{"id":291255,"date":"2019-08-05T06:33:36","date_gmt":"2019-08-05T09:33:36","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=291255"},"modified":"2019-08-05T06:33:36","modified_gmt":"2019-08-05T09:33:36","slug":"os-grandes-malvados-da-historia-tem-algo-em-comum-a-vaidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-grandes-malvados-da-historia-tem-algo-em-comum-a-vaidade\/","title":{"rendered":"Os grandes malvados da hist\u00f3ria t\u00eam algo em comum: a vaidade"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n      right-links\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/mPyRV4hKpGkOID87RnTbVcLEqLs=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/MG56XUW7ZRX5KEQJQXAERFJWLE.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\"><span class=\"color_black margin_left uppercase light\">MIKEL JASO<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Lola Mor\u00f3n\" href=\"https:\/\/cat.elpais.com\/autor\/lola_moron\/a\/\">LOLA MOR\u00d3N<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter\"><\/div>\n<p class=\"introduction | color_gray_dark font_primary\">O que os grandes malvados da hist\u00f3ria t\u00eam em comum? Todos eram vaidosos e impuseram a sua verdade em nome de um bem maior.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hannah_arendt\" data-link-track-dtm=\"\">FIL\u00d3SOFA alem\u00e3 Hannah Arendt<\/a>\u00a0definiu o t\u00e3o celebrado quanto criticado conceito de \u201cbanalidade do mal\u201d em refer\u00eancia ao que observou durante o julgamento de Adolf Eichmann, realizado em Jerusal\u00e9m, em 1961. Coronel da SS, o trabalho di\u00e1rio de Eichmann consistia em garantir o transporte das massas de judeus para a morte nos campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/26\/opinion\/1503698941_685704.html\" data-link-track-dtm=\"\">Arendt falou de um mal banal, sem sentido<\/a>, devido \u00e0 submiss\u00e3o cega de quem o havia exercido e \u00e0 absoluta aus\u00eancia de um crit\u00e9rio pr\u00f3prio. Eichmann era um ser despojado de toda humanidade, porque o ser humano \u00e9 dotado de capacidade reflexiva e voluntariedade. O seu era um mal sem inten\u00e7\u00e3o direta; um mal impessoal, submisso e irrefletido. Um mal diante do qual, segundo Arendt, \u201cas palavras e o pensamento se sentem impotentes\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_left\">\n<div>Quando escolhemos ter mil retu\u00edtes diante do direito \u00e0 honra e \u00e0 dor que causamos a uma pessoa, estamos sendo vaidosos<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">Quando nos deparamos com atos desapiedados t\u00e3o dif\u00edceis de explicar, nos vemos tentados a considerar aqueles que os cometem como seres especiais, irracionais e doentes. Seres diferentes de n\u00f3s, j\u00e1 que n\u00f3s, afirmamos, ter\u00edamos sido capazes de desobedecer a uma ordem para escolher o bem. N\u00e3o estamos interessados em pensar nesses indiv\u00edduos como pessoas \u201cnormais\u201d. \u201cN\u00e3o, eles n\u00e3o podem ser como eu\u201d, dizemos a modo de consolo.<\/p>\n<p class=\"\">Os atos banais, mas malignos, s\u00f3 podem ser cometidos em nome de algu\u00e9m ou de algo sempre por \u201cobedi\u00eancia devida\u201d; isto \u00e9, porque um terceiro nos indica e inclusive nos obriga a faz\u00ea-lo. As cr\u00edticas ao conceito da banalidade do mal afirmam que os autores desse tipo de crimes n\u00e3o s\u00e3o pessoas obedientes, mas seres absolutamente cru\u00e9is \u2014desse modo voltamos a nos excluir como vulner\u00e1veis, pois sabemos que n\u00e3o somos cru\u00e9is\u2014 que t\u00eam a habilidade de oferecer um argumento que justifique seus atos.<\/p>\n<p class=\"\">Sem nos determos para avaliar a pertin\u00eancia do conceito, \u00e9 verdade que n\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel a todo ato malvado. Quando o mal \u00e9 exercido em nome de si mesmo, quando algu\u00e9m \u00e9 inteiramente uma pessoa f\u00edsica e ps\u00edquica, quando sou eu e n\u00e3o outro quem empreende de forma direta o ato malvado, este n\u00e3o \u00e9 banal. A maldade individual nunca \u00e9 banal. \u00c9 um ato de soberba, um ato de vaidade. A natureza do homem, sua humanidade, n\u00e3o reside no bem nem no mal. O que nos torna humanos \u00e9 a capacidade, a possibilidade e o dever de resolver o conflito que existe entre ambos.<\/p>\n<p class=\"\">Quando agimos, tomamos uma decis\u00e3o. Se diante de n\u00f3s se abre a possibilidade de escolher entre um ato bom e um mau, estamos diante de um conflito de valores. Para resolver o dilema, estabelecemos uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios de acordo com nossos pr\u00f3prios valores e com a forma como consideramos os valores do outro. Quando eu imponho meu benef\u00edcio ao de outra pessoa, isso \u00e9 ego\u00edsmo, outra forma de vaidade. Quando o \u00fanico benef\u00edcio que obtenho \u00e9 provar minha teoria, \u00e9 pura vaidade.<\/p>\n<p class=\"\">O estuprador que, frente \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/05\/politica\/1499276543_932033.html\" data-link-track-dtm=\"\">liberdade sexual de uma mulher\u00a0<\/a>e o dano f\u00edsico e ps\u00edquico que lhe inflige \u2014com seu rastro\u00a0 inquebrant\u00e1vel\u2014 escolhe a possess\u00e3o e seu pr\u00f3prio prazer \u00e9 cruel e \u00e9 vaidoso. Quando escolhemos ter mil retu\u00edtes diante do direito \u00e0 honra e \u00e0 dor que causamos a uma pessoa ou a um grupo, estamos sendo vaidosos em nossa maledic\u00eancia. O mal \u00e9 vaidoso.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top pull_left width_half\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/M6FXh3_nF0qqeW3IF2bYkpSOcBI=\/450x600\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/KRSNUCIBXTSY7ICZJTB4C65F7Y.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adolf_hitler\" data-link-track-dtm=\"\">Hitler<\/a>\u00a0era vaidoso, como vaidosos s\u00e3o todos os grandes malvados da hist\u00f3ria. Na fic\u00e7\u00e3o, Thanos, o supervil\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/26\/cultura\/1524740452_288058.html\" data-link-track-dtm=\"\"><em>Vingadores: Guerra Infinita<\/em><\/a>, acaba com metade do universo vivo, ca\u00f3tico e hiperpovoado, pelo bem do pr\u00f3prio universo. Mais repercuss\u00e3o teve a decis\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/13\/cultura\/1557749901_699284.html\" data-link-track-dtm=\"\">final de Daenerys Targaryen, na famosa s\u00e9rie\u00a0<em>Game of Thrones<\/em><\/a>, quando se disp\u00f5e a arrasar todas as aldeias para come\u00e7ar de novo sobre as bases do que para ela \u00e9 aceit\u00e1vel, conveniente e toler\u00e1vel, erigindo-se em luminar da verdade e impondo-a em nome de um bem maior. Isso \u00e9 vaidade.<\/p>\n<p class=\"\">O supremacismo \u00e9 vaidade. Matar ou governar pela gra\u00e7a de Deus \u00e9 vaidade. Existe maior vaidade do que se arrogar o papel de ferramenta divina? Matar ou governar com a exonera\u00e7\u00e3o de culpa castrista \u2014\u201cA hist\u00f3ria me absolver\u00e1\u201d\u2014 \u00e9 vaidade.<\/p>\n<p class=\"\">No curso da hist\u00f3ria, a tend\u00eancia foi minimizar e tentar eliminar os atos que hoje consideramos inaceit\u00e1veis. H\u00e1 pouco mais de um s\u00e9culo, bater-se em duelo n\u00e3o era apenas legal, mas obrigat\u00f3rio. Dar morte a uma pessoa para resolver uma ofensa. A honra como valor estava acima da vida como valor. Antes dos duelos, o forte se limitava a executar aquele que o ofendia, sem oferecer-lhe sequer a possibilidade de se defender, sem jogar nesse mesmo ato sua pr\u00f3pria vida para limpar sua honra. Isso faz parte da evolu\u00e7\u00e3o moral do coletivo: se honra e vida s\u00e3o valores compar\u00e1veis, ao menos que a parte ofendida esteja disposta a arriscar tamb\u00e9m a sua. E um passo adiante est\u00e1 a proibi\u00e7\u00e3o de que duas pessoas possam arriscar suas vidas por honra. Quem mata \u00e9 um assassino, n\u00e3o um duelista. A vida se torna o valor mais precioso. Nada justifica o assassinato. Nada.<\/p>\n<p class=\"\">Isso n\u00e3o significa que sejamos melhores ou piores do que os homens das cavernas, significa apenas que nos adaptamos a sistemas de conduta que respondem a uma aprendizagem trans-hist\u00f3rica. As sociedades que prosperam s\u00e3o aquelas regidas por sistemas de conduta mais ben\u00e9ficos para a evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"inset | background_gray_ultra_light margin_bottom_lg \">\n<p class=\"margin_bottom_sm\">Lola Mor\u00f3n \u00e9 psiquiatra e especialista em neuropsiquiatria.<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hitler\u00a0era vaidoso, como vaidosos s\u00e3o todos os grandes malvados da hist\u00f3ria. Na fic\u00e7\u00e3o, Thanos, o supervil\u00e3o de\u00a0Vingadores: Guerra Infinita, acaba com metade do universo vivo, ca\u00f3tico e hiperpovoado, pelo bem do pr\u00f3prio universo. 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