{"id":283853,"date":"2019-05-22T15:37:15","date_gmt":"2019-05-22T18:37:15","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=283853"},"modified":"2019-05-22T15:37:15","modified_gmt":"2019-05-22T18:37:15","slug":"a-vida-dos-negros-na-alemanha-nazista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-vida-dos-negros-na-alemanha-nazista\/","title":{"rendered":"A vida dos negros na Alemanha nazista"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Damian Zane<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/AC36\/production\/_107068044_904de867-3a66-4cbb-aef7-05a778d36c12.jpg\" alt=\"foto de garota negra cercada por garotas brancas, usada em palestras sobre gen\u00e9tica na Academia Estadual de Ra\u00e7a e Sa\u00fade em Dresden, Alemanha, 1936.\" width=\"976\" height=\"650\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Foi a partir de uma fotografia que a cineasta brit\u00e2nica se interessou em contar a hist\u00f3ria dos negros na Alemanha<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">A cineasta brit\u00e2nica-ganense Amma Asante se deparou, por acaso, com uma fotografia antiga, tirada na Alemanha nazista, de uma garota negra vestindo uniforme escolar. Diferentemente das colegas brancas que encaram a c\u00e2mera, ela desvia o olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A foto despertou a curiosidade de Asante, que quis saber mais sobre a garota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem a levou a escrever e dirigir o longa\u00a0<i>Where Hands Touch<\/i>\u00a0(<i>Onde M\u00e3os Tocam<\/i>, em tradu\u00e7\u00e3o livre), estrelado por Amandla Stenberg (Mentes Sombrias) e George MacKay (Capit\u00e3o Fant\u00e1stico), que est\u00e1 chegando aos cinemas na Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme \u00e9 um relato imagin\u00e1rio do relacionamento secreto de uma adolescente mesti\u00e7a com um membro da Juventude Hitlerista, mas \u00e9 baseado em registros hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o regime nazista, de 1933 a 1945, o n\u00famero de alem\u00e3es com origem africana vivendo no pa\u00eds chegou \u00e0 casa dos milhares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do tempo, eles foram proibidos de se relacionar com pessoas brancas e impedidos de ter acesso a educa\u00e7\u00e3o e a alguns tipos de trabalho. Alguns chegaram a ser esterilizados; outros foram levados a campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">&#8216;Descren\u00e7a e desconsidera\u00e7\u00e3o&#8217;<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria desses alem\u00e3es negros ou mesti\u00e7os ainda \u00e9 pouco conhecida. Asante levou quase 12 anos trabalhando no filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;H\u00e1 uma esp\u00e9cie de descren\u00e7a, de desconfian\u00e7a e questionamento, uma tend\u00eancia a dar pouca import\u00e2ncia \u00e0s vidas dif\u00edceis que essas pessoas levaram&#8221;, disse ela \u00e0 BBC, ao comentar a rea\u00e7\u00e3o que observou de algumas pessoas quando falava sobre sua pesquisa para o filme.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/342B\/production\/_106955331__wht_r7_.jpg\" alt=\"Amandla Stenberg\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>A atriz Amandla Stenberg interpreta Leyna no filme &#8216;Where Hands Touch&#8217;<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade africana-alem\u00e3 tem suas origens no curto per\u00edodo do Imp\u00e9rio Colonial Alem\u00e3o que, entre 1883 e 1919, administrou territ\u00f3rios em diferentes continentes. Marinheiros, funcion\u00e1rios, estudantes ou pessoas do mundo do entretenimento de regi\u00f5es que hoje constituem pa\u00edses como Camar\u00f5es, Togo, Tanz\u00e2nia, Ruanda, Burundi e Nam\u00edbia foram parar na Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a Primeira Guerra Mundial come\u00e7ou em 1914, essa popula\u00e7\u00e3o que antes era transit\u00f3ria se assentou na Alemanha, segundo o historiador Robbie Aitken. E alguns soldados africanos que lutaram pela Alemanha na guerra tamb\u00e9m se instalaram no pa\u00eds europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas foi um segundo grupo cuja presen\u00e7a acabou alimentando o temor dos nazistas relacionado \u00e0 miscigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como parte do tratado assinado depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, as tropas francesas ocuparam a Ren\u00e2nia, no oeste da Alemanha. Para policiar essa \u00e1rea, a Fran\u00e7a usou pelo menos 20 mil soldados do seu imp\u00e9rio na \u00c1frica, principalmente do norte e oeste do continente africano. Alguns deles acabaram tendo relacionamentos com mulheres alem\u00e3s.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Caricaturas racistas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo pejorativo &#8220;bastardos da Ren\u00e2nia&#8221; foi cunhado na d\u00e9cada de 1920 para se referir \u00e0s cerca de 800 crian\u00e7as mesti\u00e7as, filhas de alem\u00e3s com os soldados de origem africana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo estava diretamente ligado ao temor que muitos tinham da miscigena\u00e7\u00e3o, de por em risco a &#8220;pureza&#8221; da ra\u00e7a alem\u00e3. Hist\u00f3rias inventadas e caricaturas racistas de soldados africanos como predadores sexuais circulavam na \u00e9poca, alimentando o medo e o \u00f3dio ao &#8220;estranho&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1173D\/production\/_106958417_dsc03886.jpg\" alt=\"recorte do jornal\" width=\"976\" height=\"976\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Manchete do jornal Frankfurter Volksblatt em 1936: &#8220;600 bastardos&#8221;<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto o antissemitismo ocupava um lugar de destaque no cora\u00e7\u00e3o da ideologia nazista, o livro\u00a0<i>Mein Kampf<\/i>, ou &#8220;Minha Luta&#8221;, do l\u00edder do Partido Nazista Adolf Hitler, trazia uma linha ligando judeus a negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foram e s\u00e3o os judeus que est\u00e3o trazendo os negros \u00e0 Ren\u00e2nia sempre com os mesmos pensamentos secretos e objetivo claro de arruinar a odiada ra\u00e7a branca pela resultante &#8216;bastardiza\u00e7\u00e3o'&#8221;, escreveu Hitler na obra publicada em 1925 com suas ideias e cren\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez no poder, a obsess\u00e3o nazista com os judeus e a purifica\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a levou, gradualmente, ao Holocausto e ao exterm\u00ednio de seis milh\u00f5es de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, al\u00e9m do exterm\u00ednio de ciganos, de pessoas com defici\u00eancias e de algumas etnias eslavas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O historiador Robbie Aitken, que pesquisa a vida dos alem\u00e3es negros, diz que esse grupo tamb\u00e9m foi perseguido, ainda que n\u00e3o da mesma forma sistem\u00e1tica dedicada \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o de judeus, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aitken diz que os negros acabaram sendo assimilados pela &#8220;radicaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica racial&#8221; dos nazistas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">&#8216;Me senti meio-humano&#8217;<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1935, foram aprovadas as Leis de Nuremberg (legisla\u00e7\u00e3o antissemita promulgada pelo regime nazista) que proibiam, por exemplo, casamento entre alem\u00e3es e judeus. Emendas estenderam a proibi\u00e7\u00e3o, colocando negros e ciganos na mesma categoria dos judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo da miscigena\u00e7\u00e3o persistiu e, em 1937, crian\u00e7as mesti\u00e7as da Ren\u00e2nia foram submetidas \u00e0 esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B62B\/production\/_107053664_gettyimages-107425101.jpg\" alt=\"Heinrich Himmler\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Em 1943, Heinrich Himmler queria um censo para contabilizar quantos negros e mesti\u00e7os moravam na Alemanha<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estima-se que pelo menos 385 pessoas foram esterilizadas. Hans Hauck, filho de um soldado argelino e de uma alem\u00e3 branca, \u00e9 um deles. Ele deu um depoimento ao document\u00e1rio\u00a0<i>Hitler&#8217;s Forgotten Victims<\/i>\u00a0(As V\u00edtimas Esquecidas de Hitler) de 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele contou como foi levado, em segredo, para fazer uma vasectomia. Ganhou um certificado de esteriliza\u00e7\u00e3o que o permitia trabalhar. Hauck precisou tamb\u00e9m assinar um acordo declarando que n\u00e3o se casaria ou teria rela\u00e7\u00f5es com pessoas &#8220;de sangue alem\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Era deprimente e opressivo&#8221;, disse aos documentaristas. &#8220;Me sentia meio-humano&#8221;, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra v\u00edtima, Thomas Holzhauser, tamb\u00e9m declarou no document\u00e1rio: &#8220;\u00c0s vezes, fico feliz por n\u00e3o ter tido filhos. Pelo menos os poupei da vergonha de viverem comigo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram muito poucas as pessoas que falaram sobre sua experi\u00eancia enquanto estavam vivas e &#8220;n\u00e3o houve muita tentativa de revelar o que eventualmente aconteceu com a maioria delas&#8221;, diz o historiador, que \u00e9 um dos poucos acad\u00eamicos que se dedicaram ao tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Vale a pena lembrar de que os nazistas tamb\u00e9m destru\u00edram, de prop\u00f3sito, muitos documentos pertencentes aos campos e relacionados \u00e0 esteriliza\u00e7\u00e3o, dificultando reconstruir o que aconteceu com grupos e indiv\u00edduos&#8221;, explica Robbie Aitken.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/23C1\/production\/_107035190_a936bf69-87a8-40ed-8dba-e86a77584fe6.jpg\" alt=\"Acredita-se que o homem \u00e0 direita nesta foto do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Dachau seja Jean Voste, nascido no Congo, que foi o \u00fanico prisioneiro negro no campo. Cortesia de Frank Manucci.\" width=\"976\" height=\"700\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Jean Voste (direita), teria nascido na col\u00f4nia belga no Congo e seria o \u00fanico prisioneiro negro do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Dachau<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cineasta Amma Asante, que tamb\u00e9m escreveu e dirigiu\u00a0<i>Belle<\/i>\u00a0(2013) e\u00a0<i>A United Kingdom<\/i>\u00a0(2016, lan\u00e7ado no Brasil sob o t\u00edtulo\u00a0<i>Um Reino Unido<\/i>), diz que muitas dessas pessoas sofreram crises de identidade. Eles tinham m\u00e3es alem\u00e3s, se viam como alem\u00e3es, mas foram isolados, jamais abra\u00e7ados de forma plena pela sociedade alem\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As crian\u00e7as estavam habitando dois lugares ao mesmo tempo. Dentro e fora&#8221;, disse Asante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que submetidos a experi\u00eancias diferentes, negros e mesti\u00e7os foram perseguidos na Alemanha comandada pelos nazistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Alemanha da era colonial, especialmente a tentativa de genoc\u00eddio dos povos herero e nama na Nam\u00edbia, j\u00e1 tinha refor\u00e7ado uma vis\u00e3o negativa dos africanos na Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois que Hitler assumiu o poder, negros passaram a ser assediados, humilhados em p\u00fablico, impedidos de trabalhar em certos empregos e de estudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve, contudo, alguma resist\u00eancia. O mesti\u00e7o Hilarius Gilges era um agitador comunista e antinazista. Ele foi sequestrado e assassinado em 1933.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a Segunda Guerra come\u00e7ou, em 1939, negros e mesti\u00e7os passaram a se precaver mais porque poderiam ser levados \u00e0 esteriliza\u00e7\u00e3o ou pris\u00e3o, ou at\u00e9 ser assassinados.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Tentando ser invis\u00edvel<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era isso o que temia Theodor Wonja Michael. Filho de um camaron\u00eas e de uma alem\u00e3, ele nasceu em Berlim em 1925. Numa entrevista \u00e0 rede alem\u00e3 Deutsche Welle, em 1997, ele contou que cresceu aparecendo em exibi\u00e7\u00f5es etnogr\u00e1ficas itinerantes .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Com grandes saias, bateria, dan\u00e7a e m\u00fasica &#8211; a ideia era que as pessoas se apresentassem como atra\u00e7\u00f5es de um mundo distante ex\u00f3tico&#8221;, disse ele. &#8220;Basicamente, era apenas um grande show.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os nazistas assumiram o poder, Wonja Michael sabia que tinha que ser &#8220;invis\u00edvel&#8221;, passar o mais despercebido poss\u00edvel, especialmente quando era adolescente. &#8220;Claro que com um rosto como o meu jamais poderia desaparecer completamente, mas tentei&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele conta que evitava qualquer tipo de contato com mulheres brancas. &#8220;Teria sido horr\u00edvel, teria sido esterilizado e tamb\u00e9m poderia ter sido acusado de contamina\u00e7\u00e3o racial&#8221;, disse Wonja Michael \u00e0 Deutsche Welle.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15859\/production\/_107035188_tv053828376.jpg\" alt=\"Amma Asante\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>A cineasta brit\u00e2nica Amma Asante, de 49 anos, tem origem ganesa, e demorou 12 anos para levar aos cinemas a hist\u00f3ria dos negros na Alemanha nazista<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1942, Heinrich Himmler, considerado um dos arquitetos do Holocausto, determinou que fosse feito um estudo estat\u00edstico dos negros vivendo na Alemanha. Isso poderia indicar o in\u00edcio de um poss\u00edvel plano de exterm\u00ednio &#8211; que nunca foi executado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ind\u00edcio de que cerca de 20 negros alem\u00e3es foram parar em campos de concentra\u00e7\u00e3o na Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pessoas simplesmente desapareceriam e n\u00e3o se sabe o que aconteceu com elas&#8221;, afirmou Elizabeth Morton no document\u00e1rio\u00a0<i>Hitler&#8217;s Forgotten Victims<\/i>. Os pais dela comandavam um grupo de entretenimento africano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No filme\u00a0<i>Where Hands Touch<\/i>, a cineasta brit\u00e2nica tenta jogar luz nessas hist\u00f3rias. Amma Asante, de 49 anos, tem origem ganense e diz sentir que o papel e a presen\u00e7a de pessoas da di\u00e1spora africana na Europa s\u00e3o sempre deixados de fora da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela afirma que o filme dela far\u00e1 com que seja dif\u00edcil negar que negros sofreram nas m\u00e3os dos nazistas. &#8220;Acho que tem muita ignor\u00e2ncia e atualmente se subestima muito o que essas pessoas passaram&#8221;, diz Asante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Where Hands Touch est\u00e1 sendo exibido nos cinemas no Reino Unido e tamb\u00e9m pode ser visto em servi\u00e7os de streaming.<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que submetidos a experi\u00eancias diferentes, negros e mesti\u00e7os foram perseguidos na Alemanha comandada pelos nazistas.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":283854,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-283853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/negro-nazista.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=283853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/283853\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/283854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=283853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=283853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=283853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}