{"id":286039,"date":"2019-06-12T05:35:08","date_gmt":"2019-06-12T08:35:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=286039"},"modified":"2019-06-12T05:35:08","modified_gmt":"2019-06-12T08:35:08","slug":"sete-perguntas-sobre-anne-frank-a-autora-do-diario-mais-famoso-do-mundo-que-completaria-90-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/sete-perguntas-sobre-anne-frank-a-autora-do-diario-mais-famoso-do-mundo-que-completaria-90-anos\/","title":{"rendered":"Sete perguntas sobre Anne Frank, a autora do di\u00e1rio mais famoso do mundo, que completaria 90 anos"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Andr\u00e9 Bernardo<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/14297\/production\/_107338528_5dc7c587-1f04-4398-a40d-8bac6103791b.jpg\" alt=\"Anne Frank sorri numa foto em preto e branco\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Di\u00e1rio teve quatro vers\u00f5es, sendo a segunda uma revis\u00e3o feita pela pr\u00f3pria Anne com esperan\u00e7a de ter seu relato publicado<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu me sinto como um p\u00e1ssaro de asas cortadas, que fica se atirando contra as barras da gaiola. &#8216;Me deixem sair!&#8217;, grita uma voz dentro de mim&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato de Anne Frank faz parte do di\u00e1rio que ela escreveu entre 12 de junho de 1942 e 1\u00ba de agosto de 1944 &#8211; a maior parte no per\u00edodo em que permaneceu confinada nos fundos de um pr\u00e9dio de tr\u00eas andares, em um esconderijo apelidado de anexo secreto, no n\u00ba 263 da rua Prinsengracht, em Amsterd\u00e3, na Holanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o tivesse morrido, de tifo e inani\u00e7\u00e3o, no campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista de Bergen-Belsen, na Alemanha, estaria completando 90 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1rio com capa de pano xadrez que ela ganhou de presente em seu 13\u00ba anivers\u00e1rio virou livro p\u00f3stumo na Holanda, em 1947, com o t\u00edtulo de\u00a0<i>Het Achterhuis<\/i>\u00a0(O Anexo Secreto, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos EUA, onde foi lan\u00e7ado em 1952, rebatizado de\u00a0<i>The Diary of a Young Girl<\/i> (O Di\u00e1rio de Uma Jovem Garota, em tradu\u00e7\u00e3o livre), chegou a ser rejeitado por 15 editoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8216;&#8221;Tolo&#8221;, &#8220;enfadonho&#8221; e &#8220;inoportuno&#8221; foram alguns dos adjetivos usados pelo editor Alfred A. Knopf para justificar sua recusa. &#8220;N\u00e3o passa de um registro mon\u00f3tono de brigas t\u00edpicas de fam\u00edlia, amola\u00e7\u00f5es triviais e emo\u00e7\u00f5es adolescentes&#8221;, avaliou o dono da editora que levava seu sobrenome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de d\u00e9cadas, a jovem que emocionou o mundo ao relatar a persegui\u00e7\u00e3o nazista aos judeus despertou tanto a ira de detratores, como o ensa\u00edsta franc\u00eas Robert Faurisson, de\u00a0<i>The Diary of Anne Frank &#8211; Is It Authentic?\u00a0<\/i>(O Di\u00e1rio de Anne Frank &#8211; Ele \u00e9 aut\u00eantico?, em tradu\u00e7\u00e3o livre), quanto a simpatia de admiradores, como o l\u00edder sul-africano Nelson Mandela e o escritor americano Philip Roth.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto o primeiro declarou que, enquanto esteve preso, o di\u00e1rio o encorajou a lutar contra o apartheid, o segundo afirmou, em\u00a0<i>Di\u00e1rio de Uma Ilus\u00e3o<\/i>\u00a0(1979), que Anne foi &#8220;uma escritora maravilhosa&#8221;. &#8220;Um assombro para uma menina de 13 anos&#8221;, sublinhou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1960, a casa onde Anne Frank permaneceu escondida dos 12 aos 15 anos foi transformada em museu. Desde ent\u00e3o, recebe uma m\u00e9dia de 1,2 milh\u00e3o de visitantes por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pol\u00eamicas associadas a Anne e seu di\u00e1rio, ali\u00e1s, n\u00e3o faltam. Em 1983, uma escola do Alabama (EUA) tentou banir o di\u00e1rio sob a alega\u00e7\u00e3o de que era &#8220;depressivo&#8221;. Em 2018, um col\u00e9gio de Vit\u00f3ria (ES) suspendeu sua leitura por ter sido considerada &#8220;pornogr\u00e1fica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A cada ano, na propor\u00e7\u00e3o que diminui o n\u00famero de testemunhas oculares do Holocausto, a import\u00e2ncia de\u00a0<i>O Di\u00e1rio de Anne Frank<\/i>\u00a0tende a crescer&#8221;, afirmou Jan Erik Dubbelman, respons\u00e1vel pelo departamento internacional da Casa Anne Frank, em Amsterd\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele tem muito a nos ensinar sobre o qu\u00e3o fr\u00e1gil a vida pode ser e o qu\u00e3o urgente e necess\u00e1rio \u00e9 proteger a dignidade humana.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">1 &#8211; Quantas vers\u00f5es de &#8220;O Di\u00e1rio de Anne Frank&#8221; existem?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro. A primeira delas, chamada de a vers\u00e3o &#8220;A&#8221;, \u00e9 o manuscrito original, sem cortes. A segunda, ou &#8220;B&#8221;, \u00e9 a vers\u00e3o revisada pela pr\u00f3pria Anne. Quando ouviu no r\u00e1dio, em 29 de mar\u00e7o de 1944, que Gerrit Bolkestein, um membro do governo holand\u00eas no ex\u00edlio, pretendia transformaria cartas, di\u00e1rios e afins em documentos hist\u00f3ricos assim que a Segunda Guerra acabasse, a jovem decidiu reescrever seu di\u00e1rio, usando nomes falsos &#8211; a fam\u00edlia Frank se tornaria os Robin &#8211; e adotando o g\u00eanero epistolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Imagine como seria interessante se eu publicasse um romance sobre o Anexo Secreto. S\u00f3 o t\u00edtulo faria as pessoas acharem que \u00e9 uma hist\u00f3ria de detetives&#8221;, escreveu, radiante, naquele mesmo dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira, ou &#8220;C&#8221;, \u00e9 a vers\u00e3o editada por seu pai, Otto Frank, em 1947. Nela, omitiu detalhes considerados desnecess\u00e1rios, como as reflex\u00f5es de Anne sobre sexualidade &#8211; a certa altura, ela descreve a genit\u00e1lia feminina como um &#8220;buraquinho t\u00e3o pequeno que mal consigo imaginar como um beb\u00ea pode sair dali&#8221; &#8211; ou suas explos\u00f5es de raiva contra a m\u00e3e, Edith.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quarta e \u00faltima, a &#8220;D&#8221;, \u00e9 a vers\u00e3o revista, ampliada e organizada pela escritora e tradutora alem\u00e3 Mirjam Pressler. Lan\u00e7ada em 1995, a &#8220;edi\u00e7\u00e3o definitiva&#8221;, de mais de 700 p\u00e1ginas, resgata os trechos suprimidos pelo pai em 1947.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1866E\/production\/_95905999_ada2b612-64fb-4aed-8001-8585d759c976.jpg\" alt=\"Himmler e Hitler inspecionam soldados da SS\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>&#8216;A cada ano, na propor\u00e7\u00e3o que diminui o n\u00famero de testemunhas oculares do Holocausto, a import\u00e2ncia de O Di\u00e1rio de Anne Frank tende a crescer&#8217;, diz Jan Erik Dubbelman<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">2 &#8211; A que horas Anne Frank escrevia em seu di\u00e1rio?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, \u00e0 tarde, quando boa parte dos moradores do &#8220;anexo secreto&#8221; tirava um cochilo. O esconderijo, um labirinto de c\u00f4modos com pouco mais de 120 metros quadrados, era dividido entre a fam\u00edlia Frank (Otto, Edith, Margot e Anne) e a fam\u00edlia van Pels (o s\u00f3cio de Otto, Hermann, sua esposa, Auguste, e seu filho, Peter), al\u00e9m de um dentista amigo das duas fam\u00edlias, Fritz Pfeffer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escritora compulsiva, Anne usou um di\u00e1rio, dois cadernos e 324 folhas avulsas de papel colorido para escrever e reescrever suas mem\u00f3rias. O dia dela, na maioria das vezes, come\u00e7ava cedo: por volta das 7h, ela pulava da cama para se lavar e tomar caf\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois das 8h30, quando os funcion\u00e1rios chegavam ao armaz\u00e9m para trabalhar, n\u00e3o podia mais fazer barulho. De meias ou descal\u00e7a, evitava os degraus mais barulhentos das escadas, n\u00e3o utilizava \u00e1gua corrente, nem dava descarga na privada. Tossir, espirrar ou dar risadas era proibido. Conversar, s\u00f3 em sussurros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anne passava as manh\u00e3s lendo e estudando. Por volta das 12h30, quando os funcion\u00e1rios sa\u00edam para almo\u00e7ar, ela fazia sua refei\u00e7\u00e3o &#8211; a comida era racionada e carne, leite e ovos eram itens cada vez mais escassos &#8211; e, em seguida, ligava o r\u00e1dio na BBC para ouvir not\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nenhum dos oito moradores, por medida de seguran\u00e7a, tinha autoriza\u00e7\u00e3o para deixar o anexo, quem levava roupas e alimentos para eles eram quatro empregados de confian\u00e7a de Otto: Miep Gies, Johannes Kleiman, Victor Kugler e Bep Voskuijl.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Banho, s\u00f3 aos s\u00e1bados ou domingos. E, mesmo assim, de caneca, em uma tina com \u00e1gua aquecida. Por medida de seguran\u00e7a, as cortinas estavam sempre fechadas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">3 &#8211; Quem era Kitty, a quem Anne direcionava muitas das mensagens do di\u00e1rio?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem colega de turma, como sugerem alguns, nem amiga imagin\u00e1ria, como especulam outros. Kitty Francken era uma das protagonistas de\u00a0<i>Joop ter Heul<\/i>, uma s\u00e9rie de cinco livros infanto-juvenis escrita pelo romancista holand\u00eas Setske de Haan sob o pseud\u00f4nimo de Cissy van Marxveldt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicados entre 1918 e 1925, os quatro primeiros volumes narram o dia a dia de um grupo de amigas, da fase escolar \u00e0 maternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo, Anne endere\u00e7ou suas cartas no di\u00e1rio \u00e0s personagens da s\u00e9rie: Conny, Marianne, Phien, Emmy, Jettje e Poppie. At\u00e9 que, ao ouvir pela BBC o pronunciamento do ministro da Educa\u00e7\u00e3o holand\u00eas, Gerrit Bolkestein, que prometera publicar os relatos dos sobreviventes da guerra, Anne resolveu dar ao di\u00e1rio o nome de Kitty.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C03C\/production\/_105321294_hi050764431.jpg\" alt=\"Esconderijo de Anne Frank\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>O &#8216;anexo secreto&#8217; onde Anne e sua fam\u00edlia se escondeu durante a Segunda Guerra ficava atr\u00e1s de uma prateleira de livros<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">4 &#8211; O esconderijo foi denunciado ou descoberto por acaso?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 dezembro de 2016, a hip\u00f3tese mais aceita era a de que Anne Frank e os demais moradores do &#8220;anexo secreto&#8221; teriam sido v\u00edtimas de uma den\u00fancia an\u00f4nima. No entanto, um estudo da Casa de Anne Frank, coordenado pelo pesquisador Gertjan Broek, indica que o esconderijo pode ter sido encontrado por acaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os nazistas que descobriram o paradeiro dos clandestinos no dia 4 de agosto de 1944 estariam, na verdade, investigando uma poss\u00edvel fraude na distribui\u00e7\u00e3o de cupons de alimentos &#8211; meses antes, dois funcion\u00e1rios da empresa que funcionava no mesmo pr\u00e9dio, Martin Brouwer e Pieter Baatzelaar, foram presos acusados de vender cupons de forma ilegal &#8211; ou uma empresa que dava permiss\u00e3o de trabalho a judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A hip\u00f3tese de trai\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 descartada&#8221;, afirmou, \u00e0 \u00e9poca, Ronald Leopold, diretor-geral da institui\u00e7\u00e3o, &#8220;mas outras hip\u00f3teses devem ser consideradas&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">5 &#8211; O di\u00e1rio \u00e9 aut\u00eantico?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo, houve quem afirmasse &#8211; revisionistas que contestam o Holocausto, principalmente &#8211; que o relato de Anne Frank teria sido forjado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas teorias apontam Otto Frank, o pai de Anne, como o verdadeiro autor. Outras, Miep Gies, a secret\u00e1ria do armaz\u00e9m que guardou os pertences que n\u00e3o foram levados pelos nazistas e, em junho de 1945, os entregou ao \u00fanico sobrevivente da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras, ainda, o dramaturgo americano Meyer Levin, o primeiro a tentar adaptar o di\u00e1rio para o teatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos muitos defensores da tese, Heinrich Buddeberg, um l\u00edder pol\u00edtico de direita alem\u00e3o, chegou a ser processado por cal\u00fania e difama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contratados pelo Instituto para Documenta\u00e7\u00e3o de Guerra, especialistas forenses em caligrafia puderam comprovar a autenticidade do di\u00e1rio.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16064\/production\/_105321209_hi051456928.jpg\" alt=\"Algu\u00e9m segura um exemplar do di\u00e1rio em uma livraria\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Mais de 35 milh\u00f5es de exemplares do Di\u00e1rio de Anne Frank j\u00e1 foram vendidos no mundo<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">6 &#8211; A obra j\u00e1 entrou em dom\u00ednio p\u00fablico?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a Funda\u00e7\u00e3o Anne Frank, que det\u00e9m os direitos da obra, n\u00e3o. A institui\u00e7\u00e3o, fundada por Otto Frank em 1963 e sediada na Su\u00ed\u00e7a, alega que\u00a0<i>O Di\u00e1rio de Anne Frank<\/i>\u00a0tem coautoria dele &#8211; que o editou em 1947 &#8211; e, por essa raz\u00e3o, s\u00f3 cair\u00e1 em dom\u00ednio p\u00fablico em 2051.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o holandesa, uma obra liter\u00e1ria pode ser publicada por qualquer editora sem precisar pedir autoriza\u00e7\u00e3o ou pagar direitos autorais aos herdeiros no dia 1\u00ba de janeiro que se segue ao anivers\u00e1rio de 70 anos da morte do autor ou do \u00faltimo autor vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Otto Frank morreu em 19 de agosto de 1980, aos 91 anos. Traduzido para mais de 70 idiomas,\u00a0<i>O Di\u00e1rio de Anne Frank<\/i>\u00a0j\u00e1 vendeu mais de 35 milh\u00f5es de exemplares &#8211; 400 mil deles s\u00f3 no Brasil. Desde que foi publicado pela primeira vez, em 1947 na Holanda e em 1952 nos EUA, deu origem a diversas adapta\u00e7\u00f5es: de pe\u00e7as a filmes, de document\u00e1rios a quadrinhos, de anima\u00e7\u00f5es \u00e0 realidade virtual.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">7 &#8211; Como foram os \u00faltimos dias de Anne Frank no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Bergen-Belsen?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nanette Blitz Konig, de 90 anos, foi uma das \u00faltimas pessoas a verem Anne Frank com vida. As duas estudaram juntas no Liceu Judaico, em Amsterd\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na escola, Anne deixava transparecer sua paix\u00e3o pela escrita. Quando indagada por uma de suas colegas o que tanto escrevia em seu di\u00e1rio, respondia: &#8220;N\u00e3o \u00e9 da sua conta!&#8221;. Seu sonho, quando crescesse, era ser jornalista ou escritora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por infelicidade, Anne e Nanette voltaram a se encontrar, atrav\u00e9s de uma cerca de arame farpado, no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Bergen-Belsen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estava careca e muito debilitada. Praticamente uma morta-viva&#8221;, descreve Nanette, que conheceu o marido, o h\u00fangaro John Konig, na Inglaterra, e, desde 1953 vive no Brasil, na companhia dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anne e Margot, sua irm\u00e3, morreram em fevereiro de 1945, aos 15 e 18 anos, respectivamente. Seus corpos foram enterrados em valas comuns. O campo de concentra\u00e7\u00e3o de Bergen-Belsen foi libertado por tropas inglesas em 12 de abril de 1945.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Otto Frank morreu em 19 de agosto de 1980, aos 91 anos. 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