{"id":294594,"date":"2019-09-08T10:29:05","date_gmt":"2019-09-08T13:29:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=294594"},"modified":"2019-09-09T08:35:02","modified_gmt":"2019-09-09T11:35:02","slug":"que-ricardo-coracao-de-leao-tenha-se-deitado-com-o-rei-da-franca-nao-significa-que-fosse-gay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/que-ricardo-coracao-de-leao-tenha-se-deitado-com-o-rei-da-franca-nao-significa-que-fosse-gay\/","title":{"rendered":"\u201cQue Ricardo Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o tenha se deitado com o rei da Fran\u00e7a n\u00e3o significa que fosse gay\u201d"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \">O historiador brit\u00e2nico Thomas Asbridge, consultor ignorado de &#8216;Cruzada\u2019, de Ridley Scott, publica uma emocionante e esclarecedora nova s\u00edntese das cruzadas<\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex justify_space_between relative\">\n<div class=\" social-icons flex container_row horizontal \"><\/div>\n<div class=\" social-icons flex container_row horizontal right-links \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<figure class=\"lead_art | \"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/EE33W3RuU4EgZs5P2mlvyVi7zZc=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/E4UDZDNJ4M7IYAOVYDDFGYXTVM.jpg\" alt=\"Carga da cavalaria, num momento de \u2018Cruzada\u2019.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Carga da cavalaria, num momento de \u2018Cruzada\u2019.<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg \">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \">\n<p><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jacinto Anton de vez Ayala duarte\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jacinto_anton\/a\/\">JACINTO ANTON DE VEZ AYALA DUARTE<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\" social-icons flex container_row horizontal small margin_left \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">L\u00e1 est\u00e3o todos os epis\u00f3dios famosos da hist\u00f3ria das cruzadas, de 1099 a 1291, a sanguin\u00e1ria conquista de Jerusal\u00e9m na primeira, a Batalha dos Cornos de Hattin, onde os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/musulmanes\" data-link-track-dtm=\"\">mu\u00e7ulmanos<\/a>\u00a0destro\u00e7aram o ex\u00e9rcito crist\u00e3o e se perdeu a Vera Cruz, a tomada de Acre na Terceira Cruzada, o audaz assalto anf\u00edbio de Lu\u00eds IX da Fran\u00e7a em Damieta, a retirada dos templ\u00e1rios da \u00faltima fortaleza de Ch\u00e2teau P\u00e8lerin&#8230; E todas as grandes figuras: Godofredo de Bouillon, de quem se dizia que havia sido parido por um cisne, embora parecesse mais uma ave de rapina; o devastado Rei Leproso (que nunca usou m\u00e1scara) e sua irm\u00e3 Sibila; o violento (e t\u00e3o ultrajado pelo cinema) Reinaldo de Ch\u00e2tillon; Nur al Din, Saladino e, claro, Ricardo Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.casadellibro.com\/libro-las-cruzadas-una-nueva-historia-de-las-guerras-por-tierra-santa\/9788417743192\/10037183\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><em>The Crusades \u2013 The War for the Holy Land<\/em>\u00a0(\u201cAs cruzadas \u2013 a guerra pela terra santa\u201d)<\/a>, do historiador brit\u00e2nico Thomas Asbridge, especialista em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/historia_medieval\/a\" data-link-track-dtm=\"\">Idade M\u00e9dia<\/a>\u00a0e assessor no filme\u00a0<em>Cruzada<\/em>\u00a0(2005), de Ridley Scott, em que diz que seus crit\u00e9rios n\u00e3o foram levados em conta. No livro aparece a rela\u00e7\u00e3o completa de fatos e personagens, mas apresentados de uma maneira muito mais equilibrada do que o habitual, porque contextualizados com fontes de ambos os lados, o crist\u00e3o e o mu\u00e7ulmano. Tamb\u00e9m encontramos coisas pouco conhecidas ou ignoradas: a pr\u00e1tica do canibalismo pelos famintos cruzados de Raimundo de Toulouse, que, dizem as fontes, comiam as n\u00e1degas assadas dos sarracenos mortos; o \u00faltimo ataque dos templ\u00e1rios, literalmente pegando fogo, surgindo do castelo do Vau de Jac\u00f3 devastado pelo fogo, e a captura por Ricardo de um navio de abastecimento mu\u00e7ulmano que levava sete emires, 700 soldados de elite e 200 serpentes extremamente venenosas, que eles planejavam soltar no meio do ex\u00e9rcito crist\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/b7O26IPSQe3-WYBDp-mlyT0E8jw=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/WB6VZJWBKPWL5CUFH724DFFL4Y.jpg\" alt=\"George Sanders em \u2018Ricardo, Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o\u2019 (1954).\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">George Sanders em \u2018Ricardo, Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o\u2019 (1954).<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Nas intensas e apaixonantes p\u00e1ginas de Asbridge vemos como um balestreiro enfiar uma seta na virilha de um soldado mu\u00e7ulmano que est\u00e1 ultrajando uma cruz, urinando sobre ela, nos muros de Acre; Godofredo de Lusignan liquidando 10 mu\u00e7ulmanos com sua tocha de guerra; os francos enchendo de cad\u00e1veres o fosso da cidade enquanto os inimigos tratam de tir\u00e1-los. Aprendemos que a catapulta maior dos cruzados em Acre se chamava Mau Voisin, e uma de suas pedras tinha esmagado 12 defensores da cidade de uma s\u00f3 vez; que Ricardo adorava os p\u00eassegos e as peras, e que quando voc\u00ea ataca uma muralha sempre \u00e9 preciso olhar para tr\u00e1s e conferir se os outros o seguiram, para n\u00e3o ficar isolado l\u00e1 em cima, como aconteceu com o valoroso Aubery Clements, marechal da Fran\u00e7a, despeda\u00e7ado pelos alfanjes ao ficar sozinho na Torre Maldita (as fontes francas elogiam sua coragem, enquanto testemunhas mu\u00e7ulmanas afirmam que suplicou lastimosamente por sua vida).<\/p>\n<p class=\"\">Foram as cruzadas mais brutais e sangrentas que outros enfrentamentos da Idade M\u00e9dia? Em visita a Barcelona, Asbridge, que n\u00e3o leva armadura nem peitilho e sim uma camisa azul, responde: \u201cObviamente as cruzadas n\u00e3o foram um exerc\u00edcio pac\u00edfico, mas em geral se respeitaram as conven\u00e7\u00f5es b\u00e9licas da \u00e9poca. Talvez, se houve algo especial, foi a pr\u00e1tica da decapita\u00e7\u00e3o\u00a0<em>post mortem<\/em>, que n\u00e3o era habitual nas guerras no Ocidente\u201d. Das duras descri\u00e7\u00f5es de seu livro (o cavalheiro cujo nariz fica pendurando sobre os l\u00e1bios ap\u00f3s ser cortado por uma cimitarra) recorda que o combate medieval \u201cera brutal, matava-se cara a cara, com armas brancas, n\u00e3o havia dist\u00e2ncia, e sim um contato muito \u00edntimo entre advers\u00e1rios. Era uma realidade muito violenta. Apenas refleti o que era aquilo\u201d. Entretanto, matiza que n\u00e3o se deve ver a \u00e9poca das cruzadas como um tempo de \u201cguerra total\u201d, com incessantes batalha e campanhas, e recorda que houve uma realidade pragm\u00e1tica e pol\u00edtica e interesses comerciais que fizeram que se criasse um entorno fronteiri\u00e7o onde os europeus interagiram com a cultura oriental e a assimilaram.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/_B0vfboac8Ul0efuHCB3EON6IEo=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/44H6HQYXYFSJHVTNTVIJDTLT7E.jpg\" alt=\"O historiador Thomas Asbridge, em Barcelona.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">O historiador Thomas Asbridge, em Barcelona.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">ALBERT GARCIA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">O historiador destaca a capacidade de sobreviv\u00eancia dos cruzados em um ambiente t\u00e3o hostil e a surpresa que foi o sucesso da Primeira Cruzada. Salienta que ele \u2013 como a maioria \u2013 \u00e9 fascinado sobretudo pela Terceira, com seus grandes personagens e excelentes fontes que permitem analis\u00e1-la de diferentes perspectivas. Sobre Ricardo Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o, afirma que apresenta m\u00faltiplos tra\u00e7os de car\u00e1ter, podia ser brutal, mas tamb\u00e9m magn\u00e2nimo e generoso. Foi um bom comandante militar, mas ao mesmo tempo (como Saladino) um habil\u00edssimo negociador. Muito valente, em seu papel de rei-soldado, lan\u00e7ando-se impetuosamente \u00e0 frente de suas tropas e ficando em perigo (sofreu um ferimento de balestra no flanco em uma refrega perto do mar Morto). N\u00e3o recorda Alexandre Magno? \u201cN\u00e3o tinha seu g\u00eanio militar, aprendia com a m\u00e3o na massa, algumas de suas vit\u00f3rias, como a de Arsuf, n\u00e3o foram planejadas, e sim um acidente, ao ter parte de seu ex\u00e9rcito impetuosamente arrancado. N\u00e3o, n\u00e3o era um Alexandre, nem um Aquiles. N\u00e3o \u00e9 um dos mais h\u00e1beis e carism\u00e1ticos comandantes da hist\u00f3ria\u201d. Ao contr\u00e1rio de Alexandre, a quem seus homens, amotinando-se, fizeram abandonar sua marcha de conquistas, foi Ricardo quem fez os seus retrocederem, duas vezes, quando partiam para Jerusal\u00e9m, para grande descontentamento destes. Por outro lado, os dois podiam perder as estribeiras, como provou Ricardo ao executar a sangue frio a guarni\u00e7\u00e3o de Acre. Asbridge duvida de que fosse homossexual, embora tenha estado na moda fazer do Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o um \u00edcone gay. \u201cSugeriu-se isso, [mas] eu n\u00e3o vejo nas fontes da \u00e9poca. N\u00e3o podemos saber ao certo, mas ele teve um filho ileg\u00edtimo, e isso de que compartilhavam leito ele e o rei da Fran\u00e7a, Felipe Augusto, n\u00e3o tem o mesmo significado que para n\u00f3s; \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o para explicar uma alian\u00e7a pol\u00edtica, e n\u00e3o significa necessariamente um encontro sexual. N\u00e3o podemos interpretar o que se fazia 800 anos atr\u00e1s com nosso crit\u00e9rio de hoje.\u201d<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/6DF3bpjHtLDioRfMIuWGWMGwx_E=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/7EJ3EOPBHOZ3TXIQ2PUMACSFEY.jpg\" alt=\"O ex\u00e9rcito cruzado a caminho de Hattin em \u2018Cruzada\u2019.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">O ex\u00e9rcito cruzado a caminho de Hattin em \u2018Cruzada\u2019.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Asbridge dedicou seis anos a escrever seu livro, cuidando especialmente de n\u00e3o ser prisioneiro de um enfoque \u00fanico e de n\u00e3o cair nos estere\u00f3tipos. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil se distanciar na hist\u00f3ria das cruzadas de tudo o que damos por sabido, mas as fontes diferentes inclusive d\u00e3o vencedores diferentes em algumas batalhas; \u00e9 fundamental combinar perspectivas. Claro que em casos como o de Hattin, o que para os crist\u00e3os \u00e9 uma espantosa cat\u00e1strofe para os mu\u00e7ulmanos \u00e9 uma maravilhosa vit\u00f3ria; sempre h\u00e1 duas verdades, duas realidades\u201d. A prop\u00f3sito dessa batalha, que provocou um imediato estado de choque na cristandade e foi comparada com o 11 de Setembro, Asbridge adverte que \u00e9 um erro (e \u201cinterpretar mal e manipular a hist\u00f3ria\u201d) procurar uma continuidade de enfrentamento entre o mundo ocidental e o mu\u00e7ulmano desde as cruzadas. \u201cA resson\u00e2ncia \u00e9 artificial, na verdade n\u00e3o existe nenhum la\u00e7o ininterrupto de \u00f3dio e disc\u00f3rdia que una o conflito medieval pelo controle da Terra Santa com as lutas contempor\u00e2neas do Oriente M\u00e9dio.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Asbridge opina que o fracasso final das cruzadas e a perda da Terra Santa tiveram a ver com a impossibilidade de represar o \u00edmpeto irracional que ela inspirava nos cruzados: a promessa de salva\u00e7\u00e3o individual, a garantia de que culminar uma peregrina\u00e7\u00e3o armada podia redimir os pecados e dar acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Esse desejo passional e piedoso, junto com os interesses pessoais dos diferentes chefes das cruzadas, impedia que fossem conduzidas de uma maneira l\u00f3gica e coerente, garantindo a conquista e defesa da Terra Santa.<\/p>\n<div class=\"inset | background_gray_ultra_light margin_bottom_lg \">\n<h4 class=\"title | color_gray_ultra_dark font_secondary uppercase\">\u201cO FILME DE RIDLEY SCOTT \u00c9 UMA CARICATURA DA IDADE M\u00c9DIA\u201d<\/h4>\n<p class=\"margin_bottom_sm\">De seu trabalho como consultor de\u00a0<i>Cruzada\u00a0<\/i>(2005), Asbridge diz que foi &#8220;uma experi\u00eancia muito penosa&#8221;. Em seis meses de assessoria protagonizou muitas discuss\u00f5es, &#8220;mas em \u00faltima inst\u00e2ncia n\u00e3o tive nem voz nem voto, n\u00e3o levaram meus crit\u00e9rios em conta, e o resultado foi um filme que n\u00e3o passa de uma caricatura da Idade M\u00e9dia&#8221;. &#8220;Era muito estranho&#8221;, acrescenta, &#8220;n\u00e3o queriam falar da realidade das cruzadas, e sim apresentar a Idade M\u00e9dia como um espelho do presente&#8221;.<\/p>\n<p class=\"margin_bottom_sm\">Recorda que viu finalmente o filme em uma sess\u00e3o privada numa sala do Soho, apenas com um assessor de imprensa sentado ao seu lado. \u201cFoi doloroso\u201d. Procuraram-no para que ajudasse a promover o filme, e se negou. \u201cEnt\u00e3o o pr\u00f3prio Ridley Scott me ligou. Disse-me que o que ele queria era explorar a hist\u00f3ria, e que n\u00e3o era preciso ser realista.\u201d<\/p>\n<p class=\"margin_bottom_sm\">O que ele acha pior? Que os mu\u00e7ulmanos levem o estandarte da meia lua, que s\u00f3 passou a ser empregado em bandeiras militares no s\u00e9culo XIV? Que se d\u00ea a ordem de &#8220;fogo!&#8221; aos arqueiros e catapultas? A ins\u00edgnia do reino de Castela e Le\u00e3o, que s\u00f3 se juntariam em 1230? A otimista afirma\u00e7\u00e3o do hospital\u00e1rio de que lutou dois dias com uma flecha nos test\u00edculos? Reinaldo de Ch\u00e2tillon? &#8220;O ator, Brendan Gleeson, \u00e9 brilhante, mas Reinaldo&#8230; Era violento, sim, embora voc\u00ea n\u00e3o possa mostr\u00e1-lo como um vil\u00e3o descerebrado, que mata sem motivo \u2013 esse \u00e9 um dos maiores erros do filme, uma caricatura&#8221;. O personagem de Balian de Ibelin [<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/orlando_bloom\" data-link-track-dtm=\"\">Orlando Bloom<\/a>] era, por sua vez, muito mais turvo, pois escapou vergonhosamente de Hattin e fez muitas intrigas (al\u00e9m do que, era casado e tinha dois filhos durante o ass\u00e9dio de Jerusal\u00e9m). &#8220;Pegaram praticamente s\u00f3 o nome, era um sujeito que torturava pessoalmente mu\u00e7ulmanos prisioneiros e escravos. Toda a hist\u00f3ria de sua chegada \u00e0 Terra Santa \u00e9 completamente inventada.&#8221;<\/p>\n<p class=\"margin_bottom_sm\">Em todo caso,\u00a0<i>Cruzada<\/i>\u00a0criou muita iconografia sobre o per\u00edodo. &#8220;Sempre me surpreendeu o poder das imagens, eu mesmo utilizo algumas cenas do filme em minhas aulas sobre Saladino. Mas \u00e9 preciso recordar que a sequ\u00eancia em que o sult\u00e3o entra em Jerusal\u00e9m e p\u00f5e uma cruz de p\u00e9 \u00e9 uma completa manipula\u00e7\u00e3o. Ridley Scott me disse: &#8216;Como voc\u00ea pode n\u00e3o apoiar um filme como esse, com mensagem de respeito entre as religi\u00f5es?&#8217;. Mas, na verdade, Saladino fez foi derrubar a cruz da C\u00fapula da Rocha, que \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio.&#8221; O trabalho pelo menos serviu para que o historiador entrasse em outro projeto, &#8220;muito mais s\u00e9rio, nas ant\u00edpodas do filme, uma s\u00e9rie da HBO no estilo\u00a0<i>Irm\u00e3os de Guerra<\/i>, mas nas cruzadas&#8221;. Trabalhou dois anos e meio nisso; a s\u00e9rie acabou n\u00e3o indo adiante por falta de or\u00e7amento e porque o diretor foi chamado para um filme da Disney.<\/p>\n<p class=\"margin_bottom_sm\">Seu livro sobre as cruzadas \u00e9 uma esp\u00e9cie de revanche de\u00a0<i>Cruzada<\/i>? &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o&#8221;, ri o historiador. &#8220;Reconhe\u00e7o que fazer um filme \u00e9 tremendamente dif\u00edcil e n\u00e3o se pode ser absolutamente rigoroso, e que \u00e9 preciso chegar a compromissos, mas&#8230;&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"trust_project\">\n<div class=\"content | flex container_column_mobile justify_space_between\">\n<div class=\"claim | flex align_items_center justify_center\">Adere a<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1 est\u00e3o todos os epis\u00f3dios famosos da hist\u00f3ria das cruzadas, de 1099 a 1291, a sanguin\u00e1ria conquista de Jerusal\u00e9m na primeira, a Batalha dos Cornos de Hattin, onde os\u00a0mu\u00e7ulmanos\u00a0destro\u00e7aram o ex\u00e9rcito crist\u00e3o e se perdeu a Vera Cruz, a tomada de Acre na Terceira Cruzada, o audaz assalto anf\u00edbio de Lu\u00eds IX da Fran\u00e7a em Damieta, a retirada dos templ\u00e1rios da \u00faltima fortaleza de Ch\u00e2teau P\u00e8lerin&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":294686,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-294594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/cruzadas-1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294594"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294594\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/294686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}