__updated\"><img decoding=\"async\" title=\"Na foto, a professora, Delnice Pereira\" src=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/_midias\/jpg\/2019\/03\/22\/700x930\/1_220319010-10314724.jpg\" alt=\"Na foto, a professora, Delnice Pereira\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container body__news\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-7 col-md-7 col-sm-12 col-xs-12 coluna\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-12 col-md-12 col-sm-12 col-xs-12\">\n<div class=\"foto--full__top container\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure><figcaption class=\"caption\">Na foto, a professora, Delnice Pereira &#8211;\u00a0<b>Estefan Radovicz \/ Agencia O Dia<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Rio &#8211;\u00a0Ap\u00f3s o massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), no \u00faltimo dia 13, quando dez pessoas (oito alunos e os dois assassinos) morreram, uma onda de ataques e boatos tomou conta da comunidade escolar no pa\u00eds, gerando inseguran\u00e7a entre alunos, pais e professores.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">No Rio, no dia seguinte \u00e0 trag\u00e9dia paulista, um adolescente de 16 anos esfaqueou um aluno do Ciep Brigadeiro S\u00e9rgio Carvalho, em Campo Grande, na Zona Oeste. A v\u00edtima, de 15 anos, n\u00e3o quer mais voltar a estudar l\u00e1. Desde ent\u00e3o, a Pol\u00edcia Militar j\u00e1 foi mobilizada dezenas de vezes em todo o estado do Rio por conta de not\u00edcias \u2014 a maioria delas, falsa \u2014 de invas\u00f5es e atentados. Como ocorreu no Ciep Aspirante Francisco Mega, em Magalh\u00e3es Bastos, na Zona Oeste, no dia 15, e no Centro Universit\u00e1rio de Barra Mansa (UBM), h\u00e1 dois dias. As aulas foram canceladas nas duas institui\u00e7\u00f5es, que acionaram refor\u00e7os policiais.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio de preocupa\u00e7\u00e3o nos col\u00e9gios j\u00e1 estava instalado mais claramente para os cariocas desde o epis\u00f3dio que ficou conhecido como \u2018Massacre de Realengo\u2019, em 7 de abril de 2011. Naquele dia, por volta das 8h30, na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro, o ex-aluno da institui\u00e7\u00e3o Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu o local armado com dois rev\u00f3lveres, matando 12 estudantes, com idade entre 13 e 16 anos, e deixando pelo menos outros 13 feridos. Ao ser interceptado por policiais militares, o jovem, acuado, cometeu suic\u00eddio.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Mas o que estaria por tr\u00e1s da epidemia de viol\u00eancia que cresce em ambientes que deveriam ser de paz e harmonia, criando uma cultura de medo e cen\u00e1rios agressivos, de terror entre os pr\u00f3prios estudantes? O DIA ouviu a opini\u00e3o de quatro experientes professoras que trabalham em escolas p\u00fablicas da capital, Baixada Fluminense e Regi\u00e3o Metropolitana. Elas d\u00e3o pistas importantes para que um debate sobre os rumos da Educa\u00e7\u00e3o seja ampliado e para que a sociedade como um todo reveja pr\u00e1ticas de conviv\u00eancia escolar.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso entender que a escola \u00e9 o reflexo da sociedade. Mas, podemos modificar essa sociedade atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. E ainda precisamos levar em conta a diferen\u00e7a muito grande a escola privada e a escola p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O programa bolsa fam\u00edlia propiciou o acesso a quase todas as crian\u00e7as e a Lei n\u00ba 12.796 obriga os pais a matricularem as crian\u00e7as aos 4 de idade, aumentado os anos de escolaridade da crian\u00e7a da escola p\u00fablica. Com o acesso de todas as crian\u00e7as a escola recebeu crian\u00e7as com defici\u00eancia emocional, educacional e nutricional sem contar a dificuldade dos pr\u00f3prios professores para entender esse aluno. Sem contar crise econ\u00f4mica e aumento da viol\u00eancia este problemas sociais e econ\u00f4micos afastando os pais da vida do filhos e delegando a educa\u00e7\u00e3o do filho a escola que por sua vez n\u00e3o consegue dar conta.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso aumentar a quantidade de horas na escola e melhorar a forma\u00e7\u00e3o do professor.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">A escola deve propiciar uma educa\u00e7\u00e3o acolhedora e que a emo\u00e7\u00e3o e os sentimento perpassem o ensino e atrav\u00e9s de projetos interdisciplinares ou multidisciplinares voltados ao respeito ao pr\u00f3ximo \u00e0 solidariedade unam alunos, professores e comunidade escolar. Claro que n\u00e3o vamos resolver todos os problemas, mas com o aluno mais tempo na escola \u00e9 envolvido emocionalmente seria melhor para todos.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>&#8216;Sistema \u00e9 falho e desinteressante&#8217;<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>(M\u00f4nica Alvarenga, professora de ingl\u00eas, 51 anos)<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPesquisas indicam que nas buscas na internet, palavras como terrorismo, mutila\u00e7\u00e3o, bombas e suic\u00eddio, est\u00e3o entre as mais acessadas. Estamos oferecendo um modelo de escola inadequado para os jovens. Mas qual seria o adequado? Ningu\u00e9m sabe ainda. S\u00f3 sabemos que o atual n\u00e3o os interessa. \u00c9 preciso oferecer conte\u00fados que os fa\u00e7am dialogar, que os reaproximem e nos aproximem. Hoje, \u00e9 imposs\u00edvel o professor dar conta da emo\u00e7\u00e3o de seus alunos numa sala entupida com 50 estudantes. Todo o sistema educacional tem que ser revisto. E com muita urg\u00eancia\u201d. Tenho 31 anos na rede estadual de Educa\u00e7\u00e3o. Me aperfei\u00e7oei em desenvolvimento de pessoas em ambientes corporativos e escolas. Meus alunos s\u00e3o adolescentes do Ensino M\u00e9dio, dos Cieps Heitor dos Prazeres, em Pedra de Guaratiba, e M\u00e1rio de Andrade, em Santa Cruz (ambos na Zona Oeste). O momento \u00e9 de transi\u00e7\u00e3o, de grandes transforma\u00e7\u00f5es sociais. H\u00e1 20 anos, celular era privil\u00e9gio e s\u00f3 tinha voz. Agora, tem o mundo inteiro nele. Paralelo a isso, a reestrutura\u00e7\u00e3o da economia e cultura globais, em fase de adapta\u00e7\u00e3o, mudam rela\u00e7\u00f5es de trabalho e fam\u00edlia diariamente. Hoje h\u00e1 muitos lares de m\u00e3es sozinhas, que trabalham dobrado; h\u00e1 fam\u00edlias sem rela\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas, sem tempo, e que lidam com todas as dificuldades que n\u00f3s, pais e professores, estamos tendo de adapta\u00e7\u00e3o. Esses fen\u00f4menos est\u00e3o colocando os mais novos em conflitos crescentes\u201d.<\/p>\n<div class=\"main--photo\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/_midias\/jpg\/2019\/03\/22\/700x470\/1_220319004-10314459.jpg\" data-src=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/_midias\/jpg\/2019\/03\/22\/700x470\/1_220319004-10314459.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption>M\u00f4nica Alvarenga acredita que fen\u00f4menos da atualidade est\u00e3o colocando os mais novos em conflitos crescentes\u00a0<b>&#8211; Estefan Radovicz \/ Agencia O Dia<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Escola com mais emo\u00e7\u00f5es e sentimentos<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>(Luciane Gervou, professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, 50 anos)<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSou professora da Escola Municipal M\u00e1rcia de Brito, de Belford Roxo. Iniciei minha carreira h\u00e1 25 anos na rede estadual e h\u00e1 20 tamb\u00e9m atuo em col\u00e9gios municipais. Entendo que a escola \u00e9 o reflexo da sociedade. Mas podemos modificar a sociedade atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. E precisamos levar em conta a diferen\u00e7a enorme entre a escola privada e a p\u00fablica. O Programa Bolsa Fam\u00edlia propiciou o acesso a quase todas as crian\u00e7as ao ensino e a Lei 12.796 obriga os pais a matricularem as crian\u00e7as aos 4 de idade. Com o acesso maior de estudantes, a escola recebeu alunos com uma gama de defici\u00eancia emocional, educacional e nutricional. Sem contar que a crise econ\u00f4mica e aumento da viol\u00eancia, v\u00eam assombrando a vida familiar. Fam\u00edlias desestruturas delegam, ent\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o do filho apenas \u00e0 escola, que, por sua vez, n\u00e3o consegue dar conta sozinha. \u00c9 preciso aumentar a quantidade de horas de aprendizado nos col\u00e9gios e melhorar a forma\u00e7\u00e3o do professor. Antigamente, a escola tinha uma educa\u00e7\u00e3o mais acolhedora, onde as emo\u00e7\u00f5es e os sentimentos eram mais latentes. Acredito que projetos interdisciplinares ou multidisciplinares voltados para o respeito\u00a0ao pr\u00f3ximo \u00e0 solidariedade, possam unir\u00a0novamente a comunidade escolar\u201d<\/p>\n<div class=\"main--photo\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/_midias\/png\/2019\/03\/22\/700x930\/1_professora_1_luciane_gervou__50_anos__de_ed_fisica_do_estado_e_munic__pio_de_belford_roxo-10316575.png\" data-src=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/_midias\/png\/2019\/03\/22\/700x930\/1_professora_1_luciane_gervou__50_anos__de_ed_fisica_do_estado_e_munic__pio_de_belford_roxo-10316575.png\" \/><figcaption>Professora Luciane Gervou, 50 anos, ensina Educa\u00e7\u00e3o Fisica no estado e munic\u00edpio de Belford Roxo<b>\u00a0&#8211; \u00c1lbum Pessoal<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Crian\u00e7as j\u00e1 nascem para o mundo virtual<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>(Delnice Pereira, professora de l\u00edngua portuguesa)<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO magist\u00e9rio faz parte da minha vida h\u00e1 27 anos. Trabalho na Escola Parque e na Escola Municipal Frei Gaspar, no Recreio. Acredito que a viol\u00eancia na comunidade escolar, deve-se muito \u00e0 nova realidade mundial. As crian\u00e7as hoje j\u00e1 nascem preparadas para um mundo virtual que, quando mal usado, s\u00f3 encontra eco no \u00f3dio, racismo e drogas. Os pais d\u00e3o logo um iPhone, um laptop, um tablet para o filho. Mas os equipamentos acabam mesmo \u00e9 virando bab\u00e1s eletr\u00f4nicas. Nas escolas, na hora do recreio, as crian\u00e7as n\u00e3o brincam mais como antes, de pique, de jogar bola, por exemplo. Ficam isoladas, centradas nelas mesmas, alheias \u00e0 realidade. E ao chegarem \u00e0 adolesc\u00eancia, que deveria ser a \u00e9poca\u00a0ideal para buscar suas identidades, est\u00e3o perdidas, se \u201cinformando\u201d pelo Whatsapp, por memes, Facebook. Os alunos t\u00eam cada vez mais dificuldades de compartilhar experi\u00eancias, espa\u00e7os, palpites, trabalhos, pensamentos. N\u00e3o est\u00e3o mais acostumados a atividades em grupos, em ouvir e dar opini\u00f5es. Esse individualismo est\u00e1 nos distanciando. O papel dos educadores, por\u00e9m, \u00e9 ir na contram\u00e3o. N\u00e3o podemos desistir. Eu procuro fazer sempre que o estudante exercite a gentileza, a empatia, a coletividade. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel\u201d.<\/p>\n<div class=\"main--photo\">\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/_midias\/jpg\/2019\/03\/22\/700x930\/1_220319009-10314674.jpg\" data-src=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/_midias\/jpg\/2019\/03\/22\/700x930\/1_220319009-10314674.jpg\" \/><figcaption>Na foto, a professora, Delnice Pereira<b>\u00a0&#8211; Estefan Radovicz \/ Ag\u00eancia O Dia<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPesquisas indicam que nas buscas na internet, palavras como terrorismo, mutila\u00e7\u00e3o, bombas e suic\u00eddio, est\u00e3o entre as mais acessadas. Estamos oferecendo um modelo de escola inadequado para os jovens. Mas qual seria o adequado? Ningu\u00e9m sabe ainda. 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