{"id":281432,"date":"2019-04-29T06:34:56","date_gmt":"2019-04-29T09:34:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=281432"},"modified":"2019-04-29T06:34:56","modified_gmt":"2019-04-29T09:34:56","slug":"o-mary-poppins-da-matematica-que-se-instalava-na-casa-dos-colegas-para-resolver-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-mary-poppins-da-matematica-que-se-instalava-na-casa-dos-colegas-para-resolver-problemas\/","title":{"rendered":"O \u2018Mary Poppins\u2019 da matem\u00e1tica que se instalava na casa dos colegas para resolver problemas"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">A bab\u00e1 do guarda-chuva visitava as casas onde havia um problema e ia embora quando conseguia solucion\u00e1-lo<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/23\/ciencia\/1556030983_017662_1556459800_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/23\/ciencia\/1556030983_017662_1556459800_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/23\/ciencia\/1556030983_017662_1556459800_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/04\/23\/ciencia\/1556030983_017662_1556459800_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"O \u2018Mary Poppins\u2019 da matem\u00e1tica que se instalava na casa dos colegas para resolver problemas\" width=\"980\" height=\"599\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">SE\u00d1OR SALME<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de J. M. Mulet\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jose_miguel_mulet_salort\/a\/\">J. M. MULET<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem j\u00e1 foi crian\u00e7a ter\u00e1 visto\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/17\/cultura\/1545050252_778064.html\">Mary Poppins<\/a>. E, se al\u00e9m disso foi pai ou m\u00e3e, provavelmente a tenha visto mais de 20 vezes. Portanto, certamente se lembra de que a primeira m\u00fasica entoada por Bert (Dick Van Dyke) no filme diz: \u201cVentos do leste v\u00eam me dizer\/Que alguma coisa vai acontecer.\u201d E dessa forma nos introduz no peculiar sistema de trabalho de Mary Poppins, uma bab\u00e1 que visitava casas onde havia problemas sem que ningu\u00e9m a chamasse \u2013 e que ia embora ap\u00f3s solucion\u00e1-los. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o era que a dire\u00e7\u00e3o do vento fosse prop\u00edcia, j\u00e1 que Poppins voava pendurada num guarda-chuva, mantendo interessantes conversas com o cabo na forma de papagaio. Esse m\u00e9todo pode parecer original e fruto da imagina\u00e7\u00e3o da escritora australiana P. L. Travers (pseud\u00f4nimo de Helen Lyndon Goff), mas, como costuma acontecer, a realidade supera a fic\u00e7\u00e3o. Houve uma pessoa que utilizou esse mesmo m\u00e9todo durante sua longa carreira, mas com uma peculiaridade: n\u00e3o era bab\u00e1, e sim\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/matematicas\">matem\u00e1tico<\/a>.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<figure class=\"foto foto_w140\"><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paul Erd\u00f6s nasceu em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/budapest\">Budapeste<\/a>\u00a0em 1913, filho de um casal de professores de matem\u00e1tica. Suas duas irm\u00e3s mais velhas morreram muito novas de escarlatina. Seu pai foi prisioneiro das tropas russas durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/primera_guerra_mundial\">Primeira Guerra Mundial<\/a>\u00a0e passou seis anos na Sib\u00e9ria. Isso fez com que ele se educasse em casa sozinho com a m\u00e3e, que descobriu seu talento nato para os n\u00fameros. Erd\u00f6s se doutorou nessa disciplina aos 21 anos na Hungria. Fugindo do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nazismo\">nazismo<\/a>, viveu primeiro na Inglaterra e, a partir de 1938, nos Estados Unidos. Desde sempre, manteve uma intensa correspond\u00eancia com matem\u00e1ticos do mundo todo, o que lhe gerou um problema s\u00e9rio. Um deles era um matem\u00e1tico chin\u00eas, que levantou suspeitas das autoridades de imigra\u00e7\u00e3o norte-americanas em pleno macarthismo. Ao retornar de uma confer\u00eancia em Amsterd\u00e3, Erd\u00f6s foi interrogado. Quando lhe perguntaram sobre Karl Marx, disse que s\u00f3 havia lido O Manifesto Comunista e que, em sua opini\u00e3o, Marx devia ser um grande homem. Realmente Erd\u00f6s n\u00e3o se interessava por pol\u00edtica, mas suas palavras foram suficientes para que lhe negassem a entrada nos EUA e tivesse que se mudar para Israel. Isso n\u00e3o representou nenhum problema, j\u00e1 que nos EUA ele j\u00e1 tinha desenvolvido sua peculiar maneira de trabalhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Erd\u00f6s nunca teve casa pr\u00f3pria, fam\u00edlia nem praticamente bens materiais. Doava seu sal\u00e1rio de professor e os pr\u00eamios que ganhava por solucionar problemas matem\u00e1ticos a quem resolvesse quest\u00f5es que ele mesmo propunha. Como ent\u00e3o vivia? Ora, como Mary Poppins. Comparecia a confer\u00eancias matem\u00e1ticas e escutava em que trabalhavam seus colegas. Quando algu\u00e9m estava com algum problema que lhe interessava, ia at\u00e9 a casa da pessoa e ficava l\u00e1 trabalhando no problema. Quando o resolvia, buscava outro colega que o motivasse e se mudava \u00e0 casa dele. A vantagem era que n\u00e3o dependia da dire\u00e7\u00e3o do vento, e a desvantagem era que ia de avi\u00e3o, n\u00e3o num guarda-chuva m\u00e1gico. Com esse m\u00e9todo, escreveu mais de 1.500 artigos cient\u00edficos ao longo de sua vida, sendo considerado o matem\u00e1tico mais produtivo depois de Leonhard Euler, su\u00ed\u00e7o do s\u00e9culo XVIII, embora isso seja motivo de controv\u00e9rsia. Erd\u00f6s escreveu mais artigos, e Euler mais p\u00e1ginas. Com sua produtividade e brilhantismo, \u00e9 l\u00f3gico que ningu\u00e9m o acusasse de folgado. Qualquer matem\u00e1tico do mundo adoraria alojar Erd\u00f6s em sua casa, j\u00e1 que ele era garantia de interessant\u00edssimas discuss\u00f5es, resolu\u00e7\u00e3o de um problema importante e publica\u00e7\u00e3o de artigos de pesquisa. N\u00e3o por acaso, ao longo da vida ele publicou com mais de 500 coautores em campos t\u00e3o distintos quanto probabilidade, teoria dos grafos, conjuntos e an\u00e1lise combinat\u00f3ria. Morreu em plena atividade, durante uma confer\u00eancia matem\u00e1tica em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/varsovia\">Vars\u00f3via<\/a>, aos 83 anos. Dizem que um matem\u00e1tico \u00e9 algu\u00e9m que transforma caf\u00e9 em teoremas, e as pessoas que o conheceram afirmam que Erd\u00f6s o bebia em doses cavalares, certamente na mesma propor\u00e7\u00e3o que Mary Poppins cantava.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/23\/eps\/1556030983_017662_1556031339_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/23\/eps\/1556030983_017662_1556031339_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/23\/eps\/1556030983_017662_1556031339_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"O \u2018Mary Poppins\u2019 da matem\u00e1tica que se instalava na casa dos colegas para resolver problemas\" width=\"360\" height=\"360\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">SE\u00d1OR SALME<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">N\u00fameros e desapego<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os cientistas, e em particular os matem\u00e1ticos, n\u00e3o faltam biografias peculiares. O desapego dos bens materiais n\u00e3o \u00e9 algo infrequente. Um caso mais recente seria o do brilhante matem\u00e1tico russo Grigori Perelman, que foi capaz de resolver a conjectura de Poincar\u00e9, um dos problemas de geometria mais complexos que existem. Perelman abriu m\u00e3o da medalha Fields (uma das m\u00e1ximas distin\u00e7\u00f5es que um matem\u00e1tico pode almejar) e ao milh\u00e3o de d\u00f3lares do pr\u00eamio \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de um dos problemas do mil\u00eanio. Ele disse que n\u00e3o queria acabar sendo exposto como um animal de zool\u00f3gico. Hoje, ap\u00f3s ter deixado a matem\u00e1tica, continua morando com a m\u00e3e num humilde apartamento em S\u00e3o Petersburgo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem j\u00e1 foi crian\u00e7a ter\u00e1 visto\u00a0Mary Poppins. E, se al\u00e9m disso foi pai ou m\u00e3e, provavelmente a tenha visto mais de 20 vezes. 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