{"id":293993,"date":"2019-09-03T08:35:53","date_gmt":"2019-09-03T11:35:53","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=293993"},"modified":"2019-09-03T08:35:53","modified_gmt":"2019-09-03T11:35:53","slug":"o-segredo-dos-que-vivem-bem-com-menos-de-seis-horas-de-sono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-segredo-dos-que-vivem-bem-com-menos-de-seis-horas-de-sono\/","title":{"rendered":"O segredo dos que vivem bem com menos de seis horas de sono"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Equipe norte-americana identificou duas variantes gen\u00e9ticas em indiv\u00edduos que dormem menos que a m\u00e9dia<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Daniel Mediavilla\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/daniel_mediavilla_gonzalez\/a\/\">DANIEL MEDIAVILLA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Os le\u00f5es costumam dormir mais de 13 horas. Para os cavalos duas s\u00e3o suficientes. No meio do caminho est\u00e3o os seres humanos com oito, mas se diz que para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/31\/estilo\/1559317192_804367.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Napole\u00e3o\u00a0<\/a>bastavam quatro para virar a Europa de cabe\u00e7a para baixo. Embora seja evidente que \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o essencial para quase todos os animais, ainda n\u00e3o se sabe bem\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/14\/estilo\/1565774144_002307.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">por que dormimos<\/a>. E tampouco por que um punhado de privilegiados podem se levantar descansados depois da metade de horas de sono que seus cong\u00eaneres precisam.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"roba_principal\" class=\"envoltorio_publi\">\n<div id=\"elpais_gpt-MPU1\" class=\"publi_luto_horizontal\" data-google-query-id=\"CJPZrvLGtOQCFYJjwQod7pUA1A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/mpu1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/08\/30\/ciencia\/1567157112_917037_1567158770_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/08\/30\/ciencia\/1567157112_917037_1567158770_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/08\/30\/ciencia\/1567157112_917037_1567158770_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/08\/30\/ciencia\/1567157112_917037_1567158770_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"horas de sue\u00f1o\" width=\"980\" height=\"587\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Sabia-se que Napole\u00e3o, pintado aqui diante da esfinge por Jean-L\u00e9on G\u00e9r\u00f4me, precisava de muito poucas horas de sono.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Ying-Hui Fu, pesquisadora da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco (UCSF), indagou durante toda sua carreira se \u00e9 poss\u00edvel encontrar nos genes a explica\u00e7\u00e3o para o fato de que alguns seres humanos precisam dormir menos. Encontrou esses motivos em duas ocasi\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CI2FqvLGtOQCFYJjwQod7pUA1A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"8\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>A primeira foi em 2009. Fu havia encontrado uma fam\u00edlia na qual, sem um treinamento espec\u00edfico, m\u00e3e e filha tinham o h\u00e1bito de acordar entre as 4h e 4h30, depois de cinco ou seis horas de sono. A pesquisadora coletou amostras de sangue de toda a fam\u00edlia em busca da particularidade que permitia \u00e0s duas mulheres dormir menos que seus parentes. A resposta parecia ter sido encontrada em uma muta\u00e7\u00e3o do gene DEC2 que elas possu\u00edam. Em m\u00e9dia, aqueles que tinham a muta\u00e7\u00e3o dormiam 6,25 horas por dia, em compara\u00e7\u00e3o com as 8,06 dos que n\u00e3o a tinham.<\/p>\n<p>Para tentar confirmar se era a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/11\/ciencia\/1560264021_622736.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">muta\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0que permitia que as duas mulheres dormissem menos e n\u00e3o outros fatores que poderiam ter sido ignorados, Fu e sua equipe criaram camundongos modificados com essa mesma variante gen\u00e9tica. Os roedores com o gene dormiam menos que os camundongos convencionais.<\/p>\n<p>A muta\u00e7\u00e3o do gene DEC2 \u00e9 muito rara e n\u00e3o serve para entender todos os que precisam dormir pouco. Nesta semana, Fu publica um novo estudo na revista\u00a0<em>Neuron<\/em>, no qual identifica outro gene relacionado ao sono escasso, mas saud\u00e1vel. Como na ocasi\u00e3o anterior, encontrou uma fam\u00edlia especial na qual identificou tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es sucessivas de indiv\u00edduos que precisavam de pouco sono. Al\u00e9m disso, nenhum deles tinha a muta\u00e7\u00e3o do DEC2. Um rastreamento de seu genoma identificou uma muta\u00e7\u00e3o em outro gene, o ADRB1, associado a um sono breve e reparador.<\/p>\n<p>Neste novo trabalho, os pesquisadores da UCSF tamb\u00e9m criaram camundongos modificados para entender como a muta\u00e7\u00e3o afeta a necessidade de sono. Assim, descobriram que o ADRB1 em evid\u00eancia na ponte do tronco cerebral, uma regi\u00e3o do c\u00e9rebro fundamental na regula\u00e7\u00e3o do sono. Ent\u00e3o, com t\u00e9cnicas optogen\u00e9ticas, que usam a luz para ativar determinadas c\u00e9lulas, estimularam os neur\u00f4nios nos quais viam o gene expresso. Esse est\u00edmulo fez com que os camundongos que dormiam despertassem, confirmando que a muta\u00e7\u00e3o ADRB1 promove o estado de alerta.<\/p>\n<p>Embora ainda seja necess\u00e1rio conhecer muito melhor os mecanismos que regulam os ciclos do sono e da vig\u00edlia, parece que os genes descobertos em pessoas que precisam de menos horas de sono proporcionam uma gest\u00e3o mais eficiente do descanso. O DEC2 oscila com o dia e a noite. Ao anoitecer, se junta ao gene MyoD1, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de orexina, um horm\u00f4nio que promove a vig\u00edlia, bloqueando sua atividade, e antes do amanhecer se retira, permitindo que o MyoD1 volte a estimular a produ\u00e7\u00e3o de orexina que nos desperta. A muta\u00e7\u00e3o no gene DEC2 faz com que esses freios na produ\u00e7\u00e3o de orexina sejam mais fracos. E algo semelhante acontece com o ADRB1. Nos camundongos com a muta\u00e7\u00e3o desse gene, a porcentagem de neur\u00f4nios que facilitam a vig\u00edlia era maior do que aqueles que os faziam dormir, algo que sugere o favorecimento de uma configura\u00e7\u00e3o cerebral que precisa de menos horas de sono.<\/p>\n<p>Fu comenta ao EL PA\u00cdS que nem a presen\u00e7a dessas variantes gen\u00e9ticas nem o fato de dormir menos parecem ter contrapartidas para os mutantes. As pessoas analisadas que naturalmente n\u00e3o precisam de tantas horas de sono tendem a ser mais felizes e a ter mais energia. Essa observa\u00e7\u00e3o vai na contram\u00e3o de outras an\u00e1lises gen\u00e9ticas \u2014como a publicada em mar\u00e7o deste ano na\u00a0<em>Nature Genomics<\/em>por uma equipe liderada por Richa Saxena, do Hospital Geral de Massachusetts\u2014 que encontraram correla\u00e7\u00f5es entre os genes que favorecem a ins\u00f4nia e os que aumentam a propens\u00e3o a sofrer de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas como depress\u00e3o ou esquizofrenia e inclusive diabetes tipo 2. Em muitos casos, os genes eram os mesmos. Ind\u00edcios como este sugerem que as mesmas muta\u00e7\u00f5es que permitem dormir menos podem ser sinal de um sistema nervoso mais forte e uma sa\u00fade melhor de maneira geral.<\/p>\n<p>Apesar de ter encontrado esses dois genes relacionados \u00e0 maior facilidade para a vig\u00edlia, Fu acredita que antes de come\u00e7ar a pensar em tratamentos para dormir menos e melhor, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio aprender mais sobre como a efici\u00eancia do sono \u00e9 regulada\u201d. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que um dia sejamos capazes de criar ferramentas que ajudem as pessoas a dormirem melhor e a serem mais saud\u00e1veis. Por\u00e9m, um sono mais eficiente pode significar dormir menos para alguns, mas n\u00e3o para outros\u201d, observa. Al\u00e9m disso, embora existam variantes gen\u00e9ticas que expliquem as diferen\u00e7as em como as pessoas dormem, h\u00e1 tamb\u00e9m fatores condicionantes ambientais, como os dispositivos eletr\u00f4nicos, o estresse do trabalho ou da vida familiar, ou os estimulantes, que exercem uma grande influ\u00eancia sobre como e quanto dormimos. Para a maioria, controlar esses fatores continua sendo a melhor op\u00e7\u00e3o para ter um sono saud\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Equipe norte-americana identificou duas variantes gen\u00e9ticas em indiv\u00edduos que dormem menos que a m\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":293996,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-293993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/napoleao-no-egito.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/293993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=293993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/293993\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/293996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=293993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=293993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=293993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}