{"id":292447,"date":"2019-08-17T16:16:01","date_gmt":"2019-08-17T19:16:01","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=292447"},"modified":"2019-08-17T16:37:06","modified_gmt":"2019-08-17T19:37:06","slug":"dinossauros-e-companhia-a-diversidade-de-animais-do-brasil-pre-historico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/dinossauros-e-companhia-a-diversidade-de-animais-do-brasil-pre-historico\/","title":{"rendered":"Dinossauros e companhia: a diversidade de animais do Brasil pr\u00e9-hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Evanildo da Silveira<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/171C0\/production\/_108265649_gettyimages-1041040434.jpg\" alt=\"Inscri\u00e7\u00f5es rupestres representando animais na Serra da Capivara, no Piau\u00ed\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Territ\u00f3rio onde hoje est\u00e1 o Brasil teve papel importante no surgimento e evolu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies de animais<\/figure>\n<p><strong>\u00c9 uma longa hist\u00f3ria a da vida sobre a Terra. Ela come\u00e7ou h\u00e1 cerca de 3,8 bilh\u00f5es de anos &#8211; 800 milh\u00f5es de anos depois do surgimento do planeta &#8211; e n\u00e3o parou mais de se diversificar em milh\u00f5es de formas, que apareceram, evolu\u00edram, deram origens a outras esp\u00e9cies e desapareceram para sempre.<\/strong><\/p>\n<p>Estima-se que hoje existam cerca de 8,7 milh\u00f5es de tipos de animais &#8211; sem contar os microorganismos -, dos quais n\u00e3o mais que 1 milh\u00e3o foram descritos e catalogados, o que representa, calcula-se, menos de 1% de todos os que j\u00e1 viveram neste mundo.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio onde hoje est\u00e1 o Brasil teve um papel importante no surgimento e evolu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies de animais. Foi nele que viveram os primeiros dinossauros e, por isso, provavelmente foi onde surgiu este grupo de animais inc\u00f4nicos, que dominaram o planeta por 160 milh\u00f5es de anos e foram extintos h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos, mas ainda fascinam a humanidade.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m em terras atualmente brasileiras que viveram o maior e o menor crocodilo e o maior anf\u00edbio de que se tem registro, pregui\u00e7as terrestres e tatus do tamanho de um carro e um dos maiores felinos que j\u00e1 existiu.<\/p>\n<p>Tamanha diversidade de vida que existe e j\u00e1 existiu s\u00f3 surgiu porque a Terra tamb\u00e9m tem e teve uma variedade muito grande de ambientes, como oceanos, rios lagos, terra firme, savanas, florestas, desertos, montanhas, plan\u00edcies, geleiras. Todos esses ecossistemas existem h\u00e1 milh\u00f5es de anos, s\u00f3 que em locais diferentes de onde est\u00e3o hoje, pois as conforma\u00e7\u00f5es dos continentes e oceanos eram outras.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso planeta \u00e9 um sistema din\u00e2mico e que passou por grandes transforma\u00e7\u00f5es ao longo dos bilh\u00f5es de anos de sua hist\u00f3ria&#8221;, diz o paleont\u00f3logo Felipe Alves Elias, da Divis\u00e3o de Difus\u00e3o Cultural do Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/0EAC\/production\/_108265730_gettyimages-1074862222.jpg\" alt=\"Terra vista do espa\u00e7o\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Antes da atual divis\u00e3o, na era Mesozoica, todos os continentes da Terra estavam unidos em um s\u00f3<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Pangea, toda a Terra num s\u00f3 supercontinente<\/h2>\n<p>&#8220;Recentemente&#8221; &#8211; se comparado com a idade da Terra -, por exemplo, no \u00ednicio da era Mesozoica (251 a 65,5 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), todos os continentes estavam unidos num s\u00f3 supercontinente, chamado Pangeia, des\u00e9rtico e quente em seu interior, com florestas somente pr\u00f3ximas ao litoral e aos grandes rios.<\/p>\n<p>No final do Jur\u00e1ssico (199 a 145 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), essa massa de terra gigantesca come\u00e7ou a se fragmentar, dando origem a dois grandes continentes, um ao norte a Laur\u00e1sia, que unia Am\u00e9rica do Norte, Europa e \u00c1sia, e outro ao sul, Gondwana, formado por Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica, Madagascar, \u00cdndia, Oceania e Ant\u00e1rtida. No Cret\u00e1ceo Inferior (primeira metade do per\u00edodo), por volta de 110 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, surgiu o oceano Atl\u00e2ntico, separando a Am\u00e9rica do Sul da \u00c1frica e dando aos continentes uma conforma\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 de hoje.<\/p>\n<p>Essa fragmenta\u00e7\u00e3o de Pangeia teve um grande impacto em todo o planeta e nos seres que viviam nele. Mares surgiram e a geografia e o clima tornaram-se completamente diferentes. Algumas plantas, como samambaias e con\u00edferas, passaram a colonizar antigas regi\u00f5es secas e des\u00e9rticas.<\/p>\n<p>Foi nesse per\u00edodo que tamb\u00e9m surgiram as primeiras plantas com flores. Os animais, por sua vez, deslocaram-se para viver em regi\u00f5es onde havia abund\u00e2ncia de \u00e1gua e alimentos.<\/p>\n<p>Antes disso, o planeta foi dominado por cerca de 3 bilh\u00f5es de anos apenas por micro-organismos. Os primeiros organismos invertebrados, que, segundo os pesquisadores, foram as esponjas, s\u00f3 surgiram h\u00e1 650 milh\u00f5es de anos. Os vertebrados apareceram ainda mais tarde, h\u00e1 520 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/10FCD\/production\/_108318596_reportagemmachaeracanthussp.jpg\" alt=\"Machaeracanthus sp\" width=\"1600\" height=\"652\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Machaeracanthus sp, um pequeno peixe, viveu h\u00e1 400 milh\u00f5es de anos<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cloudina, o primeiro animal com esqueleto do Brasil<\/h2>\n<p>No Brasil, um dos primeiros registros de vida animal \u00e9 de Cloudina lucianoi, que viveu na regi\u00e3o central do pa\u00eds, no per\u00edodo Ediacarano (630 a 542 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), \u00faltimo do Pr\u00e9-Cambriano (de 4,6 bilh\u00f5es a 542 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dos animais mais antigos do Brasil e que ocorre em diversos locais do mundo, sendo utilizados para correlacionar idades de rochas&#8221;, explica o paleont\u00f3logo Thiago da Silva Marinho, da Universidade Federal do Tri\u00e2ngulo Mineiro (UFTM).<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fosse pela idade, esse bicho n\u00e3o chamaria a aten\u00e7\u00e3o, no entanto. Era um pequeno animal marinho, com no m\u00e1ximo 3 cent\u00edmetros, em forma de concha tubular. Mas \u00e9 um dos mais antigos metazo\u00e1rios (animais multicelulares) constitu\u00eddo de carapa\u00e7a externa biomineralizada. Ou seja, est\u00e1 entre os primeiros organismos de que se tem registro a desenvolver esqueletos.<\/p>\n<p>Entre os vertebrados que se locomoviam por conta pr\u00f3pria, um dos mais antigos encontrados no Brasil \u00e9 o\u00a0<i>Machaeracanthus sp<\/i>.<\/p>\n<p>&#8220;Este pequeno peixe, que viveu h\u00e1 mais de 400 milh\u00f5es de anos onde hoje \u00e9 o Piau\u00ed, \u00e9 uma das mais antigas evid\u00eancias de animais vertebrados encontradas em territ\u00f3rio brasileiro&#8221;, diz Elias.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/4027\/production\/_108332461_reportagemprionosuchusplummeri.jpg\" alt=\"Prionosuchus plummeri\" width=\"1600\" height=\"329\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Prionosuchus plummeri viveu h\u00e1 270 milh\u00f5es de anos<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Prionosuchus, o maior anf\u00edbio que j\u00e1 existiu<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m na regi\u00e3o do Piau\u00ed, o\u00a0<i>Prionosuchus plummeri<\/i>, que viveu h\u00e1 270 milh\u00f5es de anos, n\u00e3o deixaria de se fazer notar.<\/p>\n<p>&#8220;Era um tipo de anf\u00edbio gigante, com um tamanho estimado de seis metros ou talvez mais&#8221;, conta o bi\u00f3logo Marcos Andr\u00e9 Fontenele Sales, do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Cear\u00e1 (IFCE).<\/p>\n<p>&#8220;Foi um dos maiores ou o maior animal desse grupo de todos os tempos. Com certeza, ele foi o predador alfa dos ecossistemas aqu\u00e1ticos daquela regi\u00e3o na \u00e9poca em que viveu.&#8221;<\/p>\n<p>Bem menor, do tamanho de um c\u00e3o Labrador moderno, o\u00a0<i>Chiniquodon theotonicus<\/i>\u00a0era um feroz predador, no entanto, que viveu h\u00e1 235 milh\u00f5es de anos no interior do Rio Grande do Sul e no norte da Argentina.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/136DD\/production\/_108318597_reportagemchiniquodontheotonicus.jpg\" alt=\"Chiniquodon theotonicus\" width=\"1600\" height=\"639\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Do tamanho de um c\u00e3o Labrador, o Chiniquodon theotonicus era um feroz predador<\/figure>\n<p>&#8220;Embora relativamente pequeno, sua import\u00e2ncia para a ci\u00eancia \u00e9 enorme, pois a esp\u00e9cie compartilha de uma ancestralidade comum com os mam\u00edferos &#8211; grupo do qual os seres humanos tamb\u00e9m fazem parte&#8221;, explica Elias.<\/p>\n<p>&#8220;Para os paleont\u00f3logos, tais animais s\u00e3o essenciais para compreender melhor as origens da nossa linhagem evolutiva e de nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/1917\/production\/_108332460_reportagemstaurikosauruspricei.jpg\" alt=\"Staurikosaurus pricei\" width=\"1600\" height=\"590\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Uma das esp\u00e9cies mais antigas de dinossauros no Brasil \u00e9 o Staurikosaurus pricei<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">No Brasil, surgem os primeiros dinossauros<\/h2>\n<p>Pouco depois dessa \u00e9poca, h\u00e1 cerca de 230 milh\u00f5es de anos, chegou a era dos dinossauros. O Brasil \u00e9 rico em f\u00f3sseis deles, tendo sido registradas mais de 20 esp\u00e9cies. Entre elas, uma das mais antigas do mundo &#8211; se n\u00e3o a mais antiga &#8211; o\u00a0<i>Staurikosaurus pricei<\/i>. Com dois metros de comprimento e cerca da metade da altura de um homem, ele viveu h\u00e1 225 milh\u00f5es de anos, em meados do Tri\u00e1ssico (251 a 199 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s). Al\u00e9m de ter sido um dos primeiros a viver no pa\u00eds, foi o primeiro f\u00f3ssil a ser encontrado.<\/p>\n<p>Restos do seu esqueleto fossilizado foram descobertos em 1936, pelo paleont\u00f3logo brasileiro Llwelllyn Ivor Price, num afloramento rochoso numa fazenda no interior do munic\u00edpio de Santa Maria, na regi\u00e3o central do Rio Grande do Sul. Por isso, seu primeiro nome significa &#8220;lagarto do Cruzeiro do Sul&#8221; e o segundo \u00e9 uma homenagem a seu descobridor.<\/p>\n<p>A ele, se juntam tr\u00eas outras esp\u00e9cies, que viveram na mesma \u00e9poca e tamb\u00e9m foram encontradas no Rio Grande do Sul:\u00a0<i>Guaibasaurus candelariai, Saturnalia tupiniquim e Unaysaurus tolentinoi<\/i>. &#8220;Essas descobertas s\u00e3o importantes, porque mostram como eram os primeiros dinossauros&#8221; explica Marinho. &#8220;Al\u00e9m disso, junto com os argentinos, indicam que possivelmente o grupo todo desses animais teve origem na Am\u00e9rica do Sul.&#8221;<\/p>\n<p>Em \u00e9pocas mais recentes, tamb\u00e9m viveram no Brasil representantes gigantes do grupo dos dinossauros. Um exemplo \u00e9\u00a0<i>Oxalaia quilombensis<\/i>, descoberto no Maranh\u00e3o, que viveu h\u00e1 95 milh\u00f5es de anos, que podia chegar a 14 metros e pesar at\u00e9 sete toneladas. &#8220;Ele \u00e9 parente bem pr\u00f3ximo do popular Spinosaurus, estrela do filme Jurassic Park 3&#8221;, revela Sales. &#8220;Foi o maior dinossauro carn\u00edvoro j\u00e1 encontrado no Brasil. Apesar disso, muito provavelmente, sua alimenta\u00e7\u00e3o era principalmente baseada em peixes.&#8221;<\/p>\n<p>O outro \u00e9 o\u00a0<i>Uberabatitan ribeiroi<\/i>, o tit\u00e3 de Uberaba, cujo f\u00f3ssil foi descoberto neste munic\u00edpio e viveu h\u00e1 cerca de 70 milh\u00f5es &#8211; quase no fim da era dos dinossauros. Podendo chegar a 27 metros e pesar mais de 20 toneladas, foi o maior desses animais que viveu no Brasil. &#8220;Ele pertencia ao grupo dos saur\u00f3podes, aqueles dinossauros herb\u00edvoros com pesco\u00e7o e cauda bastante compridos e cabe\u00e7a pequena&#8221;, diz Sales.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/184FD\/production\/_108318599_reportagemtetrapodophisamplectus.jpg\" alt=\"Tetrapodophis amplectus\" width=\"1600\" height=\"304\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Serpente Tetrapodophis amplectus viveu h\u00e1 120 milh\u00f5es de anos no Cear\u00e1<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Tetrapodophis, uma serpente com patas<\/h2>\n<p>Conterr\u00e2neos desses colossos da natureza, perambularam pelo territ\u00f3rio brasileiro outros animais n\u00e3o menos impressionantes. Um deles foi a serpente\u00a0<i>Tetrapodophis amplectus<\/i>, que viveu h\u00e1 120 milh\u00f5es de anos na Chapada do Araripe (CE).<\/p>\n<p>&#8220;Ela representa uma das mais importantes descobertas das \u00faltimas d\u00e9cadas, pois preserva a estrutura de quatro membros intactos, o que poder\u00e1 ajudar os paleont\u00f3logos a compreender melhor a origem desse grupo de animais entre os vertebrados terrestres&#8221;, explica Elias.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda o grupo dos pterossauros, r\u00e9pteis voadores, parentes dos dinossauros, os primeiros animais vertebrados a desenvolverem a capacidade de voo ativo &#8211; batendo as asas e n\u00e3o planando.<\/p>\n<p>H\u00e1 registros de mais de 200 esp\u00e9cies, com tamanhos que variavam de alguns cent\u00edmetros at\u00e9 12 metros de envergadura (da ponta de uma asa at\u00e9 a da outra). Eles viveram na Terra entre 225 e 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, na era Mesozoica, e desapareceram sem deixar descendentes entre os animais modernos.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/C1AD\/production\/_108318594_reportagemcaiuajaradobruskii.jpg\" alt=\"Caiuajara dobruskii\" width=\"1029\" height=\"1600\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Caiuajara dobruskii, uma esp\u00e9cie menor de pterossauro, atingia cerca de 2,80 metros<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Pterossauros, os primeiros animais a voar<\/h2>\n<p>Um dos que voaram pelos c\u00e9us brasileiros no passado remoto foi o\u00a0<i>Tupandactylus imperator<\/i>, com cinco metros de envergadura, que viveu h\u00e1 115 milh\u00f5es de anos, na Chapada do Araripe. Outro foi o\u00a0<i>Anhanguera santanae<\/i>, 110 milh\u00f5es de anos, na Forma\u00e7\u00e3o de Santana &#8211; da\u00ed o seu nome &#8211; na mesma regi\u00e3o. Ele podia medir at\u00e9 cinco metros de envergadura e ter 1,5 metro de altura e pesar 30 kg.<\/p>\n<p>Mais recentemente, h\u00e1 80 milh\u00f5es de anos, viveu no Paran\u00e1 &#8211; o f\u00f3ssil foi encontrado em Cruzeiro do Oeste &#8211; o Caiuajara dobruskii, uma esp\u00e9cie menor, que atingia cerca de 2,80 metros de envergadura. O que chamava a aten\u00e7\u00e3o em todos eles era uma enorme crista, cuja fun\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 bem conhecida.<\/p>\n<p>Um pouco antes dessa \u00e9poca, h\u00e1 120 milh\u00f5es de anos viveu o menor crocodilo de que se tem registro na Terra. Com cerca de apenas 60 cm, o\u00a0<i>Susisuchus anatoceps<\/i>, como foi batizado, viveu tamb\u00e9m na Chapada do Araripe e foi descoberto pela paleont\u00f3loga Juliana Manso Say\u00e3o, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/15DED\/production\/_108318598_reportagempurussaurusbrasiliensis.jpg\" alt=\"Purussaurus brasiliensis\" width=\"1600\" height=\"419\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Purussaurus brasiliensis foi o maior jacar\u00e9 que j\u00e1 existiu<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Purussaurus, um jacar\u00e9 de 15 metros<\/h2>\n<p>Um parente seu gigante, o\u00a0<i>Purussaurus brasiliensis<\/i>, o maior jacar\u00e9 que j\u00e1 existiu, viveu entre 11 e 8,5 milh\u00f5es de anos, em um megapantanal que cobria o territ\u00f3rio ocupado hoje pela Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>&#8220;Com um cr\u00e2nio de mais de 1,2 metro de comprimento e mand\u00edbulas capazes de esmagar um Fusca, ele alcan\u00e7ava facilmente os 15 metros de comprimento&#8221;, informa Elias.<\/p>\n<p>&#8220;Suas presas inclu\u00edam roedores do tamanho de b\u00fafalos e tartarugas com cascos de mais de dois metros de comprimento, que coabitavam as \u00e1guas daquelas antigas plan\u00edcies alagadas.&#8221;<\/p>\n<p>Entre essas duas \u00e9pocas, existiu no sudeste, h\u00e1 20 milh\u00f5es de anos, a\u00a0<i>Paraphysornis brasiliensis<\/i>. &#8220;Ela pertencia a um grupo chamado popularmente de &#8216;aves do terror'&#8221;, explica Sales.<\/p>\n<p>&#8220;Essa esp\u00e9cie devia atingir mais de dois metros de altura e possu\u00eda um cr\u00e2nio de cerca de 60 cm de comprimento com um bico pr\u00f3prio para matar. Devia estar entre os principais predadores de seu tempo. Imagina fazer um safari naquela \u00e9poca e testemunhar uma ave carn\u00edvora de mais de dois metros correndo atr\u00e1s de v\u00e1rias presas. Certamente n\u00e3o \u00e9 algo que se v\u00ea hoje.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Pregui\u00e7as e tatus do tamanho de um fusca<\/h2>\n<p>Entre os animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos que viveram mais recentemente no Brasil, que se extinguiram h\u00e1 meros 10 mil anos, est\u00e3o os que pertenceram \u00e0 chamada megafauna do Pleistoceno (1,8 milh\u00e3o a 11 mil anos atr\u00e1s).<\/p>\n<p>Entre os mais espetaculares estava o\u00a0<i>Megatherium americanum<\/i>, uma pregui\u00e7a gigante com 6 m de cumprimento e que chegava a tr\u00eas metros de altura, quando erguida nas patas traseiras. Havia v\u00e1rias esp\u00e9cies desses bichos, alguns menores que isso, que caminhavam vagarosamente pelos campos, se alimentando de folhas de arbustos e \u00e1rvores baixas.<\/p>\n<p>Havia tamb\u00e9m o gliptodonte (<i>Pampatherium paulacoutoi<\/i>), uma esp\u00e9cie de tatu gigante das savanas, que podia atingir quase o tamanho de um carro, que escavava o solo e comia um pouco de tudo, desde frutos at\u00e9 vermes.<\/p>\n<p>Semelhante em tamanho, forma e h\u00e1bitos aos atuais elefantes, o mastodonte\u00a0<i>Haplomastodon waringi<\/i>, foi outro representante da megafauna brasileira, assim como a macrauqu\u00eania (Macrauchenia sp.), um herb\u00edvoro parecido com um camelo moderno e do mesmo tamanho, mas com uma tromba curta.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/E8BD\/production\/_108318595_reportagemsmilodonpopulator.jpg\" alt=\"Smilodon populator\" width=\"1600\" height=\"963\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span>Smilodon populator, um felino maior do que le\u00f5es e tigres modernos, chegava a pesar 400 kg<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Tigre-dente-de-sabre, um felino com presas de 30 cm<\/h2>\n<p>Ainda viveram em terras brasileiras naquela \u00e9poca duas esp\u00e9cies de toxodontes,\u00a0<i>Toxodon platensis<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Trigonodops lopesi<\/i>, com um tamanho compar\u00e1vel ao de um rinoceronte ou hipop\u00f3tamo modernos e que se alimentavam de folhas e capim.<\/p>\n<p>Entre os predadores chama a aten\u00e7\u00e3o o tigre-dentes-de-sabre (<i>Smilodon populator<\/i>), um felino maior do que le\u00f5es e tigres modernos, que chegava a pesar 400 kg. Sua caracter\u00edstica mais impressionante eram as duas afiadas presas, armas mort\u00edferas com at\u00e9 30 cent\u00edmetros de comprimento.<\/p>\n<p>Saber da exist\u00eancia desses animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos e estud\u00e1-los n\u00e3o \u00e9 mera curiosidade. &#8220;As esp\u00e9cies que aqui viveram comp\u00f5e um grande cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da vida no planeta Terra&#8221;, diz a bi\u00f3loga e paleont\u00f3loga Aline Ghilardi, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar).<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o investir em pesquisar esta hist\u00f3ria \u00e9 como deixar de lado centenas de p\u00e1ginas de um livro, do qual talvez dependa a nossa exist\u00eancia e sobreviv\u00eancia neste planeta. Este livro n\u00e3o s\u00f3 conta como as coisas foram no passado, mas cont\u00eam a sabedoria de muitas esp\u00e9cies que j\u00e1 se foram e t\u00eam muito a nos ensinar.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com ela, os pesquisadores t\u00eam aprendido cada vez mais sobre o que aconteceu no territ\u00f3rio do Brasil no passado e descobriram que passos excitantes da hist\u00f3ria evolutiva da vida se desenrolaram nele, como possivelmente a origem dos pr\u00f3prios dinossauros. &#8220;\u00c9 por isso que o nosso pa\u00eds tem atra\u00eddo tanta aten\u00e7\u00e3o de estudiosos da vida extinta de todo o planeta&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Os olhos do mundo est\u00e3o voltados para n\u00f3s. Apesar dos grandes avan\u00e7os feitos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, n\u00f3s apenas arranhamos a superf\u00edcie deste conhecimento. Temos muito para cavar e para descobrir. Muito para aprender com os mortos, com aqueles que j\u00e1 se foram.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda viveram em terras brasileiras naquela \u00e9poca duas esp\u00e9cies de toxodontes,\u00a0Toxodon platensis\u00a0e\u00a0Trigonodops lopesi, com um tamanho compar\u00e1vel ao de u<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":292450,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-292447","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/cobra-do-caralho.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292447\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/292450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}