{"id":292222,"date":"2019-08-15T08:15:30","date_gmt":"2019-08-15T11:15:30","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=292222"},"modified":"2019-08-15T08:15:30","modified_gmt":"2019-08-15T11:15:30","slug":"nao-gosto-do-helicoptero-porque-ele-atira-para-baixo-e-as-pessoas-morrem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/nao-gosto-do-helicoptero-porque-ele-atira-para-baixo-e-as-pessoas-morrem\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o gosto do helic\u00f3ptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem\u201d"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header especial | flex container_column align_items_center text_align_center padding_h_xxl\">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"font_primary color_gray_dark \"><em>Crian\u00e7as do Complexo de Favelas da Mar\u00e9 descrevem horror da vida sob fogo cruzado em mais de 1.500 cartas enviadas para a Justi\u00e7a do Rio, que restabelece regras m\u00ednimas para opera\u00e7\u00f5es policiais no local. Seis jovens morrem nos \u00faltimos cinco dias em outras comunidades fluminenses<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | \">\n<div class=\"content |  flex\n              justify_center relative\"><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n    \"><\/div>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n      right-links\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<figure class=\"lead_art | especial row breakout\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/oHeGHIMSWKUiBwyDu65-C2v8-R8=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/QINUZ4HJHDO7WTJNMYNNZZOPJU.jpg\" alt=\"Um dos desenhos enviados crian\u00e7as da Mar\u00e9 \u00e0 Justi\u00e7a do Rio.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\">Um dos desenhos enviados crian\u00e7as da Mar\u00e9 \u00e0 Justi\u00e7a do Rio.<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  especial text_align_center\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap justify_center\"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Felipe Betim \" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/felipe_betim\/a\/\">FELIPE BETIM<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n      small\n      margin_left\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter\">14 AGO 2019 &#8211; 22:26\u00a0<abbr title=\" Brasilia Standard Time\">BRT<\/abbr><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4 row\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark initial_letter especial col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\">\n<p class=\"\">A favela sangra. \u201cN\u00e3o gosto do helic\u00f3ptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem\u201d, escreveu uma crian\u00e7a, que n\u00e3o especifica nome ou idade, para os desembargadores do Tribunal de Justi\u00e7a do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\" data-link-track-dtm=\"\">Rio de Janeiro<\/a>. O colorido desenho que acompanha a mensagem mostra um helic\u00f3ptero da pol\u00edcia com agentes armados atirando em dire\u00e7\u00e3o ao solo, onde h\u00e1 um traficante mas tamb\u00e9m crian\u00e7as.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/08\/opinion\/1557268763_938547.html\" data-link-track-dtm=\"\">Elas correm<\/a>. No desenho e na vida real. &#8220;Isso \u00e9 errado&#8221;, completou o pequeno morador do Complexo de Favelas da Mar\u00e9, um conjunto de 16 comunidades pobres da zona norte da capital onde cerca de 140.000 pessoas moram. Mais de 1.500 cartas e desenhos foram reunidos pela\u00a0<a href=\"https:\/\/redesdamare.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">ONG Redes da Mar\u00e9<\/a>\u00a0e entregues a Justi\u00e7a na \u00faltima segunda-feira junto com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/11\/opinion\/1565558361_095370.html\" data-link-track-dtm=\"\">a peti\u00e7\u00e3o de que fosse restabelecida uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica<\/a>\u00a0que regula e restringe as opera\u00e7\u00f5es policiais no lugar. Aceita pela Justi\u00e7a no segundo semestre de 2017, ajudou a diminuir todos os \u00edndices de viol\u00eancia ao longo de um ano. Mas acabou suspensa em junho deste ano. Diante do apelo dos moradores, acabou revalidada nesta quarta-feira, restabelecendo par\u00e2metros m\u00ednimos para as a\u00e7\u00f5es, como a exig\u00eancia da presen\u00e7a de uma ambul\u00e2ncia e o veto durante o hor\u00e1rio de entrada e sa\u00edda de alunos das escolas.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/JcdmJlphkOPfTZUQ5RBpDwtNF6Q=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/TZ34IRM64G5BY7VTVGUSXBBVG4.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela chora. Nesta mesma quarta-feira, soube-se que, nos \u00faltimos cinco dias, seis jovens entre 17 e 21 anos foram mortos por balas perdidas durante v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es policiais em comunidades do Estado do Rio. Rodou pelo pa\u00eds a imagem de um av\u00f4, Crist\u00f3v\u00e3o Xavier de Brito, com a camisa ensopada do sangue do neto Dyogo, de 16 anos, que morreu em seus bra\u00e7os, v\u00edtima de uma bala perdida. A menina Leticia, outra moradora da Mar\u00e9 que enviou uma carta \u00e0 Justi\u00e7a,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/10\/politica\/1560155313_626904.html\" data-link-track-dtm=\"\">sabe o que \u00e9 perder um familiar pr\u00f3ximo<\/a>. &#8220;Boa tarde, eu queria que parasse a opera\u00e7\u00e3o porque muitas fam\u00edlias ser\u00e3o mortas e, agora, estou sem quarto porque voc\u00eas destru\u00edram na opera\u00e7\u00e3o&#8221;, escreveu. &#8220;Todo mundo na minha escola chora. Meu irm\u00e3o por causa dos policiais. E eles bateram no meu primo. Ent\u00e3o, n\u00e3o quero mais ver minha fam\u00edlia morrendo quando entram. Voc\u00eas avisem, t\u00e1? Obrigada por ler minha carta. Assinado, Let\u00edcia&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/gXF7OM3BFWV3aqm9L-5LBHoDigQ=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/QMAAPE3DFOY3FWFM7VE3QPZ4H4.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela conta seus mortos. Um\u00a0<a href=\"http:\/\/redesdamare.org.br\/media\/downloads\/arquivos\/BoletimSegPublica_EdicaoEspeci.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">boletim semestral publicado pela Redes da Mar\u00e9<\/a>\u00a0nesta semana mostra que 27 pessoas morreram apenas no primeiro semestre de 2019, 10% a mais que ao longo de todo o ano de 2018, quando 24 pessoas foram mortas. Al\u00e9m disso, 15 pessoas faleceram durante as 21 opera\u00e7\u00f5es policiais ocorridas no primeiro semestre; as outras 12 morreram durante os 10 confrontos entre fac\u00e7\u00f5es criminosas que dominam as comunidades da Mar\u00e9. &#8220;Eu tenho a dizer que as opera\u00e7\u00f5es matam muita gente e \u00e9 muito triste&#8221;, relata o menino William em sua carta, que, como as demais, foi transcrita em estilo formal para que se fizessem compreender melhor. &#8220;Uma vez minha m\u00e3e saiu para ver minha av\u00f3 e deu tanto grito que me escondi atr\u00e1s da m\u00e1quina de lavar. \u00c9 isso o que tenho a dizer.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/Udcz_IDvH14Q5WTfpvYXrITkbzc=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/FUUDYB3B4IGBOERHFLA2AVAV3I.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela tem medo. O cotidiano nas comunidades da Mar\u00e9 est\u00e1 marcado por situa\u00e7\u00f5es de verdadeiro p\u00e2nico. Ainda segundo o boletim publicado pela ONG, quatro opera\u00e7\u00f5es policiais utilizaram helic\u00f3pteros como plataforma de tiro apenas no primeiro semestre de 2019. \u00c9 o mesmo n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es de 2017 e 2018 somados. &#8220;Senhores ju\u00edzes, quando voc\u00eas mandam ter opera\u00e7\u00e3o aqui na Mar\u00e9, os policiais nem avisam. Eles entram de helic\u00f3ptero dando de uma cima para baixo. Parece que n\u00e3o tem educa\u00e7\u00e3o com os moradores&#8221;, escreveu outra crian\u00e7a. Das 15 mortes ocorridas em dias de opera\u00e7\u00e3o policial, 14 ocorreram quando utilizavam a aeronave. &#8220;Quando tem opera\u00e7\u00e3o, nenhum dos moradores fica na rua porque j\u00e1 sabe que os policiais v\u00e3o mat\u00e1-los. Tamb\u00e9m pensam que n\u00f3s somos bandidos&#8221;, conclui a crian\u00e7a.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/ijPYQQ9_vCQUvpYVTnkNXomxOco=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/FMPO6J2GD463XGKLQOBOIHCMLI.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela est\u00e1 assustada. &#8220;As crian\u00e7as se escondem atr\u00e1s dos c\u00f4modos de casa com medo. A forma de bater em nossas resid\u00eancias j\u00e1 \u00e9 assustadora. Batem, quase derrubam a porta, fazem uma zona na casa dos moradores que est\u00e3o trabalhando&#8221;, escreve outro morador para os magistrados do Rio. Est\u00e3o submetidos a toda sorte de abusos cometidos pelas autoridades. &#8220;At\u00e9 mesmo quando n\u00f3s estamos em casa somos ref\u00e9ns desse esculacho que fazem com a gente&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/M3PnbkO0beyWjY8qB8r9uPad8yA=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/MGVWSDCGWJMHOOL2SDP4NWQIBI.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela \u00e9 o alvo.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/wilson_jose_witzel\" data-link-track-dtm=\"\">Wilson Witzel\u00a0<\/a>deixou a toga de juiz federal no in\u00edcio ano passado para se candidatar a governador nas elei\u00e7\u00f5es gerais. Venceu prometendo abater criminosos armados &#8220;na cabecinha&#8221;. Dito e feito. Desde que assumiu o posto e passou a comandar as pol\u00edcias Civil e Militar do Rio, vem colocando em pr\u00e1tica uma pol\u00edtica p\u00fablica criticada por estimular a viol\u00eancia policial que atinge sobretudo os jovens negros que vivem nas periferias do Estado. Rotineiramente posa para fotografias ao lado de policiais portando fuzis.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/08\/opinion\/1557268763_938547.html\" data-link-track-dtm=\"\">Tamb\u00e9m j\u00e1 subiu em um helic\u00f3ptero da Pol\u00edcia Civil em Angra dos Reis, \u00e0s v\u00e9speras de mais uma opera\u00e7\u00e3o na Mar\u00e9<\/a>, e presenciou um agente atirando em dire\u00e7\u00e3o ao solo. Witzel respalda publicamente essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/CNqLj0VHzF6Phx6-k1EYA39djKA=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/XKA6ZYBKY5EXRVEOIVBBTG3VDU.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela est\u00e1 na mira. Dados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica, autarquia do Governo, registrou 3.048 letalidades violentas em todo o Estado de janeiro a junho de 2019. Desse total, 881 s\u00e3o mortes cometidas por agentes do Estado. Isto \u00e9, 29%. Quase um ter\u00e7o. Recordes hist\u00f3ricos s\u00e3o atingidos m\u00eas a m\u00eas e n\u00e3o contabilizam as mortes cometidas por milicianos ou policiais matadores que n\u00e3o assumem suas a\u00e7\u00f5es no boletim de ocorr\u00eancia. &#8220;O caveir\u00e3o, quando entra aqui, \u00e9 para nos matar. Ele n\u00e3o entra aqui para uma simples interven\u00e7\u00e3o. O Estado mata sonhos, mata vidas, mata o futuro de pessoas que um dia poderiam estar no lugar da senhora ju\u00edza&#8221;, escreveu outro morador.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/NLIvChC8kwM_rI2L9J0mAudc1_k=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/SYLGSB2UMD43S4UJ5CNLJHA4QE.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela fica sem escola e sem sa\u00fade. O boletim da Redes da Mar\u00e9 tamb\u00e9m informa que, ao longo do primeiro semestre,<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/16\/politica\/1497616238_902747.html\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0as escolas e os postos de sa\u00fade tiveram 10 dias de atividades suspensas<\/a>. &#8220;Um dia eu estava na escola, no p\u00e1tio, fazendo educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. A\u00ed de repente o helic\u00f3ptero passou dando tiro para baixo e todo mundo correu para o canto da arquibancada&#8221;, escreveu outra crian\u00e7a. &#8220;Quando passou o tiro a gente correu para dentro da escola at\u00e9 minha m\u00e3e me buscar. Quando d\u00e1 mais tiro eu fico em casa&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/FsOZggkvR3p4pnwbHZkQ_lrWYz0=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/XF7U7DWWGFRDNTON6KFCRK36XY.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">Mas a favela quer brincar. &#8220;O ruim das opera\u00e7\u00f5es nas favelas \u00e9 porque n\u00e3o d\u00e1 para brincar muito&#8221;, escreveu outro jovem morador. &#8220;Tem muita viol\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/Ze9XdHJfbiBam3CRrgLWCU0pZ-4=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/75DXGNAH47AJZCWHJAVHKHVZXA.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela quer respeito e liberdade. &#8220;Conseguir ir para a escola, para o curso, ter a liberdade de sair com meus pa\u00eds ou amigos&#8230; Bom, \u00e9 isso. Que voc\u00eas possam respeitar as pessoas. At\u00e9 porque muitas morrem de bala perdida&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/wzNOy7JHVLZeOobtuPK9ZB4eSuI=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/ZSZMM4LKINVRY4XV3G3EKVEM5E.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\">A favela quer direitos. &#8220;Acho que se voc\u00ea visse os sorrisos que eu vejo, ouvisse as hist\u00f3rias que eu ou\u00e7o, voc\u00eas decidiriam diferente. E n\u00e3o pensem que isto \u00e9 uma caridade. N\u00e3o chega nem perto disso&#8221;, escreve outra jovem an\u00f4nima. Ela termina fazendo um convite para os magistrados. &#8220;A garantia de direitos na Mar\u00e9 \u00e9 a garantia da cidade. Somos a cidade. Por favor, venha. Aceite o convite e venha conhecer o que faz vibrar todos os dias!!!&#8221;.<\/p>\n<p class=\"\">A favela quer paz.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full breakout\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/0YL_itCbfSqKIWezXQqhQ82K6sE=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/BFPZWHYRZA2Z46LZUV2ZUJQY44.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as do Complexo de Favelas da Mar\u00e9 descrevem horror da vida sob fogo cruzado em mais de 1.500 cartas enviadas para a Justi\u00e7a do Rio, que restabelece regras m\u00ednimas para opera\u00e7\u00f5es policiais no local. 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