{"id":278307,"date":"2019-03-30T17:10:24","date_gmt":"2019-03-30T20:10:24","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=278307"},"modified":"2019-03-30T17:10:24","modified_gmt":"2019-03-30T20:10:24","slug":"como-seu-intestino-pode-ajudar-seu-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-seu-intestino-pode-ajudar-seu-cerebro\/","title":{"rendered":"Como seu intestino pode ajudar seu c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">David Robson<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/15C1A\/production\/_106241198_bacteria-163711_1280.jpg\" alt=\"Bact\u00e9ria\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Um s\u00e9culo atr\u00e1s, alguns poucos estudos descobriram uma liga\u00e7\u00e3o entre alimenta\u00e7\u00e3o e sa\u00fade mental. Agora, evid\u00eancias mostram que bact\u00e9rias que carregamos dentro de n\u00f3s podem influenciar como nos sentimos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">O intestino de um paciente pode n\u00e3o ser o lugar mais \u00f3bvio para buscar as origens da depress\u00e3o. Mas esse foi o palpite do qu\u00edmico brit\u00e2nico George Porter Phillips no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto percorria as enfermarias do not\u00f3rio Bethlem Royal Hospital, em Londres, Phillips observara que seus pacientes com melancolia frequentemente sofriam de constipa\u00e7\u00e3o severa, junto com outros sinais de &#8220;entupimento geral dos processos metab\u00f3licos&#8221; &#8211; incluindo unhas quebradi\u00e7as, cabelos sem lustro e tez amarelada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente, poder\u00edamos pensar que esses problemas fisiol\u00f3gicos foram causados pela depress\u00e3o, mas e se o contr\u00e1rio fosse verdadeiro? Phillips se perguntou, ent\u00e3o, se seria poss\u00edvel aliviar a depress\u00e3o tratando o intestino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para provar essa hip\u00f3tese, ele alimentou os pacientes com uma dieta de baixo teor cal\u00f3rico, sem carnes, exceto peixes. Tamb\u00e9m lhes ofereceu uma bebida l\u00e1ctea fermentada conhecida como kefir, que cont\u00e9m as bact\u00e9rias lactobacillus, um micr\u00f3bio &#8220;amig\u00e1vel&#8221; que j\u00e1 era conhecido por facilitar a digest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreendentemente, funcionou. Dos 18 pacientes testados por Phillips, 11 foram curados completamente. Outros dois apresentaram melhora significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a prova que faltava de que nossas bact\u00e9rias intestinais podem ter uma profunda influ\u00eancia sobre nosso bem-estar mental.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B7D2\/production\/_105985074_p070wks3.jpg\" alt=\"P\u00edlulas\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Apenas dois em cada 10 pacientes que tomam antidepressivos apresentam sinais de melhora<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Poder da flora intestinal sob an\u00e1lise<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma s\u00e9rie da BBC Future analisou v\u00e1rias afirma\u00e7\u00f5es sobre o poder da nossa flora intestinal de causar cura ou dano. Mas a liga\u00e7\u00e3o entre esses micro-organismos e nossa sa\u00fade mental talvez seja a mais dif\u00edcil de ser observada. Como esses seres microsc\u00f3picos que se alimentam de restos da nossa digest\u00e3o poderiam afetar nosso c\u00e9rebro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas dessas descobertas foram superestimadas. Mas mais de um s\u00e9culo depois do experimento inicial de Phillips, a rela\u00e7\u00e3o entre intestino-c\u00e9rebro \u00e9 consideravelmente s\u00f3lida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A influ\u00eancia dos micr\u00f3bios em nossa sa\u00fade mental n\u00e3o est\u00e1 mais em discuss\u00e3o&#8221;, diz Jane Allyson Foster, cujo laborat\u00f3rio na Universidade McMaster, no Canad\u00e1, lidera pesquisas nessa \u00e1rea. E isso significa que podemos curar o c\u00e9rebro atrav\u00e9s de nossa barriga. &#8220;H\u00e1 o potencial tanto para o desenvolvimento de novos tratamentos quanto para a medicina de precis\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foster destaca que um intestino n\u00e3o saud\u00e1vel \u00e9 apenas uma das muitas poss\u00edveis causas de doen\u00e7a mental. Em outras palavras, apenas uma parcela dos pacientes vai responder bem aos novos tratamentos &#8220;psicobi\u00f3ticos&#8221;. Mas para aqueles que sofrem de um desequil\u00edbrio em suas bact\u00e9rias intestinais, as novas terapias podem trazer um al\u00edvio muito necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos primeiros estudos, incluindo o de Phillips, a ideia de que o intestino pudesse influenciar nossa sa\u00fade mental caiu em desgra\u00e7a durante grande parte do s\u00e9culo 20, e fortes evid\u00eancias para esse elo misterioso s\u00f3 emergiram novamente nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos mais impressionantes experimentos modernos foi feito por cientistas da Universidade de Kyushu, no Jap\u00e3o, em 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles demostraram que camundongos &#8220;sem micro-organismos&#8221; &#8211; criados em condi\u00e7\u00f5es esterilizadas para que n\u00e3o tivessem micr\u00f3bios em seus corpos &#8211; mostraram maiores flutua\u00e7\u00f5es nos horm\u00f4nios corticosterona e ACTH, ambos conhecidos por refletirem os n\u00edveis de estresse. Isso sugeriu que as bact\u00e9rias intestinais de camundongos saud\u00e1veis estavam, de alguma forma, moldando seu perfil hormonal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores ent\u00e3o deram a um grupo de camundongos sem germes bact\u00e9rias lactobacillus &#8211; a classe de bact\u00e9rias &#8220;amig\u00e1veis&#8221; que Phillips tamb\u00e9m usou em seus pacientes melanc\u00f3licos. Embora esses ratos ainda apresentassem uma resposta mais alta ao estresse do que os ratos que nunca haviam sido criados livres de germes, suas respostas ao estresse eram menos pronunciadas do que os ratos sem nenhum micr\u00f3bio no intestino.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/109DA\/production\/_105985086_p070wgsf.jpg\" alt=\"Kefir\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Estudo do in\u00edcio do s\u00e9culo 20 mostrou efeitos positivos do kefir fermentado em pacientes deprimidos<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem at\u00e9 alguns sinais de que comportamentos depressivos podem ser transmitidos atrav\u00e9s das esp\u00e9cies &#8211; do humano ao camundongo &#8211; devido aos micr\u00f3bios no intestino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um outro estudo, pesquisadores chineses de Chongqing coletaram uma amostra da flora intestinal de pacientes com Transtorno Depressivo Maior e a inseriu em camundongos sem germes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, verificaram que esses camundongos desistiam mais r\u00e1pido durante um exerc\u00edcio de nata\u00e7\u00e3o &#8220;for\u00e7ada&#8221; &#8211; um comportamento que muitas vezes \u00e9 considerado an\u00e1logo \u00e0 letargia e ao desalento, sintomas t\u00edpicos da depress\u00e3o. E quando os ratos foram colocados em uma caixa, gastaram menos tempo explorando as \u00e1reas centrais e ficaram mais perto da borda, onde se sentiam mais seguros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O que surpreende \u00e9 que os animais que receberam a flora intestinal &#8216;depressiva&#8217; se comportaram de forma &#8216;depressiva'&#8221;, explica Julio Licinio, da New York Upstate Medical University, que foi coautor do artigo. &#8220;Se voc\u00ea mudar a flora intestinal, voc\u00ea muda o comportamento.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 podemos tirar algumas conclus\u00f5es desses estudos em animais, \u00e9 claro &#8211; mas elas s\u00e3o respaldadas por estudos epidemiol\u00f3gicos que analisam um grande n\u00famero de participantes humanos (o mais recente foi publicado em 4 de fevereiro de 2019 ). Essas pesquisas mostraram de maneira consistente que varia\u00e7\u00f5es na flora intestinal coincidem v\u00e1rias doen\u00e7as mentais, incluindo depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma esp\u00e9cie isolada parece ser respons\u00e1vel por esses efeitos; muito mais importante seria a propor\u00e7\u00e3o geral das diferentes fam\u00edlias de micr\u00f3bios. Sendo assim, as floras intestinais de pessoas deprimidas e ansiosas indicam menos diversidade do que a dos indiv\u00edduos sem problemas de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreendentemente, um dos trabalhos recentes de Licinio revelou que a esquizofrenia est\u00e1 associada a uma flora intestinal empobrecida. Quando amostras de pacientes que sofrem do transtorno foram implantadas em camundongos livres de germes, o pesquisador p\u00f4de verificar mudan\u00e7as caracter\u00edsticas na atividade cerebral que s\u00e3o marca registrada do dist\u00farbio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Explica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses efeitos podem surgir de muitas formas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certas esp\u00e9cies de micr\u00f3bios intestinais podem proteger a parede intestinal, ajudando a manter sua membrana mucosa que impede que o conte\u00fado seja derramado na corrente sangu\u00ednea. Sem essa barreira, voc\u00ea pode sofrer de um &#8220;intestino poroso&#8221;, s\u00edndrome que desencadeia, entre outras coisas, a libera\u00e7\u00e3o de citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, prote\u00ednas que aumentam o fluxo sangu\u00edneo ao redor dos locais de infec\u00e7\u00e3o e regulam a resposta imune do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora essa rea\u00e7\u00e3o seja crucial para combater a infec\u00e7\u00e3o, essas citocinas tamb\u00e9m podem levar ao mau humor e \u00e0 letargia. \u00c9 por isso que muitas vezes nos sentimos cansados quando estamos doentes &#8211; e a curto prazo, essa rea\u00e7\u00e3o nos ajuda a poupar a energia de que o nosso corpo necessita para encontrar a infec\u00e7\u00e3o. Mas a longo prazo, pode levar \u00e0 depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os micr\u00f3bios do intestino tamb\u00e9m influenciam a forma como digerimos e metabolizamos os precursores de neurotransmissores importantes, como a serotonina e a dopamina. Nossa flora intestinal tem at\u00e9 uma linha direta de comunica\u00e7\u00e3o com o c\u00e9rebro, atrav\u00e9s do nervo vago (ou pneumog\u00e1strico), que possui receptores perto do revestimento intestinal que permitem controlar a nossa digest\u00e3o. Os micr\u00f3bios no intestino podem, portanto, liberar mensageiros qu\u00edmicos que alteram a resposta do nervo vago &#8211; e, consequentemente, a atividade do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Especificamente no intestino, h\u00e1 muitas oportunidades para as bact\u00e9rias se comunicarem com os sistemas hospedeiros, incluindo o sistema nervoso&#8221;, diz Foster. &#8220;\u00c9 um espa\u00e7o muito din\u00e2mico, interativo e rico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o se trata de uma via de m\u00e3o \u00fanica. Assim, a atividade cerebral tamb\u00e9m pode influenciar a composi\u00e7\u00e3o da flora intestinal. O estresse pode, por si s\u00f3, aumentar a inflama\u00e7\u00e3o, por exemplo, o que afetaria os micr\u00f3bios em nosso intestino. O resultado seria um ciclo vicioso.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/69B2\/production\/_105985072_p070whck.jpg\" alt=\"Rato de laborat\u00f3rio\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>&#8220;O que surpreende \u00e9 que os animais que receberam a flora intestinal &#8216;depressiva&#8217; se comportaram de forma &#8216;depressiva'&#8221;, explica Julio Licinio, da New York Upstate Medical University<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Novos caminhos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foster diz que a pesquisa neste campo est\u00e1 acelerando rapidamente, conduzida por cientistas ligados a universidades e empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u00faltima an\u00e1lise, esses pesquisadores esperam que suas descobertas levem a um novo tipo de tratamento para doen\u00e7as como a depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os antidepressivos existentes hoje funcionam alterando o equil\u00edbrio de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas como a serotonina no c\u00e9rebro, mas n\u00e3o s\u00e3o eficazes para todos os pacientes: apenas dois em cada dez que tomam antidepressivos apresentam sinais de melhora, al\u00e9m do efeito placebo. E, embora ajudem muitos pacientes, terapias da fala, como a terapia cognitivo-comportamental, s\u00e3o igualmente imprevis\u00edveis. Como resultado, muitos pacientes n\u00e3o s\u00e3o tratados ou lutam para encontrar um tratamento adequado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas tentativas &#8211; como o estudo de Phillips em 1910 &#8211; alimentaram pacientes com bebidas fermentadas, como o kefir, que podem introduzir no intestino bact\u00e9rias e prote\u00ednas que s\u00e3o conhecidas por serem ben\u00e9ficas \u00e0 digest\u00e3o, ou fibras sol\u00faveis conhecidas como &#8220;prebi\u00f3ticos&#8221;, que ajudariam a refazer nossa flora intestinal. Infelizmente, muitos desses estudos tendem a ser pequenos, com poucos participantes, e seus resultados foram ambivalentes: em alguns estudos, as interven\u00e7\u00f5es reduziram os sintomas com sucesso; em outros estudos, provaram n\u00e3o ser melhores do que um tratamento com placebo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma explica\u00e7\u00e3o, segundo Foster, \u00e9 que os estudos fracassados n\u00e3o se focaram em pacientes que se beneficiariam mais com esse tipo de tratamento. Afinal de contas, h\u00e1 muitas causas de depress\u00e3o, e embora problemas na flora intestinal possam ser a causa subjacente da depress\u00e3o ou ansiedade de algumas pessoas, em outros, o gatilho pode ser bem diferente. Para eles, \u00e9 improv\u00e1vel que uma bebida probi\u00f3tica fa\u00e7a uma grande diferen\u00e7a em seus sintomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para complicar ainda mais, o microbioma de cada um de n\u00f3s \u00e9 \u00fanico &#8211; assim, qualquer tratamento que afete a flora intestinal deve levar em conta essas diferen\u00e7as. No geral, se compararmos o interior dos intestinos de dois indiv\u00edduos, o grau de semelhan\u00e7a \u00e9 de apenas 10%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esse motivo, ela acha que precisamos encontrar maneiras mais sofisticadas de ajustar o tratamento ao paciente. &#8220;\u00c9 a\u00ed que o eixo intestino-c\u00e9rebro vai nos ajudar, na medicina de precis\u00e3o.&#8221; A esperan\u00e7a, diz Foster, \u00e9 &#8220;mapear &#8216;bi\u00f3tipos&#8217; ou grupos de indiv\u00edduos que compartilham de uma determinada biologia que pode estar determinando seus sintomas&#8221;. Nesse sentido, seria recomend\u00e1vel testar se um paciente tem inflama\u00e7\u00e3o alta ou baixa antes de decidir sobre o tratamento mais adequado para ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Licinio tamb\u00e9m se mant\u00e9m cautelosamente otimista de que pesquisas futuras v\u00e3o identificar terapias voltadas para eixo intestino-c\u00e9rebro. Ele diz que os significativos efeitos colaterais dos antidepressivos limitaram o desenvolvimento de novos tratamentos farmac\u00eauticos &#8211; mas essa abordagem poderia evitar esses problemas. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 adulterando o c\u00e9rebro&#8221;, diz ele, &#8220;ent\u00e3o, acho que qualquer efeito colateral que voc\u00ea tenha ser\u00e1 menos problem\u00e1tico&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1B92\/production\/_105985070_p070whsq.jpg\" alt=\"Salada grega\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Acredita-se que Dieta Mediterr\u00e2nea tenha efeito poderosamente positivo na sa\u00fade mental<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Dieta mediterr\u00e2nea<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora ainda tenhamos que aprimorar nosso conhecimento sobre a rela\u00e7\u00e3o entre nosso intestino e nosso c\u00e9rebro, o que sabemos hoje aponta para a crescente evid\u00eancia de que uma dieta saud\u00e1vel e balanceada pode ser uma importante medida preventiva para reduzir o risco de desenvolver uma doen\u00e7a como a depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos desses estudos examinaram a &#8220;dieta mediterr\u00e2nea&#8221; &#8211; um termo abrangente para descrever dietas ricas em legumes, verduras, frutas, nozes, frutos do mar, gorduras insaturadas e \u00f3leos vegetais, e baixo teor de a\u00e7\u00facar refinado e carne vermelha e processada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo realizado na Espanha revelou que pessoas que seguiam a dieta mediterr\u00e2nea tradicional tinham cerca de metade da probabilidade de serem diagnosticadas com depress\u00e3o durante um per\u00edodo de quatro anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os dados sobre a import\u00e2ncia da nutri\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade mental e cerebral agora s\u00e3o extensos e altamente consistentes&#8221;, diz Felice Jacka, psiquiatra nutricional da Universidade Deakin, na Austr\u00e1lia, e autora de Brain Changer: The Good Mental Health Diet (Transformando seu c\u00e9rebro: a boa dieta de sa\u00fade mental, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas v\u00eam comprovando que a dieta mediterr\u00e2nea aumentou a diversidade de bact\u00e9rias intestinais e reduziu outras altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, como a inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, que tamb\u00e9m parece acompanhar a depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de um s\u00e9culo depois da experi\u00eancia de Phillips, a depress\u00e3o continua sem cura, mas para algumas pessoas, pelo menos, um intestino saud\u00e1vel pode ser um primeiro passo importante para uma mente mais feliz.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O intestino de um paciente pode n\u00e3o ser o lugar mais \u00f3bvio para buscar as origens da depress\u00e3o. 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