{"id":292779,"date":"2019-08-21T09:36:05","date_gmt":"2019-08-21T12:36:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=292779"},"modified":"2019-08-21T09:36:05","modified_gmt":"2019-08-21T12:36:05","slug":"em-bacurau-e-lutar-ou-morrer-no-sertao-que-espelha-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em-bacurau-e-lutar-ou-morrer-no-sertao-que-espelha-o-brasil\/","title":{"rendered":"Em \u2018Bacurau\u2019, \u00e9 lutar ou morrer no sert\u00e3o que espelha o Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Longa de Kleber Mendon\u00e7a Filho e Juliano Dornelles estreia em 29 de agosto chancelado pela cr\u00edtica estrangeira e eletrizado pelo ambiente pol\u00edtico. &#8220;Os filmes de g\u00eanero s\u00e3o muito mais fortes quando o mundo est\u00e1 alimentando ideias e realidades absurdas&#8221;, diz o codiretor<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Joana Oliveira\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/joana_carolina_lopes_de_oliveira\/a\/\">JOANA OLIVEIRA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/08\/20\/cultura\/1566328403_365611_1566339715_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/08\/20\/cultura\/1566328403_365611_1566339715_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/08\/20\/cultura\/1566328403_365611_1566339715_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/08\/20\/cultura\/1566328403_365611_1566339715_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Cena do filme 'Bacurau'.\" width=\"980\" height=\"600\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Cena do filme &#8216;Bacurau&#8217;.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">VICTOR JUC\u00c1 (DIVULGA\u00c7\u00c3O)<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o de um caix\u00e3o que, durante o cortejo funer\u00e1rio, enche-se de \u00e1gua. Uma mand\u00edbula de tubar\u00e3o no ch\u00e3o da caatinga que passa em menos de um segundo. Em\u00a0<em>Bacurau<\/em>, longa-metragem dos pernambucanos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/kleber_de_mendonca_vasconcellos_filho\">Kleber Mendon\u00e7a Filho<\/a>\u00a0e Juliano Dornelles, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 29 de agosto, o sert\u00e3o n\u00e3o vira mar, mas se converte em palco de uma violenta distopia, com as cores de Glauber Rocha e o estilo\u00a0<em>western<\/em>\u00a0de John Ford, misturado com realismo m\u00e1gico e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u00c9 a evoca\u00e7\u00e3o de um sert\u00e3o que tamb\u00e9m povoa as principais institui\u00e7\u00f5es culturais do pa\u00eds, como o Museu de Arte Moderna (MAM) de S\u00e3o Paulo, que estreou no s\u00e1bado a\u00a0<a href=\"https:\/\/mam.org.br\/exposicao\/36o-panorama-da-arte-brasileira-sertao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">36\u00ba Panorama da Arte Brasileira<\/a>\u00a0com o t\u00edtulo\u00a0<em>Sert\u00e3o<\/em>, ou o Sesc 24 de Maio,\u00a0<a href=\"http:\/\/dasartes.com\/agenda\/a-nordeste-sesc-24-de-maio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com a exposi\u00e7\u00e3o \u00c0 Nordeste<\/a>.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1DPdE1MBcQc\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CJW3zM78k-QCFQYZgQod7kwP3g\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"8\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Bacurau, vilarejo fict\u00edcio no meio do nada que recebe o nome de um p\u00e1ssaro &#8220;brabo&#8221; de h\u00e1bitos noturnos, o sert\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o centro do pa\u00eds. Um sert\u00e3o com uma imag\u00e9tica e uma est\u00e9tica t\u00e3o peculiares \u2014o sol forte, o verde dos mandacarus, as estradas de ch\u00e3o batido\u2014 e, ao mesmo tempo, indissoci\u00e1veis da ideia geral de Brasil. O sert\u00e3o do banditismo, da pistolagem, da grilagem de terras. Uma na\u00e7\u00e3o que faz apologia \u00e0 ignor\u00e2ncia, \u00e0 tortura e \u00e0 morte. Com um hist\u00f3ria que se passa no futuro, &#8220;daqui a alguns anos&#8221;,\u00a0<em>Bacurau<\/em>\u00a0(o filme) ressoa, na verdade, o Brasil de 2019 e o de sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Bacurau<\/em>\u00a0cheira a morte. A primeira sequ\u00eancia do longa \u00e9 a passagem de um caminh\u00e3o-pipa que atropela caix\u00f5es pelo caminho. No povoado isolado, mas hipercontectado \u00e0 Internet, os moradores, com uma grande variedade de g\u00eaneros, ra\u00e7as e sexualidades\u2014 vivem sem \u00e1gua e escondem-se quando o prefeito em campanha pela reelei\u00e7\u00e3o chega para distribuir mantimentos, alguns vencidos, e despejar livros velhos em frente \u00e0 escola local. A\u00ed j\u00e1 come\u00e7a a resist\u00eancia: em meio \u00e0 pen\u00faria, a m\u00e9dica Domingas (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sonia_braga\">S\u00f4nia Braga<\/a>), Teresa (Barbara Colen) e os demais moradores, com a ajuda dos bandoleiros procurados Pacote (Thomas Aquino) e Lunga (Silvero Pereira) organizam-se e ajudam-se entre eles. Quando o vilarejo literalmente desaparece dos mapas digitais e a comunidade perde a conex\u00e3o com a Internet, a presen\u00e7a de forasteiros (gringos e sudestinos) coincide com o misterioso aparecimento de cad\u00e1veres crivados \u00e0 bala. Bacurau vive uma carnificina, e \u00e9 a distante S\u00e3o Paulo que aparece como &#8220;paiol&#8221; em que execu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas s\u00e3o televisionadas ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ser frequentemente lido como uma distopia contra o Brasil de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jair_messias_bolsonaro\">Jair Bolsonaro<\/a>, os diretores n\u00e3o confirmam (pelo menos n\u00e3o diretamente) o argumento. &#8220;Eu n\u00e3o trabalho com mensagens&#8221;, afirmou Mendon\u00e7a Filho em uma conversa com a imprensa nesta ter\u00e7a-feira. &#8220;\u00c9 um filme de g\u00eanero, os filmes de g\u00eanero s\u00e3o muito mais fortes quando o mundo est\u00e1 alimentando ideias e realidades absurdas. E nosso pa\u00eds \u00e9 muito rico em absurdos, h\u00e1 alimento para mais de dois mil filmes.\u00a0<em>Bacurau<\/em>\u00a0\u00e9 s\u00f3 mais um&#8221;, concordou Dornelles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mendon\u00e7a e Dornelles gostam de lembrar que, quando come\u00e7aram a produ\u00e7\u00e3o, em 2009, o Brasil\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/10\/29\/economia\/1446146892_377075.html\">apostava na redu\u00e7\u00e3o das muitas desigualdades sociais<\/a>\u00a0e o clima pol\u00edtico, em geral, era de esperan\u00e7a. Quando filmara, entre mar\u00e7o e maio de 2018, muita coisa havia mudado e o longa assumiu um tom premonit\u00f3rio. No sert\u00e3o do Serid\u00f3, no Rio Grande do Norte,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/14\/politica\/1552572906_734967.html\">a equipe chorou junta, por exemplo, a execu\u00e7\u00e3o de Marielle Franco<\/a>, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2016, quando concorreu no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/09\/01\/cultura\/1472696108_914418.html\">Festival de Cannes com\u00a0<em>Aquarius<\/em><\/a>, estrelado por S\u00f4nia Braga, Mendon\u00e7a Filho\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=2&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwicjtq71ZLkAhX0ILkGHZrZDlsQFjABegQIBhAB&amp;url=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2016%2F05%2F17%2Fcultura%2F1463498064_139719.html&amp;usg=AOvVaw2uPzIrsgmt9XKHzDFReynP\">posou no tapete vermelho ao lado do elenco com cartazes que denunciavam o impeachment<\/a>\u00a0de Dilma Rousseff como um &#8220;golpe de Estado&#8221;. Com\u00a0<em>Bacurau<\/em>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/25\/cultura\/1558804611_452276.html\">levou este ano o Pr\u00eamio do J\u00fari da academia francesa<\/a>. Estreia na\u00a0<em>terra brasilis<\/em>\u00a0com a chancela da aclama\u00e7\u00e3o estrangeira, que, em certa contram\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es sobre imperialismo no longa, aparece como refor\u00e7ador das leituras mais pol\u00edticas do filme .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A cr\u00edtica est\u00e1 na gente. A gente que est\u00e1 criticando o Governo e se apoia nas coisas que vemos para reafirmar a sensa\u00e7\u00e3o de revolta pela perda de direitos, a ang\u00fastia do Brasil que ainda se v\u00ea col\u00f4nia explorat\u00f3ria em pleno 2019&#8221;, diz Karine Teles, que interpreta uma das forasteiras que rompem a rotina do vilarejo. A estrela S\u00f4nia Braga, que dedicou seu papel a Marielle Franco, \u00e9 mais direta em suas coloca\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. &#8220;Minha esperan\u00e7a \u00e9 que, j\u00e1 que o filme se passa no futuro, desperte nas pessoas um car\u00e1ter de revis\u00e3o. Que elas possam rever o Brasil e nossas necessidades, porque, no fundo, todo mundo quer a mesma coisa, de verdade. Quem \u00e9 que n\u00e3o quer que uma pessoa coma tr\u00eas vezes ao dia, que v\u00e1 \u00e0 escola, que tenha cultura? Como vamos voltar a conversar? Eu tenho essa esperan\u00e7a, como artista, de que a gente volte a encontrar um caminho, r\u00e1pido&#8221;, discursou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>Bacurau<\/em>, s\u00f3 h\u00e1 dois caminhos poss\u00edveis: resistir e lutar ou morrer. E a cada minuto de suspense bem elaborado, a cada momento em que se invertem os papeis entre oprimido e opressor, o filme faz a plateia vibrar. Com fotografia e sonoplastia impec\u00e1veis, explode em abandono, solidariedade, viol\u00eancia, pol\u00edtica, dor e uni\u00e3o. Nada sai ileso de l\u00e1. Por isso, a placa que d\u00e1 as boas-vindas ao povoado fict\u00edcio e ao longa dist\u00f3pico reza: &#8220;Se for, v\u00e1 em paz&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vis\u00e3o de um caix\u00e3o que, durante o cortejo funer\u00e1rio, enche-se de \u00e1gua. Uma mand\u00edbula de tubar\u00e3o no ch\u00e3o da caatinga que passa em menos de um segundo. 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