{"id":284939,"date":"2019-06-01T11:24:38","date_gmt":"2019-06-01T14:24:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=284939"},"modified":"2019-06-01T11:24:38","modified_gmt":"2019-06-01T14:24:38","slug":"as-joias-do-museu-do-prado-ganham-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/as-joias-do-museu-do-prado-ganham-vida\/","title":{"rendered":"As joias do Museu do Prado ganham vida"},"content":{"rendered":"<div class=\"cabecera__envoltorio\">\n<header id=\"cabecera\" class=\"cabecera\">\n<div id=\"cabecera__interior\" class=\"cabecera__interior\">\n<div class=\"cabecera-inferior\">\n<div class=\"cabecera-inferior__interior\">\n<div id=\"cabecera-seccion\" class=\"cabecera-seccion \">\n<div class=\"seccion\">\n<div class=\"seccion-migas\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"articulo__envoltorio\">\n<article class=\"articulo articulo--nointro articulo_especial\">\n<div id=\"articulo_interior\" class=\"articulo__interior\">\n<div class=\"articulo__apertura\" style=\"text-align: justify;\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div id=\"videonoticia\" class=\"centro\">\n<figure class=\"foto  centro\">\n<div id=\"multimediaPlayer_631270453\">\n<div><a class=\"posicionador\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep02.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/05\/28\/eps\/1559039680_459465_1559234703_noticia_fotograma.jpg\" width=\"1349\" height=\"756\" \/><\/a><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">&#8216;Prado: beleza e loucura&#8217;, de Rino Stefano Tagliafierro.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Rino Stefano Tagliafierro injeta vida e movimento a 30 obras do museu em uma cria\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo produzida por &#8216;El Pa\u00eds Semanal&#8217;, um dos conte\u00fados da edi\u00e7\u00e3o especial por ocasi\u00e3o do bicenten\u00e1rio da pinacoteca<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Tommaso Koch\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/tommaso_koch\/a\/\">Tommaso Koch<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O JOVEM olha fixamente diante de si. T\u00e3o s\u00e9rio e melanc\u00f3lico, t\u00e3o humano. Quase vivo, seria poss\u00edvel dizer. Se n\u00e3o fosse pelo fato de o menino, acomodado no ch\u00e3o com seu chap\u00e9u, estar im\u00f3vel desde que Victor Manzano o pintou em 1859. E, no entanto, de repente, pisca. \u00c9 um instante, mas o espectador percebe. A ess\u00eancia do trabalho de Rino Stefano Tagliafierro (Parma, 39 anos) j\u00e1 ficou em sua mente. &#8220;Deve durar como um respiro, n\u00e3o \u00e9 preciso exagerar&#8221;, esclarece o criador. Em 2014, ele descobriu um ve\u00edculo ideal para combinar sua criatividade e paix\u00e3o pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/arte\">arte<\/a>: animar grandes pinturas. Estreou com\u00a0<em>Beauty<\/em>, o curta de nove minutos em que falava da vida e morte pondo em movimento obras c\u00e9lebres como\u00a0<em>Davi com a Cabe\u00e7a de Golias<\/em>, de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/caravaggio\">Caravaggio<\/a>, e outras desconhecidas. A repercuss\u00e3o ultrapassou em muito sua It\u00e1lia natal e suas pr\u00f3prias expectativas. Cinco anos depois, t\u00e9cnica e fluidez foram refinadas e Tagliafierro d\u00e1 um passo maior: reviveu as obras-primas do Prado.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\"><\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para festejar o bicenten\u00e1rio da pinacoteca, o criador e seus colaboradores realizaram um v\u00eddeo, produzido por El Pa\u00eds Semanal, com a anima\u00e7\u00e3o de trinta pinturas do museu. Desde <em>Um Menininho Sentado<\/em>, de Manzano, a\u00a0<em>Saturnina Cataleta<\/em>, de Francisco de Madrazo, passando por\u00a0<em>O Jardim das Del\u00edcias Terrenas<\/em>,\u00a0<em>As Meninas<\/em>\u00a0e\u00a0<em>As Tr\u00eas Gra\u00e7as<\/em>. O passeio pelas obras se intitula Beleza e Loucura porque outra regra de Tagliafierro considera que as imagens t\u00eam de ser funcionais para uma narrativa, um sentimento ou um contraste. N\u00e3o se trata de demonstrar que sei fazer uma anima\u00e7\u00e3o, nem de me exceder e passar para o kitsch. A chave \u00e9 contar uma hist\u00f3ria, fazer emergirem emo\u00e7\u00f5es ocultas, mantendo um equil\u00edbrio entre a obra original e a minha interven\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta, em seu est\u00fadio em Mil\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed a dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima. No tempo que o p\u00fablico leva para absorver e soltar o ar, a viagem de Tagliafierro revive uma obra e j\u00e1 passa \u00e0 seguinte. O caos do\u00a0<em>Tr\u00eas de maio de 1808 em Madri<\/em>, de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/francisco_de_goya\">Goya<\/a>, por exemplo, ganha vida em tr\u00eas segundos: o homem da camisa branca agita os bra\u00e7os e pede clem\u00eancia; os soldados franceses erguem seus rifles e miram; outro patriota abaixa a cabe\u00e7a para n\u00e3o olhar. Tambores ressoam. E ent\u00e3o o curta j\u00e1 passa para\u00a0<em>El Aquelarre<\/em>\u00a0(O Sab\u00e1) ou\u00a0<em>O Grande Bode<\/em>, tamb\u00e9m uma de Francisco de Goya. E assim durante quatro minutos, acompanhados de m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Tagliafierro passou quatro horas pelos corredores do museu \u00e0 ca\u00e7a de seus protagonistas perfeitos. Selecionou, em primeiro lugar, cerca de 150 obras. Pouco a pouco, eliminou aquelas que n\u00e3o se enquadravam na linha do enredo, seja por motivos narrativos ou est\u00e9ticos. Ent\u00e3o, por um m\u00eas, pintou nos computadores de seu est\u00fadio at\u00e9 conseguir o v\u00eddeo final.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NL0AkAIHSCE\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 muito glamouroso&#8221;, reconhece Tagliafierro, cruzando a porta do espa\u00e7o que sua empresa, a Karmachina, divide com outros profissionais. V\u00e1rias mesas brancas, algumas prateleiras; talvez a \u00e1rea de exposi\u00e7\u00e3o quase escondida em um canto seja o \u00fanico ind\u00edcio de que aqui se cria arte. Mas o tesouro existe, escondido nas telas onde Tagliafierro come\u00e7a a mover o cursor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seleciona\u00a0<em>D\u00e2nae Recebendo a Chuva de Ouro<\/em>, de Ticiano: a deusa grega \u00e9 escolhida para mostrar sua cirurgia. &#8220;Assim que baixo as obras em alt\u00edssima resolu\u00e7\u00e3o, identifico todos os elementos que desejo animar&#8221;, explica o criador. Geralmente, costumam chegar a cinquenta em cada quadro, Recorta os bra\u00e7os, as falanges das m\u00e3os dos protagonistas, a cortina e, neste caso, cada gota de ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma l\u00edmpida tesourada digital, Tagliafierro decapita D\u00e2nae. Onde antes se destacava o rosto da deusa, h\u00e1 um buraco. Aqui est\u00e1 a segunda tarefa fundamental, que ele resume em uma &#8220;restaura\u00e7\u00e3o digital&#8221;. Traduzindo: se a cabe\u00e7a da mulher se move para um lado, pela anima\u00e7\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio preencher a \u00e1rea que ocupava. Ent\u00e3o, Tagliafierro imagina, compara, aproxima seu zoom digital para ver as pinceladas originais do autor e sua dire\u00e7\u00e3o. Em seguida, ele mesmo come\u00e7a a pintar, em sua tela, para preencher a lacuna. No entanto, apesar de seus cuidados, o italiano n\u00e3o p\u00f4de evitar algumas cr\u00edticas. Disseram que ele dessacraliza a arte, e para que fazer uma anima\u00e7\u00e3o desses quadros? &#8220;E por que n\u00e3o? Afinal, a arte muitas vezes se inspirou no passado como ponto de partida para fazer algo contempor\u00e2neo&#8221;, responde ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rino Stefano Tagliafierro \u00e9 muito menos claro sobre como sua carreira come\u00e7ou. Solta um &#8220;boh&#8221;, a maneira mais italiana de dizer &#8220;n\u00e3o fa\u00e7o ideia&#8221;. Quando crian\u00e7a, seus pais o levavam a exposi\u00e7\u00f5es, como uma de Dal\u00ed que o impactou quando ainda nem era adolescente. Ele estudou arte, mas acabou seguindo v\u00e1rios rumos diferentes. Ajudava no restaurante da fam\u00edlia, gravou v\u00eddeos promocionais para uma empresa de demoli\u00e7\u00e3o, que queria vender sua m\u00e1quina futurista. &#8220;Engolia edif\u00edcios&#8221;, lembra. Finalmente, refez seu caminho at\u00e9 a trilha original. Hoje em dia, seu curr\u00edculo varia de instala\u00e7\u00f5es a videomapping, de publicidade de grandes marcas a videoclipes. E fundou com dois s\u00f3cios a Karmachina, que conta com quatro colaboradores permanentes e um amplo portf\u00f3lio de projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, Tagliafierro n\u00e3o se considera um &#8220;artista&#8221;. Diz que n\u00e3o sabe o que isso significa. E acrescenta: &#8220;Estou fora do mundo da arte, longe. \u00c9 sujo. Como o da moda, mas de uma maneira menos \u00f3bvia e mais insidiosa&#8221;. Para, reflete e sorri: &#8220;\u00c9 isso, nunca v\u00e3o me contratar&#8221;. Vamos ver. Talvez, como em suas obras, haja algu\u00e9m que se anime.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas Tagliafierro passou quatro horas pelos corredores do museu \u00e0 ca\u00e7a de seus protagonistas perfeitos. Selecionou, em primeiro lugar, cerca de 150 obras. Pouco a pouco, eliminou aquelas que n\u00e3o se enquadravam na linha do enredo, seja por motivos narrativos ou est\u00e9ticos. 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