{"id":279602,"date":"2019-04-10T14:46:48","date_gmt":"2019-04-10T17:46:48","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=279602"},"modified":"2019-04-10T14:46:48","modified_gmt":"2019-04-10T17:46:48","slug":"parece-que-einstein-acertou-mais-uma-vez-analise-de-imagem-inedita-de-buraco-negro-levou-2-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/parece-que-einstein-acertou-mais-uma-vez-analise-de-imagem-inedita-de-buraco-negro-levou-2-anos\/","title":{"rendered":"&#8216;Parece que Einstein acertou mais uma vez&#8217;: an\u00e1lise de imagem in\u00e9dita de buraco negro levou 2 anos"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Pallab Ghosh\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/540D\/production\/_106371512_small.jpg\" alt=\"Buraco negro\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>A primeira imagem da hist\u00f3ria de um buraco negro: ele est\u00e1 cercado pelo brilho de gases atra\u00eddos pela gravidade<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 extraordin\u00e1rio que a imagem que observamos seja t\u00e3o semelhante \u00e0quela que obtemos de nossos c\u00e1lculos te\u00f3ricos. At\u00e9 agora, parece que Einstein acertou de novo&#8221;, afirma Ziri Younsi, da University College London, que integrou o experimento que resultou no registro de uma imagem in\u00e9dita de um buraco negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizado em uma gal\u00e1xia distante da Terra, o buraco negro tem 40 bilh\u00f5es de quil\u00f4metros de di\u00e2metro &#8211; cerca de 3 milh\u00f5es de vezes o tamanho de nosso planeta &#8211; e \u00e9 descrito pelos cientistas como um &#8220;monstro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem registrada coincide com o que os f\u00edsicos e diretores de Hollywood imaginaram que os buracos negros parecessem. Simula\u00e7\u00f5es baseadas nas equa\u00e7\u00f5es de Einstein previam um anel brilhante no entorno de uma forma escura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luz seria produzida por part\u00edculas de g\u00e1s e poeira aceleradas em alta velocidade e destru\u00eddas pouco antes de desaparecer no buraco. J\u00e1 a \u00e1rea escura seria a sombra que o buraco lan\u00e7a nesse turbilh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Embora sejam objetos relativamente simples, os buracos negros levantam algumas das quest\u00f5es mais complexas sobre a natureza do espa\u00e7o e do tempo e, finalmente, sobre nossa exist\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter a primeira imagem real permitir\u00e1 aprender mais sobre esses objetos misteriosos, especialmente onde ela difere do que se esperava. Ningu\u00e9m sabe exatamente como o anel luminoso \u00e9 criado. Ainda mais intrigante \u00e9 a quest\u00e3o do que acontece quando um objeto entra no buraco negro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/8AF1\/production\/_106396553_blackhole_telescope_640-nc.png\" alt=\"rede de telesc\u00f3pios\" width=\"640\" height=\"546\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se existem falhas a serem encontradas nas ideias de Einstein &#8211; e os cientistas suspeitam que existam explica\u00e7\u00f5es mais complexas para a gravidade ainda n\u00e3o descobertas -, \u00e9 no buraco negro que provavelmente as limita\u00e7\u00f5es devem ser expostas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Maior que o Sistema Solar<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Heino Falcke, da Universidade Radboud, na Holanda, que prop\u00f4s o experimento, disse \u00e0 BBC News que o buraco negro foi achado na gal\u00e1xia batizada de M87. &#8220;O que n\u00f3s vemos \u00e9 maior que o tamanho de nosso Sistema Solar inteiro.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa regi\u00e3o est\u00e1 500 quinquilh\u00f5es de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da Terra e foi registrada por uma rede de oito telesc\u00f3pios ao redor do mundo, batizada de Event Horizon Telescope (Telesc\u00f3pio de Horizonte de Eventos ou EHT).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem mostra um &#8220;anel de fogo&#8221; intensamente brilhante, segundo descri\u00e7\u00e3o de Falcke, que cerca um buraco escuro perfeitamente circular. O brilho \u00e9 causado pelo g\u00e1s superaquecido atra\u00eddo pelo buraco. A luz \u00e9 mais brilhante do que todas as bilh\u00f5es de outras estrelas da gal\u00e1xia combinadas &#8211; e \u00e9 por isso que ela pode ser vista da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00edrculo \u00e9 o ponto no qual ele entra no buraco negro, que \u00e9 um objeto que tem uma grande atra\u00e7\u00e3o gravitacional e do qual nem mesmo a luz pode escapar. \u00c9 o ponto em que todas as leis da f\u00edsica s\u00e3o quebradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele tem uma massa 6,5 bilh\u00f5es de vezes maior que a do Sol. E estimamos que seja um dos maiores que j\u00e1 tenham existido. \u00c9 absolutamente monstruoso, um campe\u00e3o peso-pesado dos buracos negros do Universo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estima-se que os buracos negros sejam fen\u00f4menos c\u00f3smicos que se originam quando uma estrela entra em colapso. O restante de sua mat\u00e9ria fica limitado a uma pequena regi\u00e3o, que logo d\u00e1 lugar a um imenso campo gravitacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas seriam divulgadas ainda nesta quarta-feira (10) na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u00a0<i>Astrophysical Journal Letters<\/i>.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/49ED\/production\/_106352981_optical_photo_of_galaxy_m87_showing_jet-spl.jpg\" alt=\"M87\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Astr\u00f4nomos suspeitaram que a gal\u00e1xia M87 tinha um buraco negro em seu cora\u00e7\u00e3o por causa das cores dessa imagem, que indicam movimenta\u00e7\u00e3o acelerada de estrelas.<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Ideia do experimento<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falcke, da Universidade Radboud, teve a ideia para o projeto quando foi aluno de PhD em 1993. Na \u00e9poca, ningu\u00e9m achou que fosse poss\u00edvel. Mas ele foi o primeiro a perceber que uma certa emiss\u00e3o de r\u00e1dio seria gerada perto e em torno do buraco negro, algo que seria poderoso o suficiente para ser detectado por telesc\u00f3pios na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tamb\u00e9m lembrou de ter lido um artigo cient\u00edfico de 1973 que sugeria que, devido \u00e0 sua enorme gravidade, os buracos negros parecem 2,5 vezes maiores do que realmente s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses dois fatores, anteriormente desconhecidos, tornavam de repente poss\u00edvel o aparentemente imposs\u00edvel. Depois de defender sua ideia por 20 anos, Falcke convenceu o Conselho Europeu de Pesquisa a financiar o projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A National Science Foundation e ag\u00eancias do leste da \u00c1sia juntaram-se para financiar o experimento estimado em mais de 40 milh\u00f5es de libras (R$ 200 milh\u00f5es).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/15B5E\/production\/_94262988_img_0929.jpg\" alt=\"Drives\" width=\"976\" height=\"650\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Informa\u00e7\u00e3o reunida era grande demais para ser enviada pela internet e foi armazenada em centenas de discos r\u00edgidos<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Miss\u00e3o cumprida&#8221;, afirmou Falcke. &#8220;Foi uma longa jornada, mas \u00e9 isso que eu queria ver com meus pr\u00f3prios olhos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum telesc\u00f3pio sozinho \u00e9 poderoso o suficiente para visualizar o buraco negro. Assim, no maior experimento desse tipo, o professor Sheperd Doeleman, do Centro de Astrof\u00edsica Harvard-Smithsonian, dirigiu o projeto de oito telesc\u00f3pios interligados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/74E6\/production\/_94262992_southpoletelescopejasongallicchiouniversityofchicago.jpg\" alt=\"South Pole Telescope\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Projeto envolveu coordena\u00e7\u00e3o de oito telesc\u00f3pios diferentes<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um dos telesc\u00f3pios est\u00e1 localizado em um regi\u00e3o ex\u00f3tica, incluindo vulc\u00f5es no Hava\u00ed e no M\u00e9xico, montanhas no Arizona e na Sierra Nevada espanhola, no deserto do Atacama chileno e na Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma equipe de 200 cientistas apontou os telesc\u00f3pios da rede para o M87 e examinou seu cora\u00e7\u00e3o durante um per\u00edodo de dez dias, em abril de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A informa\u00e7\u00e3o que eles coletaram era grande demais para ser transmitida pela internet. Assim, os dados foram armazenados em centenas de discos r\u00edgidos que foram transportados para os centros de processamento central em Boston e Bonn para reunir as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doleman, do Centro de Astrof\u00edsica Harvard-Smithsonian, descreveu a conquista como &#8220;um extraordin\u00e1rio feito cient\u00edfico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Conseguimos algo que se presumia imposs\u00edvel apenas uma gera\u00e7\u00e3o atr\u00e1s&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Avan\u00e7os na tecnologia, conex\u00f5es entre os melhores observat\u00f3rios de r\u00e1dio do mundo e algoritmos inovadores se uniram para abrir uma janela totalmente nova sobre os buracos negros&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipe mira tamb\u00e9m o buraco negro que fica no centro de nossa gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. Pode parecer estranho, mas isso seria mais dif\u00edcil de registrar do que a imagem divulgada hoje sobre uma gal\u00e1xia distante. Isso se d\u00e1 porque, por raz\u00f5es desconhecidas, o &#8220;anel de fogo&#8221; em torno do buraco negro no cora\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea \u00e9 menor e tem menos brilho.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption body-width\"><\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 extraordin\u00e1rio que a imagem que observamos seja t\u00e3o semelhante \u00e0quela que obtemos de nossos c\u00e1lculos te\u00f3ricos. 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