{"id":282453,"date":"2019-05-09T08:38:40","date_gmt":"2019-05-09T11:38:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=282453"},"modified":"2019-05-09T08:38:40","modified_gmt":"2019-05-09T11:38:40","slug":"decreto-abre-precedente-perigoso-mesmo-para-reporter-desarmado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/decreto-abre-precedente-perigoso-mesmo-para-reporter-desarmado\/","title":{"rendered":"Decreto abre precedente perigoso mesmo para rep\u00f3rter desarmado"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-282454\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pistola-300x221.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pistola-300x221.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pistola-80x60.jpg 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pistola-118x88.jpg 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pistola-160x118.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pistola.jpg 380w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<div class=\"box-body\" data-io-article-url=\"https:\/\/www.bahianoticias.com.br\/\">\n<div class=\"text-descricao\">\n<p>O decreto permitindo que jornalistas em coberturas policiais portem armas abre precedentes perigosos mesmo para profissionais que n\u00e3o tenham interesse na proposta.<\/p>\n<p>A objetividade jornal\u00edstica \u00e9 um preceito fluido, isso \u00e9 certo, e ao longo da hist\u00f3ria o papel do rep\u00f3rter no campo dos conflitos humanos sempre foi marcado por ambiguidades.<\/p>\n<p>Dos primeiros correspondentes de guerra da era moderna, que ganharam tal denomina\u00e7\u00e3o no conflito entre russos e a alian\u00e7a ocidental-otomana na Crimeia em 1853-56, at\u00e9 os atuais rep\u00f3rteres que \u201csobem morro\u201d, a tend\u00eancia em a\u00e7\u00e3o sempre \u00e9 ser visto por um lado como aliado do advers\u00e1rio \u2014n\u00e3o menos porque \u00e9 imposs\u00edvel ser onipresente, seja na Sebastopol do s\u00e9culo 19, seja no Haiti dos anos 2000.<\/p>\n<p>Com efeito, nos conflitos do s\u00e9culo 20 surgiu a figura do rep\u00f3rter combatente. Basicamente, se trata de um soldado cuja fun\u00e7\u00e3o primordial era escrever relatos ou retratar em imagens o que acontecia nos campos de batalha. Como o cinema cansou de mostrar, como em \u201cNascido para Matar\u201d (Stanley Kubrick, 1987), havia conflitos evidentes no papel de jovens aspirantes a jornalista carregando fuzis nos ombros, mas a filia\u00e7\u00e3o sempre foi inequ\u00edvoca.<\/p>\n<p>A analogia com as possibilidades abertas pelo decreto \u00e9 \u00f3bvia. O jornalista que subir o morro com uma arma na cintura ou no ombro \u00e9 um alvo evidente dos criminosos sendo combatidos pela pol\u00edcia. N\u00e3o ser\u00e1 um colete \u00e0 prova de balas escrito \u201cImprensa\u201d ou \u201cTV\u201d que o salvar\u00e1 de ser associado aos agentes de seguran\u00e7a atirando.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que isso j\u00e1 acontece em certa medida, dado que boa parte da cobertura de conflito, seja na S\u00edria ou no Vidigal, parte do princ\u00edpio que voc\u00ea ter\u00e1 de escolher um terreno para operar. Logo, o risco de ser atingido sempre existe, faz parte do jogo.<\/p>\n<p>Essa linha borrada dificulta a caracteriza\u00e7\u00e3o do status de jornalistas sob as Conven\u00e7\u00f5es de Genebra, por exemplo, mas certamente carregar armas n\u00e3o ir\u00e1 fazer nada al\u00e9m do que ampliar o alvo nas costas de rep\u00f3rteres. E quem n\u00e3o o fizer, no calor do confronto, poder\u00e1 ser abatido pela simples possibilidade de estar armado.<\/p>\n<p>O argumento da autodefesa fica prejudicado em um tiroteio: ou voc\u00ea estar\u00e1 de um lado, ou de outro. Levando a interpreta\u00e7\u00e3o ao limite, o decreto quase imp\u00f5e que rep\u00f3rteres policiais sejam \u201cembedded\u201d, ou seja, acompanhem as tropas do Estado, como acontece em quase todas as guerras.<\/p>\n<p>Isso seria fatal para a diversidade de pontos de vista necess\u00e1ria a uma cobertura de conflito urbano no Brasil.<\/p>\n<p>Hipoteticamente, um rep\u00f3rter policial portando arma decide acompanhar a a\u00e7\u00e3o no morro do lado dos traficantes ou da popula\u00e7\u00e3o local. Desnecess\u00e1rio dizer o que ocorrer\u00e1 quando ele estiver sob fogo policial \u2014o que, desarmado, \u00e9 um risco ocupacional, mas ningu\u00e9m o acusar\u00e1 de ter uma arma na cintura para amea\u00e7ar PMs.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros pontos. Digamos que o jornalista carrega uma carteira funcional consigo e \u00e9 abordado em um assalto, ao qual n\u00e3o reage. O bandido poder\u00e1 se sentir compelido a agir com mais viol\u00eancia, considerando que ele pode estar escondendo uma arma. Acontece isso justamente com policiais fora de servi\u00e7o, com grande frequ\u00eancia, no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo a ONG Rep\u00f3rteres sem Fronteiras, morreram no pa\u00eds ao menos 4 dos 80 jornalistas assassinados no mundo nos 11 primeiros meses de 2018. Nenhum ao acompanhar a\u00e7\u00e3o policial, todos devido a investiga\u00e7\u00f5es sobre corrup\u00e7\u00e3o, geralmente em rinc\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"box-footer\">\n<div class=\"bar-share clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo a ONG Rep\u00f3rteres sem Fronteiras, morreram no pa\u00eds ao menos 4 dos 80 jornalistas assassinados no mundo nos 11 primeiros meses de 2018. 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