{"id":29271,"date":"2013-11-19T08:12:56","date_gmt":"2013-11-19T11:12:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=29271"},"modified":"2013-11-19T08:12:56","modified_gmt":"2013-11-19T11:12:56","slug":"negros-escravizados-no-periodo-colonial-resistiram-como-puderam-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/negros-escravizados-no-periodo-colonial-resistiram-como-puderam-diz-especialista\/","title":{"rendered":"Negros escravizados no per\u00edodo colonial resistiram como puderam, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-29273\" alt=\"negros-escravizados\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/negros-escravizados.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tha\u00eds Antonio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que os colonizadores portugueses chegaram ao Brasil, h\u00e1 mais de 500 anos, eles exploraram, inicialmente, a m\u00e3o de obra ind\u00edgena. Mas o contato com os homens brancos foi p\u00e9ssimo para a sa\u00fade dos ind\u00edos. Al\u00e9m disso, os nativos conheciam muito bem o territ\u00f3rio e fugiam com facilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por raz\u00f5es econ\u00f4micas e tamb\u00e9m em busca de m\u00e3o de obra qualificada, os portugueses come\u00e7aram a trazer africanos escravizados para o Brasil. Os negros eram obrigados a vir para um pa\u00eds estranho, numa travessia de barco que levava meses, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, para trabalhar for\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as regras duras da chibata n\u00e3o foram aceitas sem luta. Os negros escravizados resistiram da forma que puderam. \u201cFalar das lutas negras \u00e9 falar disso, dos enfrentamentos, dos embates do outro lado do Atl\u00e2ntico, na travessia, do lado de c\u00e1 do Atl\u00e2ntico. Eu costumo pensar na resist\u00eancia de uma forma muito ampla\u201d, destaca o professor Nelson Inoc\u00eancio, do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, o termo que define a retirada dos negros do Continente Africano \u00e9 sequestro. \u201cEsse sequestro realmente foi algo absurdo, inomin\u00e1vel. O Brasil foi o pa\u00eds que mais importou popula\u00e7\u00e3o africana. Dentro daquele universo de extrema viol\u00eancia existiam articula\u00e7\u00f5es coletivas para, de alguma forma, tentar minar o sistema\u201d, ressaltou<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resist\u00eancia sempre foi a palavra de ordem de quem era for\u00e7ado ao trabalho escravo. Mas n\u00e3o foi f\u00e1cil. Os negros foram ca\u00e7ados e perseguidos. Por isso, procuravam n\u00e3o ficar sozinhos. Em comunidade, era mais f\u00e1cil sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os locais de ref\u00fagio come\u00e7aram a se formar logo ap\u00f3s a chegada dos primeiros navios negreiros ao Brasil. Nasciam, assim, os chamados quilombos. O mais famoso deles, o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, data do fim do s\u00e9culo 16. Isso quer dizer que pouco depois do in\u00edcio da escravid\u00e3o, os primeiros negros j\u00e1 come\u00e7aram a fugir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A heran\u00e7a de quem fugiu da escravid\u00e3o ainda \u00e9 viva entre os quilombolas. Sirilo Rosa, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Quilombo Kalunga, comunidade no interior de Goi\u00e1s, conta um pouco da hist\u00f3ria que j\u00e1 escutou. \u201cEu ouvia nossos antepassados falarem que tinha um lugar chamado quilombo mas que eles n\u00e3o sabiam onde era. [Diziam] que esse lugar chamado de quilombo era onde o pessoal que foi escravo fugia e ia pra l\u00e1\u201d, lembra. \u201cEra um lugar isolado e que n\u00e3o tinha nem estrada pra chegar. Eles sa\u00edam das casinhas deles, mas n\u00e3o deixavam trilha. Sa\u00edam de um lado e chegavam por outro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jovem quilombola Edmeia Batista Costa, da Comunidade Kaonge, em Cachoeira, na Bahia, tamb\u00e9m conhece a hist\u00f3ria de quem veio antes. \u201cA gente sabe que os antepassados lutaram muito. Muitos apanharam no chicote. Agora a gente n\u00e3o tem mais isso. Gra\u00e7as a Deus, a escravid\u00e3o j\u00e1 acabou e eles passaram para gente o trabalho e a luta deles para a gente continuar\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil tem mais de 2,4 mil comunidades quilombolas certificadas pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares. Elas est\u00e3o espalhadas em 24 estados e se organizam de forma diferente. A maioria vive da agricultura de subsist\u00eancia. Ou seja, eles produzem na ro\u00e7a praticamente tudo o que precisam. \u00c9 o caso de dona Leot\u00e9ria, lavradora kalunga. Ela planta mandioca, arroz, milho, cana, feij\u00e3o de corda, al\u00e9m de frutas, hortali\u00e7as e ervas medicinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona Leot\u00e9ria diz que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, mas que j\u00e1 viveu dias mais dif\u00edceis no passado. \u201cJ\u00e1 foi sofrida a nossa vida. Uma parte foi boa e outra sofrida mas, gra\u00e7as a Deus, n\u00f3s sobrevivemos. N\u00e3o tinha rodagem [estrada] por aqui, n\u00e3o tinha m\u00e9dico. A pessoa adoecia, levava para Cavalcante [um dos munic\u00edpios que comp\u00f5em o territ\u00f3rio kalunga, distante 30 quil\u00f4metros da comunidade] na rede\u201d, recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje est\u00e1 melhor porque j\u00e1 tem m\u00e9dico, j\u00e1 tem muitas coisas. Hoje j\u00e1 tem at\u00e9 o posto [de sa\u00fade] aqui, tamb\u00e9m. Uma hora tem m\u00e9dico, outra hora n\u00e3o tem. Mas a hora que tem j\u00e1 serve\u201d, resigna-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, apenas os estados do Acre e de Roraima e o Distrito Federal n\u00e3o contam com esses remanescentes. Mais de 200 processos de certifica\u00e7\u00e3o ainda est\u00e3o sendo analisados e mais de 500 comunidades foram identificadas pela funda\u00e7\u00e3o como quilombolas, mas n\u00e3o solicitaram a Certid\u00e3o de Autodefini\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o primeiro passo para ser quilombola, \u00e9 se reconhecer como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o famoso sentimento de identidade, como explica Juvani Jovelino, l\u00edder espiritual da Comunidade Kaonge, na Bahia. \u201cSer quilombola \u00e9 voc\u00ea saber [a origem] os 50% do seu sangue. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 negro que \u00e9 quilombola, porque existe branco tamb\u00e9m que \u00e9 quilombola porque tem 50% do sangue que ele n\u00e3o procurou saber de onde vem.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que os colonizadores portugueses chegaram ao Brasil, h\u00e1 mais de 500 anos, eles exploraram, inicialmente, a m\u00e3o de obra ind\u00edgena. Mas o contato com os homens brancos foi p\u00e9ssimo para a sa\u00fade dos ind\u00edos. 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