{"id":282130,"date":"2019-05-06T08:38:26","date_gmt":"2019-05-06T11:38:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=282130"},"modified":"2019-05-06T08:38:26","modified_gmt":"2019-05-06T11:38:26","slug":"uma-semente-chamada-nazare-flor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/uma-semente-chamada-nazare-flor\/","title":{"rendered":"Uma semente chamada Nazar\u00e9 Flor"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>A hist\u00f3ria de uma das fundadoras do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste, que virou filme e at\u00e9 hoje \u00e9 fonte de inspira\u00e7\u00e3o em um assentamento no Cear\u00e1<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"videonoticia\" class=\"centro\">\n<figure class=\"foto  centro\">\n<div id=\"multimediaPlayer_969602316\">\n<div><a class=\"posicionador\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep02.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/politica\/1556895207_173258_1557088792_noticia_fotograma.jpg\" width=\"980\" height=\"549\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Igreja do assentamento Macei\u00f3: um sonho de Nazar\u00e9, constru\u00edda tr\u00eas anos ap\u00f3s a sua morte. No v\u00eddeo, o trailer do filme &#8216;Terra de Nazar\u00e9&#8217;, de Shaynna Pidori.<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">FOTO: REBECA FIGUEIREDO.<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<figure class=\"foto\"><\/figure>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Marina Rossi\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/marina_rossi_fernandes\/a\/\">MARINA ROSSI<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p dir=\"ltr\">\u201cVoc\u00ea j\u00e1 reparou que mulher nunca tem nome? Quando \u00e9 menina, \u00e9 a filha de fulano. Depois que casa, vira a mulher de beltrano. A gente nunca tem o nome da gente\u201d. Traindo sua pr\u00f3pria filosofia, Maria Nazar\u00e9 de Sousa nunca foi conhecida pelo pai que teve, ou pelo marido com quem se casou. A mulher que reclamou do anonimato feminino ganhou popularidade gra\u00e7as \u00e0 milit\u00e2ncia pol\u00edtica, \u00e0 poesia e \u00e0s m\u00fasicas que ela mesma comp\u00f4s. Em seu legado est\u00e3o contabilizados a publica\u00e7\u00e3o de livros, a conquista de um territ\u00f3rio, a constru\u00e7\u00e3o de escolas e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/03\/album\/1556895747_786291.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma legi\u00e3o de mulheres que se inspiraram em Nazar\u00e9 Flor<\/a>, como ela era conhecida, e em sua luta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Nazar\u00e9 nasceu e cresceu em um peda\u00e7o privilegiado do Nordeste do Brasil, em 1955. Itapipoca, a 130 quil\u00f4metros de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ceara\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fortaleza (CE)<\/a>, \u00e9 conhecida como \u201ca cidade dos tr\u00eas climas\u201d, por ter praia, serra e sert\u00e3o. Ali, num cen\u00e1rio paradis\u00edaco formado por dunas, lagoas de \u00e1gua cristalina e o mar, um peda\u00e7o do ch\u00e3o de areia fofa \u00e9 tamb\u00e9m um peda\u00e7o da hist\u00f3ria de luta. Longe do centro da cidade de pouco mais de 56.000 habitantes, nas margens do litoral, o assentamento Macei\u00f3, composto por 12 comunidades, \u00e9 s\u00edmbolo da conquista de um povo liderado por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mujeres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mulheres.<\/a><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do assentamento Macei\u00f3 \u00e9 permeada pela hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mmtrne.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE)<\/a>, do qual Nazar\u00e9 Flor foi uma das fundadoras. A terra conquistada \u00e9 uma das vit\u00f3rias do movimento que tem no empoderamento feminino seu maior legado. &#8220;As mulheres se organizavam em grupos de ora\u00e7\u00f5es naquela \u00e9poca&#8221;, lembra Vera L\u00facia Teixeira, 64, parceira de milit\u00e2ncia de Nazar\u00e9. Era in\u00edcio dos anos 80 e o Brasil ensaiava seu retorno \u00e0 democracia. &#8220;Ouvimos falar que haveria um encontro de esposas. A\u00ed eu falei para Nazar\u00e9: e as mulheres que n\u00e3o s\u00e3o casadas e querem participar? Assim criamos o\u00a0Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Com a for\u00e7a do MMTR, em 1985, o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) realiza a desapropria\u00e7\u00e3o da terra e o assentamento Macei\u00f3 \u00e9 criado. A conquista, por\u00e9m, era apenas o come\u00e7o. Liderada por Nazar\u00e9, a comunidade se organizou para lutar por educa\u00e7\u00e3o e direitos b\u00e1sicos, como a emiss\u00e3o de documentos para as trabalhadoras rurais, at\u00e9 ent\u00e3o sem identidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Nazar\u00e9 Flor n\u00e3o gerou filhos, mas criou dois e deixou muitas sementes. Na esteira da luta por direitos b\u00e1sicos, a filha adotiva Valda Matias, 33, se recorda ainda hoje da constru\u00e7\u00e3o da escola de ensino fundamental da comunidade. &#8220;Lev\u00e1vamos o material de constru\u00e7\u00e3o na cabe\u00e7a, em fileiras, iguais a umas formiguinhas&#8221;, diz. Hoje ela \u00e9 professora da escola que ajudou a construir. &#8220;Eu conto para os alunos como foi e eles n\u00e3o acreditam&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O legado de Nazar\u00e9 vem sendo constru\u00eddo at\u00e9 hoje, 12 anos ap\u00f3s sua morte. V\u00edtima de um c\u00e2ncer de \u00fatero, a l\u00edder rural n\u00e3o pode ver a inaugura\u00e7\u00e3o da escola que leva seu nome, a \u00fanica de Ensino M\u00e9dio do assentamento. Nem da igreja que sonhou para a comunidade, constru\u00edda tr\u00eas anos ap\u00f3s a sua morte. Tamb\u00e9m n\u00e3o pode assistir \u00e0 estreia do filme sobre ela mesma,\u00a0<em>Terra de Nazar\u00e9<\/em>.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/politica\/1556895207_173258_1556913193_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/politica\/1556895207_173258_1556913193_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/03\/politica\/1556895207_173258_1556913193_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Nazar\u00e9 Flor em cena do filme 'Terra de Nazar\u00e9'.\" width=\"360\" height=\"254\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Nazar\u00e9 Flor em cena do filme &#8216;Terra de Nazar\u00e9&#8217;.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Dirigido por Shaynna Pidori, o m\u00e9dia-metragem nasceu da ideia de se fazer um filme sobre sete mulheres do sert\u00e3o brasileiro, em 2005. Nazar\u00e9 entre elas. Mas o material gravado acabou ficando guardado e s\u00f3 foi parar na ilha de edi\u00e7\u00e3o depois que o projeto foi um dos selecionados pelo Rumos Ita\u00fa Cultural. &#8220;Nazar\u00e9 tinha muita expectativa com o filme. E eu sentia que tinha uma esp\u00e9cie de d\u00edvida com ela&#8221;, conta Shaynna. &#8220;Al\u00e9m disso, ap\u00f3s a sua morte, o grupo de mulheres aqui do assentamento se fortaleceu. Isso me chamou a aten\u00e7\u00e3o&#8221;. Como o filme foi finalizado ap\u00f3s a morte de Nazar\u00e9, seu roteiro foi feito com a ajuda das mulheres que conviveram com ela, por meio de oficinas.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A voz das mulheres<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias de luta do assentamento Macei\u00f3 s\u00e3o passadas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.&#8221;Desde pequena eu ou\u00e7o a hist\u00f3ria do assentamento e o quanto Nazar\u00e9 foi importante&#8221;, conta a estudante B\u00e1rbara dos Santos, 18. &#8220;Meus av\u00f3s sempre contavam&#8221;. Ela faz parte do grupo de percuss\u00e3o Balan\u00e7o do Coqueiro, criado em 2010 no assentamento. &#8220;A gente se guia muito pelo MMTR e buscamos levar a nossa hist\u00f3ria para outros lugares onde nos apresentamos&#8221;.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Nazar\u00e9 Flor n\u00e3o gerou filhos, mas criou dois e deixou muitas sementes<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Mas, apesar da for\u00e7a feminina pulsante no local, o cotidiano do assentamento Macei\u00f3 ainda \u00e9 como qualquer lugar do Brasil. &#8220;A divis\u00e3o de trabalhos em casa ainda \u00e9 pouca&#8221;, diz B\u00e1rbara. &#8220;O debate sobre isso ainda \u00e9 bem t\u00edmido. S\u00e3o poucos os homens que dividem tarefas de casa e os que fazem, muitas vezes s\u00e3o ridicularizados&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Para uma plateia de homens, mulheres e muitas crian\u00e7as, a estreia do filme ocorreu no final de abril, no assentamento Macei\u00f3. Na parede lateral da igreja, constru\u00edda tr\u00eas anos a ap\u00f3s a morte de Nazar\u00e9,\u00a0<em>Terra de Nazar\u00e9<\/em>\u00a0foi projetado. Antes da exibi\u00e7\u00e3o, o grupo Balan\u00e7o do Coqueiro e o grupo de teatro local se apresentaram em homenagem a Nazar\u00e9. Algumas das mulheres que participaram do filme subiram nas escadas da igreja e falaram sobre a l\u00edder rural. Alguns dos seus poemas foram lidos e outro, em homenagem \u00e0 ela, tamb\u00e9m foi recitado: &#8220;N\u00f3s somos frutos seu, de sua planta, de sua semente&#8221;.<\/p>\n<p class=\"pie_video\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0A reportagem viajou a convite do\u00a0<strong>Rumos Ita\u00fa Cultural<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O legado de Nazar\u00e9 vem sendo constru\u00eddo at\u00e9 hoje, 12 anos ap\u00f3s sua morte. V\u00edtima de um c\u00e2ncer de \u00fatero, a l\u00edder rural n\u00e3o pode ver a inaugura\u00e7\u00e3o da escola que leva seu nome, a \u00fanica de Ensino M\u00e9dio do assentamento. 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