{"id":284946,"date":"2019-06-01T12:03:17","date_gmt":"2019-06-01T15:03:17","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=284946"},"modified":"2019-06-01T12:03:17","modified_gmt":"2019-06-01T15:03:17","slug":"chernobyl-como-a-uniao-sovietica-tentou-esconder-o-maior-acidente-nuclear-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/chernobyl-como-a-uniao-sovietica-tentou-esconder-o-maior-acidente-nuclear-da-historia\/","title":{"rendered":"Chernobyl: como a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tentou esconder o maior acidente nuclear da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Luc\u00eda Blasco<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/542C\/production\/_107184512_64501587-0a92-4165-b5f2-7b5b15b1ced7.jpg\" alt=\"O ex-presidente sovi\u00e9tico Mikhail Gorbachev (ao centro) e sua esposa Raisa Gorbacheva (\u00e0 esq.) conversam com trabalhadores na usina nuclear em fevereiro de 1989, pouco antes do desastre\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>O ex-presidente sovi\u00e9tico Mikhail Gorbachev (ao centro) e sua esposa Raisa Gorbacheva (\u00e0 esq.) visitaram a usina em 1989<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">\u00c9 dif\u00edcil imaginar uma trag\u00e9dia pior que a de\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/03eb3674-6190-4cd7-8104-1a00991d67a3\">Chernobyl<\/a>. Mas \u00e9 ainda mais dif\u00edcil compreender a ideia de como o alto escal\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tentou evitar de todas as formas que o maior\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c191b8f2-d9db-49eb-9194-8980e1bf3661\">acidente nuclear<\/a>\u00a0da hist\u00f3ria viesse \u00e0 tona.<\/p>\n<p>Quando o reator n\u00famero quatro explodiu, espalhando nuvens radioativas no hemisf\u00e9rio norte da Terra, da Checoslov\u00e1quia ao Jap\u00e3o, e liberando na atmosfera o equivalente a 500 bombas de Hiroshima, o Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tentou controlar informa\u00e7\u00f5es para criar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o dos fatos.<\/p>\n<p>&#8220;Esconderam a gravidade do acidente desde o in\u00edcio e se recusaram a evacuar Kiev (capital da Ucr\u00e2nia)&#8221;, diz a jornalista Irena Taranyuk, do servi\u00e7o ucraniano da BBC.<\/p>\n<p>Irena era uma estudante e vivia na \u00e9poca na parte ocidental da antiga URSS. Ela se lembra do medo e da confus\u00e3o que sentiu quando a not\u00edcia foi divulgada.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s nos inform\u00e1vamos por meio do &#8216;inimigo&#8217; &#8211; a m\u00eddia ocidental, como a BBC &#8211; sobre o que estava acontecendo. Enquanto isso, muitos jovens e colegas universit\u00e1rios foram enviados para trabalhar na zona como volunt\u00e1rios, sendo expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A URSS n\u00e3o conseguir conter as not\u00edcias por muito tempo. &#8220;N\u00e3o foi poss\u00edvel encobrir algo t\u00e3o grande quanto isso. Os rumores come\u00e7aram a se espalhar como a \u00e1gua&#8221;, diz Taranyuk.<\/p>\n<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas depois, ainda n\u00e3o sabemos a extens\u00e3o total da trag\u00e9dia ou quantas pessoas exatamente morreram de c\u00e2ncer ou de outras doen\u00e7as decorrentes &#8211; estima-se que sejam cerca de 4 mil, mas este n\u00famero pode ser maior.<\/p>\n<p>Testemunhos, dados e hist\u00f3rias de sobreviventes, juntamente com o trabalho de pesquisadores, nos contam hoje como tudo aconteceu. Tamb\u00e9m permitiram recriar na televis\u00e3o o drama de Chernobyl em uma aclamada miniss\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o de mesmo nome que acaba de estrear na HBO.<\/p>\n<p>Mas vamos voltar aos fatos. O que exatamente aconteceu em 26 de abril de 1986 e como a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tentou impedir que o mundo soubesse desse desastre?<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Da nega\u00e7\u00e3o \u00e0 irresponsabilidade<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7B3C\/production\/_107184513_863e0c3e-eb5e-483f-a137-71a92f86d4bc.jpg\" alt=\"Cena de 'Chernobyl'\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Vasily Ignatenko (Adam Nagaitis), um dos protagonistas da s\u00e9rie da HBO, era um bombeiro rec\u00e9m-casado<\/figure>\n<p>Eram 5h da manh\u00e3 quando Mikhail Gorbachev, o \u00faltimo l\u00edder da URSS, recebeu um telefonema. Ele foi informado de que havia ocorrido uma explos\u00e3o na usina nuclear de Chernobyl, mas, aparentemente, o reator estava intacto.<\/p>\n<p>&#8220;Nas primeiras horas e at\u00e9 mesmo no dia seguinte ao acidente, n\u00e3o se sabia que o reator havia explodido e que havia acontecido uma enorme emiss\u00e3o de material nuclear na atmosfera&#8221;, disse o pr\u00f3prio Gorbachev mais tarde.<\/p>\n<p>O homem mais poderoso da URSS naquela \u00e9poca n\u00e3o viu necessidade de acordar outros l\u00edderes pol\u00edticos ou interromper seu fim de semana para realizar uma reuni\u00e3o de emerg\u00eancia, explica o historiador ucraniano Serhii Plokhii no livro\u00a0<i>Chernobyl: the History of a Nuclear Catastrophe (Chernobyl: a Hist\u00f3ria de uma Cat\u00e1strofe Nuclear,\u00a0<\/i>2018).<\/p>\n<p>Em vez disso, ele criou uma comiss\u00e3o do governo liderada por Boris Shcherbina, vice-presidente do conselho de ministros, para investigar as causas da explos\u00e3o. Enquanto isso, os cidad\u00e3os corriam perigo. Mas ningu\u00e9m se atreveu a ordenar uma evacua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A24C\/production\/_107184514_7d85f523-61a8-4e51-a186-c6d1735e2435.jpg\" alt=\"Cena de 'Chernobyl'\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>O vice-presidente sovi\u00e9tico Boris Shcherbina (interpretado na s\u00e9rie por Stellan Skarsg\u00e5rd, \u00e0 esq.) foi for\u00e7ado a escolher entre a vers\u00e3o do Estado e os fatos<\/figure>\n<p>A primeira aproxima\u00e7\u00e3o de helic\u00f3ptero, cerca de 24 horas ap\u00f3s a explos\u00e3o, mostrou a magnitude da cat\u00e1strofe. &#8220;Quando eles desembarcaram, ainda n\u00e3o estavam prontos para aceitar o que havia ocorrido&#8221;, diz o historiador.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Shcherbina escreveu em suas mem\u00f3rias que teve de se for\u00e7ar a assimilar o que seus olhos viam.<\/p>\n<p>&#8220;No come\u00e7o, eles estavam em estado de choque e nega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o queriam aceitar o que havia acontecido, n\u00e3o queriam se responsabilizar pelo que aconteceu&#8221;, diz Plokhii, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor do Instituto Ucraniano de Pesquisa da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Houve uma nega\u00e7\u00e3o por parte daqueles que trabalhavam em Chernobyl e, al\u00e9m disso, era muito dif\u00edcil dizer o que estava acontecendo sem se colocar em uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais perigosa.&#8221;<\/p>\n<p>Plokhii escreve em seu livro que &#8220;\u00e0 medida que os n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o aumentavam, as autoridades ficavam cada vez mais nervosas, mas n\u00e3o tinham o poder de decidir pela evacua\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;O pa\u00eds levou 18 dias para falar sobre isso na televis\u00e3o&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C95C\/production\/_107184515_8d2edae3-6d27-44da-a642-36c056b85e41.jpg\" alt=\"Imagem de Chernobyl em 1990 feita a partir de um helic\u00f3ptero\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Quando os cientistas e engenheiros viram a cena situa\u00e7\u00e3o a partir de um helic\u00f3ptero, eles entenderam que era muito grave<\/figure>\n<p>&#8220;A rea\u00e7\u00e3o imediata foi esconder a trag\u00e9dia e, em seguida, tentar minimizar a quantidade de informa\u00e7\u00e3o publicada&#8221;, diz Adam Higginbotham, autor de\u00a0<i>Midnight in Chernobyl\u00a0<\/i>(<i>Meia-noite em Chernobyl<\/i>, 2019), que re\u00fane testemunhos sobre o desastre.<\/p>\n<p>O escritor aponta que havia uma &#8220;dimens\u00e3o psicol\u00f3gica&#8221; nessa nega\u00e7\u00e3o inicial. &#8220;O evento foi t\u00e3o catastr\u00f3fico e a escala do desastre foi tal que nem mesmo especialistas bem treinados, que entendiam exatamente a energia nuclear, conseguiram assimilar o que estavam vendo&#8221;, diz Higginbotham.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso entender que a escala do acidente era muito grande at\u00e9 mesmo para os sovi\u00e9ticos para n\u00e3o se deixar levar por estere\u00f3tipos t\u00edpicos sobre como funcionava a URSS. A hist\u00f3ria \u00e9 mais complexa e complicada do que isso.&#8221;<\/p>\n<p>Armen Abagian, na \u00e9poca diretor de um instituto de pesquisa em energia nuclear, disse a Shcherbina que a cidade tinha de ser evacuada. &#8220;Falei para ele que havia crian\u00e7as correndo pelas ruas, gente colocando a roupa para secar no varal. E a atmosfera estava radioativa&#8221;, teria afirmado Abagian, segundo o historiador Serhii Plokhii.<\/p>\n<p>Mas a URSS avaliou que a retirada n\u00e3o era necess\u00e1ria. Ningu\u00e9m queria assumir a responsabilidade de ordenar uma evacua\u00e7\u00e3o e, assim, fazer um mea culpa. Mas, enquanto a comiss\u00e3o pensava sobre o que fazer, as pessoas come\u00e7avam a deixar a cidade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2D1C\/production\/_107184511_d4d7f4aa-d201-4485-aaa0-e60d0fb9676a.jpg\" alt=\"Bombeiros em Chernobyl\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>&#8216;Os bombeiros foram os verdadeiros her\u00f3is da trag\u00e9dia&#8217;, diz o historiador Serhii Plokhii<\/figure>\n<p>O governo sovi\u00e9tico n\u00e3o queria que as m\u00e1s not\u00edcias se espalhassem t\u00e3o rapidamente quanto a radia\u00e7\u00e3o. Por isso, cortou as redes de telefonia, e os engenheiros e funcion\u00e1rios da usina nuclear foram proibidos de compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre o que aconteceu com seus amigos e familiares, explica Plokhii.<\/p>\n<p>N\u00e3o era a primeira vez que os sovi\u00e9ticos enfrentavam uma situa\u00e7\u00e3o assim. &#8220;Houve um outro desastre nuclear (muito menor) em setembro de 1957, em Kyshtym, nos Montes Urais, mas n\u00e3o havia nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre isso&#8221;, diz Plokhii. &#8220;Manter o sil\u00eancio era um protocolo padr\u00e3o na URSS.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Os americanos encontraram alguns sinais de que houve uma explos\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o no primeiro desastre, mas n\u00e3o disseram nada porque eles pr\u00f3prios desenvolviam grandes planos nucleares e n\u00e3o queriam criar alarde.&#8221;<\/p>\n<p>Higginbotham tamb\u00e9m cita o acidente em Kyshtym, que os sovi\u00e9ticos conseguiram esconder com sucesso &#8220;Simplesmente adotaram a mesma abordagem em Chernobyl, mas, neste caso, a fronteira era mais pr\u00f3xima do Ocidente e a contamina\u00e7\u00e3o e seu alcance foram muito maiores.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como o mundo descobriu?<\/h2>\n<p>&#8220;Foram os suecos que detectaram primeiro que algo estava errado e, em seguida, alguns brit\u00e2nicos que trabalhavam em outra usina nuclear&#8221;, diz Plokhii.<\/p>\n<p>Higginbotham diz que os suecos come\u00e7aram a perguntar \u00e0s autoridades sovi\u00e9ticas se houve um acidente nuclear, &#8220;mas, mesmo naquele momento, eles continuaram negando que algo tivesse acontecido.&#8221;<\/p>\n<p>Na Su\u00e9cia, altos n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o foram detectados nos dias ap\u00f3s o acidente cuja origem n\u00e3o tinha explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Autoridades europeis alertaram sobre o que estava acontecendo, e a URSS teve de divulgar informa\u00e7\u00f5es. Revelaram mais e mais coisas, mas apenas pela press\u00e3o do Ocidente&#8221;, concorda Plokhii, que acrescenta que o contexto da Guerra Fria \u00e9 essencial para entender como os fatos se desenrolaram.<\/p>\n<p>O historiador diz que a &#8220;insatisfa\u00e7\u00e3o&#8221; daqueles que viviam na URSS naquela \u00e9poca tamb\u00e9m desempenhou um papel fundamental. As pessoas estavam se informando sobre os fatos por meio da m\u00eddia estrangeira e de rumores &#8211; alguns corretos e outros n\u00e3o &#8211; e n\u00e3o por seu pr\u00f3prio governo.<\/p>\n<p>&#8220;Levou semanas, meses e at\u00e9 mesmo anos at\u00e9 que, gradualmente, a verdade emergisse, em parte porque eles capturaram correspondentes estrangeiros baseados em Moscou e os impediram de sair da cidade e se aproximar da zona do acidente&#8221;, diz Higginbotham.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos desses jornalistas come\u00e7aram a publicar qualquer informa\u00e7\u00e3o que recebiam, mesmo que fossem rumores.&#8221; Nos Estados Unidos, o jornal New York Post chegou a dizer que 15 mil pessoas haviam morrido, exatamente o oposto do que o governo queria.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F06C\/production\/_107184516_2c4af9f1-e32f-4025-9870-b9b1c096b8b0.jpg\" alt=\"Chernobyl em 2015\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>A m\u00eddia estrangeira pressionou a URSS a publicar informa\u00e7\u00f5es sobre Chernobyl<\/figure>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o queriam que a popula\u00e7\u00e3o tomasse precau\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Irena. &#8220;Foi ir\u00f4nico que nos informarmos pela m\u00eddia estrangeira.&#8221;<\/p>\n<p>Mas Higginbotham diz que a hist\u00f3ria contada sobre Chernobyl no Ocidente \u00e9 muitas vezes incompleta e que &#8220;muitas coisas que foram escritas s\u00e3o baseadas em ideias pr\u00e9-concebidas sobre como era a vida na URSS&#8221;, deixando de lado a dimens\u00e3o psicol\u00f3gica e humana daqueles que tomaram as decis\u00f5es.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A queda de um imp\u00e9rio<\/h2>\n<p>&#8220;Chernobyl est\u00e1 frequentemente ligado a mudan\u00e7as estrat\u00e9gicas na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e aos prim\u00f3rdios da sua abertura pol\u00edtica, o princ\u00edpio de tudo est\u00e1 em Chernobyl&#8221;, explica Plokhii.<\/p>\n<p>O historiador diz que queria escrever sobre a trag\u00e9dia que fez parte de sua hist\u00f3ria pessoal. &#8220;Lembro-me do horror daqueles dias, n\u00e3o sabia o que ia acontecer e tentei reconstruir os fatos da melhor forma poss\u00edvel&#8221;, diz Plokhii.<\/p>\n<p>&#8220;A recontitui\u00e7\u00e3o me fez concluir que houve realmente uma liga\u00e7\u00e3o direta entre Chernobyl e a queda da URSS.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1177C\/production\/_107184517_92f8473a-fbff-46fe-b037-3d8287e4bd9a.jpg\" alt=\"Uma equipe de testes de radia\u00e7\u00e3o retornou \u00e0 usina nuclear cinco anos ap\u00f3s o acidente que destruiu o reator.\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Chernobyl entrou para a hist\u00f3ria como o maior acidente nuclear<\/figure>\n<p>&#8220;A maneira como a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica entrou em colapso n\u00e3o pode ser realmente entendida sem a hist\u00f3ria de Chernobyl&#8221;.<\/p>\n<p>Higginbotham considera que este foi um momento-chave &#8220;na desintegra\u00e7\u00e3o da URSS, n\u00e3o s\u00f3 pelo custo econ\u00f4mico ou pela crescente desconfian\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es pelos sovi\u00e9ticos, mas tamb\u00e9m por causa de como isso mudou o pr\u00f3prio Gorbachev&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O acidente revelou que Gorbachev corrompeu o imp\u00e9rio que havia herdado&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a li\u00e7\u00e3o mais importante que Chernobyl nos deixa \u00e9 o problema de confiar demais na tecnologia &#8211; as pessoas acreditavam que um acidente daquela escala era imposs\u00edvel mesmo ap\u00f3s ter ocorrido &#8211; e tamb\u00e9m que uma cultura que nega evid\u00eancias cient\u00edficas e \u00e9 baseada em mentiras e sigilo n\u00e3o \u00e9 segura para ningu\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O acidente revelou que Gorbachev corrompeu o imp\u00e9rio que havia herdado&#8221;, diz ele.&#8221;Mas a li\u00e7\u00e3o mais importante que Chernobyl nos deixa \u00e9 o problema de confiar demais na tecnologia &#8211; as pessoas acreditavam que um acidente daquela escala era imposs\u00edvel mesmo ap\u00f3s te<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":284947,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-284946","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/acidente-nuclear.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284946","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=284946"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284946\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/284947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=284946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=284946"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=284946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}