{"id":280189,"date":"2019-04-16T10:44:47","date_gmt":"2019-04-16T13:44:47","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=280189"},"modified":"2019-04-16T10:44:47","modified_gmt":"2019-04-16T13:44:47","slug":"por-que-tarsila-do-amaral-inspira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-tarsila-do-amaral-inspira\/","title":{"rendered":"Por que Tarsila do Amaral inspira?"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo articulo-titulo--cursiva\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Nascida no final do s\u00e9culo XIX, foi criada para ser esposa e m\u00e3e. Ousou fazer diferente. Ousou escolher o lugar que queria ocupar no mundo, agiu para isso<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Tarsilinha do Amaral\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/el_pais\/a\/\">TARSILINHA DO AMARAL<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/16\/opinion\/1555368121_160698_1555368907_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/16\/opinion\/1555368121_160698_1555368907_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/16\/opinion\/1555368121_160698_1555368907_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/16\/opinion\/1555368121_160698_1555368907_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Auto-retrato de Tasila do Amaral.\" width=\"980\" height=\"1108\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Auto-retrato de Tasila do Amaral.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O MASP inaugurou neste m\u00eas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/04\/cultura\/1554385445_726915.html\">a mais ampla exposi\u00e7\u00e3o de Tarsila do Amaral<\/a> j\u00e1 realizada na hist\u00f3ria. A mais numerosa foi a da Pinacoteca de S\u00e3o Paulo, em 2008. Depois outras duas exposi\u00e7\u00f5es potentes, realizadas pelo Art Institute of Chicago e pelo MoMA de Nova York, t\u00eam colocado a obra da artista brasileira em um novo patamar de reconhecimento global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 poucas semanas, ap\u00f3s dois anos de pesquisa e negocia\u00e7\u00f5es, um dos mais importantes museus do mundo,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/27\/cultura\/1551291870_688892.html\">o MoMA, adquiriu para o seu acervo a obra \u201cA Lua\u201d (1928)<\/a>, que j\u00e1 est\u00e1 exposta na sua principal sala, ao lado de um importante quadro de Picasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mercado estima que a venda tenha se dado com um valor em torno dos 20 milh\u00f5es de d\u00f3lare (quase\u00a0 80 milh\u00f5es de reais no c\u00e2mbio do dia), algo in\u00e9dito para a pintura brasileira e que fez aumentar exponencialmente o valor de toda a obra da artista. Com esta venda, Tarsila entrou no rol dos maiores pintores de todos os tempos. Estima-se que Abaporu, vendido em 1995 por 1,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares, hoje possa valer mais de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como sua sobrinha-neta hom\u00f4nima, conhe\u00e7o e contemplo a obra de Tarsila desde muito pequena. Ao entrar na exposi\u00e7\u00e3o montada com maestria pelo MASP, lembro da casa dela e das paredes das casas de meus familiares, que j\u00e1 foram decoradas com as pe\u00e7as, hoje valorizadas internacionalmente. Tarsila adorava presentear os parentes com seus trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas muito al\u00e9m de rever estas cores e formas t\u00e3o peculiares, al\u00e9m de rememorar tantas hist\u00f3rias \u00edntimas envolvendo minha tia-av\u00f3, essas grandes exposi\u00e7\u00f5es (e os olhares que tais mostras suscitam em torno da obra) me fazem rever a dimens\u00e3o desta mulher no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma obviedade dizer que dos anos 20 para c\u00e1 muita coisa mudou. Olhar a cria\u00e7\u00e3o de qualquer artista sob as perspectivas de comportamento atualizadas para 2019 poderia revelar uma obra datada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho feito isso com Tarsila. E ao rever sua obra, entendo cada vez mais seu vanguardismo feito em voz baixa. Digo isso porque Tarsila era discreta. A partir da mais ic\u00f4nica de suas obras, Abaporu, Tarsila\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/07\/cultura\/1518001616_829973.html\">inspirou o manifesto Antrop\u00f3fago, de Oswald de Andrade<\/a>. N\u00e3o o escreveu, nem o leu em voz alta no Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo. Inspirou-o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma tela em branco, Tarsila escolheu pintar com cores que seus professores diziam \u201cfeias\u201d, de mau gosto. Cores fortes, cheias de luz, do jeito que ela enxergava nas paisagens do interior do Brasil, seu habitat natural, as cores caipiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma \u00e9poca na qual a pintura retratava majoritariamente personagens brancos, Tarsila criou \u201cA Negra\u201d, exposta no MoMA e agora no MASP com a devida import\u00e2ncia afetiva que a personagem ali representada tinha para a artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia pouco sabe sobre a mulher real retratada na obra, por\u00e9m, no \u00c1lbum de viagens da artista, uma foto bastante semelhante a este quadro d\u00e1 a dimens\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o afetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da exposi\u00e7\u00e3o no MoMA, conversei com diversos frequentadores da mostra e n\u00e3o posso esquecer um funcion\u00e1rio do museu, senhor negro americano, que sorriu ao dizer que a obra que ele mais tinha gostado era \u201cA Negra\u201d, porque se sentiu representado nela. Quantos personagens negros j\u00e1 ocuparam as paredes do MoMA?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cOper\u00e1rios\u201d, Tarsila representou de forma cr\u00edtica e direta a pir\u00e2mide da desigualdade social no Brasil desde sempre. Ap\u00f3s uma viagem \u00e0 ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Tarsila foi presa por seu envolvimento com a esquerda e acusada de subversiva no Brasil dos anos 1932.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tarsila era filha de aristocratas. Nascida no final do s\u00e9culo XIX, foi criada para ser esposa e m\u00e3e. Ousou fazer diferente. Ousou escolher o lugar que queria ocupar no mundo, agiu para isso. Ousou escolher as cores caipiras, a despeito dos grandes mestres com quem estudou. Ousou divorciar-se do primeiro marido, se apaixonar e casar com o escritor Oswald de Andrade, ser abandonada por ele, e ousou ainda casar-se novamente com um homem vinte anos mais novo que ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ousou criar o Abaporu para dar de presente a Oswald, seu marido na \u00e9poca &#8211; para mim, um autorretrato de uma mulher apaixonada. Depois do envolvimento dele com a jovem Pagu, o quadro foi pedido de volta por Tarsila no momento da separa\u00e7\u00e3o do casal, em troca de um j\u00e1 valorizado quadro do pintor italiano De Chirico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tarsila ousou dizer publicamente que queria ser a pintora do Brasil. N\u00e3o teve medo de dizer isso em Paris, a cidade onde passou grande parte dos anos 20, que era a capital do mundo art\u00edstico na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito de todos os pap\u00e9is pensados para uma mulher filha de fazendeiros nascida em 1886 na cidade de Capivari, interior de S\u00e3o Paulo, a exposi\u00e7\u00e3o \u201cTarsila Popular\u201d em cartaz no MASP mostra que ela conquistou o lugar que desejou para sua exist\u00eancia. Por tudo isso, Tarsila inspira.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Tarsilinha do Amaral<\/strong>\u00a0\u00e9 advogada, sobrinha-neta da artista e representante do esp\u00f3lio de Tarsila do Amaral<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma tela em branco, Tarsila escolheu pintar com cores que seus professores diziam \u201cfeias\u201d, de mau gosto. 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