{"id":291387,"date":"2019-08-06T06:23:47","date_gmt":"2019-08-06T09:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=291387"},"modified":"2019-08-06T06:23:47","modified_gmt":"2019-08-06T09:23:47","slug":"e-preciso-apagar-a-ideia-de-que-reduzir-a-desigualdade-e-coisa-de-comunista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/e-preciso-apagar-a-ideia-de-que-reduzir-a-desigualdade-e-coisa-de-comunista\/","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 preciso apagar a ideia de que reduzir a desigualdade \u00e9 coisa de comunista\u201d"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\"><em>Ex-economista do Banco Mundial, Martin Ravallion agora d\u00e1 aulas em Georgetown. De fam\u00edlia humilde, sofreu em primeira pessoa o impacto da pobreza antes de lutar contra ela<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n    \"><\/div>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n      right-links\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/W6RtLzaDrzgd9Arg7Mqwo33RfZc=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/Y42CO3CO77FEPMENDVRTBPWEH4.jpg\" alt=\"Martin Ravallion, fotografado em um hotel da Cidade do M\u00e9xico.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Martin Ravallion, fotografado em um hotel da Cidade do M\u00e9xico.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GLADYS SERRANO<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Ignacio Fariza \" href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/ignacio_fariza_somolinos\/a\/\">IGNACIO FARIZA<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n      small\n      margin_left\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Uma hora de conversa com Martin Ravallion (Sidney, 1952) \u00e9 o mais parecido a um livro de macroeconomia aberto em duas p\u00e1ginas: a da desigualdade e a das falhas do capitalismo do s\u00e9culo XXI. Pai da tabela de um d\u00f3lar (4 reais) di\u00e1rio como linha global de pobreza quando era economista do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/banco_mundial\" data-link-track-dtm=\"\">Banco Mundial<\/a>\u00a0\u2014 onde anos depois dirigiu seu prestigioso grupo de pesquisa para o desenvolvimento \u2014, \u00e9 desde 2013 professor da Universidade Georgetown (EUA). Ravallion, instalado h\u00e1 anos entre os 100 economistas mais reconhecidos do mundo de acordo com a classifica\u00e7\u00e3o do Ideas-Repec, sabe bem o significado da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/desigualdad_social\" data-link-track-dtm=\"\">desigualdade<\/a>: nasceu em uma fam\u00edlia pobre, sofreu na pr\u00f3pria carne o que significa viver com dificuldades e decidiu que \u201cn\u00e3o queria ser pobre\u201d nunca mais, como disse quando recebeu o pr\u00eamio Fronteiras do Conhecimento BBVA, em 2016. \u201cTodos os meus papers s\u00e3o muito chatos\u201d, diz rindo ao EL PA\u00cdS pouco depois de dar uma confer\u00eancia organizada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/intermon\" data-link-track-dtm=\"\">Oxfam<\/a>\u00a0no Col\u00e9gio do M\u00e9xico. N\u00e3o \u00e9 verdade: o australiano \u00e9 um dos especialistas que melhor explicam, com palavras ao alcance de todos, por que a iniquidade \u00e9 um dos grandes problemas globais de nosso tempo.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pobreza\" data-link-track-dtm=\"\">pobreza extrema<\/a>\u00a0caiu bastante nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas a desigualdade ofuscou essa boa not\u00edcia.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0A desigualdade global, entendida como aquela entre todos os habitantes do planeta e em termos relativos, tamb\u00e9m caiu. N\u00e3o tanto como a pobreza, mas caiu. E isso \u00e9 algo que costuma confundir as pessoas.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Cito um recente estudo do Banco Mundial, que o senhor conhece bem: \u201cA queda na taxa de pobreza desacelerou, aumentando dessa forma a preocupa\u00e7\u00e3o sobre a consecu\u00e7\u00e3o do objetivo de acabar com a pobreza extrema em 2030\u201d. O que est\u00e1 acontecendo?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Parte disso tem a ver com a desacelera\u00e7\u00e3o (econ\u00f4mica) na \u00c1frica e com o fato de que a redu\u00e7\u00e3o da pobreza teve a ver em boa medida com o\u00a0<em>boom<\/em>\u00a0das mat\u00e9rias-primas, que se deteve. Mas s\u00e3o coisas que flutuam, e acho que n\u00e3o dever\u00edamos ver isso como um grande problema: estamos no caminho, desde que n\u00e3o ocorra outra crise financeira global, para cumprir com o objetivo do pr\u00f3prio Banco Mundial de diminuir a 3% a pobreza extrema global em 2030. Ainda que, claro, n\u00e3o sou isento porque colocar esse n\u00famero foi uma das \u00faltimas coisas que fiz no Banco Mundial (risos). Se tra\u00e7armos como meta o objetivo de desenvolvimento sustent\u00e1vel (das Na\u00e7\u00f5es Unidas) de \u201celiminar a pobreza\u201d chegando a 0%, isso n\u00e3o ocorrer\u00e1 sem uma grande mudan\u00e7a nas pol\u00edticas: ao ritmo atual levar\u00e1 200 anos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Mas mesmo eliminar a pobreza extrema n\u00e3o quer dizer que deixar\u00e3o de existir milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>\u201cGostaria que o capitalismo funcionasse para todo mundo. N\u00e3o vejo isso acontecer\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0De forma alguma. A linha de 1,90 d\u00f3lares (7,5 reais) por dia \u00e9 realmente baixa: imaginemos o pouco que se pode comprar com essa quantidade.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0A desigualdade irrompeu na agenda, mas fala-se o suficiente dela?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o, dever\u00edamos falar mais e faz\u00ea-lo de maneira mais espec\u00edfica. Devemos nos centrar menos nas estat\u00edsticas e mais em aspectos concretos que possam atrair a aten\u00e7\u00e3o (da sociedade) e nos mobilizar \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Ainda que a desigualdade atraia maior aten\u00e7\u00e3o, a pobreza sempre dominou o debate. \u201cPobreza\u201d \u00e9 uma palavra popular e \u201cdesigualdade\u201d n\u00e3o, mas, em parte, isso est\u00e1 mudando: a pobreza est\u00e1 se transformando em uma quest\u00e3o respeit\u00e1vel na literatura acad\u00eamica e a sociedade \u00e9 cada vez mais consciente.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0A evolu\u00e7\u00e3o recente na\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/latinoamerica\/a\" data-link-track-dtm=\"\">Am\u00e9rica Latina<\/a>\u00a0deve nos preocupar?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim. A situa\u00e7\u00e3o da pobreza \u00e9 muito melhor do que em outras regi\u00f5es, como a \u00c1frica subsaariana, mas sua evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo pior. A desigualdade na Am\u00e9rica Latina \u00e9 muito alta e isso \u00e9 um problema, tanto ao crescimento econ\u00f4mico como \u00e0 luta contra a pobreza. E a falta de consenso em rela\u00e7\u00e3o a esse ponto \u00e9 um grande problema: h\u00e1 muita complac\u00eancia e muita falsa ret\u00f3rica. Toda a desigualdade \u00e9 sempre ruim? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade. H\u00e1 n\u00edveis de desigualdade que s\u00e3o positivos em termos de incentivos, ao crescimento e \u00e0 pr\u00f3pria redu\u00e7\u00e3o da pobreza. Mas esse grau de desigualdade, como a desigualdade racial e de g\u00eanero, \u00e9 inaceit\u00e1vel e devemos construir um consenso em torno disso.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Como?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 preciso mostrar mais \u00e0s pessoas como a desigualdade \u00e9 custosa. N\u00e3o \u00e9 somente \u00e9tica e moralmente repulsiva: tamb\u00e9m \u00e9 uma m\u00e1 not\u00edcia ao crescimento econ\u00f4mico. Se a desigualdade n\u00e3o \u00e9 bem gerida n\u00e3o ocorre muito crescimento e n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel aproveitar seus benef\u00edcios. Tudo est\u00e1 conectado.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0H\u00e1 um consenso quase total em torno \u00e0 ideia de que a pobreza \u00e9 negativa e deve ser combatida, mas n\u00e3o existe o mesmo consenso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade. Por que alguns ainda veem na desigualdade um catalisador do crescimento?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Muita gente apela \u00e0 ideia de que em um mundo sem desigualdade n\u00e3o haveria incentivos e, como dizia, h\u00e1 uma certa verdade nessa afirma\u00e7\u00e3o. Mas o objetivo n\u00e3o deve ser a desigualdade zero, e sim a pobreza zero. O objetivo deve ser um n\u00edvel de desigualdade manej\u00e1vel, aceit\u00e1vel, que n\u00e3o se perpetue. Continuam existindo economistas que n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o de renda: nunca ser\u00e1 poss\u00edvel fazer com que todos os economistas da academia concordem em algo. Mas n\u00e3o acho que algu\u00e9m possa consultar a literatura dispon\u00edvel hoje e discordar do fato de que a desigualdade \u00e9 um freio ao crescimento. H\u00e1 15 ou 20 anos, a maioria dos economistas pensava unicamente na efici\u00eancia e dizia que a desigualdade era positiva ao crescimento: novamente, depende dos n\u00edveis de desigualdade de que estamos falando, mas agora j\u00e1 s\u00e3o poucos. \u00c9 significativo que o livro de economia mais vendido de todos os tempos seja um sobre desigualdade,\u00a0<em>O Capital no S\u00e9culo XXI<\/em>, de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/thomas_piketty\" data-link-track-dtm=\"\">Thomas Piketty<\/a>.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>\u201cContinuam existindo economistas que n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Qual seria a desigualdade \u201caceit\u00e1vel\u201d?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o sei: sabemos quando \u00e9 muito alta, como em muitos pa\u00edses latino-americanos hoje, e quando \u00e9 muito baixa, como na extinta\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/urss_union_republicas_socialistas_sovieticas\" data-link-track-dtm=\"\">Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/a>, na China anterior aos anos oitenta. E quando nos movemos na dire\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Pensemos em um \u00edndice como o de Gini. Em que ponto deveria estar a iniquidade para que fosse \u201cmanej\u00e1vel\u201d?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o focaria tanto nos \u00edndices, e sim nas causas: \u00e9 preciso existir boas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, creches e escolas decentes, os jovens devem poder estudar na Universidade e desenvolver todo o seu potencial&#8230; Essas s\u00e3o as coisas que verdadeiramente importam: \u00e9 preciso focar mais nas pol\u00edticas do que nos \u00edndices e nas taxas. Tamb\u00e9m apagar a ideia de que querer reduzir a desigualdade \u00e9 coisa de comunista: eu gostaria que o capitalismo funcionasse para todo mundo. E n\u00e3o vejo isso acontecer.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0A pergunta de um milh\u00e3o: como podemos fazer com que o capitalismo funcione para todos?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Principalmente, assegurando que o campo de jogo fique muito mais nivelado: tentando minimizar a desvantagem das crian\u00e7as que nascem em fam\u00edlias pobres. E isso requer uma interven\u00e7\u00e3o a partir das menores idades: precisamos de pol\u00edticas que corrijam essa iniquidade desde o come\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Mas acha poss\u00edvel um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/capitalismo\" data-link-track-dtm=\"\">capitalismo<\/a>\u00a0que funcione para todos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida. N\u00e3o disseram que o capitalismo \u00e9 uma ideia terr\u00edvel, mas melhor do que as outras? N\u00e3o adoro o capitalismo, mas acho que n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro sistema que possa se equiparar \u00e0 economia de mercado. Dito isto, o capitalismo de hoje n\u00e3o \u00e9 o mesmo do qual falava Adam Smith: se tornou menos competitivo e muito mais dominado por monop\u00f3lios. Dever\u00edamos nos preocupar por isso: como \u00e9 a concorr\u00eancia na ind\u00fastria tecnol\u00f3gica, por exemplo? As coisas que um capitalismo verdadeiramente competitivo pode conseguir s\u00e3o incr\u00edveis, mas para isso precisamos nos assegurar de que a concorr\u00eancia se mantenha e que se lide bem com a desigualdade. E para isso s\u00e3o necess\u00e1rias boas pol\u00edticas.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Aprendemos com os erros de pol\u00edticas p\u00fablicas cometidos no passado?<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o. \u00c9 muito frustrante ver a falta de aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas. Em parte, porque quase todos os pol\u00edticos n\u00e3o querem escutar que seus programas n\u00e3o funcionam bem e em parte porque muitas vezes os programas s\u00e3o muito inflex\u00edveis. Avan\u00e7amos muito nos programas de avalia\u00e7\u00e3o de impacto desses planos nos \u00faltimos 20 anos, mas o maior desafio \u00e9 que isso chegue ao processo pol\u00edtico.<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-economista do Banco Mundial, Martin Ravallion agora d\u00e1 aulas em Georgetown. 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