{"id":281313,"date":"2019-04-28T09:39:35","date_gmt":"2019-04-28T12:39:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=281313"},"modified":"2019-04-28T09:39:35","modified_gmt":"2019-04-28T12:39:35","slug":"e-preciso-falar-sobre-pornografia-em-sala-de-aula-desde-a-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/e-preciso-falar-sobre-pornografia-em-sala-de-aula-desde-a-infancia\/","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 preciso falar sobre pornografia em sala de aula desde a inf\u00e2ncia\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Pioneira no ensino de igualdade de g\u00eanero nas escolas da Isl\u00e2ndia, Hanna Bj\u00f6rg Vilhj\u00e1lmsd\u00f3ttir defende que a cultura porn\u00f4 normaliza a viol\u00eancia no sexo e as crian\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o expostas a ela<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1556030143_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1556030143_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1556030143_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1556030143_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"A professora islandesa Hanna Bj\u00f6rg Vilhj\u00e1lmsd\u00f3ttir\" width=\"980\" height=\"599\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A professora islandesa Hanna Bj\u00f6rg Vilhj\u00e1lmsd\u00f3ttir<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">CAROLINA SALAS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Ana Alfageme\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/ana_alfageme\/a\/\">ANA ALFAGEME<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>O anagrama feminista \u00e9 quase a primeira coisa que se v\u00ea quando se conhece a professora Hanna Bj\u00f6rg Vilhj\u00e1lmsd\u00f3ttir, que o tatuou no pesco\u00e7o. A luta pelos direitos das mulheres veio antes das salas de aula. Professora tardia (formou-se aos 43 anos, depois de uma carreira como consultora), ela percebeu que nas escolas n\u00e3o havia educa\u00e7\u00e3o sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/relaciones_genero\">igualdade de g\u00eanero<\/a>, apesar de que na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/islandia\"><strong>Isl\u00e2ndia<\/strong><\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/02\/internacional\/1551565514_666875.html\">campe\u00e3 mundial do feminism<\/a><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/02\/internacional\/1551565514_666875.html\">o<\/a>, esses estudos sejam contemplados na lei. Ela \u00e9 a pioneira do ensino sobre a equidade nas escolas de seu pa\u00eds. Em quase metade delas, estudantes entre 16 e 19 anos frequentam um programa de 16 semanas. V\u00ea-la dar uma aula ilustra seu entusiasmo por uma atividade em que est\u00e1 h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0Como come\u00e7ou a dar aulas de igualdade de g\u00eanero?<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKvqsNvm8uECFUV_wQodWkUDNw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/actualidad\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/actualidad\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/actualidad\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"f\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0Pedi ao meu tutor, quando me contrataram, rec\u00e9m-formada, se eu poderia tentar um novo projeto sobre igualdade de g\u00eanero. Fui corajosa e insistente, e simplesmente o fiz.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P<\/strong>. Como se preparou para dar aulas sem que houvesse um programa espec\u00edfico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Li alguns artigos, reuni v\u00eddeos e outros recursos para meus alunos. Mas, em primeiro lugar, e mais importante, conversei com eles. Usei o m\u00e9todo do debate. Eu os fiz analisar a cultura popular na qual se movimentavam. N\u00f3s conversamos e nos ouvimos. Mostrei a eles o amplo espectro das rela\u00e7\u00f5es de poder na sociedade e como a desigualdade \u00e9 sistem\u00e1tica em todos os setores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P<\/strong>. Qual foi o resultado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Rapidamente me dei conta do bom material que tinha em m\u00e3os. Uma esp\u00e9cie de ovo de ouro. Os alunos responderam muito bem ao curso e me incentivaram a continuar. Ent\u00e3o, comecei a divulg\u00e1-lo. Conversei com professores de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sociologia\">sociologia<\/a>\u00a0e com a m\u00eddia, escrevi artigos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Qual \u00e9 a mudan\u00e7a nos estudantes no final do curso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Eles adquirem \u00f3culos de g\u00eanero, que os tornam conscientes do ambiente cultural, do qu\u00e3o perigoso pode ser, e da misoginia existente. Como meninos e meninas (agora tenho mais g\u00eaneros, mas, para simplificar) s\u00e3o criados de maneira diferente, e eles se d\u00e3o conta disso. O curso os prepara para se protegerem de uma cultura que causa danos, especialmente para as meninas. Os garotos aprendem a respeit\u00e1-las e a respeitar o que consideram feminino. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sexo\">sa\u00fade sexual<\/a>\u00a0\u00e9 importante tamb\u00e9m. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/05\/eps\/1549359489_090898.html\">alunos aprendem que a cultura do porn\u00f4<\/a>\u00e9 realmente sua inimiga, pois lhes ensina a normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no sexo. Eles acabam olhando de modo cr\u00edtico o que o porn\u00f4 realmente \u00e9.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/sociedad\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1555330966_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/sociedad\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1555330966_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/sociedad\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1555330966_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/sociedad\/imagenes\/2019\/04\/15\/actualidad\/1555326715_093826_1555330966_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"A professora, durante uma aula em uma escola de Reykjavik\" width=\"980\" height=\"682\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A professora, durante uma aula em uma escola de Reykjavik<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ANA ALFAGEME<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Al\u00e9m disso, o que mais se consegue?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Os alunos se empoderam. Aprendem que \u00e9 importante identificar a si mesmos por suas habilidades e n\u00e3o por sua apar\u00eancia. As garotas s\u00e3o treinadas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/derechos_mujer\">para n\u00e3o se objetificarem<\/a>. E os garotos aprendem a n\u00e3o olhar para elas como objetos. N\u00e3o estou dizendo que todos os meus alunos fazem isso. Mas muitos fazem. Sei que o curso mudou a vida dos meus alunos em termos de fortalec\u00ea-los e adquirirem pensamento cr\u00edtico, s\u00f3 para dar um exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Houve descobertas surpreendentes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, o interesse dos garotos. Agora o curso \u00e9 obrigat\u00f3rio. Eu lhes perguntei se o teriam escolhido. Dizem que n\u00e3o, mas est\u00e3o satisfeitos por terem feito. Apreciam o despertar que experimentaram. Porque ningu\u00e9m quer ser mau e eles veem como a cultura em que vivem os faz maltratar meninas e mulheres, os ensina a serem sexistas. Veem o que h\u00e1 no porn\u00f4, como a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente horr\u00edvel e coisas assim. E tamb\u00e9m descobri que o curso teve um significado muito importante para muitas meninas, que me disseram que mudou radicalmente a vida delas, para melhor. Elas mesmas, seus relacionamentos e sua vis\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0H\u00e1 resist\u00eancias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, mas sinto que s\u00e3o cada vez menores. Sempre h\u00e1 vozes que proclamam que isso \u00e9 feminismo extremista, sempre se disse isso. Mas a maior parte da resist\u00eancia vem de pessoas (professores, estudantes e pol\u00edticos de direita) que n\u00e3o sabem do que o curso trata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Fez alguma pesquisa com os estudantes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o, mas dois estudos com professores. No entanto, sempre pe\u00e7o a meus alunos que escrevam no final de cada curso como o vivenciaram e que me digam se influenciou suas vidas e como. O resultado \u00e9 claro. Sentem que o curso tem um enorme efeito neles, para melhor. A maioria me diz que nenhum curso foi t\u00e3o importante para eles. Ent\u00e3o, eu sei, j\u00e1 que a pesquisa mostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Em que idade se deveria come\u00e7ar a ensinar igualdade de g\u00eanero?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0No jardim da inf\u00e2ncia. Voc\u00ea precisa desconstruir estere\u00f3tipos em uma idade muito jovem. E esses cursos precisam continuar em todos os est\u00e1gios educacionais, com diferentes perspectivas. Por exemplo, se os meninos come\u00e7arem a assistir pornografia aos 11 anos, precisamos come\u00e7ar a falar sobre pornografia nessa idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Quais as diferen\u00e7as entre garotos e garotas na experi\u00eancia de aprender sobre igualdade de g\u00eanero?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A principal \u00e9 que as garotas se empoderam e os garotos aprendem a respeitar mais as meninas. Al\u00e9m disso, eles aprendem como a chamada caixa da masculinidade (a socializa\u00e7\u00e3o \u00e0 qual os homens s\u00e3o submetidos, pela qual devem ser poderosos, sem medo e dominando as mulheres) \u00e9 perigosa, por exemplo, quando se trata de demonstrar emo\u00e7\u00f5es. Eles n\u00e3o s\u00e3o ensinados a expressar emo\u00e7\u00f5es, exceto a raiva, e isso causa danos tanto a eles como aos que est\u00e3o ao seu redor.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles adquirem \u00f3culos de g\u00eanero, que os tornam conscientes do ambiente cultural, do qu\u00e3o perigoso pode ser, e da misoginia existente. Como meninos e meninas (agora tenho mais g\u00eaneros, mas, para simplificar) s\u00e3o criados de maneira diferente, e eles se d\u00e3o conta disso. 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