{"id":293403,"date":"2019-08-27T10:15:28","date_gmt":"2019-08-27T13:15:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=293403"},"modified":"2019-08-27T10:15:28","modified_gmt":"2019-08-27T13:15:28","slug":"os-outros-amores-de-frida-e-diego-noventa-anos-depois-de-seu-casamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-outros-amores-de-frida-e-diego-noventa-anos-depois-de-seu-casamento\/","title":{"rendered":"Os outros amores de Frida e Diego, noventa anos depois de seu casamento"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\"><em>Reconstru\u00edmos a apaixonada rela\u00e7\u00e3o dos pintores a partir de cartas, depoimentos, fotografias e obras de arte<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n    \"><\/div>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n      right-links\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/ivEbw6oup2riIo0e9Qqne5J9c0Y=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/DFIXR4VORPPLWU5JIPYDZLGY4Y.jpg\" alt=\"Frida Kahlo e Diego Rivera em 1937.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Frida Kahlo e Diego Rivera em 1937.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Pamela Subizar\" href=\"https:\/\/verne.elpais.com\/autor\/verne\/a\/\">PAMELA SUBIZAR<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\">21 de agosto de 1929. Um casamento simples, ap\u00f3s um curto namoro. Ela,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/frida_kahlo\" data-link-track-dtm=\"\">Frida Kahlo<\/a>, tem 22 anos. Ele, Diego Rivera, 43. Nas mesas, h\u00e1 sopa de ostras, arroz com banana, piment\u00f5es recheados, mole negro, pozole vermelho. Ao redor, decora\u00e7\u00e3o colorida e um punhado de amigos: artistas, fot\u00f3grafos e militantes do Partido Comunista. De repente, surge a ex-mulher dele, Lupe Mar\u00edn, para levantar a saia da noiva e mostrar suas pernas, uma mais magra que a outra, uma sequela da espinha b\u00edfida, de que ela padecia. \u201cOlhe para esses dois pauzinhos. \u00c9 o que Diego tem em vez de pernas\u201d, grita bem alto. O epis\u00f3dio define o tom do que seria daquele dia em diante um relacionamento tempestuoso e fascinante entre os dois grandes artistas mexicanos.<\/p>\n<p class=\"\">As vidas do Elefante e da Paloma (pomba), como eram chamados por sua grande diferen\u00e7a de tamanho, se entrela\u00e7aram por 25 anos. Durante todos eles, haveria dois casamentos, um div\u00f3rcio e um sem-n\u00famero de infidelidades e esc\u00e2ndalos que deliciavam a imprensa da \u00e9poca. Em seu \u00faltimo livro,\u00a0<em>Heridas. Amores de Diego Rivera<\/em>, a escritora Martha Zamora reconstr\u00f3i a vida das mulheres que compartilharam a vida com o famoso pintor. Reconstru\u00edmos com Zamora a apaixonada rela\u00e7\u00e3o de Frida e Diego a partir de cartas, depoimentos, fotografias e obras de arte.<\/p>\n<p class=\"\">&#8220;Diego \u00e9 bom para mim e me ama (at\u00e9 agora) bastante&#8221;, dizia Frida Kahlo \u00e0 m\u00e3e em uma carta enviada em 1931 dos Estados Unidos, onde os rec\u00e9m-casados moraram por alguns anos. Mas os casos de Rivera j\u00e1 haviam come\u00e7ado.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/rThtskWlWuh-3h0nsXP0-2SnOu8=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/4VUDDAVKRG47YXC4XKI57TZP6E.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\"><span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Quando Alberto Veraza Uthoff, enteado da irm\u00e3 de Frida, foi visitar o casal em Nova York, encontrou a pintora furiosa. &#8220;Estava muito irritada, dizendo grosserias porque Diego tinha ido a Detroit com outra senhora e a havia deixado sozinha&#8221;, disse em uma entrevista \u00e0 escritora Martha Zamora.<\/p>\n<p class=\"\">Ione Robinson, uma das assistentes norte-americanas nos murais de S\u00e3o Francisco em 1930, foi uma dessas muitas amantes que o teriam acompanhado \u2014 algumas por horas, outras por dias. Eram jovens pintoras de &#8220;talento sobrenatural&#8221;, dir\u00e1 Frida em uma carta anos depois; talento que &#8220;est\u00e1 sempre em raz\u00e3o direta da temperatura de suas partes de baixo&#8221;, acrescentava. Enquanto isso, naqueles anos de casamento nos Estados Unidos, Frida teria o primeiro de seus abortos. A dor das trai\u00e7\u00f5es e a infertilidade marcariam sua obra.<\/p>\n<p class=\"\">Para quem conhecia Diego, suas aventuras n\u00e3o eram uma surpresa: 20 anos mais velho que Frida, chegou a ela depois de viver 10 anos em Paris com a artista Angelina Beloff, a quem traiu com a cubista Marevna Vorobev \u2014 com quem teve uma filha n\u00e3o reconhecida. \u201cDepois, ele a abandonou para voltar ao M\u00e9xico, onde se casou com Lupe Mar\u00edn e teve duas filhas\u201d, diz Zamora. O tri\u00e2ngulo amoroso, neste caso, se formou com a fot\u00f3grafa \u00edtalo-americana Tina Modotti. Mas Frida era &#8220;a mais maravilhosa&#8221;, segundo Diego. \u201cTive a sorte de amar a mulher mais maravilhosa que j\u00e1 conheci. Ela era poesia e a pr\u00f3pria genialidade\u201d, disse Diego sobre Frida em uma entrevista a Elena Poniatowska. &#8220;Infelizmente, eu n\u00e3o soube amar somente a ela, porque sempre fui incapaz de amar uma \u00fanica mulher&#8221;, confessou.<\/p>\n<p class=\"\">De volta ao M\u00e9xico, os Riveras se mudaram em 1934 para o bairro de San \u00c1ngel, para duas casas ligadas por uma ponte na altura do telhado, que ele havia encomendado ao arquiteto Juan O&#8217;Gorman. Era um s\u00edmbolo da autonomia e codepend\u00eancia dos g\u00eanios criativos. Ali aconteceria a maior trai\u00e7\u00e3o do mestre. Frida havia convencido Diego a contratar sua irm\u00e3 Cristina Kahlo como secret\u00e1ria e que ela posasse nua para a obra\u00a0<em>O Conhecimento e a Pureza<\/em>. A proximidade resultou em um caso. Frida deixou a casa-est\u00fadio e Diego.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/txlEHiTzhqoNo_BOQyK-iKW1uhc=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/JJIG433MO625ZVVWJAG6GU7IBM.jpg\" alt=\"As casas de Frida e Diego em San \u00c1ngel, unidas por uma ponte.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">As casas de Frida e Diego em San \u00c1ngel, unidas por uma ponte.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">QUINN COMENDAN<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\"><em>Umas Facadinhas de Nada<\/em>, obra com uma mulher com v\u00e1rias facadas, em uma cama, \u00e9 o testemunho comovente da dor de Frida Kahlo pela trai\u00e7\u00e3o do marido com sua irm\u00e3 Cristina. Em 1935, Frida concorda em voltar para Rivera porque o quer &#8220;mais do que a pr\u00f3pria pele&#8221; \u2014 confessa em uma carta. H\u00e1 quem acredite que se iniciou ent\u00e3o um pacto de aceita\u00e7\u00e3o de aventuras. Embora ele explodisse de ci\u00fames, por exemplo, quando descobre o romance dela com o escultor Isamu Noguchi (1936). Dizem que, com uma arma na m\u00e3o, os obrigou a se separarem.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/HnQqXLnb7jff3seDEIoBgKUXTPY=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/VZFO7MSRT2BXUUV4NYDJTU5CGA.jpg\" alt=\"O quadro 'Umas Facadinhas de Nada' de Frida Kahlo.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">O quadro &#8216;Umas Facadinhas de Nada&#8217; de Frida Kahlo.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/leon_trotski\" data-link-track-dtm=\"\">Leon Tr\u00f3tski<\/a>, o pol\u00edtico e revolucion\u00e1rio russo refugiado no M\u00e9xico, foi outro dos amores de Frida (1937), que cartas apaixonadas comprovam. Mas a grande fraqueza de Frida por quase uma d\u00e9cada foi um fot\u00f3grafo de origem h\u00fangara de Nova York, que faria seus melhores retratos em cores. \u201cOh, meu caro Nick, te amo muito. Preciso tanto de voc\u00ea, meu cora\u00e7\u00e3o d\u00f3i \u201d, ela escreve em uma de suas muitas cartas a Nickolas Muray.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/WHX2JHexM-oatOpNMt00zC2kh0U=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/3G3J6UVGVS4IVXPIDWOWRM5KTI.jpg\" alt=\"Em 9 de janeiro de 1937, Leon Tr\u00f3tski chega ao M\u00e9xico. Frida Kahlo e Diego Rivera integram a comitiva de boas-vindas em Tampico.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">Em 9 de janeiro de 1937, Leon Tr\u00f3tski chega ao M\u00e9xico. Frida Kahlo e Diego Rivera integram a comitiva de boas-vindas em Tampico.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Em 1939, Frida viaja para Nova York, cidade onde Muray est\u00e1, e depois para a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/europa\" data-link-track-dtm=\"\">Europa<\/a>. Enquanto isso, no M\u00e9xico, Diego cai aos p\u00e9s da pintora h\u00fangara Irene Bohus e da bela atriz norte-americana Paulette Goddard. \u00c9 ele quem pede o div\u00f3rcio, que se concretiza em 6 de novembro de 1939.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/bYcIVxnAD6ihMQ0ETQZZNaIt1Uc=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/F2R4J7DNCABIQNYM656T4GFQCQ.jpg\" alt=\"O fot\u00f3grafo Nick Muray (esq.) e a atriz Paulette Goddard diante de retrato pintado por Diego Rivera (dir.).\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">O fot\u00f3grafo Nick Muray (esq.) e a atriz Paulette Goddard diante de retrato pintado por Diego Rivera (dir.).<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">O m\u00e9dico Heinz Berggruen, com quem Frida viveu um m\u00eas de romance no Hotel Barbizon Plaza, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_york\" data-link-track-dtm=\"\">Nova York<\/a>, conta que ela logo quis voltar para Diego. \u201cQuanto mais tempo pass\u00e1vamos juntos, mais percept\u00edvel ficava o seu v\u00ednculo com ele. Tive que reconhecer que para ela nosso relacionamento n\u00e3o passava de um epis\u00f3dio\u201d, diz Berggruen (<em>Frida Kahlo<\/em>, por Linde Salber).<\/p>\n<p class=\"\">Frida produz dezenas de pinturas ap\u00f3s o div\u00f3rcio, mas n\u00e3o consegue vend\u00ea-las. Cai em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/depresion\" data-link-track-dtm=\"\">depress\u00e3o<\/a>\u00a0e no \u00e1lcool. &#8220;Diego me fez sofrer tanto que n\u00e3o pude perdo\u00e1-lo facilmente, mas ainda o amo, mais do que a minha vida, e ele sabe disso, e por isso age assim&#8221;, confessa Frida \u00e0 atriz Dolores del R\u00edo em uma carta.<\/p>\n<p class=\"\">Frida e Diego se casam novamente em 8 de dezembro de 1940, ap\u00f3s o assassinato de Tr\u00f3tski. Em seu segundo casamento com Rivera, Frida imp\u00f5e regras: n\u00e3o haver\u00e1 sexo. Ser\u00e3o c\u00famplices e amigos. &#8220;Est\u00e1 claro que Diego precisava de Frida tanto como Frida precisava dele&#8221;, diz a escritora e bi\u00f3grafa Linde Saber.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/ePZzAtOoD4ZK-d9mYEDBLp2vwOk=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/YCYWPLJSZJVWBO3RVDKYBTYCSU.jpg\" alt=\"Kahlo e Rivera se casam pela segunda vez na Prefeitura de San Francisco (EUA) em 9 de dezembro de 1940.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">Kahlo e Rivera se casam pela segunda vez na Prefeitura de San Francisco (EUA) em 9 de dezembro de 1940.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">A lista de rumores de amantes de ambos os lados se torna extensa. Diego sair\u00e1 com a artista Rina Lazo. Frida vive um romance intenso e secreto com o pintor espanhol Josep Bartoli. E acredita-se que tamb\u00e9m com mulheres, como Chavela Vargas. &#8220;Extraordin\u00e1ria, l\u00e9sbica, al\u00e9m do mais, a desejei eroticamente.&#8221; \u00c9 assim que a artista a descreve em uma carta ao poeta Carlos Pellicer. Mas suas obras mostram dor diante das aventuras do marido.<\/p>\n<p class=\"\">Quando se prepara uma exposi\u00e7\u00e3o em homenagem a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/diego_rivera\" data-link-track-dtm=\"\">Diego Rivera<\/a>\u00a0em 1949 no Instituto Nacional de Belas Artes, o mestre apronta outra das suas: \u201cDei outro desgosto a Frida. Eu me apaixonei pela atriz de cinema Mar\u00eda F\u00e9lix \u201d, conta ele mesmo. Frida &#8220;sofreu inutilmente&#8221;, diz Diego: a exuberante Mar\u00eda F\u00e9lix nunca quis se casar com ele. A pr\u00f3pria Frida enviar\u00e1 a ela uma carta decorada com desenhos de pombos pedindo que aceite a proposta de casamento do marido\u201d, diz Martha Zamora.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/F3WCsgl1-Spt5kGfD9sLS_l0b44=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/NSL5HNAXD3KOXIW6AMO3BMVM4E.jpg\" alt=\"A atriz mexicana, Mar\u00eda F\u00e9lix (esq.) e Diego Rivera com Emma Hurtado, sua \u00faltima mulher (dir.).\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">A atriz mexicana, Mar\u00eda F\u00e9lix (esq.) e Diego Rivera com Emma Hurtado, sua \u00faltima mulher (dir.).<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Ele a esperaria no aeroporto da Cidade do M\u00e9xico com um buqu\u00ea de flores, em cada visita. H\u00e1 quem diga que houve um tri\u00e2ngulo entre Frida, Diego e Mar\u00eda, que ficava na Casa Azul com os dois por longas temporadas. E que a artista oscilava entre os carinhos e o ci\u00fame com as mulheres do marido. Ela pintou no quarto ao lado do est\u00fadio: &#8220;Quarto de Mar\u00eda F\u00e9lix, Frida Kahlo e Diego Rivera&#8221;, com outros nomes de mulheres pr\u00f3ximas ao mestre.<\/p>\n<p class=\"\">Diego trabalhava, como sempre, sete dias por semana, dezenas de horas por dia, em murais, desenhos e cavaletes. E visitava todos os dias a comerciante Emma Hurtado, que mais tarde se tornaria sua \u00faltima mulher. Frida Kahlo morreu em 13 de julho de 1954, sozinha, na Casa Azul. &#8220;Espero alegre a sa\u00edda e espero nunca mais voltar&#8221; foi seu \u00faltimo escrito. \u201cFoi o dia mais tr\u00e1gico da minha vida. Perdi minha amada Frida para sempre\u201d, recordaria Diego Rivera em uma entrevista a Gladys March.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/Fm_dfjKJQoBHYUOPbHEok1G3Wnw=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/Y2IFTELQIZWWQFYYM5TWXX6YNQ.jpg\" alt=\"Diego Rivera e Frida Kahlo posam na Casa Azul de Coyoac\u00e1n, nos anos 40.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">Diego Rivera e Frida Kahlo posam na Casa Azul de Coyoac\u00e1n, nos anos 40.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">GETTY<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Diego reconhece os tormentos de Frida em um relato despojado a March, e ensaia um\u00a0<em>mea culpa<\/em>. \u201cTarde demais percebi que a parte mais maravilhosa da minha vida tinha sido meu amor por Frida, embora realmente n\u00e3o pudesse dizer que, se tivesse outra oportunidade, eu me comportaria com ela de maneira diferente. Todo homem \u00e9 um produto da atmosfera social em que cresce e eu sou quem sou. N\u00e3o tive nunca moral alguma e vivi apenas para o prazer, onde quer que o encontrasse [&#8230;] Se amava uma mulher, quanto mais a amava, mais desejava mago\u00e1-la. Frida foi apenas a v\u00edtima mais \u00f3bvia desta desagrad\u00e1vel caracter\u00edstica da minha personalidade.\u201d<\/p>\n<\/section>\n<div class=\"trust_project\">\n<div class=\"content | flex container_column_mobile justify_space_between\">\n<div class=\"claim | flex align_items_center justify_center\" style=\"text-align: justify;\">Adere a<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconstru\u00edmos a apaixonada rela\u00e7\u00e3o dos pintores a partir de cartas, depoimentos, fotografias e obras de arte<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":202332,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-293403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/frida.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/293403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=293403"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/293403\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/202332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=293403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=293403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=293403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}