{"id":283379,"date":"2019-05-18T00:52:01","date_gmt":"2019-05-18T03:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=283379"},"modified":"2019-05-17T16:58:47","modified_gmt":"2019-05-17T19:58:47","slug":"nao-existe-perdao-sem-colera-as-memorias-da-bailarina-de-auschwitz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/nao-existe-perdao-sem-colera-as-memorias-da-bailarina-de-auschwitz\/","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o existe perd\u00e3o sem c\u00f3lera&#8217;: as mem\u00f3rias da &#8216;bailarina de Auschwitz&#8217;"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Marina Wentzel<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/621B\/production\/_106851152_hreee90thpartycreditpaulbarnettphotography.jpg\" alt=\"Dra. Edith Eger\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Edith Eger esteve no mais mortal dos campos de concentra\u00e7\u00e3o da Segunda Guerra Mundial<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">A bisav\u00f3 franzina de 91 anos que caminha pelas ruas de Lausanne em nada lembra a adolescente que h\u00e1 75 anos quase morreu de inani\u00e7\u00e3o. Com um len\u00e7o de seda ao redor do pesco\u00e7o e o cabelo penteado com laqu\u00ea, ela se mistura \u00e0s mulheres elegantes que circulam pelos caf\u00e9s \u00e0s margens do lago L\u00e9man.<\/p>\n<p>Edith Eger, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 &#8220;apenas mais uma&#8221; mulher entre os pedestres. Ela \u00e9 uma sobrevivente. \u00c9 o que na l\u00edngua inglesa chamam de &#8220;tough cookie&#8221;, ou um &#8220;biscoitinho duro&#8221;.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga esteve no mais temido complexo de campos de concentra\u00e7\u00e3o e de exterm\u00ednio da Segunda Guerra Mundial, sobreviveu e conta sua experi\u00eancia para inspirar v\u00edtimas de traumas de guerra a superarem seus medos. Ela trabalhou durante anos com veteranos do Vietn\u00e3 e de outros conflitos e hoje d\u00e1 palestras motivacionais.<\/p>\n<p>&#8220;Meus pais tiveram que morrer para eu estar aqui com voc\u00ea hoje&#8221;, disse ao receber a reportagem da BBC News Brasil. Atualmente ela fica baseada em La Jolla, Calif\u00f3rnia, e veio \u00e0 Su\u00ed\u00e7a palestrar sobre perseveran\u00e7a e motiva\u00e7\u00e3o, na semana que coincide com os 74 anos da derrota nazista.<\/p>\n<p>Durante a guerra ela foi perseguida por ser judia, mas diz que &#8211; apesar de ter sofrido viol\u00eancia nos campos de concentra\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o se sente v\u00edtima. Edith acredita que um indiv\u00edduo carrega dentro de si a decis\u00e3o de jamais se deixar abater.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"control\"><\/div>\n<p>&#8220;Ser v\u00edtima \u00e9 uma escolha&#8221;, afirma. Em seu livro de mem\u00f3rias\u00a0<i>The Choice: Embrace the Possible<\/i>\u00a0(lan\u00e7ado no Brasil em mar\u00e7o com o t\u00edtulo\u00a0<i>A Bailarina de Auschwitz<\/i>), ela argumenta que \u00e9 necess\u00e1rio fazer a escolha consciente de abrir m\u00e3o de eternizar-se como v\u00edtima, porque somente assim o indiv\u00edduo reivindicar\u00e1 para si a capacidade de superar seus traumas.<\/p>\n<p>Para ela, encarar abertamente seus sentimentos a faz mais forte. &#8220;Gosto de olhar para essa cicatriz que eu afago, que me conduz hoje a guiar outros a curar suas ang\u00fastias. \u00c9 necess\u00e1rio reconhecer que n\u00e3o h\u00e1 perd\u00e3o sem c\u00f3lera&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/37DD\/production\/_106910341_edithevaegerbeforethecamps.jpg\" alt=\"Edith antes dos campos de concentra\u00e7\u00e3o\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Filha menor de uma fam\u00edlia de tr\u00eas irm\u00e3s, Edith sonhava em ser ginasta ol\u00edmpica<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Arrependimento<\/h2>\n<p>Um dos sentimentos mais dif\u00edceis que Edith teve que encarar foi a culpa. No seu livro de mem\u00f3rias ela descreve o momento mais decisivo de sua vida como tendo ocorrido na chegada a Auschwitz, em abril de 1944, quando uma resposta dela selou o destino da m\u00e3e.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia foi enviada a Auschwitz por ser judia e n\u00e3o fazia ideia de que execu\u00e7\u00f5es em massa estavam ocorrendo ali. Ao ver os port\u00f5es com o dizer &#8220;o trabalho liberta&#8221; (Arbeit macht frei), o pai dela, Lajos, comentara com otimismo que tudo iria ficar bem e eles iriam apenas ter que trabalhar at\u00e9 o fim da guerra.<\/p>\n<p>\u00c0 entrada do campo, o m\u00e9dico nazista Josef Mengele, not\u00f3rio por seus experimentos cru\u00e9is com prisioneiros e conhecido pelo apelido de &#8220;Anjo da Morte&#8221;, fazia a triagem dos rec\u00e9m-chegados. Mengele separava-os em dois grupos: pessoas idosas, doentes, inv\u00e1lidos e m\u00e3es com crian\u00e7as de colo seguiam \u00e0 esquerda. Jovens aptos ao trabalho seguiam \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Ilona, a m\u00e3e de Edith, era saud\u00e1vel e tinha um rosto de poucas rugas, mas seus cabelos eram precocemente brancos, o que fazia com que ela parecesse mais idosa. Era dif\u00edcil deduzir a idade de Ilona. Mengele perguntou ent\u00e3o \u00e0 jovem Edith se aquela era sua irm\u00e3 ou a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Ignorante das consequ\u00eancias, Edith respondeu espontaneamente que Ilona era a m\u00e3e o que levou Mengele a ordenar que a m\u00e3e passasse \u00e0 fila da esquerda se juntando aos idosos.<\/p>\n<p>Edith n\u00e3o sabia que as pessoas da fila da esquerda estavam sendo levadas imediatamente \u00e0s c\u00e2maras de g\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Quando segui minha m\u00e3e, ele me agarrou pelo bra\u00e7o, olhou nos meus olhos. Nunca vou esquecer aqueles olhos. Voc\u00ea sabe, posso te matar com o meu olhar ou te amar com o meu olhar&#8221;, descreveu o momento \u00e0 BBC News Brasil. Ela ouviu de Mengele que precisava largar da m\u00e3e, pois ela iria apenas &#8220;tomar um banho&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F745\/production\/_106910336_dregreencard1950_s.jpg\" alt=\"Green card de Edith quando ele imigrou para os EUA\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Edith imigrou para os Estados Unidos depois de ter sobrevivido ao holocausto<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Edith s\u00f3 compreendeu a gravidade do que se passou ali quando chegou ao dormit\u00f3rio. Ela queria saber quando a m\u00e3e retornaria do banho e uma colega apontou para as chamin\u00e9s e disse: &#8220;\u00c9 l\u00e1 que sua m\u00e3e est\u00e1 queimando&#8221;. A adolescente nunca mais viu os pais.<\/p>\n<p>Edith carregou consigo a culpa pela morte da m\u00e3e por d\u00e9cadas &#8211; s\u00f3 se perdoou em 1980, quando visitou Auschwitz novamente e reviveu aquele dia.<\/p>\n<p>Nas primeiras semanas no campo de exterm\u00ednio, as colegas prisioneiras ficaram sabendo que a jovem praticava gin\u00e1stica ol\u00edmpica e dan\u00e7a, e certa noite Edith foi chamada a se apresentar perante os oficiais. De olhos fechados, ela executou o\u00a0<i>Dan\u00fabio Azul<\/i>, a valsa de Johann Strauss 2\u00ba, para o temido Mengele. A apresenta\u00e7\u00e3o lhe rendeu o apelido de &#8220;bailarina&#8221; e um peda\u00e7o de p\u00e3o, que ela compartilhou com as colegas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A925\/production\/_106910334_edithegerandhusbandbelabirthof1stchildmarianne1947.jpg\" alt=\"Edith e seu marido com seu primeiro filho\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Edith e seu marido com seu primeiro filho; ela o conheceu depois da guerra<\/figure>\n<p>Em um dos dias que se seguiram \u00e0 dan\u00e7a, Mengele a chamou ao seu escrit\u00f3rio. Edith foi retirada \u00e0s pressas do banho coletivo e levada nua \u00e0 presen\u00e7a do torturador.<\/p>\n<p>Ela conta acreditar que estava prestes a sofrer algum tipo de abuso, mas que Mengele foi interrompido por um telefonema e teve de retornar ao trabalho.<\/p>\n<p>A hoje bisav\u00f3 n\u00e3o chegou a ser mercada com um n\u00famero tatuado em Auschwitz, porque o tatuador n\u00e3o quis gastar tinta com ela, acreditando que Edith sequer sobreviveria uma semana.<\/p>\n<p>Mengele fugiu para a Am\u00e9rica do Sul depois da guerra e morreu afogado ap\u00f3s sofrer um AVC nadando em Bertioga, no litoral paulista, em 1979.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre quis reencontr\u00e1-lo. Imaginava que me tornaria uma jornalista e iria \u00e0 Am\u00e9rica do Sul encontr\u00e1-lo para dizer que eu era aquela menina de 16 anos que dan\u00e7ou para ele&#8221;, contou \u00e0 BBC News Brasil, acrescentando que sonhava em denunci\u00e1-lo pelas mortes e sofrimentos que causou.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14565\/production\/_106910338_dreandbelaweddingday1946.jpg\" alt=\"Edith no dia do seu casamento, em 1946\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">Edith no dia do seu casamento, em 1946; &#8220;minha vida n\u00e3o acaba em Auschwitz&#8221;, diz<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A vida ap\u00f3s a guerra<\/h2>\n<p>&#8220;Minha vida n\u00e3o acaba em Auschwitz. Fa\u00e7o tudo a meu alcance para que isso fique claro&#8221;, conta Eger.<\/p>\n<p>Em 2017, ela publicou a autobiografia, em que documenta n\u00e3o apenas as recorda\u00e7\u00f5es do campo de concentra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a migra\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos e as li\u00e7\u00f5es de toda uma carreira na psicologia cl\u00ednica.<\/p>\n<p>A narrativa de Edith come\u00e7a com a inf\u00e2ncia na cidade de Ko\u0161ice, atual Eslov\u00e1quia. A filha menor de uma fam\u00edlia de tr\u00eas irm\u00e3s, ela era carinhosamente chamada pelo pai alfaiate de &#8220;Dicuka&#8221;, um de seus apelidos.<\/p>\n<p>Seu sonho era se tornar ginasta ol\u00edmpica, mas os planos foram azedados pelo preconceito antissemita. Ela ouviu da treinadora que fora desclassificada por causa da origem judaica da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Magda, a irm\u00e3 mais velha, era charmosa e ousada. Klara, a irm\u00e3 do meio, brilhava pelo seu prod\u00edgio no violino. A m\u00e3e Ilona e o pai Lajos levavam uma exist\u00eancia pacata. Os av\u00f3s e o namoradinho, Eric, completavam o c\u00edrculo de rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas que foi despeda\u00e7ado pela guerra.<\/p>\n<p>Antes de chegar ao campo de concentra\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia j\u00e1 havia sido for\u00e7ada a trabalhar em uma olaria. Depois de Auschwitz, as irm\u00e3s foram enviadas a uma tecelagem e depois a uma f\u00e1brica de muni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Edith e Magda ainda foram removidas diversas vezes, marchando \u00e0 for\u00e7a por dias e escapando por pouco da morte. Sempre contando uma com o consolo da outra. Finalmente, no in\u00edcio de maio de 1945, as duas foram liberadas por tropas aliadas que passavam por Gunskirchen, na \u00c1ustria.<\/p>\n<p>No campo de Gunskirchen, havia corpos em putrefa\u00e7\u00e3o espalhados por todos os lados. Exausta e faminta, Edith aguardava a morte deitada entre os corpos, sem for\u00e7as sequer pra falar. Um soldado percebeu a m\u00e3o dela se mexendo e a resgatou entre os cad\u00e1veres.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C8C9\/production\/_106910415_eeeearly50_seastcoast.jpg\" alt=\"Edith nos anos 1950, nos EUA\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">Al\u00e9m dos pais, Edith tamb\u00e9m perdeu os av\u00f3s e o namorado na guerra<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Desejo de viver<\/h2>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso encontrar o poder da vontade dentro de si. Nascemos com o desejo dentro de n\u00f3s. Eu sabia que era tempor\u00e1rio, que eu deveria viver um dia de cada vez&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos pais, ela perdeu os av\u00f3s e o namorado na guerra. Ap\u00f3s o conflito, casou-se com B\u00e9la Eger, a quem conhecera em um hospital para tuberculosos. Juntos, emigraram para os Estados Unidos, inicialmente se estabelecendo em Baltimore e depois em El Paso.<\/p>\n<p>Edith Eger teve tr\u00eas filhos &#8211; Marianne, Audrey e John &#8211; educou-os, formou-se em psicologia, divorciou-se e casou-se novamente com o mesmo homem e mudou-se para a Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de quarenta anos, ela trabalha ajudando veteranos de guerra, adolescentes com dist\u00farbios alimentares, donas de casas deprimidas e at\u00e9 extremistas de direita racistas. Sua grande paix\u00e3o s\u00e3o as palestras motivacionais que d\u00e1 a soldados do Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0961\/production\/_106910420_edithsigning.jpg\" alt=\"Livro de Edith saiu sob o t\u00edtulo &quot;A Bailarina de Auschwitz&quot;\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Em &#8220;A Bailarina de Auschwitz&#8221;, Edith faz uma jornada reflexiva sobre escolhas e vulnerabilidade<\/figure>\n<p>No processo de cura que viveu dos pr\u00f3prios traumas, Eger foi ajudada por outro sobrevivente dos campos de concentra\u00e7\u00e3o, o psicanalista austr\u00edaco Viktor Frankl, criador da logoterapia, escola de pensamento da psicologia baseada na busca de significado \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Autor de\u00a0<i>Em Busca de Sentido<\/i>, Frankl influenciou-a com a ideia de que h\u00e1 um desejo, uma escolha, por essa busca.<\/p>\n<p>&#8220;A busca de um significado \u00e9 a primeira motiva\u00e7\u00e3o para viver (&#8230;) Esse significado \u00e9 \u00fanico e espec\u00edfico e precisa ser preenchido por aquele indiv\u00edduo somente, apenas assim ele ir\u00e1 alcan\u00e7ar a signific\u00e2ncia que ir\u00e1 satisfazer o seu pr\u00f3prio desejo por significado&#8221;, diz um trecho de\u00a0<i>Em Busca de Sentido<\/i>\u00a0citado em\u00a0<i>A Bailarina de Auschwitz<\/i>.<\/p>\n<p>Aos 91 anos, ela segue assertiva na compreens\u00e3o desse significado.<\/p>\n<p>&#8220;Sabe qual \u00e9 a minha defini\u00e7\u00e3o de amor?&#8221;, pergunta.<\/p>\n<p>&#8220;A habilidade de abrir m\u00e3o. Largue m\u00e3o de qualquer necessidade de perfeccionismo. Deixe seus filhos em paz. Ensine-os a ser bons pais de si mesmos e largue-os da m\u00e3o. Amor n\u00e3o \u00e9 o que voc\u00ea sente, \u00e9 o que voc\u00ea faz.&#8221;<\/p>\n<p>Ou, como ela resume em seu livro, a &#8220;mais importante verdade que j\u00e1 aprendi&#8221;: &#8220;a chave (&#8230;) \u00e9 a vontade de desprender-se de julgamentos e reconquistar sua inoc\u00eancia, aceitando e amando a voc\u00ea mesmo por quem voc\u00ea \u00e9: humano, imperfeito e completo&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A habilidade de abrir m\u00e3o. Largue m\u00e3o de qualquer necessidade de perfeccionismo. Deixe seus filhos em paz. 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