{"id":282019,"date":"2019-05-05T15:34:47","date_gmt":"2019-05-05T18:34:47","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=282019"},"modified":"2019-05-05T15:34:47","modified_gmt":"2019-05-05T18:34:47","slug":"peter-sloterdijk-a-vida-atual-nao-convida-a-pensar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/peter-sloterdijk-a-vida-atual-nao-convida-a-pensar\/","title":{"rendered":"Peter Sloterdijk: \u201cA vida atual n\u00e3o convida a pensar\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Fil\u00f3sofo alem\u00e3o h\u00e1 anos agita o mundo da filosofia, e o mundo como um todo, com sua obra. Nietzsche, diz, sempre o acompanhou<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/internacional\/1556893746_612400_1557001791_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/internacional\/1556893746_612400_1557001791_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/internacional\/1556893746_612400_1557001791_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/internacional\/1556893746_612400_1557001791_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Peter Sloterdijk, fotografado em Barcelona em 2 de maio.\" width=\"980\" height=\"576\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Peter Sloterdijk, fotografado em Barcelona em 2 de maio.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">VICENS GIM\u00c9NEZ<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jacinto Ant\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jacinto_anton\/a\/\">JACINTO ANT\u00d3N<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/peter_sloterdijk\/a\/\">Peter Sloterdijk<\/a>\u00a0(Karlsruhe, Alemanha, 1947) \u00e9 um dos grandes nomes do mundo do pensamento. Professor de Est\u00e9tica e Filosofia na Escola Superior de Design de sua cidade natal, h\u00e1 anos agita o mundo da filosofia \u2013 e o mundo como um todo \u2013 com suas obras, seu novos conceitos e termos, e suas opini\u00f5es. Autor de livros cruciais do pensar de nossa \u00e9poca como\u00a0<em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o C\u00ednica<\/em>,\u00a0<em>Ira e Tempo<\/em>\u00a0e principalmente sua monumental trilogia\u00a0<em>Esferas<\/em>\u00a0(<em>Bolhas<\/em>,\u00a0<em>Globos<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Espuma<\/em>), em que desenvolve uma assombrosa teoria do espa\u00e7o \u00edntimo, Sloterdijk une sua profundidade intelectual a uma face midi\u00e1tica incomum em seu campo e uma cordialidade, um humor e uma ironia que o afastam do paradigma do fil\u00f3sofo alem\u00e3o usual (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/karl_popper\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Karl Popper<\/a>, para citar um mal-humorado). O pensador visitou Barcelona onde se reuniu com v\u00e1rias centenas de pessoas em uma conversa no Centro de Cultura Contempor\u00e2nea de Barcelona (CCCB). Apesar de sua afabilidade e sua aparente tranquilidade, entrevistar Sloterdijk, cujas p\u00e1ginas um ser humano comum frequentemente precisa ler v\u00e1rias vezes para conseguir entend\u00ea-las, \u00e9 um desafio. Com as passagens de\u00a0<em>Esferas<\/em> ainda flutuando na cabe\u00e7a \u2013 \u201ca esfera \u00edntima, consubjetiva, n\u00e3o pode possuir em absoluto uma estrutura euc\u00edclica e parmen\u00eddea: o globo ps\u00edquico n\u00e3o tem, com o filos\u00f3fico bem arredondado, um \u00fanico centro que irradia e engloba tudo, e sim dois epicentros que se interpelam mutuamente por resson\u00e2ncia\u201d \u2013, se entrevista Sloterdijk como se estivesse diante de Plotino. Um Plotino, de fato, um pouco desarrumado e sem meias.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKyjwLSDheICFbSZWwodcTUIDw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"d\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0N\u00e3o lhe parece que o pensar, o pensar de verdade, se tornou uma excentricidade? Ao ler seus livros, t\u00e3o intensos, percebemos que o pensamento s\u00e9rio, o que exige esfor\u00e7o e concentra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 numeroso. N\u00f3s nos desacostumamos.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0Sim. Certamente. Isso me lembra uma cerim\u00f4nia zen em que o mestre pega uma chaleira, como eu estou fazendo agora, e despeja ch\u00e1 at\u00e9 encher a ta\u00e7a, e ent\u00e3o continua despejando e o l\u00edquido derrama. Voc\u00ea n\u00e3o pode entender nada se a ta\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 cheia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Perdemos a capacidade de pensar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 capacidade como tal. Mas n\u00e3o ocorrem as circunst\u00e2ncias vitais que nos permitem afastar e ganhar dist\u00e2ncia. Para Husserl e sua fenomenologia era preciso sair do tempo impetuoso da vida, o dispositivo mais elementar era sempre dar um passo atr\u00e1s. Essa a\u00e7\u00e3o permite que voc\u00ea se transforme em observador. Sem uma certa dist\u00e2ncia, sem uma certa desconex\u00e3o a atitude te\u00f3rica \u00e9 imposs\u00edvel. A vida atual n\u00e3o convida a pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Hoje a superficialidade se imp\u00f5e \u00e0 profundidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A Filosofia moderna abandonou mais ou menos a met\u00e1fora da profundidade. Preferimos dizer que tudo est\u00e1 na superf\u00edcie, e se existe profundidade \u00e9 preciso fazer com que ela suba \u00e0 superf\u00edcie como se fosse superficial. Caso contr\u00e1rio, voc\u00ea se transforma em um\u00a0<em>mistagogo<\/em>, um iniciador em mist\u00e9rios sagrados.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cO fil\u00f3sofo \u00e9 um pobre diabo condenado a citar a si mesmo continuamente\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que pensar de verdade \u00e9 dif\u00edcil e tem algo de doloroso e angustiante quando se chega perto dos limites do eu e da autoconsci\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o estou convencido disso. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/filosofia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">filosofia<\/a>\u00a0original na antiguidade era algo ambivalente. Temos os dois\u00a0<em>topos<\/em>: Her\u00e1clito, que chorava, e Dem\u00f3crito, que ria constantemente. Esse tra\u00e7o comentado de ambos pelas fontes aparece at\u00e9 mesmo em suas est\u00e1tuas.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/16\/eps\/1555434328_567480.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Para Plat\u00e3o, de uma tradi\u00e7\u00e3o diferente,<\/a>\u00a0pensar \u00e9 o prazer mais elevado. Isso por uma raz\u00e3o: a ess\u00eancia do pensamento \u00e9 lembrar e o que devemos lembrar \u00e9 o fato de que estivemos muito pr\u00f3ximos da ess\u00eancia divina e a \u00fanica coisa que deve ser feita para eliminar os obst\u00e1culos que n\u00e3o te permitem alcan\u00e7\u00e1-la \u00e9 lembrar claramente. Basicamente, deveria se tratar de felicidade. Mas n\u00e3o funciona assim porque, certamente, na antiguidade os pensadores eram conhecidos por ter sempre um rosto triste. Eram mais respeitados por isso, seus compatriotas esperavam que tivessem aspecto melanc\u00f3lico e o cenho franzido (ri). Era um truque muito bom, porque ningu\u00e9m sentia inveja de algu\u00e9m triste. \u00c9 melhor esconder sua boa sorte. O que me lembra uma frase de Walter Serner, o dada\u00edsta, autor de\u00a0<em>Manual para Enganadores<\/em>, que dizia que sempre que voc\u00ea se mudar a uma nova cidade deixe que o rumor de que voc\u00ea tem c\u00e2ncer o preceda, isso reduz a inveja. Seus competidores j\u00e1 n\u00e3o te levar\u00e3o t\u00e3o a s\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O n\u00famero de cr\u00edticos que o senhor teve n\u00e3o \u00e9 de se desprezar. Habermas, por exemplo, o tachou de \u201cneopag\u00e3o\u201d, e de coisas piores por suas considera\u00e7\u00f5es em\u00a0<em>Regras para o Parque Humano<\/em>\u00a0sobre a biotecnologia e as possibilidades de manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos seres humanos.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/05\/03\/ideas\/1556893746_612400_1556894679_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/05\/03\/ideas\/1556893746_612400_1556894679_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/05\/03\/ideas\/1556893746_612400_1556894679_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Sloterdijk, em Barcelona.\" width=\"360\" height=\"539\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Sloterdijk, em Barcelona.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">VICENS GIM\u00c9NEZ<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Eu cometi muitos erros. \u00c9 um erro pressupor que as pessoas ir\u00e3o gostar de voc\u00ea por suas opini\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Por defender e reivindicar Heidegger, por exemplo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim. Mas meu erro principal foi escrever um livro de filosofia divertido de mais de 900 p\u00e1ginas,\u00a0<em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o C\u00ednica<\/em>, um livro com senso de humor e, se me permite, com um bom estilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Pensar o faz feliz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c0s vezes. Tenho a doen\u00e7a cr\u00f4nica da idade avan\u00e7ada, a limita\u00e7\u00e3o do tempo e a sensa\u00e7\u00e3o de que as mulheres bonitas est\u00e3o ainda mais distantes do que no passado. Olhe essas garotas a\u00ed fora. \u00c9 terr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O senhor tem uma predisposi\u00e7\u00e3o ao politicamente incorreto, vejo que n\u00e3o s\u00f3 por Heidegger e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/friederich_nietzsche\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nietzsche<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, mas isso passar\u00e1 em algumas d\u00e9cadas e se considerar\u00e1 que era uma moda, da mesma forma que no s\u00e9culo XVII ocorreu o movimento do Rid\u00edculo. Evidentemente, esse \u00e9 mais global. Mas estou convencido de que a longo prazo ir\u00e1 parecer absurdo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O senhor reconhece mestres muito diferentes, Bloch, Adorno, Osho, Nietzsche, Lacan, e Val\u00e9ry e Pavese. Os mestres s\u00e3o encontrados por acaso ou s\u00e3o procurados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Quando eu era muito jovem n\u00e3o t\u00ednhamos mestres e n\u00e3o us\u00e1vamos esse conceito. Depois quando li Adorno, Husserl e Bloch tive a sensa\u00e7\u00e3o de conhecer verdadeiros mestres. Nos anos 60, viajei \u00e0 \u00cdndia, que era uma forma de autoexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0L\u00e1 conheceu Rajneesh Osho,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/10\/cultura\/1525978848_689205.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que era chamado de guru do sexo<\/a>\u00a0e dos Rolls Royce e que o senhor reivindica. Sua fama discut\u00edvel n\u00e3o o preocupa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Em seu caso os esc\u00e2ndalos eram uma forma de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Citar Osho como uma influ\u00eancia torna voc\u00ea suspeito. Mas sempre me interessaram as possibilidades inaceit\u00e1veis. Gosto da capacidade de provoca\u00e7\u00e3o espiritual de Rajneesh. Faz parte de uma longa tradi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica ao ego metaf\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O senhor tamb\u00e9m destaca Nietzsche como uma grande influ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, desde muito cedo. Sempre me acompanhou em minha evolu\u00e7\u00e3o em cada etapa. Voltou agora, inclusive. Em sua linha, estou prestes a publicar um ensaio sobre a arte de inventar Deus, chamo isso de\u00a0<em>teopoesia<\/em>.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cAs imagens e as met\u00e1foras frequentemente t\u00eam um valor conceitual profundo\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0<em>Esferas I<\/em>\u00a0abre com uma cita\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>A Po\u00e9tica do Espa\u00e7o<\/em>\u00a0de Gaston Bachelard. Esse livro o influenciou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, acredito que as imagens e as met\u00e1foras frequentemente t\u00eam um valor conceitual profundo, e de que n\u00e3o s\u00f3 o discurso conceitual pode levar consigo introspec\u00e7\u00f5es importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O senhor se afasta do modelo de fil\u00f3sofo majest\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0O fil\u00f3sofo est\u00e1 condenado a citar a si mesmo continuamente e \u00e9 um pobre diabo porque precisa compartilhar suas opini\u00f5es o tempo todo. Na \u00cdndia diriam que o fil\u00f3sofo tem um karma horr\u00edvel e por isso \u00e9 fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Seria por isso que Karl Popper era t\u00e3o antip\u00e1tico? Uma vez me tratou horrivelmente. Mas certamente eu merecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Era um austr\u00edaco frustrado. Foi \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha, mas nunca esteve disposto a aprender bem o ingl\u00eas. Seu verdadeiro problema era que Wittgenstein sempre estava ali e Wittgenstein estava cercado por uma aura de g\u00eanio. Precisou fazer um grande esfor\u00e7o para manter o tipo. \u00e9 necess\u00e1rio perdo\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Como a filosofia lida com a ascens\u00e3o dos animais no discurso social?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Isso demonstra que o esp\u00edrito da humanidade se movimenta em c\u00edrculos, porque come\u00e7amos como animistas e agora as teses dos animalistas voltam a estar regidas por esse princ\u00edpio. Mas ter uma alma significa ser portador de exig\u00eancias legais. De modo que n\u00e3o estamos falando somente de animismo e de dar um tratamento adequado, e sim do que significa reconhecer os animais como sujeitos. E n\u00e3o unicamente os animais. Li em algum lugar que na Nova Zel\u00e2ndia deram a um rio a categoria de sujeito e que pode contratar um advogado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/feminismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">feminismo<\/a>\u00a0\u00e9 um retorno do matriarcado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o, o novo feminismo \u00e9 um movimento mais ou menos intelectual. Mas as mulheres que tiveram a experi\u00eancia de maternidade n\u00e3o se sentem representadas. Deveria perguntar melhor sobre o feminismo a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/judith_butler\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Judith Butler<\/a>\u00a0e a Beatriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Beatriz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Minha mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O senhor sustenta que a arena romana voltou, assim como um novo teatro da crueldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Uma nova arena geral e virtual da sociedade midi\u00e1tica de entretenimento. Uma metarena totalit\u00e1ria. Algo que vai muito mais al\u00e9m da sociedade do espet\u00e1culo de Guy Debord e que serve para dirigir o ressentimento das massas. Eu mesmo, ao cair um dia em descr\u00e9dito, fui um desses crist\u00e3os primitivos com problemas no momento da ressurrei\u00e7\u00e3o porque havia sido devorado pelos le\u00f5es e excretado por seus intestinos. Recuperar a forma original nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fil\u00f3sofo alem\u00e3o h\u00e1 anos agita o mundo da filosofia, e o mundo como um todo, com sua obra. 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