{"id":296022,"date":"2019-09-22T12:04:04","date_gmt":"2019-09-22T15:04:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=296022"},"modified":"2019-09-22T12:04:04","modified_gmt":"2019-09-22T15:04:04","slug":"doente-terminal-em-bom-sucesso-antonio-fagundes-diz-como-gostaria-de-morrer-em-cena-seria-maravilhoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/doente-terminal-em-bom-sucesso-antonio-fagundes-diz-como-gostaria-de-morrer-em-cena-seria-maravilhoso\/","title":{"rendered":"Doente terminal em \u2018Bom sucesso\u2019, Antonio Fagundes diz como gostaria de morrer: \u2018Em cena, seria maravilhoso\u2019"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<\/header>\n<div id=\"photo_gallery\" class=\"photo_gallery\">\n<div class=\"slideshow\">\n<div class=\"expand\"><a class=\"hide\" title=\"Ver vers\u00e3o ampliada\" href=\"https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/antonio-fagundes-alberto-de-bom-sucesso-23964831.html\">Abrir esta Fotogaleria<\/a><\/div>\n<div class=\"photos\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"https:\/\/extra.globo.com\/incoming\/23964832-a56-5ce\/w640h360-PROP\/xantonio-fagundes-1.jpg.pagespeed.ic.zERv_fmUYs.jpg\" alt=\"Antonio Fagundes no Real Gabinete Portugu\u00eas de Leitura, no Rio\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story\">\n<p>Qual foi a \u00faltima loucura de amor que voc\u00ea cometeu? Dias atr\u00e1s, enquanto gravava o cap\u00edtulo em que Alberto, seu personagem em \u201cBom sucesso\u201d, era agredido e batia com a cabe\u00e7a durante um assalto \u00e0 sua mans\u00e3o (foi ao ar no s\u00e1bado, dia 14),\u00a0<a class=\"tv\" href=\"https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/antonio-fagundes\/\" rel=\"follow\">Antonio Fagundes<\/a>\u00a0precisou permanecer deitado no ch\u00e3o por mais de meia hora, para que a dire\u00e7\u00e3o fizesse a marca\u00e7\u00e3o da cena com os outros atores. O veterano n\u00e3o perdeu tempo: sacou seu atual livro de cabeceira e ficou ali, deitado, saboreando cada p\u00e1gina.<\/p>\n<div class=\"teads-inread xs-screen\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>\u2014 Algu\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o foi gentil e me trouxe uma almofadinha para apoiar a cabe\u00e7a \u2014 acrescenta ele, sorrindo, diante da prova cabal de sua paix\u00e3o pelos livros: \u2014 Eu aproveito cada segundinho que tenho para ler. Agora, tenho focado na biografia de Carmen Miranda, escrita por Ruy Castro, para um musical infantil com Amanda Acosta que estou produzindo. Normalmente, leio dois livros por semana. Como esse \u00e9 grande, intercalo com outro, sobre Jo\u00e3o Caetano, de autoria de D\u00e9cio de Almeida Prado. O sujeito d\u00e1 nome a teatro, pra\u00e7a, rua, mas ningu\u00e9m sabe quem \u00e9!<\/p>\n<div class=\"eye quote\">\n<blockquote><p>Eu aproveito cada segundinho que tenho para ler<\/p><\/blockquote>\n<p>Antonio Fagundes, ator<\/p><\/div>\n<p>Curiosamente, o papo com Fagundes aconteceu num pr\u00e9dio vizinho ao Teatro Jo\u00e3o Caetano, no Centro do Rio: o Real Gabinete Portugu\u00eas de Leitura. A convite do EXTRA, o ator visitou a bel\u00edssima biblioteca, com cerca de 350 mil obras de autores portugueses, e se encantou com o que viu.<\/p>\n<p>\u2014 Quando viemos aqui da primeira vez, estava em reforma. Tudo coberto, lustre no ch\u00e3o&#8230; N\u00e3o tivemos a dimens\u00e3o desse lugar. Isso aqui \u00e9 um presente, a coisa mais linda! \u2014 exclamou o ator, na companhia de sua outra paix\u00e3o, a tamb\u00e9m atriz Alexandra Martins, int\u00e9rprete da enfermeira Leila na novela das sete.<\/p>\n<p>Era uma quinta-feira, dia de o casal pegar a ponte a\u00e9rea para S\u00e3o Paulo, onde encena a pe\u00e7a \u201cBaixa terapia\u201d de sexta a domingo. \u00c0s segundas-feiras, os dois retornam ao Rio, onde tamb\u00e9m t\u00eam resid\u00eancia, para gravar \u201cBom sucesso\u201d. A conviv\u00eancia 24 horas por dia \u00e9 considerada um prazer por ambos, que garantem: as rusgas no relacionamento ficam restritas ao campo da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A implic\u00e2ncia \u00e9 s\u00f3 de Alberto com Leila, n\u00f3s nos damos muito bem! Tem casal a\u00ed que est\u00e1 feliz da vida, viaja junto e se separa uma semana depois. Nossa parceria segue firme, d\u00e1 certo h\u00e1 12 anos \u2014 afirma Fagundes, trocando c\u00famplices olhares com a mulher, de 40, que conheceu durante as grava\u00e7\u00f5es do seriado \u201cCarga pesada\u201d, em 2007, e com quem se casou, discretamente, h\u00e1 quatro anos.<\/p>\n<div class=\"eye quote\">\n<blockquote><p>Criei o h\u00e1bito de viajar com meus filhos. Uma vez por ano, ou a cada dois anos, nos reunimos todos e passamos um m\u00eas conhecendo lugares pelo mundo<\/p><\/blockquote>\n<p>Antonio Fagundes<\/p><\/div>\n<p>Tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o mal resolvida de seu personagem com os filhos, Nana (Fabiula Nascimento) e Marcos (Romulo Estrela), n\u00e3o encontra ecos na vida real. O pai da administradora de restaurantes Dinah, de 39 anos; do publicit\u00e1rio Antonio, de 38; da comunicadora Diana, de 37; e do ator Bruno, de 30, conta que costuma reunir \u201cas crian\u00e7as\u201d com frequ\u00eancia, num clima harm\u00f4nico e festivo:<\/p>\n<p>\u2014 A gente sempre combina de sair para jantar depois da pe\u00e7a. Toda semana estamos juntos, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o gostosa. Tamb\u00e9m criei o h\u00e1bito de viajar com meus filhos. Uma vez por ano, ou a cada dois anos, nos reunimos todos e passamos um m\u00eas conhecendo lugares pelo mundo. \u00c9 delicioso!<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 18 de abril, Alexandra e seu quarteto de enteados planejaram uma celebra\u00e7\u00e3o pelos 70 anos de vida de Fagundes. Avesso a festas, o patriarca foi surpreendido pela reuni\u00e3o de aproximadamente 40 amigos num restaurante em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o gosto de festas de anivers\u00e1rio porque acho que voc\u00ea acaba trabalhando mais do que aproveitando. Mas essa surpresa foi \u00f3tima, fizeram um grande jantar com gente querida. A gente quase fechou o restaurante! \u2014 lembra, satisfeito, entregando que ainda quer se dar de presente uma viagem ao Jap\u00e3o: \u2014 Estive l\u00e1 h\u00e1 uns 40 anos, mas foi r\u00e1pido, passei uns cinco ou seis dias na regi\u00e3o de T\u00f3quio. Prometi que voltaria um dia. J\u00e1 se passaram d\u00e9cadas e eu ainda n\u00e3o consegui.<\/p>\n<div class=\"eye quote\">\n<blockquote><p>N\u00e3o gosto de festas de anivers\u00e1rio porque acho que voc\u00ea acaba trabalhando mais do que aproveitando. Mas essa surpresa foi \u00f3tima, fizeram um grande jantar com gente querida<\/p><\/blockquote>\n<p>Antonio Fagundes, ator<\/p><\/div>\n<p>A nova e redonda idade, ele conta, n\u00e3o provocou grandes mudan\u00e7as em seu modo de enxergar a vida e sua inevit\u00e1vel e temida finitude.<\/p>\n<p>\u2014 Eu brinco que sempre tive nostalgia da velhice. \u00c9 um momento bom da vida, quando voc\u00ea j\u00e1 adquiriu algum conhecimento e est\u00e1 mais calmo. Sei que n\u00e3o adianta ter pressa, meu futuro est\u00e1 diminuindo \u2014 reflete o veterano, que na pele de Alberto vive o drama de ter uma doen\u00e7a terminal: \u2014 Como diz o livro \u201cA morte \u00e9 um dia que vale a pena viver\u201d (da m\u00e9dica Ana Claudia Quintana Arantes, consultora da novela), o importante \u00e9 viver intensamente enquanto se estiver por aqui. Se vai ter mais um dia ou seis meses de vida, ningu\u00e9m sabe. \u00c0s vezes, voc\u00ea \u00e9 jovem e acha que ainda tem muito tempo pela frente, puro engano. E tem idoso com d\u00e9cadas de vida para curtir. Ent\u00e3o, \u201ccarpe diem\u201d (aproveite o dia)!<\/p>\n<p>Se pudesse, Fagundes s\u00f3 faria um pedido: que sua morte n\u00e3o viesse acompanhada de dor.<\/p>\n<p>\u2014 Queria ter dignidade e conforto at\u00e9 o dia do meu fim. A pior coisa n\u00e3o \u00e9 a morte em si. Ela chega, voc\u00ea encerra. Ruim \u00e9 o sofrimento que te leva a ela. Morrer dormindo seria \u00f3timo; morrer em cena, maravilhoso! O p\u00fablico ficaria assustado, \u00e9 claro&#8230; Mas, como Moli\u00e9re, eu entraria para a hist\u00f3ria (conta-se que o dramaturgo franc\u00eas morreu no palco, em 1673, protagonizando sua \u00faltima pe\u00e7a).<\/p>\n<div class=\"eye quote\">\n<blockquote><p>Eu brinco que sempre tive nostalgia da velhice. Sei que n\u00e3o adianta ter pressa, meu futuro est\u00e1 diminuindo<\/p><\/blockquote>\n<p>Antonio Fagundes, ator<\/p><\/div>\n<p>Agn\u00f3stico (ou \u201cateu covarde\u201d, como ele define o termo), o ator diz n\u00e3o acreditar em vida ap\u00f3s a morte (\u201cAcho que temos a sorte de estar passando por aqui\u201d), mas exalta o livro maior do cristianismo:<\/p>\n<p>\u2014 A B\u00edblia \u00e9 fabulosa! Uma obra com tr\u00eas mil anos de exist\u00eancia&#8230; As pessoas, geralmente, s\u00f3 a encaram de maneira religiosa. \u00c9 uma pena, porque deixam de enxergar o valor liter\u00e1rio que tem. S\u00e3o hist\u00f3rias fant\u00e1sticas, contadas de forma econ\u00f4mica e po\u00e9tica. Por isso, resiste tanto tempo. Eu j\u00e1 a li algumas vezes, n\u00e3o sei quantas ao certo. Tenho esse costume de ler a mesma obra v\u00e1rias vezes, e sempre \u00e9 diferente. Voc\u00ea descobre nas entrelinhas o que ainda n\u00e3o tinha percebido.<\/p>\n<p>Dono de uma editora na fic\u00e7\u00e3o, Fagundes tem um acervo particular \u00e0 altura do exibido em \u201cBom sucesso\u201d \u2014 as equipes de arte e cenografia adquiriram 30 mil livros, para seis cen\u00e1rios.<\/p>\n<div class=\"eye quote\">\n<blockquote><p>Depois que leio, aquele livro passa a fazer parte da minha vida. E, se gosto muito, a primeira coisa que fa\u00e7o \u00e9 comprar cinco ou seis iguais para distribuir entre amigos<\/p><\/blockquote>\n<p>Antonio Fagundes, ator<\/p><\/div>\n<p>\u2014 Tenho uma biblioteca grande em casa, de dois andares. Devem ser, em m\u00e9dia, dez mil obras. Mas n\u00e3o h\u00e1 exemplares raros nem autografados. S\u00e3o s\u00f3 para leitura mesmo, n\u00e3o sou um bibli\u00f3filo (colecionador de livros raros e preciosos) \u2014 explica o carioca, contando que n\u00e3o costuma emprestar seus pertences: \u2014 Depois que leio, aquele livro passa a fazer parte da minha vida. E, se gosto muito, a primeira coisa que fa\u00e7o \u00e9 comprar cinco ou seis iguais para distribuir entre amigos. Aprendi que muita gente gosta de pedir emprestado porque n\u00e3o devolve. Ent\u00e3o, eu j\u00e1 me adianto: \u201cToma, \u00e9 seu, nem precisa devolver\u201d.<\/p>\n<p>Foi assim, recentemente, com a atriz mirim Valentina Vieira, a Sofia de \u201cBom sucesso\u201d. Sem netos na vida real, Fagundes se encantou com o gosto de sua parceirinha de cena pela leitura e tratou de cultivar o h\u00e1bito na menina.<\/p>\n<p>\u2014 A gente conversa bastante nos intervalos das grava\u00e7\u00f5es. Um dia, falamos sobre (o escritor franc\u00eas) J\u00falio Verne, e ela ficou toda interessada. Ent\u00e3o, comprei \u201cVinte mil l\u00e9guas submarinas\u201d e a presenteei, mas logo percebi que se tratava de um romance dif\u00edcil para ela. Depois, lhe dei \u201cA Bela e a Fera\u201d. Em uma semana, Valentina leu o livro. Ela \u00e9 uma gra\u00e7a! \u2014 conta ele, lembrando que se apaixonou pela leitura aos 6 anos, quando teve mononucleose e, de repouso for\u00e7ado, come\u00e7ou a \u201cdevorar\u201d gibis.<\/p>\n<div class=\"eye quote\">\n<blockquote><p>O Estado n\u00e3o tem que se meter. A responsabilidade pela educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens \u00e9 exclusivamente dos pais<\/p><\/blockquote>\n<p>Antonio Fagundes, sobre a censura na Bienal do Livro a uma HQ<\/p><\/div>\n<p>Ao frisar que livros abrem mentes para o mundo, o artista considera abusivo e absurdo censur\u00e1-los, como fez a Prefeitura do Rio na Bienal neste m\u00eas:<\/p>\n<p>\u2014 O Estado n\u00e3o tem que se meter nisso. A responsabilidade pela educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens \u00e9 exclusivamente dos pais. Se os instru\u00edrem bem, poder\u00e3o colocar em suas m\u00e3os o livro que for, que v\u00e3o saber o que fazer. Se o prefeito queria chamar aten\u00e7\u00e3o para o evento, conseguiu. Agradecemos a ele pelo recorde de vendas.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h1><strong>A VIDA \u00c9 UM BEST-SELLER<\/strong><\/h1>\n<p>.<\/p>\n<p>Listamos sucessos da literatura e pediu a Fagundes que relacionasse tais t\u00edtulos a sua pr\u00f3pria vida. Leitor voraz, ele n\u00e3o teve dificuldade alguma: \u201cGabaritei. J\u00e1 li todos esses livros!\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018Cem anos de solid\u00e3o\u2019 (Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, 1967)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSchopenhauer (fil\u00f3sofo alem\u00e3o)dizia que voc\u00ea pode ter 15 anos, ser rico e bonito, mas, se n\u00e3o tiver sa\u00fade, sua vida ser\u00e1 muito ruim. J\u00e1 aos 100 anos, pobre e feio, mas saud\u00e1vel, vale a pena. Adoraria me tornar um centen\u00e1rio saud\u00e1vel. Quanto \u00e0 solid\u00e3o, \u00e9 boa, \u00e9 diferente de ser solit\u00e1rio. Ficar quietinho num canto quando se quer \u00e9 uma maravilha! O solit\u00e1rio n\u00e3o tem escolha\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018Livro do desassossego\u2019 (Fernando Pessoa, 1982)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEste paisinho em que a gente vive atualmente est\u00e1 tirando a tranquilidade de muita gente. Inclusive, de quem apoia (a situa\u00e7\u00e3o). Eu estou bastante inquieto, desassossegado\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018Sentimento do mundo\u2019 (Carlos Drummond de Andrade, 1940)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aqui, acontece no mundo todo. Os americanos chamam de \u2018backlash\u2019. Tivemos d\u00e9cadas de progresso social, psicol\u00f3gico e filos\u00f3fico; conquistamos certa civilidade e direitos humanos; come\u00e7amos a debater igualdade em profundidade. Agora, veio a era do refluxo, da vingan\u00e7a do que foi sufocado nesse tempo. Espero que o refluxo do refluxo chegue logo, sen\u00e3o vamos amargar. Meu \u2018sentimento do mundo\u2019 \u00e9 de inquietude\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018O estrangeiro\u2019 (Albert Camus, 1942)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho vontade de ir embora. Quando viajo, \u00e0s vezes brinco: \u2018Olha que bonitinho, est\u00e1 pra alugar!\u2019. Dez minutos depois, digo: \u2018Tem muita coisa pra ser feita no Brasil\u2019. Cultura \u00e9 vida! Se voc\u00ea vai para um pa\u00eds onde n\u00e3o foi criado, ser\u00e1 um estrangeiro, por mais que se adapte, fale o idioma, ganhe dinheiro. Culturalmente, o lugar onde foi criado n\u00e3o sair\u00e1 de voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u20181984\u2019 (George Orwell, 1949)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNaquela \u00e9poca, a gente tinha resist\u00eancia democr\u00e1tica. Ser censurado nos estimulava a falar a mesma coisa de outra forma, para que n\u00e3o percebessem. N\u00e3o paramos de produzir na ditadura. A d\u00e9cada de 1980 inteira foi muito produtiva para mim. Foi quando tive a Companhia Est\u00e1vel de Repert\u00f3rio (cia. de teatro), em S\u00e3o Paulo; fiz muito cinema e novela importante\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018O homem invis\u00edvel\u2019 (H. G. Wells, 1897)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA vigil\u00e2ncia s\u00f3 \u00e9 terr\u00edvel para quem se exp\u00f5e demais. N\u00e3o me incomodam os olhares voltados pra mim, quando simp\u00e1ticos. Mas j\u00e1 dei aut\u00f3grafo em vel\u00f3rio de amigo! Isso n\u00e3o d\u00e1&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018O homem sem qualidades\u2019 (Robert Musil, 1943)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDefeito pior do que autoritarismo n\u00e3o existe. Empatia \u00e9 qualidade rara. N\u00e3o sou autorit\u00e1rio, sou um bunda mole. Meu defeito \u00e9 a teimosia. \u00c9 uma boa, \u00e0s vezes, porque corro atr\u00e1s, batalho at\u00e9 conseguir o que quero. Mas vira defeito quando vejo que n\u00e3o est\u00e1 dando certo e continuo. Volto atr\u00e1s, n\u00e3o sou orgulhoso, mas demoro\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018Amor de perdi\u00e7\u00e3o\u2019 (Camilo Castelo Branco, 1862)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAtualmente, ficar mais de uma semana junto com algu\u00e9m j\u00e1 \u00e9 amor de perdi\u00e7\u00e3o. Eu e Alexandra estamos h\u00e1 12 anos!\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018A divina com\u00e9dia\u2019 (Dante Alighieri, 1320)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSou um cara de riso f\u00e1cil. Acho um perigo voc\u00ea definir uma pessoa por uma primeira impress\u00e3o. Se derem um tempo e pesquisarem mais, v\u00e3o ver que no dia em que me acharam antip\u00e1tico talvez eu estivesse com uma dor insuport\u00e1vel na coluna. N\u00e3o \u00e9 que tudo seja relativo, mas \u00e9 preciso contextualizar. Com algumas pessoas, em certas situa\u00e7\u00f5es, devo ter parecido sisudo\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018A metamorfose\u2019 (Franz Kafka, 1915)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSeguramente, eu me transformei muito e vou continuar mudando, se Deus quiser. Estou vivo, n\u00e9? Tem uma frase (do escritor e historiador brit\u00e2nico Tony Judt) que eu adoro: \u2018Quando os fatos mudam, eu mudo de opini\u00e3o\u2019\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018O iluminado\u2019 (Stephen King, 1977)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cCom certeza, sou um cara de sorte, at\u00e9 por ter nascido na classe m\u00e9dia. N\u00e3o fiz parte de uma fam\u00edlia rica, mas tive acesso a livros, teatro, cinema, museus. Isso forma cidad\u00e3os com mente mais aberta. \u00c9 um privil\u00e9gio, sim\u201d.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>\u2018Na minha pele\u2019 (L\u00e1zaro Ramos, 2017)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSe tem uma coisa que est\u00e1 \u00e0 flor da minha pele \u00e9 a paix\u00e3o pelo meu of\u00edcio. As pessoas costumam me chamar de workaholic, mas a verdade \u00e9 que amo tudo o que me disponho a fazer. Pra mim n\u00e3o \u00e9 trabalho, \u00e9 prazer. Eu n\u00e3o estaria aqui (concedendo esta entrevista) se n\u00e3o fosse por prazer. N\u00e3o faria sentido. Se estivessem na minha pele, as pessoas descobririam que sou um apaixonado convicto\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual foi a \u00faltima loucura de amor que voc\u00ea cometeu? 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