{"id":279011,"date":"2019-04-05T09:39:22","date_gmt":"2019-04-05T12:39:22","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=279011"},"modified":"2019-04-05T09:39:22","modified_gmt":"2019-04-05T12:39:22","slug":"mutacao-genetica-protege-contra-a-malaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mutacao-genetica-protege-contra-a-malaria\/","title":{"rendered":"Muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica protege contra a mal\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"intro\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Estudo coliderado por cientistas brasileiros identifica altera\u00e7\u00e3o em gene que aumenta resist\u00eancia contra a mal\u00e1ria numa regi\u00e3o da \u00c1frica. Pesquisadores acreditam que efeito protetivo pode ser estender a c\u00e2ncer infantil.<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\" style=\"text-align: justify;\"><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"picBox full\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/muta%C3%A7%C3%A3o-gen%C3%A9tica-protege-contra-a-mal%C3%A1ria\/a-48203286#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"mosquito Anopheles stephensi \" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/19015916_303.jpg\" alt=\"mosquito Anopheles stephensi \" \/><\/a>O anopheles \u00e9 o mosquito transmissor da mal\u00e1ria<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um mapeamento gen\u00e9tico de habitantes de uma \u00e1rea da \u00c1frica oriental conhecida como Cintur\u00e3o Linfoma, onde a transmiss\u00e3o da mal\u00e1ria \u00e9 t\u00e3o intensa que leva ao desenvolvimento de um c\u00e2ncer pedi\u00e1trico, identificou uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica\u00a0que protege contra a infec\u00e7\u00e3o. O estudo investigou se o hist\u00f3rico de migra\u00e7\u00f5es no continente e a intensa exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mal\u00e1ria por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es moldaram a composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos habitantes da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados da pesquisa, liderada pelo professor Eduardo Tarazona, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pelo pesquisador ugand\u00eas Sam Mbulaiteye, do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (NCI), nos Estados Unidos, f<a class=\"icon external\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pgen.1008027\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">oram publicados na revista cient\u00edfica PLOS genetics<\/a>, uma das mais conceituadas\u00a0da \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram avaliados genomas, os sequenciamentos de DNA, de 1.700 pessoas de 25 grupos \u00e9tnicos do Cintur\u00e3o Linfoma, incluindo dados in\u00e9ditos de Gana e do norte do Uganda. As an\u00e1lises mostraram uma muta\u00e7\u00e3o no gene ATP2B4 que se, n\u00e3o torna seu portador imune, ao menos dificulta o desenvolvimento do parasita causador da mal\u00e1ria, transmitida pelo mosquito anopheles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O parasita infecta os gl\u00f3bulos vermelhos e se alimenta do seu conte\u00fado. Ele precisa de um ambiente prop\u00edcio para sobreviver e parece que esse gene controla o n\u00edvel de hidrata\u00e7\u00e3o dentro dos gl\u00f3bulos vermelhos. Ao que tudo indica, a presen\u00e7a desse variante torna essas c\u00e9lulas vermelhas menos prop\u00edcias ao desenvolvimento do parasita&#8221;, explica o pesquisador Mateus Gouveia, que compartilha a autoria do artigo com Victor Borda, da UFMG, Kelly Nunes, da USP, e Andrew Bergen, do NCI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A muta\u00e7\u00e3o foi mais frequentemente encontrada no norte do Uganda, em compara\u00e7\u00e3o com outros locais da \u00c1frica e do resto do mundo, o que indica um efeito protetivo para sobreviv\u00eancia em regi\u00f5es onde a mal\u00e1ria \u00e9 end\u00eamica. L\u00e1, a frequ\u00eancia \u00e9 de 70%, enquanto no sul do continente, por exemplo, \u00e9 de 10%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Este estudo mostrou que o ATP2B4 est\u00e1 sob sele\u00e7\u00e3o natural orientada pela mal\u00e1ria, ao concentrar-se em popula\u00e7\u00f5es onde h\u00e1 intensa transmiss\u00e3o da doen\u00e7a por mais de sete meses por ano e compar\u00e1-las com \u00e1reas onde as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis para transmiss\u00e3o da mal\u00e1ria&#8221;, diz Mbulaiteye.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica antes era mais rara, mas como seus portadores t\u00eam mais chances de sobreviver e de deixar filhos, o variante gen\u00e9tico foi se tornando comum ao longo de v\u00e1rias centenas de gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Gouveia, pesquisador do Instituto Nacional de Sa\u00fade dos Estados Unidos (NIH), esse tra\u00e7o \u00e9 uma novidade trazida pelo estudo. &#8220;Mostramos pela primeira vez que este variante dentro do gene ATP2B4 est\u00e1 sob sele\u00e7\u00e3o natural. Isso significa que os portadores desse variante possuem uma maior chance de sobreviver em regi\u00f5es mal\u00e1ricas&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas acreditam que os resultados da pesquisa podem abrir\u00a0caminho para novos tratamentos para mal\u00e1ria e, embasados por evid\u00eancias cient\u00edficas anteriores, tamb\u00e9m para o linfoma de Burkitt, um c\u00e2ncer mais frequente em crian\u00e7as em torno dos 7 anos, associado a m\u00faltiplas infec\u00e7\u00f5es, como mal\u00e1ria e HIV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre as duas doen\u00e7as ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente conhecida, mas sabe-se que a mal\u00e1ria \u00e9 um fator de risco para esse c\u00e2ncer. &#8220;Nessa regi\u00e3o, as crian\u00e7as que t\u00eam o linfoma\u00a0tiveram antes mal\u00e1ria. O mecanismo exatamente n\u00e3o \u00e9 conhecido. O que \u00e9 correto afirmar \u00e9 que a mal\u00e1ria predisp\u00f5e, tanto que a distribui\u00e7\u00e3o das duas doen\u00e7as \u00e9 coincidente&#8221;, afirma Tarazona, coordenador do Laborat\u00f3rio de Diversidade Gen\u00e9tica Humana da UFMG e l\u00edder da equipe brasileira do estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poss\u00edvel efeito protetivo da muta\u00e7\u00e3o contra o c\u00e2ncer est\u00e1 sendo testado em uma segunda fase do estudo, j\u00e1 em andamento no NIH. Nessa etapa, dados gen\u00f4micos de cerca de 3 mil pessoas do Uganda, do Qu\u00eania e da Tanz\u00e2nia ser\u00e3o analisados. Outro objetivo \u00e9 calcular o grau de resist\u00eancia contra a mal\u00e1ria que a muta\u00e7\u00e3o confere ao portador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tarazona destaca outro avan\u00e7o trazido pela pesquisa, dada a necessidade de estudar a gen\u00e9tica de diferentes povos. &#8220;Ele nos d\u00e1 a perspectiva global da diversidade humana. As popula\u00e7\u00f5es mais estudadas s\u00e3o as de origem europeia. Existem regi\u00f5es que nunca foram estudadas. Mo\u00e7ambique e Angola, por exemplo, foram muito pouco.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autoridades do Uganda est\u00e3o acompanhando os resultados da pesquisa, que j\u00e1 foram apresentados ao primeiro-ministro do pa\u00eds, Ruhakana Rugunda, e discutidos com lideran\u00e7as civis e religiosas. &#8220;O linfoma de Burkitt \u00e9 um problema reconhecido no norte do Uganda. Al\u00e9m dele, a regi\u00e3o sofre com muitas outras condi\u00e7\u00f5es de infec\u00e7\u00e3o, algumas das quais podem estar correlacionadas com fatores gen\u00e9ticos&#8221;, diz o pesquisador do NCI.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo coliderado por cientistas brasileiros identifica altera\u00e7\u00e3o em gene que aumenta resist\u00eancia contra a mal\u00e1ria numa regi\u00e3o da \u00c1frica. 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