{"id":287040,"date":"2019-06-22T09:12:49","date_gmt":"2019-06-22T12:12:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=287040"},"modified":"2019-06-22T09:12:49","modified_gmt":"2019-06-22T12:12:49","slug":"artigo-fantasmas-clandestinos-de-cecilia-meireles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/artigo-fantasmas-clandestinos-de-cecilia-meireles\/","title":{"rendered":"Artigo: Fantasmas clandestinos de Cec\u00edlia Meireles"},"content":{"rendered":"<article class=\"article\">\n<div class=\"article__content-container protected-content\">\n<p>Em 1919, Cec\u00edlia Meireles publicou o mais clandestino de seus livros: &#8220;Espectros&#8221;. A ent\u00e3o jovem normalista estreava imersa na est\u00e9tica parnasiana, a tal ponto dissonante de seu futuro estilo que ela, simplesmente, eliminou o livro de sua bibliografia, como se esses Espectros jamais houvessem existido.<\/p>\n<div class=\"block__advertising block__advertising-in-text\">\n<div class=\"block__advertising\">\n<div id=\"pub-in-text-1\" class=\"advertising advertising--teads outstream advertising--loaded\" data-oglobo-advertising-format=\"in-text\" data-oglobo-advertising-index=\"1\" data-google-query-id=\"CLu6xK-H_eICFUZmwQodlH4KZg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/info.web.oglobo\/cultura\/livros\/materia_3__container__\">Num verso, ela convocara \u201cSilenciosos fantasmas de outra idade\u201d. Portanto, cuidou apenas, e literalmente, de calar o que j\u00e1 declarara mudo. Al\u00e9m do sequestro bibliogr\u00e1fico da obra, teria tamb\u00e9m ocorrido sua aniquila\u00e7\u00e3o f\u00edsica, pois nem mesmo na biblioteca pessoal de Cec\u00edlia encontrou-se qualquer vest\u00edgio do livro. Nada, por\u00e9m, se perde de todo; como diria, noutro contexto, Carlos Drummond de Andrade, \u201cde tudo fica um pouco\u201d. Assim, em 2001, para a edi\u00e7\u00e3o do centen\u00e1rio da poetisa, um paciente pesquisador, ap\u00f3s 82 anos de total desaparecimento da obra, conseguiu descobrir um exemplar de &#8220;Espectros&#8221;, reincorporando o volume ao patrim\u00f4nio de nossa poesia. A colet\u00e2nea, com 17 sonetos, dentre os quais pe\u00e7as dedicadas a Nero, a Cle\u00f3patra, a Sans\u00e3o e Dalila, revelava apenas uma precoce e correta versejadora, h\u00e1bil artes\u00e3 de decass\u00edlabos e alexandrinos.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"article__picture article__picture--vertical\"><img decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/cultura\/livros\/23756352-4d3-57f\/FT450A\/xEspectros_Cecilia_Meireles.jpg.pagespeed.ic.uMdzdNbsOG.jpg\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/cultura\/livros\/23756352-4d3-57f\/FT450A\/xEspectros_Cecilia_Meireles.jpg.pagespeed.ic.uMdzdNbsOG.jpg\" \/><figcaption class=\"article__picture-caption\">&#8220;Espectros&#8221;, livro que Cec\u00edlia Meireles escreveu em 1919 Foto: Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1923, liberta dos renegados e parnasianos fantasmas da adolesc\u00eancia, Cec\u00edlia estreia pela segunda vez, com &#8220;Nunca mais&#8230; e Poema dos poemas&#8221;. A d\u00e9cada de 1920 testemunhar\u00e1 um fecundo cons\u00f3rcio entre ela e o marido, o artista pl\u00e1stico portugu\u00eas Correia Dias, pai de sua tr\u00eas filhas, amigo de Fernando Pessoa, e ilustrador de todos os livros da esposa. Da\u00ed advir\u00e3o &#8220;Crian\u00e7a, meu amor&#8221;, de 1924, e &#8220;Baladas para El-Rei&#8221;, de 1925.<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\">\n<div class=\"block__advertising-header\">Trag\u00e9dia familiar<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A parceria foi brutalmente interrompida no dia 19 de novembro de 1935, quando a ca\u00e7ula, Maria Fernanda, chama Cec\u00edlia para apontar-lhe, na sala da resid\u00eancia, o corpo do pai, que se enforcou sem deixar sequer um bilhete de adeus, transferindo para a vi\u00fava a responsabilidade de sustentar a si e \u00e0s filhas do casal.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca mais&#8230;&#8221; e &#8220;Baladas para El-Rei&#8221; revelam uma escritora de m\u00e9rito, ainda que excessivamente tribut\u00e1ria dos padr\u00f5es est\u00e9ticos do Simbolismo. Talvez por isso, ao publicar, pela Editora Aguilar, em 1958, sua &#8220;Obra po\u00e9tica&#8221;, ela tenha optado por excluir ambos os livros. Por\u00e9m, diversamente do tratamento concedido a &#8220;Espectros&#8221;, n\u00e3o os apagou de sua bibliografia.<\/p>\n<p>A obra \u201cautorizada\u201d pela escritora se inicia somente com o quarto volume de poemas, &#8220;Viagem&#8221;, vindo a lume em 1939, pelo Editorial Imp\u00e9rio, de Lisboa. L\u00ea-se, como um galard\u00e3o, na capa e na folha de rosto: \u201cPrimeiro Pr\u00e9mio de Poesia da Academia Brasileira de Letras em 1938\u201d.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\"><img decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23756380-0d3-a66\/FT1086A\/652\/xViagem_Cecilia_Meireles.jpg.pagespeed.ic.vqIjFmHuMw.jpg\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23756380-0d3-a66\/FT1086A\/652\/xViagem_Cecilia_Meireles.jpg.pagespeed.ic.vqIjFmHuMw.jpg\" \/><figcaption class=\"article__picture-caption\">&#8220;Viagem&#8221;, de Cec\u00edlia Meireles Foto: Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Cec\u00edlia, num controverso concurso de acalorados embates, teria representado a afirma\u00e7\u00e3o da poesia moderna, enfim enaltecida e agraciada pela ABL. Conv\u00e9m, todavia, restabelecer a verdade factual: a primazia n\u00e3o coube a Cec\u00edlia Meireles. Convoque-se, antes de Viagem, mais um fantasma liter\u00e1rio: o livro, hoje de todo esquecido, &#8220;Poemas caboclos&#8221;, de Vinicius Meyer, premiado pela ABL em 1934. A colet\u00e2nea, sem ostentar a qualidade da obra de Cec\u00edlia, j\u00e1 \u00e9, todavia, inteiramente modernista, no emprego sistem\u00e1tico do verso livre, na total aus\u00eancia de rimas, na tem\u00e1tica regionalista e na linguagem coloquial, em certos aspectos pr\u00f3xima \u00e0 de &#8220;Cobra Norato&#8221;, de Raul Bopp (1931). Ao descrever a minera\u00e7\u00e3o, as catas de ouro, Meyer assim se expressa: \u201ccomo se um bando de noites\/ surgisse de dentro da terra\/ trazendo, nas m\u00e3os, punhados de sol\u201d. Em 1936, foi a vez de outro estreante ganhar o pr\u00eamio da Academia com poemas igualmente distanciados da tradi\u00e7\u00e3o parnasiana. Seu nome: Guimar\u00e3es Rosa; seu livro. &#8220;Magma&#8221;.<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\">\n<div class=\"block__advertising-header\">N\u00e3o foi autora do Modernismo, no sentido estrito do termo. Ignorada pela vanguarda de 1922, tornou-se alvo constante da irrever\u00eancia de Oswald de Andrade, que, em 1952, de modo ferino, assim a caracterizou: \u201cA senhora Cec\u00edlia Meireles \u00e9 uma esp\u00e9cie de Morro de Santo Ant\u00f4nio, que atravanca o livre tr\u00e1fego da poesia\u201d. Alguns grandes poetas, por\u00e9m \u2013 M\u00e1rio de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes \u2013, souberam reconhecer-lhe o talento, a partir, exatamente, de Viagem \u2013 a definitiva \u201cestreia\u201d da escritora.<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Trata-se de harmonioso conjunto composto por v\u00e1rias das obras-primas da autora, dentre as quais \u201cMotivo\u201d \u2013 \u201cEu canto porque o instante existe \/e a minha vida est\u00e1 completa.\/ N\u00e3o sou alegre nem sou triste:\/ Sou poeta\u201d\u2013 , \u201cRetrato\u201d \u2013 \u201c Em que espelho ficou perdida \/ a minha face?\u201d \u2013, \u201cCan\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 \u201cPus o meu sonho num navio\/ e o navio em cima do mar;\/ \u2013 depois, abri o mar com as m\u00e3os\/ para o meu sonho naufragar\u201d \u2013, \u201cGuitarra\u201d: \u2013 \u201cA maior pena que eu tenho,\/ punhal de prata,\/ n\u00e3o \u00e9 de me ver morrendo,\/ mas de saber quem me mata\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSou poeta\u201d, ali\u00e1s, \u00e9 verso citado para legitimar o substantivo na condi\u00e7\u00e3o de comum de dois g\u00eaneros, a exemplo de \u201cartista\u201d, e assim poder prescindir da forma feminina \u201cpoetisa\u201d. O dicion\u00e1rio Houaiss, no entanto, o considera nome masculino. Na atualidade, devido a suposta carga pejorativa \u2013 como se \u201cpoetisa\u201d fosse a mulher que escreve maus poemas \u2013, h\u00e1 uma n\u00edtida tend\u00eancia a eliminar o voc\u00e1bulo feminino em prol da utiliza\u00e7\u00e3o de \u201cpoeta\u201d para designar ambos os g\u00eaneros. Ora, Cec\u00edlia jamais valeu-se do termo \u201cpoeta\u201d para referir-se a uma autora de poesia, ao contr\u00e1rio do que se poderia, por equ\u00edvoco, inferir-se do verso em quest\u00e3o. Nele, com clareza, ela se reporta arquetipicamente ao \u201cpoeta\u201d, substantivo masculino, acima da distin\u00e7\u00e3o de sexo, englobando homens e mulheres na mesma categoria. Caso ela pretendesse identificar-se como \u201ca\u201d poeta, teria necessariamente de se declarar, versos adiante, \u201cirm\u00e3\u201d, em vez de \u201cirm\u00e3o\u201d, \u201cdas coisas fugidias\u201d, e tal n\u00e3o ocorreu. Al\u00e9m disso, para dirimir quaisquer d\u00favidas, nos originais datiloscritos de \u201cMotivo\u201d, encaminhados ao concurso da ABL, Cec\u00edlia fez quest\u00e3o \u2013 pela \u00fanica vez ao longo do livro \u2013 de colocar o poema entre aspas, enfatizando que nele n\u00e3o se registrava a manifesta\u00e7\u00e3o direta de sua fala, mas o discurso de um Outro, de quem ela, pelas aspas, se fazia mediadora e porta-voz. Esse Outro \u00e9 o Poeta, na representa\u00e7\u00e3o de todos os poetas e de todas as poetisas.<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\">\n<div class=\"block__advertising-header\">Pr\u00eamio pol\u00eamico<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Dada a excel\u00eancia de &#8220;Viagem&#8221;, causa espanto que pudesse ter havido tanta pol\u00eamica e resist\u00eancia na atribui\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio da ABL. Hostilidades provindas, em especial, do obstetra e acad\u00eamico Fernando Magalh\u00e3es. As raz\u00f5es da animosidade nunca foram de todo esclarecidas, mas \u00e9 prov\u00e1vel que a ele tenha incomodado a desassombrada conduta de Cec\u00edlia Meireles em artigos jornal\u00edsticos na defesa de uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica laica, baseada no ide\u00e1rio da \u201cEscola Nova\u201d propugnado por Fernando de Azevedo. A celeuma chegou como esc\u00e2ndalo \u00e0s p\u00e1ginas dos jornais. Coube ao relator do pr\u00eamio, Cassiano Ricardo, efetuar vigorosa defesa do livro de Cec\u00edlia, posteriormente estampada em A Academia e a poesia moderna (1939). O obstinado opositor de &#8220;Viagem&#8221; propunha laurear a obra, at\u00e9 hoje in\u00e9dita, &#8220;Pororoca&#8221;, de Wladimir Emanuel, de cujas n\u00e3o muito profundas \u00e1guas po\u00e9ticas Cassiano Ricardo pescou e tornou p\u00fablico o verso \u201cmilho, algod\u00e3o, mandioca, tabaco, feij\u00e3o\u201d. Al\u00e9m de desqualificar &#8220;Pororoca&#8221; e outros competidores, o relator n\u00e3o poupou a figura do proponente, desferindo dardos envenenados na dire\u00e7\u00e3o do confrade. Ao cabo da discuss\u00e3o, seu parecer foi aprovado com apenas dois votos contr\u00e1rios \u2013 os de Fernando Magalh\u00e3es e de Alceu Amoroso Lima.<\/p>\n<p>Vinte e sete anos depois, em 1965, a poesia de Cec\u00edlia foi novamente consagrada pela Academia, dessa feita com o pr\u00eamio m\u00e1ximo da institui\u00e7\u00e3o, o Machado de Assis, excepcionalmente concedido em car\u00e1ter p\u00f3stumo. Cec\u00edlia Meireles, mesmo em sua aus\u00eancia f\u00edsica, tornou-se a primeira poetisa a conquist\u00e1-lo. Antes, do plantel liter\u00e1rio feminino, sa\u00edra-se vitoriosa Tetr\u00e1 de Teff\u00e9, em 1941, pelo romance &#8220;Bati \u00e0 porta da vida&#8221;, numa \u00e9poca em o pr\u00eamio contemplava unicamente publica\u00e7\u00f5es avulsas. Na sequ\u00eancia, e j\u00e1 na configura\u00e7\u00e3o atual \u2013 que releva o conjunto da obra \u2013, ele foi atribu\u00eddo, em 1958, \u00e0 ficcionista Rachel de Queiroz.<\/p>\n<h2>Pouco brasileira?<\/h2>\n<p>A cont\u00ednua e qualificada produ\u00e7\u00e3o de Cec\u00edlia lhe asseguraria o posto de uma das maiores vozes de nossa poesia, desde Viagem, Vaga m\u00fasica, de 1942, Mar absoluto, de 1945, at\u00e9 Solombra e Ou isso ou aquilo, de 1964, ano de sua morte. Pela ascend\u00eancia a\u00e7oriana, pelo casamento com Fernando Correia Dias, pelos la\u00e7os de amizade com escritores portugueses, alguns cr\u00edticos acusaram-na de ser pouco brasileira. Bastaria o mergulho em nosso passado hist\u00f3rico efetuado pelo Romanceiro da Inconfid\u00eancia (1953) para desmentir a acusa\u00e7\u00e3o. Ademais, em nome de que feroz controle de fronteiras impedir que ela tamb\u00e9m cantasse a Holanda, a It\u00e1lia, a \u00cdndia, o Jap\u00e3o, e tantos territ\u00f3rios a que seu corpo ou sua imagina\u00e7\u00e3o a transportaram? A grande poesia prescinde de passaporte, dispondo de salvo conduto para circular em liberdade como palavra cidad\u00e3 do mundo.<\/p>\n<p>Cec\u00edlia Meireles n\u00e3o desenvolveu uma literatura circunstancialmente nacional; ela afirmou-se como not\u00e1vel escritora da l\u00edngua portuguesa, para al\u00e9m das delimita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas. Poesia em tr\u00e2nsito, na persegui\u00e7\u00e3o das coisas que ainda n\u00e3o t\u00eam nome. Poetisa pelos caminhos da terra, pelas asas do ar: n\u00e3o por acaso, considerava-se \u201cpastora de nuvens\u201d. Poetisa pela trilha das \u00e1guas, Cec\u00edlia, a incans\u00e1vel navegante, com sua vaga m\u00fasica em perp\u00e9tua viagem pelo mar absoluto.<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\">\n<div class=\"block__advertising-header\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><em>Antonio Carlos Secchin \u00e9 poeta, ensa\u00edsta e membro da Academia Brasileira de Letras<\/em><\/p>\n<p><em><a id=\"_787d443c-9c40-41d1-a9d9-4edffe12b991\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/livros\/links-livros-23740511\">Links livros<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n<div class=\"article__newsletter\"><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<aside class=\"extra-content\">\n<div id=\"outbrain-recomendacao2\" class=\"article-teaser-outbrain\">\n<div id=\"outbrain_widget_0\" class=\"OUTBRAIN\" data-widget-id=\"AR_2\" data-ob-template=\"oglobo\" data-ob-mark=\"true\" data-browser=\"chrome\" data-os=\"win32\" data-dynload=\"\" data-idx=\"0\">\n<div class=\"ob-widget ob-strip-layout AR_2\" data-dynamic-truncate=\"true\">\n<div class=\"ob-widget-section ob-first\">\n<div class=\"ob-widget-header\"><\/div>\n<ul class=\"ob-widget-items-container\">\n<li class=\"ob-dynamic-rec-container ob-recIdx-0 ob-p\" data-pos=\"0\"><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1919, Cec\u00edlia Meireles publicou o mais clandestino de seus livros: &#8220;Espectros&#8221;. 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