{"id":295380,"date":"2019-09-15T09:33:54","date_gmt":"2019-09-15T12:33:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=295380"},"modified":"2019-09-15T09:33:54","modified_gmt":"2019-09-15T12:33:54","slug":"osteoporose-a-silenciosa-doenca-incapacitante-que-pode-ser-fatal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/osteoporose-a-silenciosa-doenca-incapacitante-que-pode-ser-fatal\/","title":{"rendered":"Osteoporose, a silenciosa doen\u00e7a incapacitante que pode ser fatal"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Renata Turbiani<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/11CDF\/production\/_108772927_gettyimages-950295868.jpg\" alt=\"Imagem representando uma parte do osso danificada pela osteoporose\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>A osteoporose acomete mais mulheres &#8211; estima-se que sejam 200 milh\u00f5es delas afetadas no mundo todo<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Silenciosa, incapacitante e muitas vezes fatal, a\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/259d6595-cc23-446c-a6f7-7978cd3bac2f\">osteoporose<\/a>\u00a0atinge cerca de 200 milh\u00f5es de mulheres no mundo todo, aproximadamente um d\u00e9cimo daquelas com 60 anos, um quinto das com 70 anos, dois quintos das com 80 anos e dois ter\u00e7os das com 90 anos. Os dados s\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Internacional da Osteoporose (IOF, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Na Europa, nos Estados Unidos e no Jap\u00e3o, a entidade indica que a doen\u00e7a afeta cerca de 75 milh\u00f5es de pessoas, entre homens e mulheres. No Brasil, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Avalia\u00e7\u00e3o \u00d3ssea e Osteometabolismo (Abrasso), s\u00e3o cerca de 10 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Pelo documento\u00a0<i>Consenso: preven\u00e7\u00e3o e tratamento da osteoporose na Am\u00e9rica Latina &#8211; estrutura atual e dire\u00e7\u00f5es futuras<\/i>, divulgado no fim do ano passado pela Americas Health Foundation (AHF), 33% das\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/e45cb5f8-3c87-4ebd-ac1c-058e9be22862\">mulheres<\/a>\u00a0brasileiras com mais de 50 anos t\u00eam a patologia.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma enfermidade bastante conhecida, ela \u00e9 pouco diagnosticada e tratada tardiamente, na maioria dos casos apenas quando o paciente j\u00e1 sofreu alguma fratura, sua principal complica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, de acordo com a IOF, anualmente, causa mais de 8,9 milh\u00f5es de fraturas osteopor\u00f3ticas, resultando em 1 a cada 3 segundos.<\/p>\n<p>E tudo isso gera um enorme impacto humano, com sequelas f\u00edsicas e emocionais, e tamb\u00e9m socioecon\u00f4mico &#8211; um estudo conduzido pela consultoria americana Cornestone Research Group, e apoiado pela biofarmac\u00eautica Amgen, mostra que o custo anual mundial de hospitaliza\u00e7\u00e3o por fraturas causadas pela osteoporose \u00e9 de R$ 19,8 bilh\u00f5es; no Brasil, esse valor \u00e9 de R$ 1,2 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>A principal preocupa\u00e7\u00e3o, hoje em dia, \u00e9 que, com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de casos da doen\u00e7a e tamb\u00e9m os gastos com ela tendem a crescer substancialmente.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AB97\/production\/_108772934_gettyimages-1000888034.jpg\" alt=\"Seis idosos enfileirados olhando para frente, sorrindo e segurando halteres\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Com envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, acredita-se que osteoporose e gastos com seu tratamento cres\u00e7am no mundo<\/figure>\n<p>A IOF estima que o n\u00famero de fraturas osteopor\u00f3ticas subir\u00e1 32% at\u00e9 2050 em todo o mundo. S\u00f3 no Brasil, em 2030, dever\u00e3o ser registradas 608 mil, aumento de 63% em rela\u00e7\u00e3o a 2015 (373 mil).<\/p>\n<p>J\u00e1 a carga econ\u00f4mica global chegar\u00e1 a US$ 132 bilh\u00f5es (cerca de R$ 536 bilh\u00f5es) nos pr\u00f3ximos 31 anos &#8211; na Am\u00e9rica Latina, em cinco anos, dever\u00e1 subir para US$ 6,25 bilh\u00f5es (aproximadamente R$ 25,3 bilh\u00f5es).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que \u00e9 a osteoporose?<\/h2>\n<p>Pela defini\u00e7\u00e3o da AHF, a osteoporose \u00e9 &#8220;uma doen\u00e7a sist\u00eamica do esqueleto, caracterizada por uma baixa massa \u00f3ssea e a deteriora\u00e7\u00e3o do tecido \u00f3sseo, com consequente aumento da fragilidade dos ossos e suscetibilidade \u00e0 fratura&#8221;.<\/p>\n<p>Dist\u00farbio esquel\u00e9tico extremamente comum, e que afeta popula\u00e7\u00f5es em todo o planeta, ele n\u00e3o provoca sintomas. Sua implica\u00e7\u00e3o mais grave \u00e9 justamente a fratura, e nem todas geram inc\u00f4modo.<\/p>\n<p>&#8220;Isso pode acontecer com traumas m\u00ednimos e at\u00e9 sem traumas, em situa\u00e7\u00f5es normais do dia a dia, como tossir e espirrar, pelo fato de o osso estar menos resistente&#8221;, diz Ben-Hur Albergaria, professor de Epidemiologia Cl\u00ednica da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes) e vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Osteoporose da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo).<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor-t\u00e9cnico do CEDOES Diagn\u00f3stico e Pesquisa da Osteoporose, as principais fraturas decorrentes da doen\u00e7a s\u00e3o de v\u00e9rtebra, antebra\u00e7o e f\u00eamur, sendo essa \u00faltima a mais devastadora.<\/p>\n<p>&#8220;De cada 4 pacientes que quebram o f\u00eamur, 1 morre no primeiro ano ap\u00f3s a ocorr\u00eancia, por conta de suas poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es, como infec\u00e7\u00e3o, embolia e trombose. E dentre os que n\u00e3o morrem, cerca de 80% ficam com limita\u00e7\u00e3o para exercer uma ou duas fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, por exemplo, cuidar da casa, se vestir ou caminhar&#8221;, relata Albergaria.<\/p>\n<p>Francisco Bandeira, vice-presidente do Departamento de Metabolismo \u00d3sseo e Mineral da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pontua que as fraturas sem sintomas tamb\u00e9m s\u00e3o perigosas.<\/p>\n<p>&#8220;A mais comum \u00e9 a vertebral, e seu maior agravamento \u00e9 a cifose dorsal (encurvamento da coluna para frente). \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o bastante limitante, pois a pessoa fica com dor cr\u00f4nica e tem dificuldade para sentar, andar, dormir, andar&#8230;&#8221;, adverte.<\/p>\n<p>Mas o perigo dos ossos quebrados n\u00e3o para por a\u00ed. Estudos mostram que pacientes que tiveram algum tipo de fratura relacionada \u00e0 osteoporose t\u00eam de duas a tr\u00eas vezes mais chance de ter uma nova, especialmente nos dois primeiros anos ap\u00f3s a ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>No Brasil, a Abrasso considera que, das 10 milh\u00f5es de pessoas com a doen\u00e7a, 14% t\u00eam fraturas. As mulheres s\u00e3o o maior grupo: pelos dados da IOF, 1 em cada 3 com mais de 50 anos sofrer\u00e1 uma. No caso dos homens, essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1 em cada 5.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Por que a doen\u00e7a acomete mais as mulheres?<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15777\/production\/_108772978_gettyimages-480404470.jpg\" alt=\"Quatro senhoras com mai\u00f4 fazem exerc\u00edcio na beira da praia\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Menopausa marca a redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios que mant\u00eam os ossos saud\u00e1veis<\/figure>\n<p>Durante a vida, os horm\u00f4nios estr\u00f3geno (feminino) e testosterona (masculino) t\u00eam um papel importante para manter os ossos saud\u00e1veis, regulando as c\u00e9lulas respons\u00e1veis pela perda e pelo ganho de massa \u00f3ssea.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ap\u00f3s os 50 anos, o corpo passa a produzi-los em menor quantidade, o que contribui significativamente para o aparecimento da osteoporose. No caso das mulheres, esse processo se d\u00e1 de forma mais abrupta, na menopausa, por isso elas s\u00e3o as mais afetadas.<\/p>\n<p>&#8220;O homem ainda tem uma vantagem, a geometria dos seus ossos. Eles s\u00e3o maiores e mais fortes&#8221;, explica o reumatologista Charlles Heldan de Moura Castro, presidente da Abrasso e professor adjunto da disciplina de Reumatologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (EPM-Unifesp).<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o quer dizer que eles est\u00e3o livres da patologia. Muitos tamb\u00e9m a t\u00eam, especialmente ap\u00f3s os 70 anos. &#8220;Eles, por demorarem mais para procurar o m\u00e9dico, t\u00eam um diagn\u00f3stico tardio, feito, normalmente, depois do aparecimento de alguma fratura&#8221;, acrescenta o especialista.<\/p>\n<p>De acordo com a IOF, embora a preval\u00eancia geral de fraturas por fragilidade seja maior nas mulheres, os homens apresentam taxas mais altas de mortalidade &#8211; em se tratando de quebra do f\u00eamur, o risco de morte neles \u00e9 duas vezes maior do que nelas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que causa a osteoporose?<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0F57\/production\/_108772930_gettyimages-1156894664.jpg\" alt=\"Imagem de senhora apertando uma m\u00e3o com a outra, indicando local com artrite\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Artrite reumat\u00f3ide \u00e9 um dos fatores de risco para a osteoporose<\/figure>\n<p>Al\u00e9m do sexo e da idade, existem outros fatores de risco para o desenvolvimento da osteoporose. Um dos mais evidentes \u00e9 a defici\u00eancia de c\u00e1lcio, provocada por dieta pobre no mineral ou por alguma s\u00edndrome de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o (doen\u00e7a cel\u00edaca e inflama\u00e7\u00e3o intestinal, por exemplo).<\/p>\n<p>Hist\u00f3rico familiar, baixo peso (mulheres pequenas e com menos de 54 quilos), uso prolongado de medicamentos a base de cortic\u00f3ide, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alco\u00f3licas (acima de tr\u00eas doses di\u00e1rias) e baixa exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz solar tamb\u00e9m s\u00e3o poss\u00edveis causas.<\/p>\n<p>Ainda entram na lista: possuir enfermidades como artrite reumat\u00f3ide, diabetes, aids e alguns tipos de c\u00e2ncer, ter defici\u00eancia ou excesso de certos horm\u00f4nios e ter feito cirurgia bari\u00e1trica.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como \u00e9 feito o diagn\u00f3stico e o tratamento da osteoporose?<\/h2>\n<p>Em muitos casos, a osteoporose s\u00f3 \u00e9 diagnosticada ap\u00f3s a ocorr\u00eancia da fratura, mas o ideal, claro, \u00e9 que isso seja feito antes. Portanto, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 procurar o m\u00e9dico regularmente, e s\u00e3o v\u00e1rias as especialidades aptas a tratar doen\u00e7a, como ginecologia, endocrinologia, ortopedia, reumatologia, fisiatria, geriatria e gerontologia.<\/p>\n<p>Uma das ferramentas utilizadas pelos profissionais de sa\u00fade para identific\u00e1-la \u00e9 a FRAX (Fracture Risk Assessment Tool). Validada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), \u00e9 uma esp\u00e9cie de calculadora, online e gratuita &#8211; est\u00e1 dispon\u00edvel no site da Abrasso -, que avalia o grau de risco para fraturas maiores ou de quadril nos pr\u00f3ximos 10 anos.<\/p>\n<p>Os dados utilizados nela incluem idade, sexo, peso, altura, fatores de risco e a densidade mineral \u00f3ssea (DMO), se dispon\u00edvel. Com base no valor obtido, e tamb\u00e9m no hist\u00f3rico do paciente, pode ser necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de exames.<\/p>\n<p>O principal deles \u00e9 a densitometria \u00f3ssea, que permite fazer a medida da massa \u00f3ssea e quantificar a sua redu\u00e7\u00e3o. Geralmente, ele \u00e9 indicado para mulheres acima de 65 anos e homens a partir dos 70 anos.<\/p>\n<p>Seus resultados s\u00e3o divididos em tr\u00eas categorias: normal, osteopenia (entre 10 e 25% de perda de massa \u00f3ssea) e osteoporose (a partir de 25% de perda de massa \u00f3ssea).<\/p>\n<p>Quanto ao tratamento, j\u00e1 deve ser iniciado na fase de osteopenia, para que ela n\u00e3o evolua para a doen\u00e7a. Nessa condi\u00e7\u00e3o, se a pessoa n\u00e3o apresenta outros fatores de risco para fraturas, geralmente n\u00e3o se faz necess\u00e1rio o uso de f\u00e1rmacos, apenas a ado\u00e7\u00e3o de um estilo de vida mais saud\u00e1vel, com alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, aumento no consumo de c\u00e1lcio e de vitamina D &#8211; se com os alimentos n\u00e3o for suficiente, indicam-se os suplementos -, pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica regular (de baixo impacto) e exposi\u00e7\u00e3o solar di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para os casos confirmados de osteoporose, al\u00e9m dos mesmos cuidados, quase sempre a terapia medicamentosa \u00e9 prescrita. &#8220;Apesar de a enfermidade n\u00e3o ter cura, temos dispon\u00edvel um grupo de rem\u00e9dios que atuam de forma segura e efetiva para reduzir a chance de fratura&#8221;, afirma o presidente da Abrasso.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10957\/production\/_108772976_gettyimages-954500634.jpg\" alt=\"Caneta aponta para dedo fraturado em imagem de raio X\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Fratura \u00e9 a principal complica\u00e7\u00e3o da osteoporose<\/figure>\n<p>&#8220;O grande desafio do tratamento \u00e9 a quest\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o do risco. A maioria dos pacientes n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o da gravidade, e mesmo no caso das fraturas, acreditam que se trata de um evento mec\u00e2nico, que basta engessar e est\u00e1 resolvido, mas, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 assim. A fratura, sobretudo a de quadril, requer hospitaliza\u00e7\u00e3o e cirurgia para repara\u00e7\u00e3o, pode causar dor cr\u00f4nica e a morte&#8221;, complementa o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Atualmente, est\u00e3o dispon\u00edveis no Brasil tr\u00eas classes de rem\u00e9dios. Os mais usados s\u00e3o os antirreabsortivos bisfofonatos. Eles atuam inibindo a reabsor\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, e alguns s\u00e3o ofertados na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>H\u00e1 op\u00e7\u00f5es indovenosas e orais. Nas primeiras, a infus\u00e3o \u00e9 aplicada a cada 12 meses. Na oral, t\u00eam os com ingest\u00e3o semanal e mensal. Por\u00e9m, como a absor\u00e7\u00e3o deles \u00e9 baixa, existe todo um ritual para o uso, o que pode dificultar a ades\u00e3o.<\/p>\n<p>Como explica o doutor Bem-Hur, da Ufes e da Febrasgo, eles devem ser tomados em jejum e com um copo grande de \u00e1gua. Na sequ\u00eancia, \u00e9 preciso ficar sem ingerir outros medicamentos ou alimentos por 60 minutos. A pessoa tamb\u00e9m n\u00e3o pode deitar.<\/p>\n<p>Outra droga antirreabsortiva encontrada no pa\u00eds \u00e9 a denosumabe. Trata-se de um anticorpo monoclonal pra uso subcut\u00e2neo em inje\u00e7\u00f5es semestrais. &#8220;Ele \u00e9 altamente efetivo e mais conveniente para o paciente, por\u00e9m, mais caro&#8221;, pontua Castro, da Abrasso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 comercializada por aqui a teriparatida, medicamento anab\u00f3lico que aumenta a forma\u00e7\u00e3o de osso. Sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 por via subcut\u00e2nea, com inje\u00e7\u00f5es di\u00e1rias pela manh\u00e3, por um per\u00edodo de 24 meses.<\/p>\n<p>Por ter um pre\u00e7o mais elevado, \u00e9 reservada para os casos mais graves da patologia, ou seja, pacientes com m\u00faltiplas fraturas, com densidade mineral \u00f3ssea muito baixa ou que falharam com os tratamentos com os outros f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p>Em breve, o arsenal terap\u00eautico nacional contra a osteoporose aumentar\u00e1, com a chegada da droga romosozumabe. O diferencial dela \u00e9 agir como antirreabsortivo (diminuindo a perda de massa \u00f3ssea) e anab\u00f3lico (ajudando na sua forma\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>J\u00e1 aprovada nos Estados Unidos, pela Food and Drug Administration (FDA), est\u00e1 em processo de an\u00e1lise pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) para ser liberado no Brasil.<\/p>\n<p>Castro pondera que alguns casos ainda podem ser tratados com reposi\u00e7\u00e3o hormonal. &#8220;Vale para as mulheres nos primeiros 5 a 10 anos da menopausa, desde que n\u00e3o haja contraindica\u00e7\u00e3o e que elas n\u00e3o tenham doen\u00e7as cardiovasculares e c\u00e2ncer.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como prevenir a osteoporose?<\/h2>\n<p>Como adiantamos, a osteoporose, depois de instalada, n\u00e3o tem cura. Por\u00e9m, h\u00e1 formas de preveni-la, e elas devem come\u00e7ar ainda na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Segundo Bandeira, da SBEM, o mais importante \u00e9 construir um bom patrim\u00f4nio \u00f3sseo durante a vida.<\/p>\n<p>&#8220;O pico de massa \u00f3ssea se d\u00e1 at\u00e9 os 30 anos, a partir da\u00ed, ela come\u00e7a a diminuir. Nos primeiros tr\u00eas anos da menopausa, a mulher pode perde at\u00e9 20%, por isso \u00e9 fundamental ter uma boa reserva&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Para atingir esse objetivo, a primeira coisa a fazer \u00e9 consumir boas quantidades de c\u00e1lcio e vitamina D, nutrientes essenciais para o desenvolvimento de um esqueleto saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>No caso do primeiro, as principais fontes s\u00e3o o leite e seus derivados, mas ele tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel em vegetais verde-escuros, como br\u00f3colis, couve e espinafre, peixes e alimentos enriquecidos.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o de ingest\u00e3o para crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 entre 700 e 1.300 mg\/dia. Para os adultos, vai de 1.000 a 1.300 mg\/dia. Para quem tem problemas como produtos l\u00e1cteos ou outro tipo de restri\u00e7\u00e3o alimentar, existem os suplementos.<\/p>\n<p>A vitamina D, por sua vez, \u00e9 encontrada em poucos alimentos em sua forma natural: peixes gordurosos, como arenque, salm\u00e3o e sardinha, \u00f3leo de f\u00edgado de peixe, castanhas e gema de ovo.<\/p>\n<p>O melhor jeito de absorv\u00ea-la \u00e9 tomando sol entre 15 e 30 minutos todos os dias &#8211; \u00e9 preciso expor as pernas e os bra\u00e7os. Vale destacar que at\u00e9 a fase adulta, essa vitamina \u00e9 sintetizada na pele pela a\u00e7\u00e3o dos raios ultravioletas, por\u00e9m, com o envelhecimento, o corpo perde essa capacidade.<\/p>\n<p>A quantidade indicada \u00e9 de 600 UI\/dia at\u00e9 os 18 anos, e de 800 UI\/dia a partir da\u00ed. Assim como no c\u00e1lcio, pode-fazer a suplementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Junto a esses cuidados, \u00e9 primordial praticar atividade f\u00edsica regularmente &#8211; muscula\u00e7\u00e3o, alternada com exerc\u00edcios aer\u00f3bicos -, para fortalecer os m\u00fasculos e o tecido \u00f3sseo e desenvolver o reflexo e o equil\u00edbrio.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junto a esses cuidados, \u00e9 primordial praticar atividade f\u00edsica regularmente &#8211; muscula\u00e7\u00e3o, alternada com exerc\u00edcios aer\u00f3bicos -, para fortalecer os m\u00fasculos e o tecido \u00f3sseo<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":295383,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-295380","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/osteoporose.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=295380"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295380\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/295383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=295380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=295380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=295380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}