{"id":289943,"date":"2019-07-22T07:53:15","date_gmt":"2019-07-22T10:53:15","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=289943"},"modified":"2019-07-22T07:53:15","modified_gmt":"2019-07-22T10:53:15","slug":"jarid-arraes-a-jovem-mulher-do-sertao-que-faz-literatura-retirante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/jarid-arraes-a-jovem-mulher-do-sertao-que-faz-literatura-retirante\/","title":{"rendered":"Jarid Arraes, a \u201cjovem mulher do sert\u00e3o\u201d que faz literatura retirante"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Escritora, poeta e cordelista lan\u00e7a livro de contos protagonizados por mulheres do Cariri cearense e fala se sua condi\u00e7\u00e3o de migrante do s\u00e9culo XXI: &#8220;A gente mora nessa casa com telhado quebrado&#8221;<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/07\/16\/cultura\/1563309707_729625_1563727727_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/07\/16\/cultura\/1563309707_729625_1563727727_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/07\/16\/cultura\/1563309707_729625_1563727727_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/07\/16\/cultura\/1563309707_729625_1563727727_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"A escritora Jarid Arraes.\" width=\"980\" height=\"582\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A escritora Jarid Arraes.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Joana Oliveira\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/joana_carolina_lopes_de_oliveira\/a\/\">JOANA OLIVEIRA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Jarid Arraes, cordelista e escritora de 28 anos, define-se como uma &#8220;jovem mulher do sert\u00e3o&#8221;, apesar de viver em S\u00e3o Paulo desde 2014 (mudou-se exatamente no dia 31 de dezembro). Nascida e criada em Juazeiro do Norte, regi\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ceara\/a\/\">Cariri cearense<\/a>, ela cresceu entre os cord\u00e9is escritos pelo pai e o av\u00f4 e os livros da m\u00e3e, professora. Aprendeu a ler antes de chegar \u00e0 escola e, depois dos cord\u00e9is, descobriu a poesia. &#8220;Lia Drummond, Goulart, Augusto dos Anjos. Gra\u00e7as a isso, comecei a escrever tamb\u00e9m muito cedo, fazendo biografias de mulheres negras em cordel&#8221;, conta ela na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/flip_festa_literaria_internacional_paraty\">Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip)<\/a>, onde foi um dos destaques, com o livro de contos\u00a0<em>Redemoinho em dia quente<\/em>\u00a0(Alfaguara), o primeiro que publica em uma grande editora.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKTy4MStyOMCFdRPhgodVwEBmQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"8\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Arraes s\u00f3 soube que podia escrever, de fato, quando conheceu o nome\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/29\/cultura\/1501282581_629505.html\">Concei\u00e7\u00e3o Evaristo<\/a>. &#8220;Descobri-la me deu a confirma\u00e7\u00e3o que eu podia escrever, porque eu nunca tinha lido nada escrito por uma mulher negra, por algu\u00e9m que parecesse minimamente comigo. Quando li\u00a0<em>Cadernos Negros<\/em>, a literatura se abriu para mim e comecei a publicar o que eu escrevia&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/12\/cultura\/1562962566_242859.html\">A primeira obra, um livro de cord\u00e9is<\/a>, foi publicado aos 22 anos, por meio de um empr\u00e9stimo. Depois, vieram a colet\u00e2nea\u00a0<em>Hero\u00ednas negras brasileiras em 15 cord\u00e9is<\/em>, lan\u00e7ado em 2017, e o livro de poesia\u00a0<em>Um buraco com meu nome,<\/em>\u00a0do ano passado. A escritora tem um carinho especial, no entanto, pelo ca\u00e7ula, onde todos os contos s\u00e3o protagonizados por mulheres e no qual ela imprime a viv\u00eancia de ser uma esp\u00e9cie de retirante no s\u00e9culo XXI e suas vis\u00f5es sobre a terra natal.\u00a0 &#8220;S\u00e3o hist\u00f3rias que fogem do estere\u00f3tipo da mulher sertaneja, que vive em casa de taipa, com ch\u00e3o rachado e caveira de vaca na frente. Mesmo quando retrato a pobreza em alguns contos, n\u00e3o \u00e9 dessa forma, porque n\u00e3o foi isso que eu vi e nem acho interessante reproduzirmos sempre as mesmas coisas. Quis representar um Cariri urbanizado, com idosas l\u00e9sbicas, mulheres que gostam das tradi\u00e7\u00f5es, outras que as subvertem\u2026 Me representa muito, n\u00e3o s\u00f3 por ser um livro da minha terra, mas por ter essa multiplicidade de vozes&#8221;, explica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>Redemoinho em dia quente<\/em>, o leitor conhece as hist\u00f3rias de uma velha religiosa que toma rem\u00e9dios alucin\u00f3genos para encontrar Padre C\u00edcero, de uma travesti cujo sonho \u00e9 conhecer Silvio Santos, mas tamb\u00e9m o relato de uma adolescente que descobre que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/12\/internacional\/1562928581_800317.html\">o pai abusa sexualmente de sua irm\u00e3<\/a>. &#8220;Agora ela \u00e9 como uma casa com telhado quebrado, mas onde ainda mora gente&#8221;, diz, em certo momento, a personagem. Arraes usa essa frase para construir um paralelo com as muitas viol\u00eancias \u00e0s quais as mulheres s\u00e3o submetidas e que ela mesma sofreu, conta, como nordestina migrante em S\u00e3o Paulo. &#8220;A gente mora nessa casa com telhado quebrado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O livro tamb\u00e9m \u00e9 especial porque restabeleceu a rela\u00e7\u00e3o de carinho entre a escritora e o Cariri, algo que fica claro no conto em primeira pessoa\u00a0<em>Despedida de Juazeiro Norte<\/em>. &#8220;A vida inteira, sentia que aquele lugar n\u00e3o me encontrava, n\u00e3o me sentia pertencente. Por muito tempo, n\u00e3o gostei de l\u00e1, e esse livro e a ida para S\u00e3o Paulo me fizeram ver o carinho e a saudade que tenho da minha terra. At\u00e9 mesmo o fato de ser escritora, com toda a influ\u00eancia do cordel, s\u00f3 foi poss\u00edvel porque cresci l\u00e1, porque aprendi l\u00e1&#8221;, diz Arraes.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Apesar dos planos de publicar, em breve, um romance, a escritora conta que n\u00e3o pretende abandonar o cordel. &#8220;Valorizo essa literatura como est\u00e9tica, como tradi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 atualizo os temas, mas mantenho a identidade, que s\u00e3o o ritmo, a rima, a m\u00e9trica&#8221;. Ela pretende continuar fazendo essa parte de sua obra de maneira independente, montando um a um n\u00e3o m\u00e3o e mandando para os leitores por correio. &#8220;Isso \u00e9 autonomia e respeito \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o. Um acordo que fa\u00e7o com as editoras \u00e9 que, mesmo que publique outro livro de cordel, continuarei vendendo as hist\u00f3rias individuais como folheto&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/04\/cultura\/1554386818_937931.html\">Desde que come\u00e7ou a publicar de modo independente<\/a>, Arraes mant\u00e9m uma loja online. Com mais de 30 mil seguidores, ela \u00e9 muito consciente que grande parte do seu \u00eaxito veio da rela\u00e7\u00e3o direta com o p\u00fablico nas redes sociais. &#8220;S\u00f3 consegui chegar onde cheguei porque soube usar a Internet. Eu n\u00e3o estava nas livrarias, ent\u00e3o onde ia mostrar meu trabalho? Al\u00e9m disso, valorizo muito minha rela\u00e7\u00e3o com os leitores, respondo todo mundo, sempre estou muito pr\u00f3xima. Acho que essa \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o mais honesta e h\u00e1 mais apoio. \u00c9 algo que nenhuma vitrine ou editora substitui&#8221;, diz. Durante a Flip, a escritora recebeu um dos apoios que mais almejava: o da sua mentora liter\u00e1ria, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. &#8220;Voc\u00ea me mostrou que n\u00e3o estou condenada ao sil\u00eancio&#8221;, disse, emocionada.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritora, poeta e cordelista lan\u00e7a livro de contos protagonizados por mulheres do Cariri cearense e fala se sua condi\u00e7\u00e3o de migrante do s\u00e9culo XXI: &#8220;A gente mora nessa casa com telhado quebrado&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":289944,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-289943","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cordelista.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/289943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=289943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/289943\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/289944"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=289943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=289943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=289943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}