{"id":283577,"date":"2019-05-20T07:16:42","date_gmt":"2019-05-20T10:16:42","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=283577"},"modified":"2019-05-20T07:16:42","modified_gmt":"2019-05-20T10:16:42","slug":"ufba-e-ufsbtem-cotas-para-alunos-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ufba-e-ufsbtem-cotas-para-alunos-trans\/","title":{"rendered":"UFBA e UFSBt\u00eam cotas para alunos trans"},"content":{"rendered":"<div class=\"title-noticia\">\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"col-esq\">\n<div class=\"noticia-interna\">\n<div class=\"share share-fx\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"cont-share\"><\/div>\n<div class=\"cont-more\">\n<div class=\"cont-share\"><\/div>\n<div class=\"cont-share\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<article>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"UFBA e UFSBt\u00eam cotas para alunos trans\" src=\"https:\/\/www.bnews.com.br\/fotos\/bocao_noticias\/236021\/IMAGEM_NOTICIA_0.jpg\" alt=\"[UFBA e UFSBt\u00eam cotas para alunos trans]\" \/><\/figure>\n<div class=\"desc\">\n<div class=\"desc-noticia\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de negros, \u00edndios e pessoas com defici\u00eancia e de baixa renda, as universidades federais t\u00eam criado uma nova pol\u00edtica de cotas para atrair alunos trans, grupo que ainda t\u00eam presen\u00e7a pequena na educa\u00e7\u00e3o superior. Pesquisa da Andifes (entidade de reitores) com 424 mil estudantes matriculados nas federais mostra que apenas 0,1% se declarou homem trans e 0,1% mulher trans. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo , h\u00e1 cotas espec\u00edficas para alunos dessa categoria em ao menos 12 das 63 universidades p\u00fablicas -equivale a 19% do total. A inser\u00e7\u00e3o de trans no mundo acad\u00eamico passou a ser registrada a partir da segunda metade desta d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de cota tem ganhado mais f\u00f4lego na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Nove universidades federais, como as do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Bras\u00edlia, mant\u00eam vagas para transg\u00eaneros em ao menos um de seus programas de mestrado e doutorado. J\u00e1 nas federais do ABC, da Bahia e do Sul da Bahia, as cotas tamb\u00e9m se estenderam aos cursos de gradua\u00e7\u00e3o. A sele\u00e7\u00e3o de cotistas trans \u00e9 feita em processos seletivos promovidos pelas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es ou por meio do Sisu, que utiliza notas do Enem. Na p\u00f3s, os cotistas trans s\u00e3o escolhidos, geralmente, em fases que envolvem an\u00e1lise de curr\u00edculo, entrevista e prova. O MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o), sob a gest\u00e3o de Abraham Weintraub, diz n\u00e3o ter nenhum estudo para ampliar o n\u00famero de cotas para a popula\u00e7\u00e3o trans e ressalta que as universidades t\u00eam autonomia para estabelecer suas pol\u00edticas afirmativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professores ouvidos pela reportagem afirmam que a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o t\u00eam sido mais c\u00e9lere na cria\u00e7\u00e3o de vagas aos transg\u00eaneros, devido \u00e0 menor burocracia. Na gradua\u00e7\u00e3o, \u00e9 um colegiado formado por professores, alunos e t\u00e9cnicos que delibera sobre temas que impactam a comunidade. A Federal do ABC, na Grande S\u00e3o Paulo, vai receber em junho a primeira leva de alunos transg\u00eaneros aprovados via Sisu em seu rec\u00e9m-criado programa de reserva de vagas. A universidade separou 32 vagas para a iniciativa, cerca de 1,5% do total. Destas, 15 foram ocupadas. Tatiana Lima Ferreira, pr\u00f3-reitora adjunta de Assuntos Comunit\u00e1rios e Pol\u00edticas Afirmativas da UFABC, diz que o percentual oferecido foi decidido tomando por base o tamanho da popula\u00e7\u00e3o trans dos Estados Unidos, que beira 1,8%. &#8220;N\u00e3o temos estudos consolidados no Brasil sobre os trans, mas esse percentual ser\u00e1 revisado sempre que poss\u00edvel nos pr\u00f3ximos anos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filipe Zana, 22, \u00e9 homem trans e um dos aprovados por cota no bacharelado em Ci\u00eancias e Humanidades da institui\u00e7\u00e3o federal paulista. Filho de um ajudante de pedreiro e de uma auxiliar de limpeza, v\u00ea a chegada de seu grupo \u00e0 universidade como um movimento sem volta, por\u00e9m tardio. &#8220;Queremos parar de ser o objeto de estudo para ser o sujeito que pesquisa. Prestem aten\u00e7\u00e3o: quantos s\u00e3o os artigos escritos por pesquisadores trans que estudam viv\u00eancias trans?&#8221;. Zana tem participado neste m\u00eas de aulas de refor\u00e7o em leitura e escrita acad\u00eamica. A d\u00favida do calouro est\u00e1 mais \u00a0nas disciplinas que precisar\u00e1 escolher do que na forma como ser\u00e1 recebido por sua turma. &#8220;J\u00e1 na matr\u00edcula eu me senti abra\u00e7ado&#8221;, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os aprovados assinaram uma autodeclara\u00e7\u00e3o afirmando serem pessoas trans. N\u00e3o foi preciso apresentar laudos psicol\u00f3gicos ou outros exames. Uma comiss\u00e3o foi formada para garantir a perman\u00eancia dos novos estudantes e apurar den\u00fancias de fraudes. Foi o Prisma, coletivo LGBT, que pautou a implanta\u00e7\u00e3o de cotas trans na Federal do ABC. Leona Wolf, 37, cientista social e integrante da entidade, diz que deparou com muito desconhecimento sobre a causa trans entre os debatedores da pol\u00edtica inclusiva. &#8220;Come\u00e7aram a dizer que ao implantar cotas para alunos trans, a universidade discriminaria gays e l\u00e9sbicas. \u00c9 por esse n\u00edvel que a discuss\u00e3o foi caminhando&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal demanda dos coletivos LGBTs e das universidades \u00e9 pela amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de mulheres trans entre os cotistas. Na Federal do ABC, apenas Samanta, 17, efetivou matr\u00edcula de um total de 15 aprovados. A adolescente, autorizada pelos pais a divulgar apenas seu primeiro nome social, diz ser privilegiada. Fala ingl\u00eas, concluiu a forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na idade ideal e conseguiu apoio da fam\u00edlia desde que iniciou sua transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. &#8220;Sou a exce\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o. A maioria \u00e9 expulsa de casa quando sai do arm\u00e1rio. Sem profiss\u00e3o, elas acabam na prostitui\u00e7\u00e3o e no tr\u00e1fico de drogas&#8221;, diz a estudante. No pa\u00eds \u00a0que mais mata trans no mundo &#8211;163 casos em 2018, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais&#8211;, o ideal \u00e9 proteger a inf\u00e2ncia das pessoas transg\u00eaneros para elevar o n\u00edvel educacional, diz Keila Simpson, presidente da entidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 nessa fase que eles abandonam os estudos ou por preconceito ou por falta de apoio da fam\u00edlia e da escola.&#8221; Primeira a criar cotas na gradua\u00e7\u00e3o para alunos trans, em 2017, a Universidade Federal do Sul da Bahia tenta reverter a baixa ades\u00e3o de mulheres trans em seus cursos. A institui\u00e7\u00e3o criou um cursinho preparat\u00f3rio para o Enem em Itabuna (317 km de Salvador) para travestis e trans, conta Sandro Ferreira, pr\u00f3-reitor de Integra\u00e7\u00e3o Social. A iniciativa virou objeto de estudo do mestrado da professora de hist\u00f3ria Isabella dos Santos Silva, 32, tamb\u00e9m mulher trans e que assumiu a coordena\u00e7\u00e3o do projeto. Ela conta que foi em pontos de prostitui\u00e7\u00e3o para convencer as meninas a estudar. &#8220;Entre 16 participantes, sete conseguiram entrar no ensino superior&#8221;, diz Isabella.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A continuidade das atividades do cursinho, segundo o pr\u00f3-reitor, ficou comprometida. A institui\u00e7\u00e3o foi a mais afetada no pa\u00eds pelos cortes de verba do MEC, com redu\u00e7\u00e3o de 53,96% de seu or\u00e7amento discricion\u00e1rio. O MEC diz n\u00e3o ter &#8220;gest\u00e3o sobre onde e como a institui\u00e7\u00e3o utilizar\u00e1 os recursos&#8221;. Para Yuji Gushiken, da p\u00f3s em Estudos de Cultura Contempor\u00e2nea da Universidade Federal de Mato Grosso, programa que tamb\u00e9m mant\u00e9m assentos para pesquisadores trans, o trabalho de Isabella repercute n\u00e3o apenas porque ela virou uma mestranda.\u00a0&#8220;O que importa \u00e9 se as pesquisadoras trans conseguir\u00e3o se inserir academicamente e repassar o que aprenderam de alguma forma. Cabe \u00e0 universidade ser um espa\u00e7o potente para isso.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cotas para trans<\/strong><br \/>\n<strong>Gradua\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nUniversidade Federal do ABC, Universidade Federal da Bahia e Universidade Federal do Sul da Bahia<\/p>\n<p><strong>P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nUniversidade Federal de Mato Grosso, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade de Bras\u00edlia, Universidade Federal do Paran\u00e1, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia, Universidade Federal do Sul da Bahia, Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal Rural de Pernambuco e Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folhapress<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 nessa fase que eles abandonam os estudos ou por preconceito ou por falta de apoio da fam\u00edlia e da escola.&#8221; Primeira a criar cotas na gradua\u00e7\u00e3o para alunos trans, em 2017, a Universidade Federal do Sul da Bahia tenta reverter a baixa ades\u00e3o de mulheres trans e<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":282392,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-283577","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ufba-suspensa\u0303o-aulas-1-1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=283577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283577\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/282392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=283577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=283577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=283577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}