{"id":285106,"date":"2019-06-03T07:02:11","date_gmt":"2019-06-03T10:02:11","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=285106"},"modified":"2019-06-03T07:02:11","modified_gmt":"2019-06-03T10:02:11","slug":"a-primeira-esposa-de-einstein-esmagada-sob-o-mito-resplandecente-do-cientista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-primeira-esposa-de-einstein-esmagada-sob-o-mito-resplandecente-do-cientista\/","title":{"rendered":"A primeira esposa de Einstein, esmagada sob o mito resplandecente do cientista"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Rosa Montero\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/rosa_montero\/a\/\">Rosa Montero<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p><strong><em>Einstein obrigou sua primeira esposa a assinar um contrato humilhante. Queimou suas cartas e jamais mencionou a contribui\u00e7\u00e3o que ela fez para sua pesquisa<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/27\/eps\/1558955111_252877_1559511870_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/27\/eps\/1558955111_252877_1559511870_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/27\/eps\/1558955111_252877_1559511870_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/05\/27\/eps\/1558955111_252877_1559511870_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Mileva Maric e Albert Einstein.\" width=\"980\" height=\"578\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Mileva Maric e Albert Einstein.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A LEITURA do recente romance de Nativel Preciado,\u00a0<em>El Nobel y la Corista<\/em>\u00a0(<em>O Nobel e a corista<\/em>), no qual faz um retrato genial do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/albert_einstein\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Einstein<\/a>mulherengo, me fez lembrar a perturbadora hist\u00f3ria de Mileva Mari\u0107, a f\u00edsica e matem\u00e1tica s\u00e9rvia que foi a primeira esposa do cientista. Mileva e Einstein se conheceram em 1896 no Instituto Polit\u00e9cnico de Zurique, do qual eram alunos. Mileva tinha 21 anos; ele, 17. Foi amor \u00e0 primeira vista. Ela havia mostrado desde menina tanto talento que seu pai decidiu lhe dar a melhor educa\u00e7\u00e3o. Para compreender at\u00e9 que ponto essa atitude era revolucion\u00e1ria, basta dizer que o pai teve de pedir uma permiss\u00e3o especial para que sua filha pudesse estudar F\u00edsica e Matem\u00e1tica, duas carreiras exclusivas para homens.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/01\/ciencia\/1527888323_707155.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Era um mundo que negava tudo \u00e0s mulheres<\/a>.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CODghLqGzeICFS7U4QodrbYA0w\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"7\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Mileva e Albert come\u00e7aram a viver e trabalhar juntos, apesar da oposi\u00e7\u00e3o ferrenha da m\u00e3e dele. Que seu amado a defendesse diante de sua pr\u00f3pria m\u00e3e deve ter criado na mo\u00e7a um sentimento de gratid\u00e3o eterna. E assim, quando o professor Weber aceitou Mileva para o doutorado, depois de ter rejeitado Albert porque n\u00e3o o considerava preparado, ela condicionou sua aceita\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o de Einstein. Mileva, melhor matem\u00e1tica do que ele, revisava os erros de seu amante; suas corre\u00e7\u00f5es s\u00e3o abundantes nas anota\u00e7\u00f5es de Albert: \u201cEla resolve meus problemas matem\u00e1ticos\u201d. A jovem estava obcecada em encontrar um fundamento matem\u00e1tico para a transforma\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria em energia; compartilhou essa fascina\u00e7\u00e3o com Albert (as cartas est\u00e3o preservadas) e Einstein achou interessante a ideia de sua parceira. Em 1900, terminaram um primeiro artigo sobre a capilaridade. Era um trabalho conjunto (\u201cdei uma c\u00f3pia [ao professor Jung] de nosso artigo\u201d, escreveu Einstein), mas s\u00f3 ele o assinou. Por qu\u00ea? Porque uma assinatura de mulher desacreditava o trabalho. Porque Mileva queria que Einstein triunfasse para que se casasse com ela (ele tinha dito que n\u00e3o faria isso enquanto n\u00e3o pudesse mant\u00ea-la economicamente). Pela gratid\u00e3o patol\u00f3gica, depend\u00eancia psicol\u00f3gica e humildade doentia que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/machismo\/a\/12\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">machismo<\/a> inocula.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o come\u00e7ou, insidiosamente, a desgra\u00e7a. Em 1901, Mileva foi \u00e0 S\u00e9rvia para dar secretamente \u00e0 luz uma menina, da qual nunca mais se soube de nada: talvez tenha acabado em um orfanato. Pouco depois, Einstein conseguiu um emprego como perito no Escrit\u00f3rio de Patentes de Berna e, j\u00e1 com um sal\u00e1rio, casaram-se. Segundo v\u00e1rios testemunhos, enquanto Albert trabalhava suas oito horas por dia, Mileva escrevia postulados que depois debatia com ele \u00e0 noite. Al\u00e9m disso, ela se encarregava da casa e do primeiro filho, Hans Albert. \u201cSerei muito feliz (\u2026) quando terminarmos vitoriosamente nosso trabalho sobre o movimento relativo\u201d (carta de Einstein a Mileva). Em 1905, apareceram nos\u00a0<em>Anais da F\u00edsica<\/em>\u00a0os tr\u00eas artigos cruciais de Einstein assinados s\u00f3 por ele, embora haja um testemunho escrito do diretor da publica\u00e7\u00e3o, o f\u00edsico Joffe, dizendo que viu os textos com a assinatura de Einstein-Mari\u0107.<\/p>\n<p>E a desgra\u00e7a aumentou. Tiveram um segundo filho, que sofria de esquizofrenia; Einstein se tornou famoso, apaixonou-se pela sua prima, quis se separar de Mileva e ela se aferrou doentiamente a ele. Come\u00e7ou ent\u00e3o (at\u00e9 a separa\u00e7\u00e3o, em 1914) um abuso psicol\u00f3gico atroz. H\u00e1 um contrato que Einstein obrigou sua mulher a assinar, um texto humilhante de escravid\u00e3o. Mas, mesmo esse contrato sendo aberrante, ainda me parece pior do que aquilo que o Nobel fez com o legado de Mileva: queimou suas cartas, jamais mencionou sua contribui\u00e7\u00e3o, citou-a apenas em uma linha de sua autobiografia. Os agentes de Einstein tentaram apagar todos os vest\u00edgios de Mari\u0107; apropriaram-se sem permiss\u00e3o de cartas da fam\u00edlia e as fizeram desaparecer. Tamb\u00e9m desapareceu a tese de doutorado que Mileva apresentou em 1901 na Polit\u00e9cnica e que, segundo testemunhos, consistia no desenvolvimento da teoria da relatividade. N\u00e3o estou dizendo que Einstein n\u00e3o fosse um grande cientista: digo que ela tamb\u00e9m era. Mas ele se empenhou em apag\u00e1-la, e conseguiu isso at\u00e9 1986, quando, ap\u00f3s a morte de seu filho Hans Albert, foi encontrada uma caixa cheia de cartas que tiveram grandes repercuss\u00f5es cient\u00edficas. Apesar disso, Mileva continua esmagada sob o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/24\/ciencia\/1448387442_693871.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">resplandecente mito de Einstein<\/a>. S\u00e3o assim de mesquinhas e tr\u00e1gicas as consequ\u00eancias do sexismo.<\/p>\n<\/div>\n<section id=\"articulo-tags\" class=\"articulo-tags\">\n<div id=\"articulo-tags__interior\" class=\"articulo-tags__interior\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Einstein obrigou sua primeira esposa a assinar um contrato humilhante. 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