{"id":281055,"date":"2019-04-25T15:26:40","date_gmt":"2019-04-25T18:26:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=281055"},"modified":"2019-04-25T15:26:40","modified_gmt":"2019-04-25T18:26:40","slug":"de-columbine-a-suzano-o-terrivel-impacto-dos-massacres-em-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/de-columbine-a-suzano-o-terrivel-impacto-dos-massacres-em-escolas\/","title":{"rendered":"De Columbine a Suzano, o terr\u00edvel impacto dos massacres em escolas"},"content":{"rendered":"<header class=\"article-header\">\n<h1 class=\"article-title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"article-subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><em>Nos 20 anos do ataque a um col\u00e9gio em Columbine (EUA), a realidade \u00e9 que 3 em cada 10 sobreviventes de trag\u00e9dias do tipo sofrem com estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico<\/em><\/h2>\n<div class=\"article-author\" style=\"text-align: justify;\">Por\u00a0<strong>Andr\u00e9 Bernardo<\/strong><\/div>\n<\/header>\n<section class=\"article-content\">\n<div class=\"featured-image\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" class=\"abril-image optimized lazyloaded\" title=\"O impacto de massacres em escolas no estresse\" src=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2018\/11\/depressc3a3o05.jpg\" sizes=\"(min-width: 991px) 680px, (max-width: 420px) 420px, (max-width: 360px) 360px, \" srcset=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2018\/11\/depressc3a3o05.jpg?quality=85&amp;strip=info&amp;resize=680,453 680w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2018\/11\/depressc3a3o05.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=420,280 420w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2018\/11\/depressc3a3o05.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=360,240 360w, \" alt=\"massacres em escola e transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico\" \/><\/div>\n<p class=\"caption\">Massacres em escolas, como a de Suzano (SP), aumentam o risco de transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico nos sobreviventes\u00a0(Ilustra\u00e7\u00e3o: Veridiana Scarpelli\/SA\u00daDE \u00e9 Vital)<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem visita o Hope Columbine Memorial Library, constru\u00eddo em homenagem \u00e0s v\u00edtimas do\u00a0<a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/mundo-estranho\/como-foi-o-massacre-de-columbine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">massacre de Columbine<\/a>, no estado do Colorado, nos Estados Unidos, depara com a seguinte inscri\u00e7\u00e3o gravada no ch\u00e3o de pedra: \u201cNunca esquecido\u201d. De fato, como d\u00e1 pra esquecer o ataque que, na manh\u00e3 de 20 de abril de 1999, deixou um rastro de 13 mortos \u2013 12 alunos e um professor \u2013 e 21 feridos em uma escola de ensino m\u00e9dio na cidadezinha de pouco mais de 24 mil habitantes? Imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de 18 anos, os EUA contabilizaram pelo menos 220 incidentes com armas de fogo em escolas de ensino infantil, fundamental e m\u00e9dio. Ao todo, 128 pessoas, entre alunos, professores e funcion\u00e1rios, morreram e 258 ficaram feridas. O mais sangrento deles foi o de Sandy Hook, em Connecticut. No dia 14 de dezembro de 2012, o atirador matou 20 alunos, com idades entre 6 e 7 anos, e seis funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o primeiro caso de ataque \u00e0 escola que teve desfecho tr\u00e1gico aconteceu em 28 de outubro de 2002, quando um estudante de 17 anos matou a tiros duas colegas de turma, Vanessa Carvalho Batista e Natasha Silva Ferreira, ambas de 15 anos, em uma escola particular de Salvador. Desde ent\u00e3o, outros quatro epis\u00f3dios, envolvendo v\u00edtimas fatais, foram registrados. O mais recente e assustador, na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na regi\u00e3o da Grande S\u00e3o Paulo, terminou com nove mortos e 16 feridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fardo desses ataques assombra tamb\u00e9m quem sobrevive a eles. Um estudo do National Center for Posttraumatic Stress Disorder (PTSD), que investiga o transtorno de\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/estresse\"><strong>estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico (TEPT)<\/strong><\/a>, indica que tr\u00eas em cada dez sobreviventes de massacres a escolas tendem a desenvolver o dist\u00farbio. Ele vem \u00e0 tona quando situa\u00e7\u00f5es como choro, raiva, medo, pesadelos, isolamento social e a reexperi\u00eancia traum\u00e1tica toda n\u00e3o perdem intensidade mesmo depois de um m\u00eas do evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm 80% dos casos, os portadores de TEPT melhoram bastante, ficando apenas sintomas residuais. J\u00e1 os 20% restantes s\u00e3o mais refrat\u00e1rios ao tratamento. Dos que apresentam melhoras, 40% ficam totalmente curados\u201d, explica o psiquiatra Marcelo Feij\u00f3 de Mello, coautor de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Transtornos-estresse-p%C3%B3s-traum%C3%A1tico-TEPT-Diagn%C3%B3stico\/dp\/8520423698?SubscriptionId=AKIAIJLVCKHRIWAIUHTQ&amp;tag=v0858-20&amp;linkCode=alb&amp;camp=2025&amp;creative=165953&amp;creativeASIN=8520423698\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico \u2013 Diagn\u00f3stico e Tratamento<\/a>\u00a0(Manole, 2005) e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Transtorno-Estresse-P%C3%B3s-Traum%C3%A1tico-Viol%C3%AAncia-Trauma\/dp\/8538802518?SubscriptionId=AKIAIJLVCKHRIWAIUHTQ&amp;tag=v0858-20&amp;linkCode=alb&amp;camp=2025&amp;creative=165953&amp;creativeASIN=8538802518\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico \u2013 Viol\u00eancia, Medo e Trauma no Brasil<\/a>\u00a0(Atheneu, 2011).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O drama de quem sobreviveu<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estudante Isadora de Morais, de 15 anos, \u00e9 uma das sobreviventes do ataque ao Col\u00e9gio Goyases, em Goi\u00e2nia, que resultou na morte de dois alunos, Jo\u00e3o Pedro Calembo e Jo\u00e3o Vitor Gomes, ambos de 13 anos, e feriu quatro, no dia 20 de outubro de 2017. \u201cQuando ca\u00ed, j\u00e1 n\u00e3o sentia minhas pernas. Tentei rastejar na dire\u00e7\u00e3o da porta, mas n\u00e3o consegui\u201d, recorda a adolescente,\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/precisamos-falar-sobre-a-saude-dos-deficientes-no-brasil\/\">que ficou parapl\u00e9gica<\/a>\u00a0ap\u00f3s ser baleada por um colega do 8\u00ba ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filho de um casal de policiais militares, o atirador, de 14 anos, foi apreendido pela pol\u00edcia ap\u00f3s o ataque e est\u00e1 cumprindo pena de tr\u00eas anos em um centro de interna\u00e7\u00e3o para menores infratores. \u201cO que d\u00f3i mais \u00e9 saber que, ano que vem, ele ser\u00e1 solto e eu vou ficar na cadeira de rodas para o resto da vida\u201d, lamenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano e quatro meses depois, Isadora faz quatro sess\u00f5es semanais de fisioterapia \u2013 duas em casa e duas no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.saude.go.gov.br\/?unidades=crer-centro-de-reabilitacao-e-readaptacao-dr-henrique-santillo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o e Readapta\u00e7\u00e3o Dr. Henrique Santillo (Crer)<\/a>\u00a0\u2013 e, at\u00e9 hoje, toma antidepressivos. Para os m\u00e9dicos, sua les\u00e3o medular \u00e9 definitiva, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de revers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, ela n\u00e3o desanima. \u201cSou muito confiante. Quem sabe, um dia, as pessoas com paraplegia n\u00e3o voltar\u00e3o a andar? A medicina ainda vai nos surpreender muito\u201d, acredita.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Do luto \u00e0 luta<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o s\u00e3o apenas os sobreviventes que tendem a sofrer do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Ele afeta familiares e testemunhas tamb\u00e9m. \u201cO tratamento ideal \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de psicoterapia e rem\u00e9dios. Nos quadros potencialmente traum\u00e1ticos, a interven\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 fundamental\u201d, recomenda o psiquiatra Jos\u00e9 Paulo Fiks, do Servi\u00e7o de Assist\u00eancia e Pesquisa em Viol\u00eancia e Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp)<\/a>. \u201cPermanecer no local da trag\u00e9dia, sem acompanhamento especializado, pode ser t\u00f3xico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundadora e presidente da associa\u00e7\u00e3o Anjos de Realengo, que re\u00fane parentes das v\u00edtimas do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, Adriana Silveira, de 47 anos, resistiu quanto p\u00f4de a fazer uso de ansiol\u00edticos e antidepressivos ou a participar de sess\u00f5es de terapia. \u201cNo come\u00e7o, recusei toda e qualquer ajuda. Mas, depois de um ano e meio, tive que me render. \u00c9 ingenuidade achar que vamos sair de uma trag\u00e9dia dessas por inteiro\u201d, admite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda hoje, Adriana fica sobressaltada ao ouvir o barulho das h\u00e9lices de helic\u00f3pteros ou das sirenes de ambul\u00e2ncias. Na mesma hora, vem \u00e0 lembran\u00e7a a manh\u00e3 do dia 7 de abril de 2011, quando um ex-aluno, de 23 anos, invadiu a escola e efetuou disparos que mataram 12 alunos e feriram outros dez. Um dos tiros atingiu Luiza Paula, de 14 anos, filha de Adriana. \u201cCrian\u00e7as gritando com o uniforme sujo de sangue e eu, perdida no meio delas, procurando minha filha\u201d, lembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na esperan\u00e7a de amenizar a dor dos que ficaram, Adriana fundou a associa\u00e7\u00e3o Anjos de Realengo. Pelo menos uma vez por m\u00eas, os 90 membros, entre sobreviventes e familiares das v\u00edtimas, se re\u00fanem para ouvir os desabafos uns dos outros e ajudar no que for poss\u00edvel. \u201cEntre os membros, temos uma menina na cadeira de rodas, outro que ficou cego de uma das vistas e um terceiro \u00e0 beira da loucura. Todos n\u00f3s temos sequelas que levaremos para o resto de nossas vidas\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a sociedade ou\u00e7a de verdade esses lamentos para poder dar a m\u00e3o a quem precisa e impedir que trag\u00e9dias do tipo se repitam.<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o apenas os sobreviventes que tendem a sofrer do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Ele afeta familiares e testemunhas tamb\u00e9m. \u201cO tratamento ideal \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de psicoterapia e rem\u00e9dios. 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