{"id":280617,"date":"2019-04-21T10:43:41","date_gmt":"2019-04-21T13:43:41","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=280617"},"modified":"2019-04-21T10:43:41","modified_gmt":"2019-04-21T13:43:41","slug":"negar-favela-e-insulto-a-vocacao-popular-do-flamengo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/negar-favela-e-insulto-a-vocacao-popular-do-flamengo\/","title":{"rendered":"Negar favela \u00e9 insulto \u00e0 voca\u00e7\u00e3o popular do Flamengo"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo articulo-titulo--cursiva\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Torcida rubro-negra transformou termo pejorativo em sauda\u00e7\u00e3o ao clube do povo. Deveria ser motivo de orgulho, e n\u00e3o um pretexto para a diretoria refor\u00e7ar estere\u00f3tipos preconceituosos<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Breiller Pires\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/breiller_silva_pires\/a\/\">BREILLER PIRES<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Historicamente, torcidas rivais utilizam \u201cfavela\u201d de forma pejorativa para zombar do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/flamengo\">Flamengo<\/a>. Por ser o mais popular do pa\u00eds, o clube que sempre arrastou multid\u00f5es ao Maracan\u00e3 tem adeptos de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/04\/27\/deportes\/1493325637_630349.html\">todas as classes sociais<\/a>, especialmente em comunidades e regi\u00f5es pobres, n\u00e3o apenas no Rio de Janeiro. Esse talvez seja o maior patrim\u00f4nio rubro-negro, o que os especialistas em marketing chamariam de \u201cvalor intang\u00edvel da marca\u201d. Nada tira do Flamengo a fama de representar o time do pov\u00e3o, algo que torcedores advers\u00e1rios desdenham e, por que n\u00e3o, invejam. Ao adotar\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/12\/deportes\/1507827980_653003.html\">a favela nos c\u00e2nticos<\/a>\u00a0de arquibancada e ressignificar o termo como uma celebra\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do clube, a torcida rubro-negra contribuiu para desmistificar a pecha de criminalidade, marginaliza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/02\/politica\/1504367598_195871.html\">que cerca seus moradores<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"roba_principal\" class=\"envoltorio_publi\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"elpais_gpt-MPU1\" class=\"publi_luto_horizontal\" data-google-query-id=\"CPf674Wo4eECFQRVwQodNvEPjQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/deportes\/mpu1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/20\/deportes\/1555783310_624413_1555783452_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/20\/deportes\/1555783310_624413_1555783452_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/20\/deportes\/1555783310_624413_1555783452_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/20\/deportes\/1555783310_624413_1555783452_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Festa favela Flamengo\" width=\"980\" height=\"600\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Torcida do Flamengo homenageia Adriano Imperador, cria da Vila Cruzeiro.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GILVAN DE SOUZA<\/span><span class=\"foto-agencia\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">No entanto, como revelado pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/esporte\/flamengo\/flamengo-veta-expressao-festa-na-favela-de-suas-redes-sociais-associado-violencia-23612039.html\">jornal\u00a0<em>Extra<\/em><\/a>\u00a0neste s\u00e1bado, uma empresa terceirizada que cuida das redes sociais do Flamengo decidiu n\u00e3o usar mais a express\u00e3o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/FestaNaFavela?src=tren&amp;data_id=tweet%3A1119588818556993540\">#FestaNaFavela<\/a><\/strong> em publica\u00e7\u00f5es, sob a justificativa, exposta por um dos gerentes da ag\u00eancia, de que favela \u201c\u00e9 algo associado \u00e0 viol\u00eancia na cidade em que moramos\u201d. Marcelo Gorodicht, diretor da empresa, vai al\u00e9m ao explicar as raz\u00f5es de evitar o termo: \u201cQuando o Flamengo vence ou \u00e9 campe\u00e3o, como esperamos que v\u00e1 acontecer neste domingo [contra o Vasco, na final do Campeonato Carioca], a festa acontece em todos os lugares, em todos os recantos do Rio de Janeiro e do Brasil. Do morro ao asfalto, da Zona Norte a Zona Sul, do Leme ao Pontal como diria o saudoso Tim Maia, do Oiapoque ao Chu\u00ed\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Ao concordar com essa\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/02\/deportes\/1520029529_714803.html\">restri\u00e7\u00e3o supostamente estrat\u00e9gica<\/a>, que, segundo a empresa, tem aumentado o alcance de postagens do clube nas redes, a diretoria do Flamengo nega a favela como elemento indissoci\u00e1vel de sua imagem. A favela, no caso rubro-negro, n\u00e3o representa um lugar, mas sim o povo pobre que nunca deixou sua paix\u00e3o pelo time se abalar diante das adversidades. Uma na\u00e7\u00e3o de pessoas que tem sido violentada nos \u00faltimos anos pela pol\u00edtica proibitiva do pre\u00e7o de ingressos, sofrendo com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/14\/deportes\/1500068233_300420.html\">elitiza\u00e7\u00e3o nos est\u00e1dios<\/a>\u00a0e planos de s\u00f3cio-torcedor nada acess\u00edveis aos que dependem de sal\u00e1rio m\u00ednimo\u00a0<span class=\"st\">\u2013<\/span>\u00a0ou bem menos que isso\u00a0<span class=\"st\">\u2013<\/span>\u00a0para sobreviver.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na reta final da gest\u00e3o passada, encabe\u00e7ada por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/27\/deportes\/1519763503_567309.html\">Eduardo Bandeira de Mello<\/a>, o Flamengo tentou se reconciliar com a parte mais expressiva de sua massa em a\u00e7\u00f5es pontuais, como o Projeto \u201cPequenos Rubro-Negros\u201d, que levava crian\u00e7as de comunidades carentes aos jogos do time. Nesse mesmo per\u00edodo, o clube intensificou o uso da hashtag #FestaNaFavela, exaltando o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/11\/cultura\/1555010095_865536.html\">orgulho de sua representatividade<\/a>\u00a0entre as camadas desfavorecidas da sociedade. Agora, a gest\u00e3o de Rodolfo Landim contribui para reproduzir um discurso que criminaliza as favelas, resumindo-as ao\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/28\/deportes\/1514427700_914142.html\">contexto de viol\u00eancia<\/a>. N\u00e3o quer a imagem do clube associada a atributos vistos como negativos pelo marketing, mas \u00e9 capaz de ceder o palco da conquista de um t\u00edtulo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/01\/deportes\/1554137880_617605.html\">para palanque de parlamentar<\/a>\u00a0que debochou do assassinato de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/14\/politica\/1552572906_734967.html\">Marielle Franco<\/a>.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cA favela, no caso rubro-negro, n\u00e3o representa um lugar, mas sim o povo pobre que nunca deixou sua paix\u00e3o pelo time se abalar diante das adversidades\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Repleta de \u00eddolos forjados nos campos de favela, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/03\/deportes\/1543856852_008879.html\">Ad\u00edlio<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/12\/deportes\/1507827980_653003.html\">Adriano Imperador<\/a>e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/19\/deportes\/1513716587_323042.html\">Vinicius Junior<\/a>, que nunca renegaram suas origens, a hist\u00f3ria do Flamengo est\u00e1 marcada por uma conex\u00e3o direta com a identidade do povo brasileiro. \u00c9 o tra\u00e7o que distingue os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/21\/deportes\/1513879545_895915.html\">clubes de massa<\/a>, tal qual o Corinthians, que n\u00e3o se envergonha de dizer que \u201ca favela \u00e9 aqui\u201d. Nas d\u00e9cadas de 60 e 70, em vez de se referir \u00e0 favela, rivais chamavam flamenguistas de \u201curubu\u201d. O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/18\/deportes\/1555620519_856197.html\">apelido racista<\/a>, claramente depreciativo, acabou se tornando mascote do clube. Sinal de que, mesmo estigmatizada pelo preconceito, a comunidade rubro-negra nunca virou as costas para seus seguidores negros, pobres e discriminados.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Para uma institui\u00e7\u00e3o de futebol, representar a favela significa, muito mais do que qualquer conota\u00e7\u00e3o do termo, levantar a bandeira em favor dos mais humildes.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/29\/deportes\/1527601552_529768.html\">Dos craques descobertos nos sub\u00farbios<\/a>\u00a0e lapidados no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/21\/deportes\/1550784946_705165.html\">Ninho do Urubu<\/a>. Em um contexto de repress\u00e3o \u00e0s minorias no lugar onde o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/12\/politica\/1549998144_030599.html\">exterm\u00ednio de jovens negros<\/a>segue rendendo menos manchetes que a morte de um branco na Zona Sul, ou em que o governador do Estado acaba por chancelar uma pol\u00edtica de abate de \u201cpotenciais criminosos\u201d por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/03\/politica\/1554246098_836562.html\">snipers no alto dos morros<\/a>, um clube como o Flamengo tem a obriga\u00e7\u00e3o de reafirmar sua voca\u00e7\u00e3o popular e redobrar as a\u00e7\u00f5es de responsabilidade social. Ser favela \u00e9 ser pov\u00e3o. Deveria ser motivo de orgulho, e n\u00e3o um pretexto para a diretoria refor\u00e7ar estere\u00f3tipos preconceituosos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 na reta final da gest\u00e3o passada, encabe\u00e7ada por\u00a0Eduardo Bandeira de Mello, o Flamengo tentou se reconciliar com a parte mais expressiva de sua massa em a\u00e7\u00f5es pontuais, como o Projeto \u201cPequenos Rubro-Negros\u201d, que levava crian\u00e7as de comunidades carentes aos jogos do time. Nesse mesmo per\u00edodo, o clube intensificou o uso da h<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":280618,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,6],"tags":[],"class_list":["post-280617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esporte","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/urubuzada.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280617\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/280618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}