{"id":282032,"date":"2019-05-05T15:53:49","date_gmt":"2019-05-05T18:53:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=282032"},"modified":"2019-05-05T15:53:49","modified_gmt":"2019-05-05T18:53:49","slug":"como-lutar-contra-a-dor-cronica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-lutar-contra-a-dor-cronica\/","title":{"rendered":"Como lutar contra a dor cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div class=\"articulo-antetitulo \" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"sin_enlace\">PSICOLOGIA<\/span><\/div>\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Apesar de ser um sistema de alarme do corpo, h\u00e1 casos em que ela \u00e9 in\u00fatil e s\u00f3 provoca sofrimento. Existem formas de administr\u00e1-la<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Lola Mor\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/lola_moron\/a\/\">Lola Mor\u00f3n<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto superior foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735667_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735667_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735667_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735667_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Como lutar contra a dor cr\u00f4nica\" width=\"980\" height=\"544\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MIKEL JASO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Apesar de ser um sistema de alarme do corpo, h\u00e1 casos em que ela \u00e9 in\u00fatil e s\u00f3 provoca sofrimento. Existem formas de administr\u00e1-la.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A dor, por mais desagrad\u00e1vel que seja, tem uma fun\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 nossa inimiga, e sim nossa aliada. O corpo \u00e9 sil\u00eancio. Se ressoa, geralmente est\u00e1 avisando que algo nele funciona mal, embora tamb\u00e9m possa ser que estejamos prestando aten\u00e7\u00e3o demais nele: da mesma forma que quando escutamos atentamente conseguimos ouvir algo que n\u00e3o perceb\u00edamos antes, podemos ter sensa\u00e7\u00f5es corporais se fixamos nossa aten\u00e7\u00e3o em uma determinada \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a dor como alerta diante de uma amea\u00e7a perde sentido em uma situa\u00e7\u00e3o: a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dolor\">dor cr\u00f4nica.<\/a>\u00a0N\u00e3o serve para nada, s\u00f3 para causar sofrimento. Pode-se us\u00e1-la como motiva\u00e7\u00e3o para a supera\u00e7\u00e3o pessoal, \u00e9 claro, mas do ponto de vista fisiol\u00f3gico ela \u00e9 in\u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profissionais que se dedicam ao tratamento da dor cr\u00f4nica precisam de uma dose extra de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/01\/estilo\/1535785720_784368.html\">empatia<\/a>, capacidade de sacrif\u00edcio, paci\u00eancia e toler\u00e2ncia \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, pois seus pacientes enfrentam tudo isso. Incompreens\u00e3o, limita\u00e7\u00f5es, esfor\u00e7o excessivo exigido para alcan\u00e7ar metas anteriormente simples, necessidade imperiosa de que cada novo tratamento forne\u00e7a al\u00edvio, frustra\u00e7\u00e3o com cada tentativa improdutiva de atenuar o sintoma. Dia a dia, minuto a minuto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se queremos eliminar nosso inimigo, temos de come\u00e7ar conhecendo-o. A dor n\u00e3o se produz nos \u00f3rg\u00e3os, nos ossos nem nos m\u00fasculos.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/neurociencia\">A dor \u00e9 100% produzida no c\u00e9rebro<\/a>. A transmiss\u00e3o de est\u00edmulos \u00e9 feita pelos nervos perif\u00e9ricos, mas a sensa\u00e7\u00e3o dolorosa completa \u00e9 produzida no sistema nervoso central, e nesta g\u00eanese influi uma s\u00e9rie de fatores que n\u00e3o se limitam a uma sensa\u00e7\u00e3o som\u00e1tica desagrad\u00e1vel e\/ou dolorosa.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735763_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735763_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735763_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/04\/08\/eps\/1554735193_303801_1554735763_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Como lutar contra a dor cr\u00f4nica\" width=\"980\" height=\"735\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MIKEL JASO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a base da teoria da neuromatriz da dor\u00a0<em>\u2014the neuromatrix of pain\u2014<\/em>, enunciada pelo psic\u00f3logo Ronald Melzack, que prop\u00f5e que a dor \u00e9 uma experi\u00eancia multidimensional. O que chega ao c\u00e9rebro \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o de que algo aconteceu em um tecido, mas n\u00e3o chega como sensa\u00e7\u00e3o dolorosa. Essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 constru\u00edda pelo c\u00e9rebro, por meio da ativa\u00e7\u00e3o de um conjunto de \u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo essa teoria, na dor existem diferentes componentes: sensorial, emocional, cognitivo, motor, comportamental e consciente. Esses aspectos oferecem informa\u00e7\u00f5es \u2014separadamente\u2014 sobre a localiza\u00e7\u00e3o do dano, sua intensidade, a dura\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a, o conjunto de circunst\u00e2ncias objetivas e subjetivas da pessoa e, finalmente, fornecem informa\u00e7\u00f5es unificadas: o que essa dor est\u00e1 nos dizendo, que conclus\u00f5es podemos obter, como e quando devemos agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe-se h\u00e1 muito tempo que v\u00e1rios fatores, al\u00e9m do dano nos tecidos, influem na intensidade da dor. Existe a dor sem les\u00e3o, como na s\u00edndrome do membro fantasma, que aflige pessoas submetidas a uma amputa\u00e7\u00e3o: sentem dor em uma extremidade que n\u00e3o existe. Os neurocientistas investigaram meticulosamente a dor aguda, e o mecanismo de transmiss\u00e3o sensorial \u00e9 bem conhecido. No entanto, as s\u00edndromes de dor cr\u00f4nica, forte, prolongada e associada a um dano m\u00ednimo nos tecidos \u2014ou inclusive sem les\u00e3o detect\u00e1vel\u2014 continuam sendo um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como dissemos antes, o grau de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 dor pode influir em sua intensidade. Da mesma forma, pode influir nosso conhecimento sobre os mecanismos da dor, les\u00f5es e doen\u00e7as. Assim como nosso estado emocional, o contexto em que ela ocorre, a rela\u00e7\u00e3o com nossas reservas de mem\u00f3ria e aquilo com que associamos essa sensa\u00e7\u00e3o. Todos esses fen\u00f4menos ajudam a fornecer a explica\u00e7\u00e3o que faltava para a experi\u00eancia dolorosa sem les\u00f5es objetivas.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">O tratamento envolve psicologia da sa\u00fade, fisioterapia, educa\u00e7\u00e3o social, medicina e tecnologia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teoria da neuromatriz da dor significa, portanto, uma mudan\u00e7a de paradigma sobre a natureza da dor e prop\u00f5e um novo modelo para abord\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os programas de tratamento multidisciplinar da dor cr\u00f4nica envolvem a psicologia da sa\u00fade, a fisioterapia, a educa\u00e7\u00e3o social, a medicina e a tecnologia. O manejo de medicamentos al\u00e9m dos analg\u00e9sicos convencionais tem como objetivo reduzir o uso de derivados opi\u00e1ceos. Os pacientes ficar\u00e3o surpresos ao ver que aquilo que lhes receitaram \u00e9 um antiepil\u00e9ptico ou um antidepressivo \u2014alguns dos mais usados\u2014, mas sua efic\u00e1cia \u00e9 indiscut\u00edvel. Isso, somado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de programas de atividades di\u00e1rias, como exerc\u00edcios aer\u00f3bicos leves ou em uma piscina, juntamente com o dom\u00ednio de diferentes t\u00e9cnicas de relaxamento \u2014como respira\u00e7\u00e3o diafragm\u00e1tica, relaxamento muscular progressivo, aten\u00e7\u00e3o plena (<em>mindfulness<\/em>), medita\u00e7\u00e3o ou ioga\u2014, est\u00e1 dando excelentes resultados no tratamento da dor cr\u00f4nica. \u00c9 verdade que a neuromatriz da dor \u00e9 determinada por fatores gen\u00e9ticos, mas tanto a experi\u00eancia sensorial como a viv\u00eancia da dor e o comportamento derivado dela podem ser modificados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como argumentava Wittgenstein, a capacidade do homem de ser cativado pelo modelo explicativo de um fen\u00f4meno espec\u00edfico permite generalizar o restante dos casos \u00e0 luz desse modelo explicativo. E, ao fazer isso, deixamos de prestar tanta aten\u00e7\u00e3o ao fato em si, sendo persistentemente atra\u00eddos pela compreens\u00e3o do modelo e pela aprendizagem que podemos obter dele. Nessa linha, o m\u00e9dico especialista em dor cr\u00f4nica Arturo Goicoechea afirma que, se voc\u00ea conhecer a dor, deixar\u00e1 de senti-la, fazendo um ousado trocadilho em ingl\u00eas, \u201c<em>know pain, no pain<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dor cr\u00f4nica n\u00e3o equivale a \u201cdor pelo resto da vida\u201d. Existem muitas maneiras de aliviar o sintoma, al\u00e9m de aprender a conviver com ela, al\u00e9m da resigna\u00e7\u00e3o. O que define a dor cr\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o tenha fim, e sim quando come\u00e7ou.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Lola Mor\u00f3n \u00e9 psiquiatra e especialista em neuropsiquiatria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ser um sistema de alarme do corpo, h\u00e1 casos em que ela \u00e9 in\u00fatil e s\u00f3 provoca sofrimento. 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