{"id":291612,"date":"2019-08-08T09:18:33","date_gmt":"2019-08-08T12:18:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=291612"},"modified":"2019-08-08T09:18:33","modified_gmt":"2019-08-08T12:18:33","slug":"as-mulheres-da-coca-querem-sair-dela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/as-mulheres-da-coca-querem-sair-dela\/","title":{"rendered":"As mulheres da coca querem sair dela"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o s\u00e3o narcotraficantes. S\u00e3o agricultoras colombianas que trabalham de sol a sol e sofrem por estar vinculadas a uma economia criminalizada. \u00c9 o \u00fanico cultivo que lhes proporciona oportunidades para sobreviver<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n    \"><\/div>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n      right-links\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/oW9QNs18lL5WmF9_ruQFTwIRYko=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/L6FHV5NWGQMM4EJYB5BR2AHNPY.jpg\" alt=\"Doris Ramos e sua fam\u00edlia cultivaram coca durante muito tempo no munic\u00edpio de Tumaco.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Doris Ramos e sua fam\u00edlia cultivaram coca durante muito tempo no munic\u00edpio de Tumaco.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">J. S.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Javier Sul\u00e9 Ortega\" href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/javier_sule_ortega\/a\/\">JAVIER SUL\u00c9 ORTEGA<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Como um ritual, Laura Puente protege os dedos com peda\u00e7os de pano para evitar cortar as m\u00e3os toda vez que vai trabalhar. \u00c9 o que fazem quase todas as\u00a0<em>raspachinas<\/em>, como s\u00e3o conhecidas na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/colombia\" data-link-track-dtm=\"\">Col\u00f4mbia<\/a>\u00a0as pessoas que coletam folhas de coca. Faz isso desde que chegou sozinha aos 14 anos em Tib\u00fa, na \u00e1rea conflituosa de Catatumbo, no extremo norte da Col\u00f4mbia. Dizem que\u00a0<em>raspar<\/em>\u00a0foi a passagem para a vida adulta de milhares de meninos e meninas colombianas quando abandonaram suas casas. Aos 19 anos, depois de morar em uma casa de t\u00e1buas, Laura conseguiu construir uma melhor, economizando para isso cada centavo que ganhava. &#8220;Sem a coca aqui ningu\u00e9m consegue nada&#8221;, diz ela.<\/p>\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Na Col\u00f4mbia, o maior produtor mundial, entre 150.000 e 180.000 fam\u00edlias cultivam essa planta.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/13\/actualidad\/1562972599_738643.html\" data-link-track-dtm=\"\">Quase 46% de seus agricultores s\u00e3o mulheres<\/a>, e 29% delas s\u00e3o chefes de fam\u00edlia. N\u00e3o s\u00e3o traficantes de drogas. S\u00e3o agricultoras que trabalham de sol ao sol e sofrem todas as consequ\u00eancias de estarem ligadas a uma economia criminalizada e estigmatizada.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de\u00a0<em>raspar<\/em>, as mulheres tamb\u00e9m fazem a semeadura, a adubagem e, principalmente, a comida para os e as diaristas. Um n\u00famero menor \u00e9 dono da terra ou trabalha nos laborat\u00f3rios para\u00a0<em>quimiquear<\/em>, como \u00e9 chamado o processo de transforma\u00e7\u00e3o da folha de coca na pasta-base, que depois \u00e9 convertida em coca\u00edna em outro laborat\u00f3rio distante das \u00e1reas de cultivo, conhecido como\u00a0<em>cristalizadero<\/em>.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Maricela Parra est\u00e1 h\u00e1 20 anos no munic\u00edpio de Tib\u00fa sustentando a fam\u00edlia gra\u00e7as \u00e0 coca. Nem o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/conflicto_armado_colombia\" data-link-track-dtm=\"\">conflito armado<\/a>\u00a0nem o c\u00e2ncer acabaram com ela. &#8220;A coca para mim significa um grande perigo e uma maneira de sobreviver, os dois est\u00e3o relacionados&#8221;, diz. Ela teme ser rejeitada pela sociedade, que sua doen\u00e7a a derrote em algum momento e, acima de tudo, que seu atual modo de subsist\u00eancia se torne a hist\u00f3ria familiar. &#8220;Minha maior luta \u00e9 que meu filho e meu neto sobrevivam de uma maneira diferente e tamb\u00e9m erradicar minha doen\u00e7a&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Um dia,\u00a0<em>raspando<\/em>, Maricela percebeu que algo estava errado. Sentia fortes dores que a deixavam sem f\u00f4lego e uma secre\u00e7\u00e3o marrom sa\u00eda de seu seio esquerdo. Foi diagnosticada com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cancer_mama\" data-link-track-dtm=\"\">c\u00e2ncer de mama<\/a>. A coca a ajudou a n\u00e3o morrer. &#8220;Gra\u00e7as a ela, consegui cobrir despesas como as viagens e a estadia na cidade de C\u00facuta para me tratar e comprar os rem\u00e9dios&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/wKoyNGhE-33ICtGGZ2i3JDctkL4=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/L3CON6C2SLTPUIQFBJDXJIVW7Y.jpg\" alt=\"Laura Puente come\u00e7ou com 14 anos, como 'raspachina', como s\u00e3o conhecidas as pessoas que raspam ou coletam a folha de coca.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">Laura Puente come\u00e7ou com 14 anos, como &#8216;raspachina&#8217;, como s\u00e3o conhecidas as pessoas que raspam ou coletam a folha de coca.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">J. S.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em Tib\u00fa h\u00e1 13.000 hectares de coca, a segunda maior safra da Col\u00f4mbia e praticamente a \u00fanica que neste territ\u00f3rio de fronteira com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/venezuela\" data-link-track-dtm=\"\">Venezuela<\/a>oferece oportunidades. Essas planta\u00e7\u00f5es tiveram aqui a virtude de ser fonte de recursos para a constru\u00e7\u00e3o de escolas e os reparos das estradas, e para que a popula\u00e7\u00e3o de coca pudesse ter acesso a direitos como habita\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Na aus\u00eancia do Estado, os\u00a0<em>catatumberos\u00a0<\/em>costumam dizer que a coca foi seu \u00fanico minist\u00e9rio.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o motor da economia e milhares de fam\u00edlias dependem dela. Mar\u00eda Carvajal, uma reconhecida l\u00edder social da Associa\u00e7\u00e3o de Camponeses de Catatumbo (ASCAMCAT), com uma dura hist\u00f3ria por tr\u00e1s, de deslocamentos e viol\u00eancia, diz que nunca a cultivou, mas vive dela. &#8220;Tenho um restaurante e quem chega e passa por estas estradas vive direta ou indiretamente da coca, porque tem uma cadeia muito grande, come\u00e7ando com a pr\u00f3pria empresa da Monsanto. que \u00e9 quem fabrica os produtos qu\u00edmicos para o processamento&#8221;, afirma.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A coca no Norte de Santander, a regi\u00e3o \u00e0 qual Catatumbo pertence, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ilegal, \u00e9 poderosa. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/blanqueo_dinero\" data-link-track-dtm=\"\">lavagem de dinheiro<\/a>\u00a0come\u00e7a no n\u00edvel local com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/prostitucion\" data-link-track-dtm=\"\">prostitui\u00e7\u00e3o<\/a>. \u201c\u00c9 perverso como o dinheiro volta a circular dentro da mesma economia porque quem monta o prost\u00edbulo \u00e9 o mesmo que diz \u00e0s pessoas: &#8216;Eu te dou o dinheiro para plantar coca, mas te vendo os produtos qu\u00edmicos para fazer a pasta-base, mas tamb\u00e9m instalo as lojas que vendem comida e bebida, e tamb\u00e9m instalo o neg\u00f3cio de mulheres\u2019. Tudo diante dos olhos da for\u00e7a p\u00fablica em uma regi\u00e3o altamente militarizada, com cerca de 10.000 soldados e mais 5000 policiais, ou seja, praticamente um soldado para cada 10 habitantes\u201d, explica uma fonte pr\u00f3xima ao Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas Sobre Drogas e Crime (UNODC).<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_left\">\n<div>Depois da assinatura dos acordos de paz, 130.000 fam\u00edlias cocaleiras firmaram um acordo com o Governo para substitui\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es de coca<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em C\u00facuta, capital do Norte de Santander, tamb\u00e9m se veem coisas estranhas. Com 1,2 milh\u00e3o de habitantes, desemprego de 12,5% e uma ind\u00fastria local muito pequena, chama a aten\u00e7\u00e3o que exista uma concession\u00e1ria de autom\u00f3veis Masseratti e que haja um boom t\u00e3o consider\u00e1vel da constru\u00e7\u00e3o civil. \u201cEm Catatumbo s\u00e3o produzidos 80.000 quilos de coca por ano, cujo valor \u00e9 incalcul\u00e1vel. Parte desse dinheiro \u00e9 legalizada aqui e \u00e9 o que sustenta toda a regi\u00e3o\u201d, diz Wifredo Ca\u00f1izares, da Funda\u00e7\u00e3o Progresar e uma das pessoas que melhor conhecem Catatumbo.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o s\u00e3o as fam\u00edlias produtoras de coca que lucram.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/09\/politica\/1557413831_132552.html\" data-link-track-dtm=\"\">A primeira linha de produ\u00e7\u00e3o de um neg\u00f3cio como o tr\u00e1fico de drogas, que movimenta milh\u00f5es de d\u00f3lares, vive na pobreza<\/a>. Uma mulher raspadora pode ganhar entre 50 reais e 63 reais por dia. Aquelas que t\u00eam sua pr\u00f3pria lavoura, em geral, um hectare, podem receber cerca de 1.800 reais com a venda da folha em cada colheita, a cada dois ou tr\u00eas meses, mas tem que deduzir os adubos, os produtos qu\u00edmicos para pulverizar, o pagamento dos trabalhadores e sua comida. Quem tem um laborat\u00f3rio artesanal de transforma\u00e7\u00e3o para produzir a pasta-base vive um pouco mais confortavelmente, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sobra muito depois de pagar os produtos que usa para o processo.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">De todo modo, existe um mercado seguro, uma margem de lucro maior que a de outros produtos, d\u00e1 entre quatro e seis safras por ano e serve como garantia para comprar fiado nas lojas. \u201cAs fam\u00edlias semearam por necessidade porque, se voc\u00ea cultivasse alguma outra coisa, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m a quem vender e n\u00e3o havia estradas para escoar os produtos. \u00c9 mais f\u00e1cil carregar um quilo ou dois de pasta-base em uma sacola e caminhar 10 horas do que tirar 20 ou 30 carregamentos de cacau que n\u00e3o v\u00e3o dar nem para o custo do transporte\u201d, diz Mar\u00eda Carvajal.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">Sair da espiral<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A maioria das fam\u00edlias cocaleiras gostaria de deixar o neg\u00f3cio. As pessoas est\u00e3o cansadas de tanta persegui\u00e7\u00e3o. Nos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/24\/internacional\/1472064662_537059.html\" data-link-track-dtm=\"\">acordos de paz firmados entre o Governo colombiano e a guerrilha das FARC<\/a>, viram uma porta de esperan\u00e7a que hoje, tr\u00eas anos depois, se esvaiu. Como resultado dos acordos, foi adotado o Programa Nacional Integral para a Substitui\u00e7\u00e3o de Culturas de Uso Il\u00edcito (PNIS). O compromisso dos camponeses era arrancar, substituir e n\u00e3o voltar a semear. O do Governo, oferecer-lhes todas as condi\u00e7\u00f5es para que possam melhorar suas vidas, promovendo pol\u00edticas alternativas de desenvolvimento. Pela primeira vez, reconheceu-se que os elos mais fracos da cadeia do narcotr\u00e1fico requeriam uma sa\u00edda social, e n\u00e3o militar. Um total de 130.000 fam\u00edlias assinaram o acordo de substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em Catatumbo, das estimadas 13.000 fam\u00edlias que cultivam coca, apenas 3.000 assinaram o PNIS. Para a Coordenadora Nacional de Cultivadores de Coca, Papoula e Maconha (COCCAM), o Governo n\u00e3o socializou o suficiente. Dos signat\u00e1rios, muitos j\u00e1 arrancaram seus cultivos, mas o Governo s\u00f3 cumpriu, em alguns casos, com os subs\u00eddios tempor\u00e1rios e a assist\u00eancia t\u00e9cnica. Os projetos produtivos alternativos n\u00e3o chegaram. \u201cO campon\u00eas se sente enganado e se ver\u00e1 obrigado a replantar novamente. Em Catatumbo propusemos uma substitui\u00e7\u00e3o gradual em 10 anos, porque n\u00e3o \u00e9 apenas mudar uma cultura por outra. Precisamos de terra pr\u00f3pria, moradia, escolas, postos de sa\u00fade, estradas, projetos produtivos e linhas de comercializa\u00e7\u00e3o\u201d, diz Carvajal.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O Governo insiste que cumprir\u00e1 sua parte e pede paci\u00eancia: \u201cEm um programa de substitui\u00e7\u00e3o, a planta\u00e7\u00e3o \u00e9 arrancada em um dia. Depois, estabilizar uma fam\u00edlia leva entre dois e tr\u00eas anos at\u00e9 que comece sua nova atividade e tenha a comercializa\u00e7\u00e3o garantida. E depois h\u00e1 um plano de 15 anos que \u00e9 o tempo de que precisamos para p\u00f4r em a\u00e7\u00e3o o que o mundo e o pa\u00eds n\u00e3o fizeram pelos camponeses colombianos nos \u00faltimos 200 ou 400 anos\u201d, diz Jos\u00e9 Emilio Archila, chefe da Assessoria para a Estabiliza\u00e7\u00e3o e Consolida\u00e7\u00e3o, que dirige o PNIS.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>A primeira linha de produ\u00e7\u00e3o de um neg\u00f3cio como o narcotr\u00e1fico, que movimenta milh\u00f5es e milh\u00f5es de d\u00f3lares, vive na pobreza<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Enquanto a substitui\u00e7\u00e3o prossegue em c\u00e2mera lenta, o Governo continua a priorizar a erradica\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e pressiona para a retomada da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, proibidas por causa de seus poss\u00edveis efeitos cancer\u00edgenos. As mulheres cocaleiras e suas fam\u00edlias est\u00e3o permanentemente expostas \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o de sua fonte de sustento \u00e0 for\u00e7a pelo Ex\u00e9rcito, apesar de a UNODC ter mostrado que a erradica\u00e7\u00e3o e a pulveriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o eficazes a longo prazo porque as pessoas voltam a semear a planta.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em Catatumbo, a realidade da guerra continua viva. O controle do neg\u00f3cio da coca, abandonado pelas FARC, foi tomado pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/eln_ejercito_liberacion_nacional\" data-link-track-dtm=\"\">ELN<\/a>\u00a0e o EPL, as outras duas guerrilhas de forte influ\u00eancia nessa \u00e1rea que n\u00e3o viveu um minuto de tranquilidade nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, que sofreu uma forte viol\u00eancia paramilitar e que compartilha, para o bem e o mal, 140 quil\u00f4metros de fronteira com a Venezuela.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A paz tamb\u00e9m n\u00e3o deu as caras em Tumaco, no outro extremo da Col\u00f4mbia. Neste munic\u00edpio de 200.000 habitantes, localizado \u00e0s margens do Pac\u00edfico, na fronteira com o Equador, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena e predominantemente afrodescendente. H\u00e1 30 anos, a vida aqui era tranquila. Hoje, \u00e9 o local com mais planta\u00e7\u00f5es de coca no mundo, com quase 20.000 hectares. As frentes das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/farc_fuerzas_armadas_revolucionarias_colombia\/a\/\" data-link-track-dtm=\"\">FARC<\/a>\u00a0que operavam na \u00e1rea depuseram as armas, mas surgiram pelo menos quatro novos grupos armados que agora controlam o tr\u00e1fico de drogas e dominam o espa\u00e7o deixado pela guerrilha, incluindo suas dissid\u00eancias e o poderoso cartel mexicano de Sinaloa, que compra a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Com o ressurgimento do conflito, a viol\u00eancia cont\u00ednua e as vidas e os corpos das mulheres s\u00e3o os que ficam com a pior parte. Anny Castillo conhece bem toda essa realidade como\u00a0<em>Personera<\/em>\u00a0de Tumaco, um cargo institucional semelhante ao do defensor p\u00fablico. \u201cEm todo esse c\u00edrculo em torno do tr\u00e1fico de drogas, os grupos ilegais exercem\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/delitos_sexuales\" data-link-track-dtm=\"\">viol\u00eancia sexual<\/a>\u00a0com o prop\u00f3sito de intimidar e mostrar poder ou como mecanismo de puni\u00e7\u00e3o para provar que s\u00e3o eles que t\u00eam o controle do territ\u00f3rio, e dentro do territ\u00f3rio, o controle das mulheres\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"footnote | color_black\" style=\"text-align: justify;\">Esta reportagem faz parte do projeto\u00a0<em>Cocaleiras<\/em>\u00a0da l&#8217;Associaci\u00f3 Catalana per la Pau, que recebeu o apoio da Bolsa DevReporter 2018, promovido com financiamento da Uni\u00e3o Europeia, da Prefeitura de Barcelona e da Ag\u00eancia Catal\u00e3 de Coopera\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento.<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o narcotraficantes. 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