{"id":287758,"date":"2019-06-30T11:12:27","date_gmt":"2019-06-30T14:12:27","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=287758"},"modified":"2019-06-30T11:12:27","modified_gmt":"2019-06-30T14:12:27","slug":"cinco-licoes-de-murakami-para-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cinco-licoes-de-murakami-para-a-vida\/","title":{"rendered":"Cinco li\u00e7\u00f5es de Murakami para a vida"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Francesc Miralles\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/francesc_miralles\/a\/\">Francesc Miralles<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto superior foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561547228_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561547228_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561547228_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561547228_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Cinco li\u00e7\u00f5es de Murakami para a vida\" width=\"980\" height=\"709\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GORKA OLMO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p><em>Al\u00e9m de ser um entretenimento viciante para milh\u00f5es de leitores, os romances do escritor japon\u00eas oferecem chaves para viver melhor<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/escritores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escritores<\/a>\u00a0gozam de um sucesso t\u00e3o cont\u00ednuo nas livrarias ocidentais quanto\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/haruki_murakami\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Haruki Murakami<\/a>, e o fato de ser um autor japon\u00eas torna isso ainda mais not\u00e1vel. O que tem o autor de\u00a0<em>Norwegian Wood<\/em>\u00a0para se conectar de forma t\u00e3o extraordin\u00e1ria com p\u00fablicos que est\u00e3o a v\u00e1rios milhares de quil\u00f4metros dos cen\u00e1rios e hist\u00f3rias que ele descreve? Alguns cr\u00edticos liter\u00e1rios afirmam que seu sucesso reside em oferecer narrativa japonesa para ocidentais, motivo pelo qual Murakami tem muitos detratores em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Outros observam que suas tramas costumam ser simples e com poucos personagens, com o grau justo de mist\u00e9rio e reviravoltas narrativas. \u00c9 muito improv\u00e1vel que algu\u00e9m se perca em seus\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/novela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">romances<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, isso n\u00e3o basta para explicar o furor que causam suas hist\u00f3rias entre n\u00f3s, cheias de estranhos acontecimentos, golpes do acaso, amantes inesperados,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/musica_clasica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">m\u00fasica cl\u00e1ssica<\/a>\u00a0\u2013 ou\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jazz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">jazz<\/a> \u2013 e um ou outro gato. N\u00e3o estaria Murakami plasmando nossa vida atual a partir do seu olhar particular? Vejamos ent\u00e3o de que maneira sua leitura nos ensina a viver:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. A solid\u00e3o \u00e9 a melhor via para o conhecimento.<\/strong>\u00a0Em mais de um romance de Murakami, o protagonista empreende uma viagem solit\u00e1ria para escapar da confus\u00e3o vital. No caso do jovem fugitivo de\u00a0<em>Kafka \u00e0 Beira-Mar<\/em>, isso lhe permitir\u00e1 acessar aspectos desconhecidos de si mesmo. Quando nos vemos confrontados com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/soledad\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">solid\u00e3o<\/a>depois de uma separa\u00e7\u00e3o ou morte, ou quando a buscamos atrav\u00e9s de uma viagem inici\u00e1tica, afloram partes de n\u00f3s que antes estavam soterradas. Sem a prote\u00e7\u00e3o e o ru\u00eddo dos outros, o encontro com n\u00f3s mesmos \u00e9 inevit\u00e1vel, com o que damos um salto adiante em nossa pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. O mundo \u00e9 imprevis\u00edvel.<\/strong>\u00a0A segunda li\u00e7\u00e3o de vida que extra\u00edmos de seus romances \u00e9 que a vida sempre nos surpreende. Portanto, \u00e9 absurdo tratar de control\u00e1-la ou nos angustiar com poss\u00edveis amea\u00e7as. No \u00faltimo romance de Murakami, o extenso\u00a0<em>O Assassinato do Comendador<\/em>, um pintor de vida est\u00e1vel e acomodada recebe a not\u00edcia de que sua mulher quer se separar porque teve um sonho que a empurra a tomar essa decis\u00e3o. Quando o pintor lhe pergunta do que tratava esse sonho, lhe diz que \u00e9 algo muito pessoal. Se s\u00f3 podemos esperar o inesperado, \u00e9 in\u00fatil fazer previs\u00f5es. E isso pode ser um grande calmante para a mente. Quanto aos porqu\u00eas que podem surgir para nos torturar, isso nos leva \u00e0 seguinte li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561546159_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561546159_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561546159_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/06\/26\/eps\/1561540814_571709_1561546159_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Cinco li\u00e7\u00f5es de Murakami para a vida\" width=\"980\" height=\"1245\" \/><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. N\u00e3o procure um sentido.<\/strong>\u00a0Os argumentos de Murakami se desenvolvem em um mundo de caos e aleatoriedade. Muitas vezes nem sequer \u00e9 poss\u00edvel culpar ningu\u00e9m pelo sofrimento, o que \u00e9 uma boa not\u00edcia. Como dizia Viktor Frankl, o ser humano vai em busca de sentido, mas grande parte das coisas que nos acontecem n\u00e3o o tem. Como nos romances do autor japon\u00eas, muitas vezes sentiremos que nossa vida \u00e9 um sonho onde as coisas acontecem sem raz\u00e3o aparente. Podemos confrontar este fato com duas atitudes opostas: lamentar como o mundo \u00e9 injusto e absurdo, ou surfar as ondas que a exist\u00eancia nos traz. Disso decorre a quarta li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Se sobreviver ao caos, voc\u00ea j\u00e1 ganhou.<\/strong>\u00a0Dado que confrontamos sozinhos muitos trechos de nossa exist\u00eancia, e se sabemos tamb\u00e9m que tudo \u00e9 imprevis\u00edvel e que n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que coisas tenham sentido, ent\u00e3o talvez a arte de viver seja sair o melhor poss\u00edvel da experi\u00eancia. Viemos ao mundo para vivenciar coisas, para trope\u00e7ar e para resolver problemas, como fazem os personagens de Murakami. O pr\u00eamio \u00e9 seguir em frente no jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5. O orgulho e o medo nos tiram o melhor da vida.<\/strong>Em seu ensaio\u00a0<em>Romancista como voca\u00e7\u00e3o<\/em>, Murakami menciona uma hist\u00f3ria t\u00e3o m\u00e1gica quanto triste. Aparentemente, em uma noite de 1922\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/james_joyce\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">James Joyce<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/marcel_proust\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcel Proust<\/a>\u00a0estiveram num mesmo restaurante de Paris, onde jantaram em mesas pr\u00f3ximas. Os comensais que os reconheceram estavam emocionados, esperando que aqueles gigantes da literatura come\u00e7assem a debater. Nada aconteceu. Nas palavras do japon\u00eas: \u201cA noite chegou ao fim sem que nenhum dos dois se dignasse dirigir a palavra ao outro. Imagino que foi o orgulho o que frustrou uma simples conversa, e isso \u00e9 algo muito frequente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas vezes perdemos uma oportunidade, pessoal ou profissional, por n\u00e3o ter dado o passo? Trate-se de orgulho, como interpreta Murakami, ou do medo de sermos rejeitados, ao nos conter talvez deixemos a mais bela p\u00e1gina de nossa hist\u00f3ria por escrever.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">Em busca da ternura perdida<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>Como comenta Carme Garc\u00eda Gomila em um ensaio para a revista\u00a0<i>Temas de Psicoan\u00e1lisis<\/i>, a solid\u00e3o dos personagens de Murakami vai al\u00e9m das \u201crela\u00e7\u00f5es l\u00edquidas\u201d, o conceito do soci\u00f3logo Zygmunt Bauman para explicar o fim dos v\u00ednculos \u201cvital\u00edcios\u201d em um mundo no qual o amor se tornou provis\u00f3rio e prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para Garc\u00eda Gomila, sob a rigidez da sociedade japonesa pulsa uma ternura et\u00e9rea, quase indetect\u00e1vel, pois est\u00e1 longamente reprimida na alma japonesa e talvez atualmente na ocidental. As perip\u00e9cias dos personagens de Murakami, nesse sentido, s\u00e3o uma busca desesperada por essa ternura que, com sorte, algum dia tiveram \u2013 talvez atrav\u00e9s de sua m\u00e3e \u2013 e que se oculta adormecida no fundo de sua alma.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"sumario_3|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><i>Francesc Miralles<\/i><\/b><i>\u00a0\u00e9 escritor e jornalista especializado em psicologia.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos\u00a0escritores\u00a0gozam de um sucesso t\u00e3o cont\u00ednuo nas livrarias ocidentais quanto\u00a0Haruki Murakami, e o fato de ser um autor japon\u00eas torna isso ainda mais not\u00e1vel. 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