{"id":29279,"date":"2013-11-19T08:22:38","date_gmt":"2013-11-19T11:22:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=29279"},"modified":"2013-11-19T08:22:38","modified_gmt":"2013-11-19T11:22:38","slug":"fuga-de-pizzolato-teve-20-horas-de-carro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/fuga-de-pizzolato-teve-20-horas-de-carro\/","title":{"rendered":"Fuga de Pizzolato teve 20 horas de carro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-29281\" alt=\"Fuga de Pizzolato\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Fuga-de-Pizzolato.jpg\" width=\"288\" height=\"212\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma viagem de 1.600 quil\u00f4metros, 20 horas de estrada, duas paradas para abastecer o carro, refei\u00e7\u00f5es de biscoito, banana e \u00e1gua. Assim o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato chegou \u00e0 fronteira do Paraguai h\u00e1 cerca de 50 dias. O autom\u00f3vel, por\u00e9m, n\u00e3o passou para o lado de l\u00e1: ainda em territ\u00f3rio brasileiro, Pizzolato despediu-se do amigo que o levava, atravessou a p\u00e9 a linha imagin\u00e1ria entre os dois pa\u00edses e embarcou em outro ve\u00edculo, que j\u00e1 o esperava. Foi para Buenos Aires, na Argentina, onde, j\u00e1 com outra via do passaporte italiano &#8211; a primeira fora entregue \u00e0 Justi\u00e7a do Brasil, com o documento brasileiro -, tomou um voo para o pa\u00eds europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornada de Pizzolato para escapar ao cumprimento da senten\u00e7a, que considera injusta, de 12 anos e 7 meses de pris\u00e3o no processo do mensal\u00e3o, feita em segredo, come\u00e7ara \u00e0s 4h30 da manh\u00e3 anterior \u00e0 chegada \u00e0 fronteira. O ex-diretor do Banco do Brasil saiu discretamente do pr\u00e9dio onde morava, em Copacabana, na zona sul do Rio, sem bagagem e levando consigo um pen drive, com c\u00f3pia de um dossi\u00ea que elaborou com sua hist\u00f3ria desde a campanha eleitoral que elegeu o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva em 2002, al\u00e9m de detalhes da a\u00e7\u00e3o penal em que foi condenado (mais informa\u00e7\u00f5es abaixo). Tenso, preferiu deixar a dire\u00e7\u00e3o com o amigo: n\u00e3o se sentia em condi\u00e7\u00f5es emocionais de dirigir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pizzolato decidiu deixar o Brasil em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia depois do 7 de setembro. Pouco antes, no dia 4, o Supremo Tribunal Federal rejeitara seus primeiros embargos de declara\u00e7\u00e3o &#8211; tipo de recurso que questiona a clareza das decis\u00f5es &#8211; \u00e0 senten\u00e7a que o condenara \u00e0 pris\u00e3o por peculato (apropria\u00e7\u00e3o criminosamente, por servidor, de dinheiro p\u00fablico), lavagem de dinheiro e corrup\u00e7\u00e3o passiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois, o ex-ministro da Casa Civil Jos\u00e9 Dirceu, outro dos r\u00e9us condenados no processo do mensal\u00e3o, reuniu amigos em sua casa, para acompanhar pela televis\u00e3o uma sess\u00e3o da Corte que examinava o seu caso e admitiu concretamente a possibilidade de ir para a cadeia. Foi mais um sinal assustador para Pizzolato: o mais graduado dos petistas no processo admitia publicamente que seria preso. &#8220;O que vai ser depois da condena\u00e7\u00e3o?&#8221;, preocupava-se o ex-diretor do Banco do Brasil em conversas com amigos pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Plano. A opera\u00e7\u00e3o secreta que retirou Pizzolato do Brasil foi arquitetada com ajuda de um grupo restrito. Seria, por\u00e9m, do conhecimento pr\u00e9vio de alguns petistas, entre eles Dirceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao saber da disposi\u00e7\u00e3o do ex-diretor do Banco do Brasil de deixar o Brasil e continuar lutando por sua absolvi\u00e7\u00e3o na It\u00e1lia, o ex-ministro da Casa Civil, condenado a mais de dez anos por comandar o mensal\u00e3o, n\u00e3o teria se oposto, embora n\u00e3o soubesse de detalhes do plano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Dirceu descartou a possibilidade &#8211; aventada &#8211; de fugir do Pa\u00eds para a Venezuela ou para Cuba, pa\u00edses em cujos governos o ex-ministro cultiva boas rela\u00e7\u00f5es e de onde j\u00e1 colhera sinaliza\u00e7\u00f5es de solidariedade, diante da condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o anunciada pelo Supremo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da partida, ocorrida alguns dias depois do 7 de setembro, Pizzolato, que tem dupla nacionalidade &#8211; brasileira e italiana -, fez algumas avalia\u00e7\u00f5es. Uma das mais importantes envolveu o tratado de extradi\u00e7\u00e3o Brasil-It\u00e1lia, que desobriga as partes de extraditar para a outra seus nacionais e abre a possibilidade de abertura de novo processo, de acordo com a respectiva legisla\u00e7\u00e3o local. Esse mecanismo era justamente o que o ex-diretor do BB queria para que seu caso fosse examinado, segundo argumenta, apenas sob a \u00f3tica jur\u00eddica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratado tamb\u00e9m n\u00e3o permite a extradi\u00e7\u00e3o se houver motivos para acreditar que o extraditado sofrer\u00e1 algum tipo de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra avalia\u00e7\u00e3o envolveu poss\u00edveis repres\u00e1lias, como confisco de bens e bloqueio de aposentadoria. O \u00fanico bem de vulto que o ex-diretor possui, segundo seus amigos, \u00e9 a cobertura na Rua Dias Ferreira, em Copacabana, cujo bloqueio n\u00e3o o afeta imediatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pizzolato foi condenado ao lado de outras 24 pessoas no ano passado. Segundo o Supremo, ele participou de um esquema de desvio de dinheiro do Banco do Brasil, por meio de contratos da Visanet &#8211; sistema de pagamento via cart\u00e3o -, para abastecer o caixa do empres\u00e1rio Marcos Val\u00e9rio, que repassava o dinheiro para parlamentares da base aliada do ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, entre 2003 e 2005. A defesa do ex-diretor do banco estatal afirma que os contratos da Visanet com as ag\u00eancias de publicidade de Val\u00e9rio eram legais e todos os servi\u00e7os foram prestados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma viagem de 1.600 quil\u00f4metros, 20 horas de estrada, duas paradas para abastecer o carro, refei\u00e7\u00f5es de biscoito, banana e \u00e1gua. Assim o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato chegou \u00e0 fronteira do Paraguai h\u00e1 cerca de 50 dias. O autom\u00f3vel, por\u00e9m, n\u00e3o passou para o lado de l\u00e1: ainda em territ\u00f3rio brasileiro, Pizzolato despediu-se do amigo que o levava, atravessou a p\u00e9 a linha imagin\u00e1ria entre os dois pa\u00edses e embarcou em outro ve\u00edculo, que j\u00e1 o esperava. Foi para Buenos Aires, na Argentina, onde, j\u00e1 com outra via do passaporte italiano &#8211; a primeira fora entregue \u00e0 Justi\u00e7a do Brasil, com o documento brasileiro -, tomou um voo para o pa\u00eds europeu. <\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":29281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-29279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Fuga-de-Pizzolato.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29279\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}