{"id":296228,"date":"2019-09-24T07:40:04","date_gmt":"2019-09-24T10:40:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=296228"},"modified":"2019-09-24T07:40:04","modified_gmt":"2019-09-24T10:40:04","slug":"irmaos-koch-os-donos-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/irmaos-koch-os-donos-do-mundo\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3os Koch, os donos do mundo"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header opinion | flex container_column align_items_center text_align_center padding_h_xxl\">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark italic\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark normal\" style=\"text-align: justify;\">Eles gastaram centenas de milh\u00f5es no financiamento de candidatos extremistas hostis aos impostos, aos direitos sindicais e ao controle de emiss\u00f5es<\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n    \"><\/div>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n      right-links\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Antonio Mu\u00f1oz Molina\" href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/antonio_munoz_molina\/a\/\">ANTONIO MU\u00d1OZ MOLINA<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/_TSNdA743DbpoN1gnG3-QFBZWuU=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/CZSLYGRKPFWIXD6QCC4VE6YIAA.jpg\" alt=\"Os irm\u00e3os Charles (esquerda) e David Koch, em 1970.\u00a0\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Os irm\u00e3os Charles (esquerda) e David Koch, em 1970.\u00a0<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">KOCH NEWSROOM<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">As revolu\u00e7\u00f5es empreendidas em nome dos trabalhadores e pobres come\u00e7aram em derramamentos de sangue e acabaram em despotismo, incompet\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o. S\u00e3o as revolu\u00e7\u00f5es dos ricos que t\u00eam sucesso. Perguntaram a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/13\/internacional\/1510592448_478602.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Warren Buffet<\/a>, um dos tr\u00eas ou quatro homens mais ricos do mundo, se acreditava na guerra de classes e respondeu com naturalidade: \u201cClaro que sim. N\u00f3s vencemos\u201d. Ao longo do s\u00e9culo passado, os movimentos revolucion\u00e1rios de classe foram se tornando reformistas e, atrav\u00e9s da press\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sindicatos\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">sindical\u00a0<\/a>e ativismo pol\u00edtico, foram conquistando melhorias que acabaram definindo o<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/15\/economia\/1529054985_121637.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0Estado de bem-estar europeu,\u00a0<\/a>essa mistura de economia de mercado, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o universais, igualdade perante a lei, governan\u00e7a democr\u00e1tica e impulso de progresso que at\u00e9 recentemente d\u00e1vamos como certo. At\u00e9 mesmo nos Estados Unidos, desde a \u00e9poca do New Deal de Roosevelt, a crueza extrema do capitalismo e do individualismo a todo custo foi moderada gra\u00e7as \u00e0s leis que limitavam o tamanho das grandes empresas, promoviam um n\u00edvel b\u00e1sico de prote\u00e7\u00e3o social e asseguravam, gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a dos sindicatos, condi\u00e7\u00f5es salariais aceit\u00e1veis,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/26\/opinion\/1435327524_445149.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">servi\u00e7os de sa\u00fade<\/a> e aposentadorias decentes aos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"\">Os reformistas consideravam que as coisas poderiam sempre melhorar, que se poderia avan\u00e7ar na igualdade e nos direitos civis, que gradualmente, com um esfor\u00e7o cont\u00ednuo, as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/derechos_mujer\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mulheres poderiam ser iguais aos homens<\/a>\u00a0e as minorias marginalizadas e perseguidas alcan\u00e7ariam uma cidadania plena. Os reformistas, entretanto, n\u00e3o contavam com os revolucion\u00e1rios. Mas os revolucion\u00e1rios n\u00e3o eram os iluminados da extrema esquerda, m\u00edsticos e sect\u00e1rios como crist\u00e3o primitivos, adoradores de velhos tiranos e de burocracias esclerosadas. Os revolucion\u00e1rios de verdade, os radicais sem considera\u00e7\u00e3o, os advers\u00e1rios mais tem\u00edveis do estabelecido n\u00e3o eram os militantes intoxicados de catecismos ideol\u00f3gicos, os pobres que n\u00e3o tinham lugar na sociedade de bem-estar e os imigrantes for\u00e7ados a arriscar a vida para fugir da fome e da opress\u00e3o. Os revolucion\u00e1rios incorrupt\u00edveis a toda modera\u00e7\u00e3o reformistas foram os ricos, e com eles, seus porta-vozes e propagandistas.<\/p>\n<p class=\"\">H\u00e1 pouco mais de dois anos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/02\/05\/internacional\/1454694596_070739.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Jane Mayer publicou um estudo corajoso\u00a0<\/a>e rigoroso sobre a maneira que alguns bilion\u00e1rios financiaram desde o come\u00e7o dos anos setenta a guinada te\u00f3rica e pol\u00edtica que levou ao desmantelamento das conquistas sociais, \u00e0s maci\u00e7as diminui\u00e7\u00f5es de impostos a favor dos ricos e \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o das regulamenta\u00e7\u00f5es que desde a \u00e9poca da New Deal limitavam a capacidade de especula\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o dos grandes bancos e das ag\u00eancias financeiras de Wall Street. Jane Mayer dedica em seu livros muitas p\u00e1ginas aos irm\u00e3os David e Charles Koch, dos quais pouca gente havia ouvido falar at\u00e9 ent\u00e3o, mas que possu\u00edam um dos grupos empresariais mais poderosos do mundo, e h\u00e1 d\u00e9cadas financiavam cadeiras universit\u00e1rias, centros de estudo, campanhas pol\u00edticas, toda uma m\u00e1quina formid\u00e1vel dedicada a um \u00fanico objetivo: o descr\u00e9dito e a anula\u00e7\u00e3o da capacidade reguladora e de redistribui\u00e7\u00e3o do Estado, e de qualquer limite fiscal, social e ambiental \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e ao enriquecimento dos mais ricos.<\/p>\n<p class=\"\"><em>Dark Money<\/em>\u00a0\u00e9 um livro instrutivo e aterrorizante. Agora estou lendo outro que d\u00e1 ainda mais medo, talvez porque se concentre exclusivamente na hist\u00f3ria desses dois irm\u00e3os,\u00a0<em>Kochland<\/em>, de Christopher Leonard, e do gigante empresarial que levantaram. A Koch Industries tem neg\u00f3cios em 60 pa\u00edses e mais de 100.000 empregados. Possui refinarias, f\u00e1bricas de g\u00e1s natural, redes de oleodutos, f\u00e1bricas de fertilizantes e de ra\u00e7\u00e3o, de toalhas de rosto, de papel higi\u00eanico, at\u00e9 de cart\u00f5es de anivers\u00e1rio. Entre os dois irm\u00e3os \u2014um deles morreu meses atr\u00e1s\u2014 reuniam uma fortuna de mais de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (414 bilh\u00f5es de reais). Gastaram centenas de milh\u00f5es em financiamentos de campanhas de candidatos extremistas hostis aos impostos, aos direitos sindicais e a qualquer tipo de controle de emiss\u00f5es de gases de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/16\/eps\/1568633180_345386.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">efeito estufa<\/a>. Em suas empresas fizeram todo o poss\u00edvel para minar qualquer tipo de ativismo sindical e implantaram m\u00e9todos de controle e de produtividade que n\u00e3o d\u00e3o respiro aos trabalhadores e que os for\u00e7am a competir uns com os outros. Pelo dinheiro e tr\u00e1fico de influ\u00eancias, fizeram fracassar a lei de prote\u00e7\u00e3o ambiental bem moderada promovida por Barack Obama em seu primeiro mandato. Financiaram e organizaram campanhas contra qualquer projeto de transporte p\u00fablico colocado em andamento em qualquer grande cidade americana. Nos anos oitenta se descobriu que a Koch Industries roubava as tribos ind\u00edgenas em cujas reservas explorava petr\u00f3leo, declarando quantidades inferiores \u00e0s que extra\u00edam; tamb\u00e9m lan\u00e7avam res\u00edduos t\u00f3xicos e \u00e1guas contaminadas nas matas e rios pr\u00f3ximos a sua maior refinaria de petr\u00f3leo. Pagaram multas rid\u00edculas.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top pull_left width_half\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/cTn7v5e6frbTwr8rJZjAa6pV_QA=\/450x600\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/WDXSAURA5XWNYOZQAMAOPV4DNI.jpg\" alt=\"Capa do novo livro sobre os irm\u00e3os Kochland\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Capa do novo livro sobre os irm\u00e3os Kochland<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\"><em>Kochland\u00a0<\/em>n\u00e3o \u00e9 um panfleto. Christopher Leonard \u00e9 um jornalista econ\u00f4mico dotado desse invej\u00e1vel talento anglo-sax\u00e3o para esclarecer o complexo sem simplific\u00e1-lo e para dar \u00edmpeto narrativo \u00e0 hist\u00f3ria do crescimento e da expans\u00e3o de um grupo empresarial que est\u00e1 disposto a nunca aceitar o menor limite \u00e0 vontade de enriquecimento e dom\u00ednio de seus donos. Nos anos oitenta a Koch Industries sofreu contratempos por burlar as leis. A estrat\u00e9gia dos Koch a partir de ent\u00e3o foi assegurar-se de que nenhuma lei ficasse em seu caminho, e de comprar quantos pol\u00edticos fossem necess\u00e1rios para consegui-lo. S\u00e3o revolucion\u00e1rios porque s\u00f3 se contentam com tudo.<\/p>\n<p class=\"\">Anular a resist\u00eancia dos trabalhadores sempre foi outro de seus objetivos principais. O epis\u00f3dio mais triste do livro de Leonard \u00e9 a cr\u00f4nica de uma negocia\u00e7\u00e3o entre os diretores de uma f\u00e1brica de tratamento de papel dos Koch e os representantes sindicais. O sindicato est\u00e1 dizimado e desmoralizado porque tem cada vez menos membros. Os sal\u00e1rios s\u00e3o t\u00e3o baixos que os trabalhadores n\u00e3o podem se arriscar a uma greve, sequer a uma san\u00e7\u00e3o. Do modo reformista, os porta-vozes sindicais procuram uma modesta melhoria salarial, uma seguran\u00e7a de que poder\u00e3o manter suas aposentadorias. Nem mesmo isso conseguem. A Koch Industries \u00e9 uma empresa revolucion\u00e1ria: n\u00e3o querem vencer a negocia\u00e7\u00e3o com o sindicato, querem destru\u00ed-lo. A produtividade aumentou mais de 70%, mas os sal\u00e1rios continuam congelados e perdem valor h\u00e1 anos. \u00c9 2016 e nas prim\u00e1rias do Partido Democrata os trabalhadores sindicalizados votam em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/13\/internacional\/1568330740_731392.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Bernie Sanders<\/a>. Quando chegam as elei\u00e7\u00f5es, ainda que a diretoria sindical que n\u00e3o soube e n\u00e3o p\u00f4de defender seus direitos pe\u00e7a o<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/elecciones_eeuu\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0voto em Hillary Clinton,<\/a>\u00a0a maior parte dos trabalhadores da f\u00e1brica, vencidos, amargurados, ressentidos, vota em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/19\/internacional\/1560898947_787665.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Trump<\/a>.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box\">\n<div>A Koch Industries \u00e9 revolucion\u00e1ria: n\u00e3o querem vencer a negocia\u00e7\u00e3o com o sindicato, querem destru\u00ed-lo. A produtividade aumentou mais de 70%, mas os sal\u00e1rios continuam congelados<\/div>\n<\/blockquote>\n<\/section>\n<div class=\"trust_project\">\n<div class=\"content | flex container_column_mobile justify_space_between\">\n<div class=\"claim | flex align_items_center justify_center\" style=\"text-align: justify;\">Adere a<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As revolu\u00e7\u00f5es empreendidas em nome dos trabalhadores e pobres come\u00e7aram em derramamentos de sangue e acabaram em despotismo, incompet\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o. S\u00e3o as revolu\u00e7\u00f5es dos ricos que t\u00eam sucesso. 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