{"id":279289,"date":"2019-04-08T07:07:40","date_gmt":"2019-04-08T10:07:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=279289"},"modified":"2019-04-08T20:01:15","modified_gmt":"2019-04-08T23:01:15","slug":"vasco-da-gama-o-clube-que-abriu-as-portas-do-futebol-para-os-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/vasco-da-gama-o-clube-que-abriu-as-portas-do-futebol-para-os-negros\/","title":{"rendered":"Vasco da Gama, o clube que abriu as portas do futebol para os negros"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Embora n\u00e3o tenha sido o primeiro a contar com jogadores negros, time se tornou s\u00edmbolo de luta contra o racismo depois da &#8216;Resposta Hist\u00f3rica&#8217; redigida h\u00e1 95 anos<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Breiller Pires\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/breiller_silva_pires\/a\/\">BREILLER PIRES<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Ao longo dos seus 120 anos de hist\u00f3ria, o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cr_vasco_da_gama\">Vasco da Gama<\/a><\/strong>\u00a0foi campe\u00e3o sul-americano, da Libertadores, da Copa do Brasil, quatro vezes do Brasileir\u00e3o e outras tantas do Carioca. Mas nenhuma conquista no campo tem o mesmo peso de uma carta que, de t\u00e3o emblem\u00e1tica, est\u00e1 exposta na sala de trof\u00e9us em S\u00e3o Janu\u00e1rio. Em 7 de abril de 1924, o ent\u00e3o presidente Jos\u00e9 Augusto Prestes assinou o manifesto que ficou conhecido como a\u00a0<em><strong>Resposta Hist\u00f3rica<\/strong><\/em>, comunicando que o Vasco se recusaria a disputar a divis\u00e3o principal do Rio de Janeiro sem seus jogadores negros, exig\u00eancia que havia sido imposta pelos dirigentes da \u00e9poca.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/18\/deportes\/1550524082_018610.html\">A dimens\u00e3o simb\u00f3lica da atitude<\/a>, considerada insurgente naqueles tempos em que o futebol de elite era privil\u00e9gio dos brancos, transformou o clube cruzmaltino em estandarte da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/19\/deportes\/1542664009_657682.html\">luta contra o racismo no esporte brasileiro<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"roba_principal\" class=\"envoltorio_publi\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"elpais_gpt-MPU1\" class=\"publi_luto_horizontal\" data-google-query-id=\"CK2-4aOfwOECFc9_wQod4iEGew\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/deportes\/mpu1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/05\/deportes\/1554498170_792322_1554498421_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/05\/deportes\/1554498170_792322_1554498421_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/05\/deportes\/1554498170_792322_1554498421_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/05\/deportes\/1554498170_792322_1554498421_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Resposta Historica Vasco 95 anos racismo\" width=\"980\" height=\"586\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Camisas Negras: o time do Vasco campe\u00e3o carioca em 1923.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">ARQUIVO CRVG<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPara n\u00f3s, de fato, esse documento \u00e9 como um trof\u00e9u\u201d, afirma Jo\u00e3o Ernesto Ferreira, vice-presidente de rela\u00e7\u00f5es especializadas do Vasco, ao justificar a exibi\u00e7\u00e3o de uma r\u00e9plica da carta na nobre galeria de ta\u00e7as. Consolidado no remo, o clube s\u00f3 come\u00e7ou a se destacar pelos gramados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1920. Sem a mesma tradi\u00e7\u00e3o dos times da zona Sul do Rio na modalidade, a estrat\u00e9gia era montar elencos com jogadores das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/19\/deportes\/1553034385_131230.html\">classes sociais menos favorecidas<\/a>. A equipe campe\u00e3 da segunda divis\u00e3o em 1922 tinha como craques oper\u00e1rios, choferes, pintores e faxineiros. Assim, assegurou o direito de disputar, no ano seguinte, a primeira divis\u00e3o ao lado dos j\u00e1 consagrados Am\u00e9rica, Botafogo, Flamengo e Fluminense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a base de trabalhadores bra\u00e7ais mantida no plantel, o Vasco desbancou favoritos, arrebatou 11 vit\u00f3rias em 14 jogos e faturou o t\u00edtulo do campeonato organizado pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT). Incomodados pela ascens\u00e3o mete\u00f3rica dos vasca\u00ednos, rivais decidiram criar uma nova liga, a Associa\u00e7\u00e3o Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA), impondo ao clube apelidado de Camisas Negras, pela cor de seu uniforme, a exig\u00eancia de excluir 12 jogadores que, de acordo com os cartolas, n\u00e3o apresentavam \u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/10\/deportes\/1531176149_973978.html\">condi\u00e7\u00f5es sociais apropriadas<\/a>\u00a0para o conv\u00edvio esportivo\u201d. O analfabetismo foi uma das raz\u00f5es apresentadas pela liga para desqualificar parte do elenco campe\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por unanimidade, a diretoria cruzmaltina desistiu de integrar a AMEA e, ent\u00e3o, endere\u00e7ou a carta \u00e0 liga esclarecendo por que recha\u00e7ava a ordem para abrir m\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/04\/deportes\/1554386003_956632.html\">jogadores negros e pobres<\/a>. \u201cO ato p\u00fablico\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/17\/deportes\/1500309484_868649.html\">que pode macul\u00e1-los<\/a>\u00a0nunca ser\u00e1 praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilh\u00e3o que eles, com tanta galhardia, cobriram de gl\u00f3rias\u201d, detalha o quinto par\u00e1grafo da\u00a0<em>Resposta Hist\u00f3rica<\/em>. Enquanto os grandes clubes institucionalizavam o elitismo do futebol com a cria\u00e7\u00e3o de um torneio paralelo, o Vasco via sua popularidade aumentar, sobretudo entre as camadas suburbanas da sociedade carioca, lotava est\u00e1dios a cada jogo e, em 1924, voltou a sagrar-se campe\u00e3o, dessa vez de forma invicta, do campeonato regido pela LMDT.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|video\" class=\"sumario_video centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div id=\"sumario__interior\">\n<div id=\"videonoticia\" class=\"media\">\n<figure class=\"foto media\">\n<div id=\"multimediaPlayer_756840559\" class=\"MPEP_video_externo\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5oUvF7qNQOY?wmode=transparent\" width=\"100%\" height=\"100%\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do sucesso de p\u00fablico, renda e repercuss\u00e3o dos Camisas Negras, a AMEA resolveu admitir o Vasco em 1925. At\u00e9 ent\u00e3o, a liga alimentava a expectativa de ver o Cruzmaltino \u201cconstituir equipes genuinamente portuguesas\u201d \u2013 em refer\u00eancia \u00e0 col\u00f4nia fundadora do clube \u2013, \u201cpara uma demonstra\u00e7\u00e3o esportiva das verdadeiras qualidades dessa ra\u00e7a secular\u201d, conforme of\u00edcio assinado pelo presidente da AMEA em tr\u00e9plica \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/18\/deportes\/1550524082_018610.html\">Resposta Hist\u00f3rica<\/a>. Para o historiador Ricardo Pinto dos Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o aspecto econ\u00f4mico influenciou decisivamente tanto a defesa vasca\u00edna em nome dos atletas quanto a mudan\u00e7a de ideia dos cartolas sobre a exclus\u00e3o do clube. \u201cO Vasco percebeu que n\u00e3o poderia sobreviver sem o talento de seus jogadores da classe trabalhadora, assim como a AMEA, mais adiante, entendeu que a incorpora\u00e7\u00e3o daquele time que arrastava multid\u00f5es aos est\u00e1dios seria lucrativa. Houve retorno financeiro para os dois lados com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/20\/deportes\/1532079633_406001.html\">aceita\u00e7\u00e3o de atletas negros<\/a>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pinto dos Santos, que trabalhou por seis anos no Vasco e ajudou a fundar o Centro de Mem\u00f3ria em S\u00e3o Janu\u00e1rio, argumenta que os dirigentes da \u00e9poca foram h\u00e1beis ao capitalizar a ampla divulga\u00e7\u00e3o da carta. Embora n\u00e3o tenha sido o primeiro a contar com jogadores negros no Brasil, o clube\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/20\/deportes\/1542753637_302970.html\">ganhou fama de pioneirismo<\/a>\u00a0pela maneira como afrontou a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/09\/deportes\/1520631036_278219.html\">discrimina\u00e7\u00e3o da AMEA<\/a>. Antes, em 1905, o Bangu, time fabril do sub\u00farbio carioca, j\u00e1 havia integrado o jovem Francisco Carregal, de 16 anos, \u00e0 sua equipe. No fim daquela d\u00e9cada, o clube se afastaria da LMDT por causa da restri\u00e7\u00e3o expl\u00edcita a \u201cpessoas de cor\u201d entre os participantes da liga. A diferen\u00e7a para o Vasco, por\u00e9m, \u00e9 que o time alvirrubro s\u00f3 foi chamar a aten\u00e7\u00e3o por seus bons resultados em 1933, quando conquistou o Campeonato Carioca. \u201cO primeiro campe\u00e3o a ter negros no time foi o Vasco\u201d, afirma Jo\u00e3o Ernesto Ferreira. \u201cA classe social ou etnia dos jogadores n\u00e3o importava para o clube.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vasco tamb\u00e9m foi o primeiro clube esportivo brasileiro a ter um presidente negro, C\u00e2ndido Jos\u00e9 de Ara\u00fajo, que ficou no cargo entre 1904 e 1906. No entanto, depois de Ara\u00fajo,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/12\/deportes\/1552406937_786128.html\">as esferas de poder vasca\u00ednas<\/a>\u00a0s\u00e3o marcadas pelo predom\u00ednio dos brancos. Atualmente, entre membros da diretoria e da c\u00fapula de conselheiros, apenas dois negros ocupam posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas em S\u00e3o Janu\u00e1rio: Edm\u00edlson Valentim, presidente do Conselho Fiscal, e o vice-presidente El\u00f3i Ferreira, ex-secret\u00e1rio especial de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/19\/deportes\/1542666545_308118.html\">baixa representatividade de negros e pobres<\/a>\u00a0no comando \u00e9 refor\u00e7ada por barreiras como a cobran\u00e7a de taxa de admiss\u00e3o a novos s\u00f3cios, exig\u00eancia de tempo m\u00ednimo de 10 anos no quadro associativo para candidatos a presidente e a manuten\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es indiretas.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/05\/deportes\/1554498170_792322_1554500479_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/05\/deportes\/1554498170_792322_1554500479_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/05\/deportes\/1554498170_792322_1554500479_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Camisas Negras Vasco\" width=\"360\" height=\"257\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Torcida do Vasco relembra as origens do clube em S\u00e3o Janu\u00e1rio.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica permanente pela promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial nem mesmo cotas para negros no plano executivo do clube. As a\u00e7\u00f5es se resumem a campanhas de marketing, como o lan\u00e7amento de um uniforme\u00a0<em>retro<\/em>\u00a0inspirado nos Camisas Negras, ou parcerias espor\u00e1dicas com institui\u00e7\u00f5es de combate ao racismo, a exemplo de um evento realizado em S\u00e3o Janu\u00e1rio para divulgar o relat\u00f3rio anual do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatorioracialfutebol.com.br\/\">Observat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial<\/a>. Em seu site oficial, o clube n\u00e3o hesita em cravar que \u201co Vasco impediu o racismo no futebol\u201d, em alus\u00e3o \u00e0\u00a0<em>Resposta Hist\u00f3rica<\/em>, mas os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/16\/deportes\/1510857476_990270.html\">epis\u00f3dios de inj\u00farias raciais<\/a>\u00a0continuam sendo parte da realidade no esporte, inclusive em seus pr\u00f3prios dom\u00ednios. Crist\u00f3v\u00e3o Borges, \u00faltimo t\u00e9cnico negro da equipe, chegou a ouvir ofensas discriminat\u00f3rias no est\u00e1dio do Gigante da Colina ao fim de sua primeira passagem como treinador. Em 2018, o zagueiro Paul\u00e3o foi alvo de ataques racistas de torcedores vasca\u00ednos nas redes sociais. J\u00e1 nos bastidores, El\u00f3i Ferreira acusou o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/23\/deportes\/1516665586_808224.html\">presidente Alexandre Campello<\/a>\u00a0de racismo ap\u00f3s o mandat\u00e1rio trocar a fechadura de sua sala sem lhe comunicar. Campello considerou a acusa\u00e7\u00e3o um ataque pol\u00edtico com o intuito de difam\u00e1-lo e \u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/19\/deportes\/1524145383_709350.html\">desgastar a imagem do clube<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Vasco n\u00e3o pode viver apenas de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/19\/deportes\/1537394219_927623.html\">celebrar o passado<\/a>\u201d, diz Ricardo Pinto dos Santos. \u201cPara manter a representa\u00e7\u00e3o de clube comprometido com a luta contra o racismo, \u00e9 preciso se engajar no presente. O futebol, como um todo, ainda reproduz as estruturas racistas da sociedade. Isso demanda um posicionamento mais enf\u00e1tico, um enfrentamento cont\u00ednuo ao preconceito.\u201d H\u00e1 95 anos, a\u00a0<em>Resposta Hist\u00f3rica<\/em>\u00a0contribuiu para ampliar o alcance de um esporte elitizado a negros e pobres e foi um marco para a era do profissionalismo no futebol. At\u00e9 hoje, a torcida vasca\u00edna reverencia a carta com os versos de um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/04\/27\/deportes\/1493325637_630349.html\">c\u00e2ntico aclamado nas arquibancadas<\/a>: \u201cEu j\u00e1 lutei por negros e oper\u00e1rios&#8230; Camisas Negras que guardo na mem\u00f3ria\u201d. Mas o enfrentamento ao racismo ainda \u00e9 uma p\u00e1gina incompleta na hist\u00f3ria do clube que deve boa parte de suas gl\u00f3rias ao hero\u00edsmo dos \u00eddolos negros.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora n\u00e3o tenha sido o primeiro a contar com jogadores negros, time se tornou s\u00edmbolo de luta contra o racismo depois da &#8216;Resposta Hist\u00f3rica&#8217; redigida h\u00e1 95 anos<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":279290,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,6],"tags":[],"class_list":["post-279289","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esporte","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/antigo-time-do-vasco.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279289\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/279290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}