{"id":279757,"date":"2019-04-12T08:37:08","date_gmt":"2019-04-12T11:37:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=279757"},"modified":"2019-04-12T08:37:08","modified_gmt":"2019-04-12T11:37:08","slug":"traumas-de-audrey-hepburn-a-impediram-de-ser-anne-frank","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/traumas-de-audrey-hepburn-a-impediram-de-ser-anne-frank\/","title":{"rendered":"Traumas de Audrey Hepburn a impediram de ser Anne Frank"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Atriz se sentiu incapaz de encarnar a jovem judia no cinema.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Tudo por causa da semelhan\u00e7a com suas terr\u00edveis experi\u00eancias sob a ocupa\u00e7\u00e3o nazista<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/10\/cultura\/1554907062_772631_1555014471_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/10\/cultura\/1554907062_772631_1555014471_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/10\/cultura\/1554907062_772631_1555014471_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/10\/cultura\/1554907062_772631_1555014471_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"A atriz Audrey Hepburn em foto de divulga\u00e7\u00e3o do filme \u2018Sabrina\u2019.\" width=\"980\" height=\"594\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A atriz Audrey Hepburn em foto de divulga\u00e7\u00e3o do filme \u2018Sabrina\u2019.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jacinto Ant\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jacinto_anton\/a\/\">JACINTO ANT\u00d3N<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Durante a ocupa\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nazismo\">nazista<\/a>\u00a0da Holanda, em meio ao terror, uma jovenzinha escreveu: &#8220;N\u00f3s nos mant\u00ednhamos com uma fatia de p\u00e3o feito com qualquer cereal e um prato de sopa aguada elaborada com uma s\u00f3 batata (&#8230;). Os que suport\u00e1vamos isso continu\u00e1vamos com vida, e se continu\u00e1vamos com vida ent\u00e3o n\u00e3o est\u00e1vamos mortos&#8221;. A garota n\u00e3o se chamava\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ana_frank\">Anne Frank<\/a>, e sim&#8230; Audrey Hepburn.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CLeMiY-7yuECFREVgQodaOEBRw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"d\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A c\u00e9lebre atriz e musa de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/givenchy\">Givenchy<\/a>\u00a0passou uma adolesc\u00eancia n\u00e3o muito diferente da que teve a autora do di\u00e1rio mundialmente famoso. Ambas viveram a invas\u00e3o hitlerista e a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\">Segunda Guerra Mundial<\/a>\u00a0na Holanda, encararam perigos e sofreram pen\u00farias. Anne Frank, claro, como judia perseguida, teve um destino muito pior, foi deportada para Auschwitz e depois morreu em outro inferno que era Bergen-Belsen. Hepburn sobreviveu para se tornar uma estrela cintilante, embora tenha estado a ponto de morrer de desnutri\u00e7\u00e3o durante o conflito, e por toda a vida carregou os rastros daqueles anos cru\u00e9is, nos quais chegou inclusive a ver partirem os trens cheios de judeus para os campos. \u201cEm minha adolesc\u00eancia conheci a garra fria do terror humano\u201d, escreveu depois, \u201cEu o vi, o ouvi e o senti. \u00c9 algo que n\u00e3o desaparece. N\u00e3o foi um pesadelo. Eu estive l\u00e1, e tudo isso aconteceu.\u201d<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Agora, um novo livro sobre a atriz,\u00a0<em>Dutch Girl: Audrey Hepburn and World War II<\/em>, de Robert Matzen (GoodKnight Books), que sair\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 15 e cujo conte\u00fado foi antecipado pela revista\u00a0<em>People<\/em>, conta que as vidas paralelas de Anne Frank e Hepburn estiveram a ponto de se unirem quando o di\u00e1rio da primeira virou filme, em 1959, com dire\u00e7\u00e3o do George Stevens. O pai de Anne e \u00fanico sobrevivente da fam\u00edlia, Otto Frank, pediu a Audrey Hepburn que encarnasse a sua filha na tela, mas a atriz estava t\u00e3o traumatizada com a hist\u00f3ria da garota judia e com o que ela mesma tinha sofrido que disse n\u00e3o se considerar capaz de interpretar o papel (a protagonista foi a estreante Millie Perkins). Hepburn afirmou que sentia o drama de Anne como se fosse de uma irm\u00e3 sua, porque \u201cem certo sentido ela foi minha irm\u00e3 da alma\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/10\/gente\/1554907062_772631_1554908053_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/10\/gente\/1554907062_772631_1554908053_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/10\/gente\/1554907062_772631_1554908053_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/10\/gente\/1554907062_772631_1554908053_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Anne Frank (\u00e0 esquerda) e Audrey Hepburn em uma imagem de sua inf\u00e2ncia.\" width=\"980\" height=\"491\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Anne Frank (\u00e0 esquerda) e Audrey Hepburn em uma imagem de sua inf\u00e2ncia.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">As vidas de Anne Frank e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/audrey_hepburn\">Audrey Hepburn<\/a>\u00a0est\u00e3o entrela\u00e7adas, n\u00e3o s\u00f3 por terem compartilhado\u00a0\u2014 at\u00e9 certo ponto\u00a0\u2014 todo aquele horror do nazismo e da guerra, mas tamb\u00e9m por not\u00e1veis coincid\u00eancias. Quando Hepburn leu\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/15\/cultura\/1526401039_126103.html\"><em>O Di\u00e1rio de Anne Frank<\/em><\/a>, deparou-se com uma passagem em que a jovem judia escrevia: &#8220;Cinco ref\u00e9ns executados hoje&#8221;. Sentiu um calafrio: a data da entrada era a mesma de 1942 em que os nazistas haviam fuzilado seu querido tio Otto van Limburg. A atriz, conta Donald Spoto em sua biografia de refer\u00eancia (<em>Audrey Hepburn<\/em>, Penguin, 2006), foi uma das primeiras leitoras desse livro que viria a comover as consci\u00eancias de tantos milh\u00f5es de pessoas no mundo todo: &#8220;Li\u00a0<em>O Di\u00e1rio de Anne Frank<\/em>\u00a0quando saiu e fiquei destro\u00e7ada. Eu me senti muito identificada com aquela pobre menina que tinha escrito o que eu tinha experimentado e sentido, e que tinha a minha idade\u201d. Hepburn nasceu em 4 de maio de 1929, e Anne Frank em 12 de junho do mesmo ano.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Anne Frank n\u00e3o era holandesa; sua fam\u00edlia tinha fugido de Frankfurt para Amsterd\u00e3. Audrey, por sua vez, embora nascida em Bruxelas de m\u00e3e holandesa (uma baronesa), sempre teve passaporte brit\u00e2nico, em virtude da nacionalidade de seu pai. Depois de v\u00e1rios anos em um internato na Inglaterra, e ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o de seus pais, Hepburn e sua m\u00e3e foram recolhidas pela av\u00f3 da futura atriz, que as levou para sua casa na Holanda \u2014\u2013 mais precisamente em Arnhem, a cidade de Uma Ponte Longe Demais, cen\u00e1rio de uma das batalhas mais violentas da guerra, e que Audrey Hepburn testemunhou ao vivo: uma experi\u00eancia ins\u00f3lita, em que se juntam Gigi e Antony Beevor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Se em algo se diferenciam muito as vidas da atriz e de Anne Frank \u00e9 na qualidade do pai. O de Hepburn foi um antissemita seguidor de Oswald Mosley e que tinha chegado a almo\u00e7ar em Munique com o l\u00edder dos fascistas brit\u00e2nicos, Valkyrie Mitford, e com o pr\u00f3prio Hitler. A Hepburn mocinha, muito diferente de seu progenitor, fez durante a ocupa\u00e7\u00e3o algumas atividades em prol da resist\u00eancia que poderiam t\u00ea-la conduzido no m\u00ednimo \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o. Participava dan\u00e7ando em reuni\u00f5es art\u00edsticas clandestinas nas quais se coletavam recursos para os resistentes. Spoto conta que levava mensagens \u00e0 resist\u00eancia e inclusive que se envolveu no salvamento de um paraquedista brit\u00e2nico escondido.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Depois da batalha que devastou a cidade e do fracasso da opera\u00e7\u00e3o Market Garden para acelerar o final da guerra, seguiu-se um inverno muito duro de fome que provocou mortes e doen\u00e7as em toda a Holanda, perante a indiferen\u00e7a dos alem\u00e3es. Hepburn esteve a ponto de ser um dos quase 20.000 civis holandeses que morreram pela escassez de alimentos. Quando chegou a libera\u00e7\u00e3o, a garota sofria um caso extremo de desnutri\u00e7\u00e3o, e um soldado norte-americano quase a matou ao lhe dar cinco tabletes de chocolate, que ela devorou imediatamente. As sequelas f\u00edsicas daquela \u00e9poca contribu\u00edram para que Audrey Hepburn nunca cumprisse seu sonho de chegar a ser uma estrela do bal\u00e9, e provavelmente estiveram na raiz de que sofresse tantos abortos. Mas ela, diferentemente de Anne Frank, tinha um futuro \u00e0 sua espera\u00a0\u2014 e transbordante de tudo aquilo que a vida pode oferecer.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As vidas de Anne Frank e\u00a0Audrey Hepburn\u00a0est\u00e3o entrela\u00e7adas, n\u00e3o s\u00f3 por terem compartilhado\u00a0\u2014 at\u00e9 certo ponto\u00a0\u2014 todo aquele horror do nazismo e da guerra, mas tamb\u00e9m por not\u00e1veis coincid\u00eancias. 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