{"id":29548,"date":"2013-11-20T10:27:43","date_gmt":"2013-11-20T13:27:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=29548"},"modified":"2013-11-20T10:27:43","modified_gmt":"2013-11-20T13:27:43","slug":"ensino-da-cultura-negra-ainda-sofre-resistencia-nas-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ensino-da-cultura-negra-ainda-sofre-resistencia-nas-escolas\/","title":{"rendered":"Ensino da cultura negra ainda sofre resist\u00eancia nas escolas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h1><del><span style=\"color: #333333; font-size: 13px; line-height: 19px;\">Maur\u00edcio Moraes<\/span><\/del><\/h1>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Michael e Celina Sodr\u00e9\" src=\"http:\/\/wscdn.bbc.co.uk\/worldservice\/assets\/images\/2013\/11\/19\/131119014306_michael_celina_512x288_arquivopessoal.jpg\" width=\"512\" height=\"288\" \/>Celina foi aconselhada a mudar Michael para escola p\u00fablica, &#8220;para ele saber qual seu lugar&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Embora metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira se identifique como preta ou parda, a hist\u00f3ria das ra\u00edzes africanas do Brasil ainda \u00e9 tema pouco tratado nas salas de aula. Promulgada h\u00e1 dez anos, a lei 10.639, que determina o ensino da cultura afro-brasileira, esbarra na falta de capacita\u00e7\u00e3o dos professores e at\u00e9 no racismo velado que permeia a sociedade, segundo apurou a reportagem da BBC Brasil. Mas h\u00e1 avan\u00e7os.<\/p>\n<p>Hoje com 19 anos, Michael Sodr\u00e9 \u00e9 mais um estudante tenso com as provas do vestibular. Nos primeiros anos do col\u00e9gio, no entanto, o motivo de tens\u00e3o era outro. \u00danico garoto negro em sua sala de aula, em um famoso col\u00e9gio de elite na zona sul do Rio de Janeiro, o menino era alvo frequente de bullying por parte dos colegas.<\/p>\n<div>\n<div>\n<h3><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">&#8220;Chamavam ele de Bombril por causa do cabelo&#8221;, disse a m\u00e3e adotiva, Celina Sodr\u00e9. Em uma conversa dura com a coordenadora da escola, o di\u00e1logo acabou em uma recomenda\u00e7\u00e3o ins\u00f3lita:<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Ela simplesmente me disse que a solu\u00e7\u00e3o do problema era que meu filho fosse estudar na escola p\u00fablica, porque ai ele saberia onde era o seu lugar&#8221;.<\/p>\n<p>Cenas de bullying por parte dos colegas e racismo por parte do pr\u00f3prio sistema se reproduzem em escolas de todo o Brasil. Mais de um s\u00e9culo ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o, o pa\u00eds que mais recebeu trabalhadores negros ainda trata esses cidad\u00e3os como se fossem subalternos, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.<\/p>\n<p>A lei 10.639, promulgada em 2003, foi criada justamente com o intuito de valorizar as ra\u00edzes africanas do pa\u00eds e superar o racismo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso superar a vis\u00e3o do negro apenas como escravo. \u00c9 assim que ele geralmente aparece nos livros escolares&#8221;, conta Rafael Ferreira da Silva, Coordenador do N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o \u00c9tnico-Racial da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A prefeitura paulistana fez neste ano um levantamento in\u00e9dito na rede de ensino da cidade para ver o alcance da aplica\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n<p>&#8220;O levantamento mostrou que h\u00e1 avan\u00e7os. Mais da metade das escolas trabalham o tema. Mas na maior parte dos casos, \u00e9 geralmente iniciativa isolada de um professor que gosta do tema. E tamb\u00e9m h\u00e1 o problema da descontinuidade. Se o professor deixa a escola, muitas vezes o assunto deixa de ser abordado&#8221;, disse.<\/p>\n<h2>Mitos aceitos e mitos ocultos<\/h2>\n<p>&#8220;Discutir \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 coisa f\u00e1cil nas escolas&#8221;, diz Stela Guedes Caputo, pesquisadora do tema e professora na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos casos concretos de preconceito registrados em sala de aula, ela diz que quando a lei \u00e9 cumprida, h\u00e1 casos em que &#8220;pais se re\u00fanem com os filhos e v\u00e3o \u00e0 escola questionar e criticar professores que querem discutir a hist\u00f3ria da \u00c1frica&#8221;.<\/p>\n<p>Stela tamb\u00e9m questiona a aus\u00eancia de elementos de origem afro nos livros escolares. A quest\u00e3o se torna especialmente delicada quando se tratam de personagens ligados \u00e0s religi\u00f5es afro-brasileiras.<\/p>\n<p>Nesse caso, a oculta\u00e7\u00e3o desse cap\u00edtulo da cultura nacional n\u00e3o \u00e9 apenas prerrogativa das escolas. Em muitos casos, as pr\u00f3prias crian\u00e7as escondem a religiosidade para n\u00e3o sofrerem preconceito por parte dos colegas.<\/p>\n<p>&#8220;Os mitos que as crian\u00e7as aprendem nos terreiros de candombl\u00e9 n\u00e3o s\u00e3o aceitos na escola, os itans (os mitos da cultura iorub\u00e1), as hist\u00f3rias africanas que conhecem, s\u00e3o das mais belas cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias humanas e elas precisam escond\u00ea-las. Seu conhecimento \u00e9 negado. Porque na escola \u00e9 t\u00e3o comum mitos gregos, romanos e outros, e mitos africanos s\u00e3o demonizados?&#8221;, questiona.<\/p>\n<h2>Avan\u00e7o<\/h2>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Livro Minas de Quilombos\" src=\"http:\/\/wscdn.bbc.co.uk\/worldservice\/assets\/images\/2013\/11\/19\/131119194202_mec_304x304_mec.jpg\" width=\"304\" height=\"304\" \/>Editais do MEC exigem que livros did\u00e1ticos tenham conte\u00fado sobre a hist\u00f3ria afro-brasileira<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Professora de forma\u00e7\u00e3o, Maca\u00e9 Maria Evaristo do Santos conta que h\u00e1 mais de dez anos, quando ainda dava aula em um col\u00e9gio de Belo Horizonte (MG), a visiblidade da cultura afro-brasileira era bem menor.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez cheguei em uma sala do Ensino M\u00e9dio e perguntei aos alunos quantos haviam lido um livro com personagens negros. Alguns levantaram a m\u00e3o. Depois de mais de dez anos de escolaridade, eles citaram a Tia Nast\u00e1cia, o Saci Perer\u00ea, o Negrinho do Pastoreio\u2026 Nem Zumbi dos Palmares fazia parte do repert\u00f3rio&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Maca\u00e9 hoje \u00e9 Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Diversidade e Inclus\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC). Uma d\u00e9cada ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da lei, ela ainda v\u00ea desafios, mas comemora os resultados.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 uma tem\u00e1tica que vai ganhando relev\u00e2ncia. Antes s\u00f3 se falava nisso no Dia da Consci\u00eancia Negra. Aos poucos vai se integrando no projeto pedag\u00f3gico das escolas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria conta que em 2012, o curso mais solicitado pelos diretores de escolas do pa\u00eds na Rede Nacional de Forma\u00e7\u00e3o Continuada do MEC foi justamente o que capacita professores para o ensino de cultura afro-brasileira.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, os editais para o desenvolvimento de livros did\u00e1ticos financiados pelo MEC tamb\u00e9m exigem esse conte\u00fado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira se identifique como preta ou parda, a hist\u00f3ria das ra\u00edzes africanas do Brasil ainda \u00e9 tema pouco tratado nas salas de aula. 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