{"id":28012,"date":"2013-11-11T14:00:33","date_gmt":"2013-11-11T17:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=28012"},"modified":"2013-11-11T09:42:44","modified_gmt":"2013-11-11T12:42:44","slug":"a-polemica-vila-das-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-polemica-vila-das-meninas\/","title":{"rendered":"A pol\u00eamica vila das meninas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (9)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/ImageProxy-93-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Institui\u00e7\u00e3o onde moram 900 adolescentes de v\u00e1rios estados est\u00e1 na mira do Minist\u00e9rio P\u00fablico do DF<\/p>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<div>\n<p>Noite de s\u00e1bado. Garotas se ajeitam em cadeiras de pl\u00e1stico enquanto aguardam a proje\u00e7\u00e3o das imagens da novela em uma parede. Nenhuma delas, no entanto, sabe do barraco que F\u00e9lix, de\u00a0Amor \u00e0 Vida,\u00a0aprontou durante o jantar na segunda (4). H\u00e1 dois motivos para isso. O primeiro \u00e9 que o instituto Vila das Crian\u00e7as, administrado por freiras em Santa Maria, pro\u00edbe televis\u00e3o durante a semana. Quando o veto cai, aos s\u00e1bados, entra a segunda explica\u00e7\u00e3o: as 900 adolescentes acompanham apenas os cap\u00edtulos de\u00a0Jumong, folhetim produzido e exibido na distante Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma entre as muitas peculiaridades na incomum rotina das moradoras da Vila das Crian\u00e7as. Fundada em 2001, a institui\u00e7\u00e3o mantida pela ordem das Irm\u00e3s de Maria de Banneux, da Igreja Cat\u00f3lica, abriga e educa meninas pobres de v\u00e1rios estados brasileiros. Desde 2006, contudo, o lugar est\u00e1 na mira do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal e Territ\u00f3rios. No \u00faltimo dia 16, o MPDFT retomou uma investiga\u00e7\u00e3o sobre os crit\u00e9rios legais de seu funcionamento.<\/p>\n<p>Embora seja endere\u00e7o de jovens, a vila das meninas, como ficou conhecida a escola, n\u00e3o autoriza o uso de celular, tem hor\u00e1rio determinado para dormir (\u00e0s 9 e meia, inclusive nos fins de semana) e s\u00f3 admite namoro por carta, meio de comunica\u00e7\u00e3o usual dentro da institui\u00e7\u00e3o. No complexo de 20\u2009000 metros quadrados de \u00e1rea constru\u00edda, com quatro pr\u00e9dios, gin\u00e1sio e piscina coberta, a prioridade est\u00e1 voltada para os estudos e a disciplina \u00e9 rigorosa. Qualquer m\u00e3e ficaria com inveja ao espiar o dormit\u00f3rio das garotas, onde os len\u00e7\u00f3is s\u00e3o esticados a ponto de fazer uma moeda atirada na cama pular. Cobertores e toalhas postos a secar viram la\u00e7os ou cortininhas nos beliches. O ch\u00e3o por onde circulam centenas de jovens, 55 professoras e dezoito freiras tem a apar\u00eancia mais limpa que a de piso de hospital. E s\u00e3o as pr\u00f3prias meninas que, aos s\u00e1bados, faxinam o quarto.<\/p>\n<p>De segunda a segunda, o tempo das\u00a0 internas \u00e9 dividido entre obriga\u00e7\u00f5es escolares, esportes, oficinas profissionalizantes, dan\u00e7a, coral, m\u00fasica e at\u00e9 cuidados com o jardim. Praticamente todas as atividades est\u00e3o concentradas dentro de um terreno concedido pelo GDF em 2000 na regi\u00e3o administrativa de Santa Maria. As meninas que moram no internato dificilmente saem da vila. \u201cDe vez em quando temos alguns passeios externos, mas imagine a log\u00edstica para levar 900 garotas a qualquer lugar\u201d, diz Maria do Rocio Fava de Sousa, diretora pedag\u00f3gica do instituto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=pauv7E5GgMEi%2fYKFuFVtVN9GsgMbK4XIlOnIjl3N%2bFo%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fvejabrasil.abril.com.br%2fassets%2fuploads%2fimages%2fc%2f9f%2f06b%2fc9f06bc7b46d0247a91c8fc665c13d0e.jpg\" \/><\/p>\n<p>Curso de corte e costura: uma das op\u00e7\u00f5es de atividades profissionalizantes (Foto: Jo\u00e9dson Alves)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recrutadas de fam\u00edlias carentes e, n\u00e3o raro, com hist\u00f3rico de viol\u00eancia, as meninas chegam com 12 anos, quando ainda cursam o ensino fundamental, e saem depois da formatura do ensino\u00a0m\u00e9dio \u2014 a idade-limite \u00e9 de 18 anos.\u00a0No tempo em que passam l\u00e1, elas podem escolher cursos profissionalizantes como secretariado, t\u00e9cnico de enfermagem, de sa\u00fade bucal, corte e costura. \u201cMuitas de nossas alunas se destacam\u201d, afirma a freira mexicana Margarita Campos Abeja, que dirige a Vila das Crian\u00e7as. A religiosa conta que duas ex-alunas foram selecionadas para atuar na Austr\u00e1lia e na Coreia do Sul como bolsistas do Ci\u00eancia sem Fronteiras. Ela explica que o objetivo central do projeto idealizado pelo americano Aloysius Schwartz \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o curricular e n\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o de freiras. \u201cO projeto existe no Brasil desde 2002 e at\u00e9 hoje apenas dez meninas decidiram fazer os votos\u201d, relata a irm\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ordem da qual Margarita faz parte sustenta outros institutos sociais com regimes semelhantes ao de Santa Maria em pa\u00edses como M\u00e9xico, Coreia do Sul, Filipinas, Guatemala e Honduras. No Brasil, a Vila das Crian\u00e7as \u00e9 a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o mantida pelas Irm\u00e3s de Maria de Banneux, que aplica 500\u2009000 reais por m\u00eas para financiar o projeto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, no que depender de representantes ligados aos direitos da crian\u00e7a e do adolescente no DF, ela pode deixar de existir nos moldes atuais. Pela interpreta\u00e7\u00e3o dessas autoridades, a escola tem as caracter\u00edsticas dos antigos internatos, modelo de ensino que n\u00e3o \u00e9 mais aceito no Brasil. Em outubro, por iniciativa da Promotoria da Inf\u00e2ncia e da Juventude do MPDFT, a Justi\u00e7a reabriu um processo que investiga o enquadramento legal da Vila das Crian\u00e7as. No \u00faltimo dia 16, agentes ligados \u00e0 Vara da Inf\u00e2ncia, ao Conselho Tutelar e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico fizeram uma inspe\u00e7\u00e3o no local. \u201cA legisla\u00e7\u00e3o estabelece que a priva\u00e7\u00e3o de conv\u00edvio de uma crian\u00e7a ou de um adolescente com sua fam\u00edlia s\u00f3 \u00e9 aceita quando autorizada judicialmente\u201d, afirma a promotora de Justi\u00e7a Luisa de Marillac.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=pauv7E5GgMEi%2fYKFuFVtVN9GsgMbK4XIlOnIjl3N%2bFo%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fvejabrasil.abril.com.br%2fassets%2fuploads%2fimages%2f3%2ff6%2f47c%2f3f647cadf56541fb9513cb63ec370187.jpg\" \/><\/p>\n<p>As alunas s\u00e3o respons\u00e1veis por manter a limpeza e a organiza\u00e7\u00e3o dos quartos onde dormem (Foto: Jo\u00e9dson Alves)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2006, a Vila foi alvo de uma den\u00fancia feita por uma fam\u00edlia que relatou dificuldade de ver a filha fora do per\u00edodo das f\u00e9rias. Na \u00e9poca, o juiz entendeu que o lugar seguia, sem preju\u00edzo para as jovens, os princ\u00edpios de uma escola. O caso acabou arquivado. Para o MP, no entanto, trata-se de uma entidade de acolhimento institucional com regras que n\u00e3o estariam sendo respeitadas. Segundo a lei, por exemplo, esse tipo de abrigo pode atender, no m\u00e1ximo, vinte jovens. E os alunos deveriam pertencer \u00e0 comunidade local. Na vila de Santa Maria, mais de 700 meninas v\u00eam de fora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um sistema que se aproxima da clausura, com o b\u00f4nus de uma boa educa\u00e7\u00e3o, mas o \u00f4nus da segrega\u00e7\u00e3o social\u201d, entende Francisco Corr\u00eaa, integrante do Conselho de Direito da Crian\u00e7a e do Adolescente, respons\u00e1vel por emitir o registro de funcionamento de l\u00e1. \u201cA Vila das Crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 um abrigo ou um internato. Tem a documenta\u00e7\u00e3o que a define como escola, e por isso n\u00e3o cabem esses questionamentos\u201d, argumenta a advogada Fernanda Toscano, do escrit\u00f3rio Caputo Bastos e Serra, que representa a institui\u00e7\u00e3o. Integrante da Arquidiocese de Bras\u00edlia e desembargador do Tribunal de Justi\u00e7a do DF, Roberval Belinati faz um alerta: \u201cEspero que as autoridades tenham muita cautela com esse grandioso trabalho feito em favor da juventude brasileira\u201d.<\/p>\n<p>Por dentro da rotina delas<\/p>\n<p>6h\u00a0Hora de acordar. As meninas t\u00eam trinta minutos para se aprontar e arrumar o quarto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6h\u00a030\u00a0Elas revisam as tarefas cobradas em sala de aula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7h\u00a0Caf\u00e9 da manh\u00e3. O instituto montou sua pr\u00f3pria panificadora, que produz 1 000 p\u00e3es por dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8h\u00a0In\u00edcio das aulas. A escola segue o curr\u00edculo do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. As professoras s\u00e3o leigas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12h\u00a0Almo\u00e7o. As refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o elaboradas em uma cozinha industrial, ondeas funcion\u00e1rias preparam 145 quilos de arroz, 65 quilos de feij\u00e3o e55 quilos de carne.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>13h\u00a0Retomada das aulas. As garotas praticam esportes, dan\u00e7am, estudam m\u00fasica e frequentam cursos profissionalizantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>16h45\u00a0Tempo livre. Elas se re\u00fanem no campo de futebolpara brincar de amarelinha,corda, bola, pique-pega.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>17h30\u00a0Momento em que tomambanho e lavam suasroupas \u00edntimas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>18h\u00a0Jantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>19h30\u00a0Elas fazem as tarefas para as aulas do dia seguinte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>21h30\u00a0Todas as luzes s\u00e3o apagadas.Hora de dormir.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00e3o onde moram 900 adolescentes de v\u00e1rios estados est\u00e1 na mira do Minist\u00e9rio P\u00fablico do DF Noite de s\u00e1bado. Garotas se ajeitam em cadeiras de pl\u00e1stico enquanto aguardam a proje\u00e7\u00e3o das imagens da novela em uma parede. Nenhuma delas, no entanto, sabe do barraco que F\u00e9lix, de\u00a0Amor \u00e0 Vida,\u00a0aprontou durante o jantar na segunda (4). 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