{"id":294991,"date":"2019-09-11T12:05:15","date_gmt":"2019-09-11T15:05:15","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=294991"},"modified":"2019-09-11T12:05:15","modified_gmt":"2019-09-11T15:05:15","slug":"como-aprendemos-a-comer-plantas-toxicas-como-mandioca-sem-ajuda-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-aprendemos-a-comer-plantas-toxicas-como-mandioca-sem-ajuda-da-ciencia\/","title":{"rendered":"Como aprendemos a comer plantas t\u00f3xicas como mandioca sem ajuda da ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Tim Harford<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/F352\/production\/_108309226_gettyimages-3302850.jpg\" alt=\"Robert Burke, William Wills e John King chegando ao Coopers Creek em 1861\" width=\"976\" height=\"650\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Robert Burke, William Wills e John King chegando ao Coopers Creek em 1861<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Em 1860, os exploradores Robert Burke e William Wills lideraram a primeira famosa expedi\u00e7\u00e3o europeia pelo interior desconhecido da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a sorte n\u00e3o esteve ao lado deles. Devido a uma combina\u00e7\u00e3o de falta de comando, mau planejamento e azar, Burke, Wills e um terceiro integrante, John King, ficaram sem comida na viagem de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Burke e Wills ficaram presos \u00e0s margens do rio Cooper&#8217;s Creek, e n\u00e3o conseguiram pensar em um jeito de transportar consigo \u00e1gua suficiente para atravessar um trecho de deserto at\u00e9 o posto de controle colonial mais pr\u00f3ximo, no Mount Hopeless.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o conseguimos sair do rio&#8221;, escreveu Wills. &#8220;Ambos os camelos est\u00e3o mortos e nossos suprimentos acabaram. Estamos tentando sobreviver de todas as formas poss\u00edveis&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As adversidades enfrentadas pelo trio, contudo, n\u00e3o pareciam afetar o cotidiano do povo nativo, os yandruwandha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os yandruwandha deram aos exploradores bolos feitos a partir de vagens esmagadas de uma samambaia chamada nardoo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4FD0\/production\/_108323402_gettyimages-157901547.jpg\" alt=\"Nardoo (Marsilea drummondii)\" width=\"976\" height=\"650\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Nardoo \u00e9 um tipo de samambaia nativa da Austr\u00e1lia<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Burke brigou com eles e, imprudentemente, os afastou ao disparar sua pistola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas talvez o trio j\u00e1 tivesse aprendido o suficiente para sobreviver? Eles encontraram nardoo fresco e decidiram fazer seus pr\u00f3prios bolos. No come\u00e7o, tudo parecia correr bem. Os bolos nardoo satisfaziam seu apetite, mas eles se sentiam cada vez mais fracos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de uma semana, Wills e Burke estavam mortos. Acontece que o nardoo requer um preparo complexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nardoo, um tipo de samambaia, \u00e9 coberta por uma enzima chamada tiaminase, que \u00e9 t\u00f3xica para o corpo humano. A tiaminase impede a absor\u00e7\u00e3o pelo corpo da vitamina B1, que tem entre suas principais fun\u00e7\u00f5es o metabolismo dos carboidratos, lip\u00eddios e prote\u00ednas e a estimula\u00e7\u00e3o de nervos perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras: embora tivessem comido, Burke, Wills e King continuavam desnutridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os yandruwandha, por outro lado, recorriam a um longo preparo para tornar a tiaminase menos t\u00f3xica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Praticamente morto, King buscou ajuda dos yandruwandha, que o mantiveram vivo at\u00e9 a chegada da ajuda de outros exploradores europeus meses depois. Ele foi o \u00fanico membro da expedi\u00e7\u00e3o que sobreviveu.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4B33\/production\/_108315291_gettyimages-1011964780.jpg\" alt=\"Cassava\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Mandioca pode ser altamente t\u00f3xica se preparada incorretamente<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como comida, a nardoo \u00e9 mais uma curiosidade. O que n\u00e3o \u00e9 o caso da mandioca, que \u00e9 uma fonte vital de calorias em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, em particular na \u00c1frica e na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 rigor, h\u00e1 dois tipos de mandioca, a mandioca mansa, tamb\u00e9m chamada de mandioca de mesa (conhecida tamb\u00e9m no Brasil pelos nomes de macaxeira e aipim), e a mandioca brava, conhecida como mandioca de ind\u00fastria. As duas s\u00e3o extremamente parecidas, mas a mandioca brava \u00e9 altamente t\u00f3xica &#8211; e requer um procedimento industrial ou um ritual de prepara\u00e7\u00e3o tedioso e complexo para torn\u00e1-la um alimento seguro. Ela libera cianeto de hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos centros urbanos, a mandioca comercializada como alimento \u00e9 sempre a mansa. Mas em zonas rurais, em lugares mais remotos na \u00c1frica, a mandioca mais comum pode ser a brava, e, por isso, se n\u00e3o for preparada adequadamente, pode causar s\u00e9rios problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deles \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o chamada konzo, com sintomas que incluem paralisia s\u00fabita das pernas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1981, em Nampula, Mo\u00e7ambique, um jovem m\u00e9dico sueco chamado Hans Rosling n\u00e3o sabia disso. Como resultado, passou por uma situa\u00e7\u00e3o profundamente intrigante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais e mais pessoas batiam \u00e0 porta de sua cl\u00ednica com paralisia nas pernas. Poderia ser um surto de poliomielite? N\u00e3o. Os sintomas n\u00e3o estavam descritos em nenhum livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o in\u00edcio da guerra civil em Mo\u00e7ambique, poderiam ser armas qu\u00edmicas?<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3298\/production\/_108525921_976549tylleskarfigur4.jpg\" alt=\"Menino com konzo\" width=\"976\" height=\"1500\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Menino com konzo, fotografado no Zaire (atual Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo) em setembro de 1986<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher e os filhos de Rosling deixaram o pa\u00eds, mas ele decidiu continuar suas investiga\u00e7\u00f5es in loco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma colega de Rosling, a epidemiologista Julie Cliff, que acabou descobrindo o que estava acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As refei\u00e7\u00f5es de mandioca que eles ingeriam haviam sido processadas de forma incompleta. J\u00e1 com fome e desnutridos, n\u00e3o podiam esperar tempo suficiente para tornar a mandioca segura. E, como resultado, desenvolveram o konzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Plantas t\u00f3xicas est\u00e3o por toda parte. \u00c0s vezes, processos simples de cozimento s\u00e3o suficientes para torn\u00e1-las comest\u00edveis. Mas como algu\u00e9m aprende a elaborada prepara\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a mandioca ou o nardoo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Joseph Henrich, professor de biologia evolucion\u00e1ria humana na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, esse conhecimento \u00e9 cultural, e nossas culturas evoluem por meio de um processo de tentativa e erro an\u00e1logo \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o em esp\u00e9cies biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como a evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, a evolu\u00e7\u00e3o cultural pode &#8211; com tempo suficiente &#8211; produzir resultados impressionantemente sofisticados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Funciona assim, segundo Henrich: em algum momento, algu\u00e9m descobre como tornar a mandioca menos t\u00f3xica. Com o passar do tempo, outras descobertas s\u00e3o feitas. Esses rituais complexos podem, assim, evoluir, cada um ligeiramente de forma mais eficaz que o anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica do Sul, onde humanos comem mandioca h\u00e1 milhares de anos, as tribos aprenderam os muitos passos necess\u00e1rios para desintoxic\u00e1-la completamente: raspar, ralar, lavar, ferver o l\u00edquido, deixar a massa repousar por dois dias e depois assar.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/582C\/production\/_108327522_gettyimages-1142459584.jpg\" alt=\"Edmar Santos produz farinha de mandioca na comunidade Repartimento, no leito do Rio Tambaqui, no norte do Brasil, em abril de 2019\" width=\"976\" height=\"650\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Produ\u00e7\u00e3o de farinha de mandioca requer preparo rigoroso<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando questionados sobre por que fazem isso, poucos v\u00e3o dizer que se trata de cianeto de hidrog\u00eanio. Eles simplesmente v\u00e3o dizer &#8220;esta \u00e9 a nossa cultura&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00c1frica, a mandioca foi introduzida apenas no s\u00e9culo 17. N\u00e3o veio com um manual de instru\u00e7\u00f5es. O envenenamento por cianeto ainda \u00e9 um problema ocasional; as pessoas recorrem a t\u00e9cnicas porque o aprendizado cultural ainda est\u00e1 incompleto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henrich argumenta que a evolu\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 muitas vezes muito mais inteligente do que n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja construindo um iglu, ca\u00e7ando um ant\u00edlope, acendendo uma fogueira, fazendo um arco longo ou processando mandioca, aprendemos n\u00e3o porque entendemos os princ\u00edpios b\u00e1sicos, mas imitando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2018, um\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/psyarxiv.com\/nm5sh\/\">estudo<\/a>\u00a0desafiou os participantes a colocar pesos nos raios de uma roda para maximizar a velocidade com que ela descia uma ladeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os conhecimentos adquiridos eram passados para o pr\u00f3ximo participante, que, assim, se sa\u00edam muito melhor. No entanto, quando questionados, eles n\u00e3o mostraram nenhum sinal de realmente entender por que algumas rodas rodavam mais r\u00e1pido que outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos realizados posteriormente mostram que o comportamento de imitar \u00e9 instintivo entre humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Testes revelam que chimpanz\u00e9s de dois anos e meio e humanos t\u00eam capacidades mentais semelhantes &#8211; a menos que o desafio seja aprender a imitar algu\u00e9m. Crian\u00e7as s\u00e3o muito melhores em imitar do que os chimpanz\u00e9s.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1699C\/production\/_108327529_976700gettyimages-916468544.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a brinca com macaco\" width=\"976\" height=\"700\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Humanos imitam de uma maneira que os chimpanz\u00e9s n\u00e3o &#8211; psicol\u00f3logos chamam isso de superimita\u00e7\u00e3o<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os humanos imitam de uma maneira ritual\u00edstica que os chimpanz\u00e9s n\u00e3o seguem. Os psic\u00f3logos chamam isso de superimita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer que os chimpanz\u00e9s s\u00e3o mais inteligentes. Mas se voc\u00ea estiver processando ra\u00edzes de mandioca, a superimita\u00e7\u00e3o \u00e9 de extrema import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Henrich estiver certo, a civiliza\u00e7\u00e3o humana se baseia menos em intelig\u00eancia bruta do que em uma capacidade altamente desenvolvida de aprender um com o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo das gera\u00e7\u00f5es, nossos ancestrais acumularam ideias \u00fateis por tentativa e erro, que foram copiadas pelas gera\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida, algumas ideias menos \u00fateis foram misturadas com elas, como a necessidade de uma dan\u00e7a ritual para fazer as chuvas chegarem, ou a convic\u00e7\u00e3o de que sacrificar uma cabra far\u00e1 com que um vulc\u00e3o n\u00e3o entre em erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas no geral, aparentemente, fizemos melhor copiando sem questionar do que supondo, como os chimpanz\u00e9s, que \u00e9ramos suficientemente inteligentes para dizer quais etapas poder\u00edamos ignorar com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que a evolu\u00e7\u00e3o cultural pode nos levar at\u00e9 um determinado patamar. Agora temos o m\u00e9todo cient\u00edfico para nos dizer que sim, realmente precisamos deixar a mandioca descansar por dois dias, mas, n\u00e3o, o vulc\u00e3o n\u00e3o se importa com as cabras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando entendemos os princ\u00edpios b\u00e1sicos, podemos evoluir mais rapidamente do que por tentativa, erro e imita\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o devemos menosprezar o tipo de intelig\u00eancia coletiva que salvou a vida de King.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o que tornou poss\u00edvel a civiliza\u00e7\u00e3o &#8211; e uma economia em funcionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tim Harford \u00e9 autor da coluna\u00a0<i>Undercover Economist<\/i>\u00a0no jornal brit\u00e2nico\u00a0<i>Financial Times<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tim Harford Robert Burke, William Wills e John King chegando ao Coopers Creek em 1861 Em 1860, os exploradores Robert Burke e William Wills lideraram a primeira famosa expedi\u00e7\u00e3o europeia pelo interior desconhecido da Austr\u00e1lia. Mas a sorte n\u00e3o esteve ao lado deles. 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